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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Livro dos Mortos

Livro dos Mortos

No antigo Egito, cujo povo acreditava na reencarnação, ou seja, no ressuscitamento de quem se comportasse bem, as múmias eram “enterradas” e com elas colocado um livro, um pergaminho enrolado, não um livro (LEI do Livro) exatamente como diz nossa legislação meticulosa, com instruções e frases que o digníssimo defunto, seu espírito, deveria dizer a quem o julgasse no mundo dos mortos. Na Wikipédia (Livro dos Mortos) encontramos uma explicação bondosa das finalidades do Livro dos Mortos, com outras opções de ilustração e informação em outros sites [por exemplo em  (Netto, 1998)]. Pelo que vimos e ouvimos em reportagem científica via TV, na verdade o livro continha uma série de sugestões de truques para enganar e conquistar os favores divinos. Era um manual de advogado antes do inquérito entregue ao seu cliente. Os bons livros e a mumificação eram caros...
O que merece destaque, contudo, era o formato de um tribunal, ainda que etéreo, em épocas tão antigas, fantástico para os estudiosos de Direito.
Abraão quase matou seu filho Jacó querendo agradar seu Deus. Aliás, algo imperdível é o possível diálogo que Abraão poderia ter feito com sua própria consciência (Kierkegaard, 1843). Afinal, como diz Hannah Arendt (Arendt, 2009), Freud explica (Rowell) e podemos aprender com detalhes adicionais, complicando um pouco (Carl Gustav Jung – Os arquétipos e o inconsciente coletivo). Temos níveis de consciência que governam nosso comportamento.  
Diante de tudo isso o processo de julgamento é complexo, valendo inclusive a questão, somos realmente responsáveis pela nossa vida? Para quê a Justiça?
A sociedade humana, para existir, precisa independentemente de critérios éticos, de regras firmes e razoáveis, aceitas e atualizáveis, lógicas e com tons divinos, afinal, quem realmente o ser humano pode temer quando nossas autoridades policiais e o Judiciário falham?
As religiões tiveram o mérito de viabilizar o mundo moderno. Se durante algum tempo criaram bases eventualmente cruéis, aos poucos deram substância à Justiça, pois a aceitação de ordens e policiamentos depende muito de fórum íntimo. Um bom exemplo é o vandalismo, as gangues, os grupos violentos e organizados que, carecendo de educação adequada, mergulham em ações inacreditáveis em pleno século 21 no centro de nossas cidades, expondo-se à violência da Lei e dos presídios.
No Brasil e no Mundo o clima criado pela Segunda Guerra Mundial e seus horrores levou a Humanidade a acreditar que poderia fazer um mundo novo. Infelizmente isso afundou com as drogas, a xenofobia, o fundamentalismo religioso e ideológico e a nossa inteligência ainda não dominante. Quem disser que o ser humano é racional, um ser pensante, deve fazer um péssimo juízo do que significa “pensar”.
Passamos, nós brasileiros, por um processo eleitoral. Vimos em reportagens e podemos descobrir no site do TSE (ELEIÇÕES 2010) ou em outros o que isso significa democracia em país atrasado [ ver, por exemplo (Financiamento público de campanha: um debate que não pode mais ser adiado)]. No Paraná sentimo-nos humilhados observando pessoas explicitamente envolvidas em processos, sob suspeitas de ilícitos flagrantes, sendo eleitas a peso de ouro (Campanha para a Assembleia custou 59% a mais neste ano). De modo geral percebe-se que candidato sem dinheiro não se elege, com raras e fantásticas exceções. A qualidade moral, social e técnica pouco importância têm. Isso não é privilégio de brasileiro, mas nos deixa extremamente envergonhados. Vale a pena ler os livros de (Gore Vidal) sobre a política nos EUA (romanceados).
Precisamos corrigir leis, estabelecer regras de convivência, definir o futuro da nação. Com quem?
Parecemos candidatos a múmias procurando “Livros dos Mortos” para garantir a próxima vida, rezamos muito e fazemos muito pouco pela vida aqui na Terra.

Cascaes
8.12.2010

Bibliografia
Arendt, H. (2009). A vida do Espírito. (C. A. Almeida, Trad.) Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira.
Carl Gustav Jung – Os arquétipos e o inconsciente coletivo. (s.d.). Acesso em 8 de 12 de 2010, disponível em Blog Ebooks grátis: http://ebooksgratis.com.br/livros-ebooks-gratis/tecnicos-e-cientificos/psicologia-carl-gustav-jung-os-arquetipos-e-o-inconsciente-coletivo/
ELEIÇÕES 2010. (s.d.). Acesso em 8 de 12 de 2010, disponível em Tribunal Superior Eleitoral: http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/eleicoes_2010.htm
FÉLIX, R. (s.d.). Campanha para a Assembleia custou 59% a mais neste ano. Acesso em 8 de 12 de 2010, disponível em Jornal Gazeta do Povo: http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=1074571&tit=Campanha-para-a-Assembleia-custou-59-a-mais-neste-ano
Gore Vidal. (s.d.). Acesso em 8 de 12 de 2010, disponível em Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Gore_Vidal
Kierkegaard, S. (1843). Crainte et Tremblement.
Livros, S. N. (s.d.). Lei do Livro. (S. C. Sistemas, Editor) Acesso em 8 de 12 de 2010, disponível em Portal Editorial: http://www.portaleditorial.com.br/lei.htm
Netto, I. S. (1998). http://www.fascinioegito.sh06.com/livromor.htm. Acesso em 8 de dezembro de 2010, disponível em O fascínio do Antigo Egito: http://www.fascinioegito.sh06.com/
PATERNIANI, L. (s.d.). Financiamento público de campanha: um debate que não pode mais ser adiado. Acesso em 8 de 12 de 2010, disponível em Boteko Vermelho: http://botekovermelho.blogspot.com/2010/12/financiamento-publico-de-campanha-um.html
Rowell, M. H. (s.d.). Teoria Psicanalítica Clássica. (P. Papers, Produtor) Acesso em 8 de 12 de 2010, disponível em The Freud Page: http://www.freudpage.info/freudpsicoteoria.html
Wikipédia. (s.d.). Livro dos Mortos. Acesso em 8 de 12 de 2010, disponível em http://pt.wikipedia.org/: http://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_dos_Mortos


Amigo CASCAES,

sou meio egiptólogo e gostei muito do artigo de hoje comparando o Livro dos Mortos aos manuais dos advogados. E a realidade do mundo e da política de hoje. Consumi teu texto com ardor. Parabéns ! Um detalhe: Deus segura a mão de Abrahão para que ele não mate Isaac ou Isaque, seu filho, que é pai de Jacó e portanto neto, e não filho, de Abrahão.
Dica de um intelectual para outro! Abração, e espero o artigo de amanhã,

Alcy
9/12

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