sexta-feira, 16 de julho de 2010

Copa do Mundo – quem pagará a conta e quem já está ganhando

O Brasil entrou euforicamente em dois compromissos pesados, a realização da Copa do Mundo do Mundo em 2014 e em seguida as Olimpíadas. Coisa de gente rica. Somos?

O desastre provocado pelos banqueiros americanos, ou melhor, o tremendo golpe aplicado à Humanidade, exposto com detalhes ainda incompletos, terá efeitos ainda durante muito tempo. Afetou expectativas de rendimento de inúmeros projetos, prejudicou planos de norte a sul, leste a oeste dos EUA (dentro e fora de suas fronteiras). O cassino das Bolsas de Valores vive dizendo que agora melhorou, agora piorou, os indicadores disso e daquilo dizem... etc. Para esses o fundamental é que o povo continue apostando.

E a Copa do Mundo no Brasil?

Temos inúmeros problemas e eles não se resolvem simplesmente fazendo estádios e maquiando as cidades para receber os “atletas”, que vão deixar mais gente obesa por aqui, afinal quantos brasileiros vão tomar chope ou cerveja e comer salgadinhos, bem acomodados em sofás e cadeiras de bares, lendo e ouvindo as declarações importantíssimas de nossos comentaristas “esportivos” até a Copa? Quanto será gasto em patrocínio de programas e torpedos para discutir quem deverá ser convocado ou não? Quantas viagens e reuniões faustosas serão feitas na conta desses jogos?

Enquanto preparam os circos o povo mais humilde continuará a viver em seus barracos, pagando juros absurdos por qualquer descuido, os aposentados terão seus ganhos reduzidos para que a inflação não aumente (no ano passado essa tal de SELIC absorveu 35% da receita fiscal federal), vão contingenciar recursos para os serviços essenciais nas cidades sem COPA, deixar escolas inacabadas, travar vacinações mais caras, inibir uma série de atividades que precisamos por esse Brasil de oito e meio milhões de quilômetros quadrados e quase duzentos milhões de habitantes.

Mas teremos a COPA. Algumas das cidades eleitas para esse festival, que durará no máximo um mês, serão sede de jogos de países que poucos saberão pronunciar o nome. A TV será a grande (como há muito tempo, não importa onde fosse a COPA) janela (ótima) para ver os jogos.

Teremos dinheiro, descobriram petróleo no Pré Sal. Será? Quando começaremos a exportar em grande quantidade esse petróleo? E se a ONU determinar medidas de segurança que estamos longe de dominar (o acidente da BP foi além de catastrófico, onde estão as ONGs? O Greenpeace? O pessoal tão preocupado com o meio ambiente?)?

O povo brasileiro já foi vítima de inúmeras “quebras” desde os tempos de Rui Barbosa. Será que não aprende? Felizmente de um jeito ou de outro as empreiteiras estão demorando a começar obras faustosas. Por enquanto vemos liberação de dinheiro para projetos importantes. Contra o povo, entretanto, já começou a sandice do jogo de palavras empolgando os telespectadores, desafiando-os a gastar dinheiro dizendo o que pensam a respeito desse ou daquele tema “futebolístico”.

É fácil apaixonar, enrolar, cooptar, é só dizer o que todos querem ouvir. É ótimo e dá dinheiro para os mais espertos agradar, fazer fricotes e mostrar a garotada que corre e chuta bem fazendo malabarismos com a bola.

O problema é que essa bola poderá ser o chute de abertura de mais um jogo mortal, em tempos que exigiriam máxima cautela e revisão de planos.

O problema é o poder de convencimento de alguns e a omissão de outros junto à preguiça mental da maioria...

De qualquer forma vale à pena perguntar: quem vai ganhar muito dinheiro com essa fantasia e quem perderá?



Cascaes

5.5.2010

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