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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A acessibilidade impossível


Há muitos anos o Brasil entrou na proposta de se construir um país acessível, com oportunidades justas de trabalho, lazer; seguro e saudável para todos os brasileiros, com destaque as Pessoas com Deficiência - PcD, idosos e idosas, cidadãos e cidadãs com doenças crônicas e lesionantes e a preocupação, quando possível, de se evitar condições de risco de deficiência sensorial, intelectual, motora ou alguma combinação dessas situações. Afinal de contas ganhamos a Constituição Cidadã (JB).
Lamentavelmente entrou em cena Al Gore e suas neuroses (ou malícia política), talvez até reais, mas infinitamente menores do que a coleção de propostas que existiam para a construção de um mundo melhor. Já antes, na Europa, os partidos verdes ganharam força e o ser humano se transformou num vetor de destruição, razão dos males de um planeta que deve existir para baleias, elefantes, tigres etc. O interessante é que esse pessoal não defende os ratos, os sapos e pererecas, as minhocas, as bactérias e outros seres menores...
Estamos sob o império das preocupações de uma elite que fala em saco plástico e não dispensa em hipótese alguma o automóvel, que vive em imóveis desproporcionais às suas necessidades, usa aparelhos de ar condicionado e viaja de avião, se possível aviões executivos. Desperdiça espaços, energia, objetos e o que importa é a novidade, a grife, o discurso vazio.
Esses líderes dessa geração alienada, mundiais, nacionais e locais, criaram outras teses para dividir um pouco mais a humanidade. Assim as guerras étnicas vão se viabilizando e as religiosas voltaram com força.
O combate ao tráfico de drogas é tão ineficiente que dá para imaginar grandes conveniências internacionais sustentando tudo isso. Afinal, corromper é um passo importante no processo de dominação.
E a acessibilidade? O ser humano? A dignidade?
Vivemos em Curitiba, assim usamos essa cidade como exemplo. Se outras são melhores ou piores, sabemos alguma coisa, mas não o suficiente para podermos fazer comparações matemáticas e precisas.
A capital paranaense é uma grife em urbanismo. Nada mais justo diante de iniciativas enérgicas tomadas a partir da administração de bons prefeitos (saneamento básico, educação, planejamento, reurbanização, transporte coletivo etc.) e, em coisas visíveis, Jaime Lerner (com tantos títulos e honrarias que fica difícil escolher um(a)) é um paradigma dessa era de urbanização que tinha o mérito de valorizar o transporte coletivo urbano, por exemplo.
Ou seja, a responsabilidade dos curitibanos é enorme. A questão é: e a acessibilidade? A mobilidade de quem precisa caminhar? Usar cadeira de rodas ou empurrar algum carrinho de bebês? Usar ônibus? Entrar e sair de prédios, casas, lojas, restaurantes, escolas, repartições públicas etc.? Falar com o porteiro, o atendente e quem não domina a LIBRAS? O cego pode caminhar entre raízes, pedras soltas, buracos e orelhões? Uma senhora idosa com osteoporose deve subir e descer as escadas dos ônibus ou solicitar que todos a esperem entrar com plataformas elevatórias? Precisamos atravessar as ruas correndo? Os motoristas têm prioridade nas ruas?
A mobilidade do cidadão (todos) é fundamental para que possam se integrar a qualquer sociedade. Ele precisa de transitabilidade segura para poder trabalhar, namorar, divertir-se, fazer compras, rezar etc.
Para isso, felizmente, existem soluções e tecnologias já criadas há décadas e usadas em alguns lugares desse mundo no sistema solar. Os shoppings centers são um bom exemplo, ainda que imperfeito se lembrarmos do estado da arte.
Com certeza, sabendo que o conhecimento humano dobra a cada 72 horas (Mirante do Aprendiz, 2010) e disso tudo, a cada instante, algo mais pode ser acrescentado na viabilização da vida justa e necessária a todos, que dependem de próteses e cuidados especiais, temos a convicção de que, se existir disposição real de nossas autoridades, há como melhorar a vida de todos rapidamente.
Mais ainda, as cidades, se conscientes do que significa o respeito ao próximo, já que amor parece impossível, precisam corrigir erros de urbanismo e de construção que podem ter algum valor histórico, mas acabam sendo tremendamente cruéis ao ser humano que anda, fala, ouve ou enxerga com dificuldades ou que, simplesmente, vive sem os privilégios dos mais ricos.
Ainda lembrando a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010, recordamos a pouquíssima atenção dada ao ser humano em geral. Era um evento corporativo, não precisava, contudo, exagerar na ignorância em relação às questões relativas às PcD e idosos, que, salvo a iniciativa de alguns (CREA-MS), mostrou muito pouco do que deveria existir naquele evento.
Aqui notamos seminários, congressos etc. que simplesmente esquecem os tradutores em LIBRAS (Legislação de Libras), nossa segunda língua nacional por lei.
No Paraná devemos entrar em outra fase. Temos esperanças enormes e com base em fatos reais.
A PMC já mostra uma secretaria especial com o Irajá Brito Vaz (PMC), o prefeito é médico (PSB) e no estado temos Flávio Arns (Wikipédia) como vice governador. Nossa senadora Gleisi Hoffmannn (Cascaes, Observando o trabalho da Senadora Gleisi Hoffmann) demonstra disposição pela causa. Isso tudo sem falar em outras lideranças que mereceriam destaque. Ou seja, é hora de lutar, de reivindicar, de formular propostas e ter esperanças, pelo menos no Paraná.
Nossas ONGs precisam renascer e fazer mais do que têm feito. Agora temos em quem nos apoiar.

Cascaes
6.12.2010


Aprendiz, A. -A. (s.d.). Legislação de Libras. Acesso em 7 de dezembro de 2010, disponível em Língua Brasileira de Sinais: http://www.libras.org.br/index.php
Cascaes, J. C. (s.d.). Fonte: Observando o trabalho da Senadora Gleisi Hoffmann: http://observando-a-gleisi-hoffmann.blogspot.com/
Cascaes, J. C. (2010). (J. C. Cascaes, Produtor) Fonte: Mirante do Aprendiz: http://mirante-do-aprendiz.blogspot.com/2010/08/engenharia-e-arquitetura-e-ousadia.html
JB, C. (s.d.). 1988- A Constituição Cidadã. Acesso em 7 de dezembro de 2010, disponível em HOJE na História: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=5137
PMC. (s.d.). Secretaria Especial dos Direitos daPessoa com Deficiência. Acesso em 7 de dezembro de 2010, disponível em Portal da Prefeitura de Curitiba: http://www.curitiba.pr.gov.br/conteudo/equipe-sedpd-secretaria-especial-dos-direitos-da-pessoa-com-deficiencia/7/68
PSB. (s.d.). Luciano Ducci. Fonte: Luciano Ducci: http://lucianoducci.com.br/luciano-ducci/
Wikipédia. (s.d.). Flávio Arns. Fonte: Wikipédia: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:HNn6y2dpAagJ:pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Arns+fl%C3%A1vio+arns+%22wikip%C3%A9dia%22&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

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