Quem usa filmadoras e gosta de fotografar e filmar enfrenta um problema delicado que pode inibir boas reportagens. Pode ou não filmar? Fotografar? Entrevistar? Divulgar em youtube (YOUTUBE e a revolução digital, 2009)? Blogs?
Com certeza temos exemplos diversos de mau uso desse tipo de atuação. Não deve ser agradável servir de motivo de chacota em programas denominados “pegadinhas” ou alertar bandidos para os seus hábitos e a própria figura.
Infelizmente, contudo, por necessidade de segurança em geral há muito tempo deixamos de poder esconder nossos rostos, tipo de sangue, raça etc.; até em carteiras de identidade querem que se anotem detalhes talvez excessivos, ou seja, existem bancos de dados a nosso respeito de diversas formas (discretos, indiscretos, públicos e privados, com boas e más intenções). Sigilosamente podemos ser grampeados de todas as maneiras possíveis. A última campanha eleitoral, por exemplo, mostrou a ponta de um iceberg que se tornou mania dos poderosos: gravar para extorquir, chantagear. Tem governo que se quisesse revogaria a lei da gravidade, se fosse decisão humana. Isso não é privilégio de políticos. Empresários com interesses em grandes negócios podem contratar os melhores times de arapongas...
Gravadores para dados diversos, filmadoras e registradores fotográficos capturam detalhes nossos, diariamente, em mercados, lojas, ruas, agências bancárias, aeroportos etc. e caminhamos para o rastreamento total. Até nossas casas a Google já mostra em fotografias ultra-detalhadas, via satélites e equipamentos poderosíssimos para quem quiser ver. Falam até em chips que muitos já deixaram embutir em seus carros e até sob a pele para rastreamento num planeta mais e mais feroz graças ao radicalismo religioso, político, carências de toda espécie e comportamentos patológicos.
Precisamos, contudo, mostrar a si próprios quando queremos trabalhar, produzir algo e ter alguma segurança melhor.
O sucesso pessoal depende demais da exposição e convivência tão ampla e irrestrita quanto possível.
Melhor ainda, os depoimentos, as imagens e sons passíveis de registro e divulgações ilimitadas estão se transformando em poderosa arma contra maus governos. Talvez por isso queiram reintroduzir a censura em nosso país. Deve incomodar demais a alguns donos do poder a sensação de que possam estar sendo vigiados.
Temos visto reportagens incríveis de problemas seculares no Brasil, só agora visíveis graças à imprensa livre e algumas indiscrições. A série “Diários Secretos” da Gazeta do Povo e RPC que o diga, vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo 2010 (O Prêmio Esso de Jornalismo, o mais importante e tradicional programa de reconhecimento de mérito dos profissionais de imprensa do Brasil). Dessa, os que erraram não escapam mais. Talvez não sejam punidos pela Justiça, mas o povo já fez seus julgamentos, avaliações que devem pesar na consciência de todos, eleitores e eleitos.
Quem não deve não teme. Aparecer em qualquer ambiente estudando, trabalhando, produzindo algo de útil deve ser uma honra para qualquer um de nós. É a boa vaidade de que tanto precisamos.
Vivemos e ainda estamos existindo em lógicas de louvação [pg. 355 de (A vida do Espírito) e a primeira parte do livro (Crainte et Tremblement) como exemplo] a um ser superior (aqui e no céu).
O ser humano exerce um poder incrível de criar e viver com rituais (e seus profissionais). Aliás, isso já foi motivo de muitos estudos e livros dos quais destacamos o “Poder do Mito” (Campbell, 1990), excelente em sua parte inicial. Sendo um cientista, gasta muito espaço de sua obra demonstrando o que diz, mas o primeiro capítulo é imperdível. E podemos ver em outras obras essa questão colocada de diversas formas clínicas, filosóficas, objetivas ou não.
Precisamos acreditar em nós mesmos, não ter medo, mostrar a cara a menos, é claro, que tenhamos muito a esconder.
Ninguém é perfeito, quem não erra formalmente num país que é o paraíso dos advogados, pois cria leis, decretos, normas, regulamentos, portarias etc. em profusão? A boa intenção do legislador é indiscutível, mas quem, em sã consciência, saberá e interpretará de forma justa e precisa tudo que produzem? Precisamos simplificar e centrar ações em cima de questões reais e não dispersar a atenção em detalhes que só complicam a vida.
Perdemos privacidade e ganhamos a possibilidade de usar os meios de comunicação para o principal: mostrar e servir de exemplo para leis implícitas, mensagens subliminares ou propostas reais e concretas como vimos no final de semana no trabalho do Programa Comunidade Escola em Curitiba (Mirante do Comunidade Escola). Que maravilha! Com alguns receios fizemos filmes, pois acreditamos que esse é um bom motivo de registro e divulgação. Se errar é humano, acertar é um momento de muita alegria. A Prefeitura de Curitiba está de parabéns. Fez e mantém um bom projeto educacional e social, melhor ainda criando amor, fraternidade e sentimentos de cidadania. Por isso recebeu um prêmio que merece registro. Após avaliação nacional conquistou um troféu pelo segundo lugar no “Prêmio Nacional em Direitos Humanos – 2010” (Grupo SM, 2010) em (http://www.educacaoemdireitoshumanos.org.br/ ).
Concluindo podemos afirmar que o século 21 será extremamente diferente do anterior. Se antes era possível esconder-se, evitar publicidade, contato, agora nada é impossível. O desafio é usar bem o potencial da tecnologia.
Cascaes
22.11.2010
Arendt, H. (2009). A vida do Espírito. (C. A. Almeida, Trad.) Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira.
Campbell, J. (1990). O Poder do Mito. São Paulo: Editora Palas Athena.
Cascaes, J. C. (20 de novembro de 2010). Mirante do Comunidade Escola. Fonte: blog : http://mirante-do-comunidade-escola.blogspot.com/
Grupo SM. (novembro de 2010). O Grupo SM é um grupo de Educação de referência na Espanha e na América Latina liderado pela Fundação SM. Fonte: Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos 2010: http://www.educacaoemdireitoshumanos.org.br/
Jean Burgess, J. G. (2009). YOUTUBE e a revolução digital. (R. Giassetti, Trad.) São Paulo: ALEPH.
Kierkegaard, S. (1843). Crainte et Tremblement.
O Prêmio Esso de Jornalismo, o mais importante e tradicional programa de reconhecimento de mérito dos profissionais de imprensa do Brasil. (novembro de 2010). Fonte: Prêmio Esso de Jornalismo: http://www.premioesso.com.br/site/home/index.aspx
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Medo de imagens e a privacidade
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Medo de imagens e a privacidade
Privatização forçada
Viajando pela Colômbia ouvimos de muitos, que lá vivem, que a privatização foi a única saída contra a corrupção que encontraram. Essa não era uma afirmação de gente rica, mas sim de pessoas comuns em qualquer lugar. Algo “espantoso” é que os serviços privatizados funcionam bem e a Colômbia mostra uma boa infra-estrutura, que certamente seria melhor se não precisasse gastar uma fortuna na guerra contra as FARC.
No Brasil, além dos problemas que a campanha eleitoral apontou, temos de forma preocupante a corrupção e a incompetência de empresas privadas, que só não são melhor percebidas porque, estranhamente, as pessoas (e a mídia) pensam que numa concessionária de serviços públicos “não estatal” o problema é dos proprietários das empresas, esquecendo que companhias mal administradas trabalham mal, podendo até criar situações perigosas. Por exemplo, estamos com centenas de projetos de centrais de energia em mãos particulares. Será que estão sendo devidamente auditadas? As empresas de transporte aéreo estão em dia com os cuidados técnicos necessários? Os gasodutos são confiáveis? As ferrovias estão funcionando bem? Os projetos, obras, manutenções e a operação são adequados, justos, suficientes e de boa técnica? Essa é uma pergunta para as estatais também, pois aqui é comum notar que a Engenharia deu lugar para a economia porca. É bom lembrar que desastres com barragens, transporte de gás, trens e similares não se limitam a interrupções de serviços...
E a privatização?
Vender estatais pode ser uma ação eficaz desde que dentro de processos honestos e justos. Pior é perdê-las por incompetência.
Pode-se privatizar um estado submetendo-o a ações ineficazes, deixando suas estatais nas mãos de pessoas inabilitadas e/ou desonestas, criando-se precatórias, não pagando dívidas etc. Um mau governo tem, em pouco tempo, condições de desmontar estruturas que mereciam o respeito de todos. Sem opções, o povo se vê na última hipótese que é vender suas empresas e esperar que as coisas melhorem.
Quem quebra cai nas mãos dos credores.
No segundo mandato FHC o Brasil sentou no colo do FMI por efeito de um longo e colossal período de desperdício de divisas. Em alguns estados a venda de estatais foi a única solução para dívidas impagáveis e vícios crônicos na administração pública. O que precisa ser visto, lembrado, repetido, contudo, é que os remédios nem sempre são razoáveis.
A Europa e os EUA passam agora por uma tremenda turbulência, vamos ver que xerifes colocarão nas economias e administrações de seus países. Quebraram no dominó da especulação e de critérios errados de investimentos perdulários.
Aqui estamos sob intervenção dos emprestadores de dinheiro. É fácil perceber isso na preocupação embutida via mídia sobre a independência do Banco Central e manutenção dos cuidados monetaristas.
O Brasil perdeu tempo, dinheiro, desenvolvimento etc. com lógicas de má administração de tudo, simplesmente.
E a política?
Talvez a pior privatização que existe em nossa terra seja a das campanhas eleitorais, onde alguns candidatos gastam fortunas explícitas para se elegerem, outros, além dessas fortunas “democráticas”, ainda consomem doações via caixas 2, 3 etc.
Cascaes
20.11.2010
No Brasil, além dos problemas que a campanha eleitoral apontou, temos de forma preocupante a corrupção e a incompetência de empresas privadas, que só não são melhor percebidas porque, estranhamente, as pessoas (e a mídia) pensam que numa concessionária de serviços públicos “não estatal” o problema é dos proprietários das empresas, esquecendo que companhias mal administradas trabalham mal, podendo até criar situações perigosas. Por exemplo, estamos com centenas de projetos de centrais de energia em mãos particulares. Será que estão sendo devidamente auditadas? As empresas de transporte aéreo estão em dia com os cuidados técnicos necessários? Os gasodutos são confiáveis? As ferrovias estão funcionando bem? Os projetos, obras, manutenções e a operação são adequados, justos, suficientes e de boa técnica? Essa é uma pergunta para as estatais também, pois aqui é comum notar que a Engenharia deu lugar para a economia porca. É bom lembrar que desastres com barragens, transporte de gás, trens e similares não se limitam a interrupções de serviços...
E a privatização?
Vender estatais pode ser uma ação eficaz desde que dentro de processos honestos e justos. Pior é perdê-las por incompetência.
Pode-se privatizar um estado submetendo-o a ações ineficazes, deixando suas estatais nas mãos de pessoas inabilitadas e/ou desonestas, criando-se precatórias, não pagando dívidas etc. Um mau governo tem, em pouco tempo, condições de desmontar estruturas que mereciam o respeito de todos. Sem opções, o povo se vê na última hipótese que é vender suas empresas e esperar que as coisas melhorem.
Quem quebra cai nas mãos dos credores.
No segundo mandato FHC o Brasil sentou no colo do FMI por efeito de um longo e colossal período de desperdício de divisas. Em alguns estados a venda de estatais foi a única solução para dívidas impagáveis e vícios crônicos na administração pública. O que precisa ser visto, lembrado, repetido, contudo, é que os remédios nem sempre são razoáveis.
A Europa e os EUA passam agora por uma tremenda turbulência, vamos ver que xerifes colocarão nas economias e administrações de seus países. Quebraram no dominó da especulação e de critérios errados de investimentos perdulários.
Aqui estamos sob intervenção dos emprestadores de dinheiro. É fácil perceber isso na preocupação embutida via mídia sobre a independência do Banco Central e manutenção dos cuidados monetaristas.
O Brasil perdeu tempo, dinheiro, desenvolvimento etc. com lógicas de má administração de tudo, simplesmente.
E a política?
Talvez a pior privatização que existe em nossa terra seja a das campanhas eleitorais, onde alguns candidatos gastam fortunas explícitas para se elegerem, outros, além dessas fortunas “democráticas”, ainda consomem doações via caixas 2, 3 etc.
Cascaes
20.11.2010
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Privatização forçada
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
República brasileira
O verbete República tem muitos significados, explicações e histórias. De Platão ao mundo dos estudantes podemos contar muita coisa.
A melhor, a mais simpática é “habitação particular e coletiva de estudantes”, que tiramos do Houaiss com muitas saudades dos tempos de estudante longe da casa, lutando por um lugar na universidade ou, melhor ainda, estudando Engenharia (nas horas que sobravam).
Algo sensacional foi morar numa república. Em Itajubá, durante dois anos emeio tive a felicidade de conviver com uma turma muito especial. Três sargentos do Batalhão de Engenharia local, três estudantes no IEI que mudou para EFEI, e, completando o time, mais três vestibulandos, eventualmente algum outro, aumentando o número de pagantes daquele apartamento no Edifício Issa.
Aprendi muito e me diverti mais naqueles anos sessenta.
Antes (1963), em São Paulo, fazendo cursinho (Di Túlio), conheci gente fantástica, numa república em que alunos do ITA, da Politécnica de SP e vestibulandos moravam, dividiam a mesa comigo e espaço para estudar, pensando no vestibular (eu). Nesse ambiente conheci o primeiro torcedor fanático e folgazão do Corinthians; era alvo da gozação da turma a luta por um título que seu clube perseguia há anos. Lá também senti na plenitude a São Paulo quatrocentona de Adoniran Barbosa.
Apelando mais uma vez ao Houaiss que diz, transcrevendo tudo, uma república é:
(1) forma de governo em que o Estado se constitui de modo a atender o interesse geral dos cidadãos
(2) Rubrica: termo jurídico.
forma de governo na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos(p.ex.: Poder Legislativo, Poder Executivo, Poder Judiciário)
(3) Derivação: por extensão de sentido.
o país assim governado
(4) habitação particular e coletiva de estudantes
(5) Derivação: por extensão de sentido.
o grupo de estudantes que aí vive
(6) Uso: informal.
associação em que há muita desordem
Talvez, de tudo isso, a descrição mais apropriada ao nosso país seja a (1) mais (6), apenas acrescentando que somos um estado constituído de modo a atender o interesse geral de alguns cidadãos.
Vamos ao dia e à nossa história formal.
15 de Novembro é data de comemoração da República do Brasil, que talvez merecesse outras denominações. Surgimos, contudo, com promessas de modernidade e influências positivistas. Esse era o discurso de 1889, que da espada com grandes filosofias passou ao café com leite, etc.. As razões do interesse sobre o bem público, contudo, até hoje, insistindo, merecem inquéritos e ajustes diante da visão de elites, que se consideram acima de leis que elas próprias fazem.
Por bem ou mal avançamos muito. Talvez mais por efeito de guerras estrangeiras, ideais fascistas perderam força e o espírito escravagista vai se exaurindo devagarzinho...
Devemos, mais do que nunca, ter esperanças no Brasil. De forma não linear, como poderíamos dizer em linguagem matemática, avançamos rumo à universalização da cultura, escolas melhores e ambientes de maior potencial de aprendizado. Trazendo invenções estrangeiras, em destaque o mundo WEB, e aplaudindo algumas decisões competentes de nossos últimos governantes progredimos, evoluímos. Nossos grandes chefes erraram muito, mas merecem este crédito de valor inestimável.
É especialmente bom ver em nossas escolas de primeiro e segundo graus, pelo menos aqui no Paraná, as salas de Informática, professores estudando em cima de terminais, fazendo cursos especiais e a possibilidade de ampliação de tudo isso com novas tecnologias de acesso à cultura (com destaque para o EAD e literatura digital via internet).
As universidades foram multiplicadas de forma exponencial (termo matemático, vício de engenheiro), a ponto de entidades corporativas ficarem assustadas com a concorrência de mais e mais profissionais em suas searas.
Ou seja, o dia da República do Brasil pode finalmente merecer comemorações sinceras.
Cascaes
15.11.2010
A melhor, a mais simpática é “habitação particular e coletiva de estudantes”, que tiramos do Houaiss com muitas saudades dos tempos de estudante longe da casa, lutando por um lugar na universidade ou, melhor ainda, estudando Engenharia (nas horas que sobravam).
Algo sensacional foi morar numa república. Em Itajubá, durante dois anos emeio tive a felicidade de conviver com uma turma muito especial. Três sargentos do Batalhão de Engenharia local, três estudantes no IEI que mudou para EFEI, e, completando o time, mais três vestibulandos, eventualmente algum outro, aumentando o número de pagantes daquele apartamento no Edifício Issa.
Aprendi muito e me diverti mais naqueles anos sessenta.
Antes (1963), em São Paulo, fazendo cursinho (Di Túlio), conheci gente fantástica, numa república em que alunos do ITA, da Politécnica de SP e vestibulandos moravam, dividiam a mesa comigo e espaço para estudar, pensando no vestibular (eu). Nesse ambiente conheci o primeiro torcedor fanático e folgazão do Corinthians; era alvo da gozação da turma a luta por um título que seu clube perseguia há anos. Lá também senti na plenitude a São Paulo quatrocentona de Adoniran Barbosa.
Apelando mais uma vez ao Houaiss que diz, transcrevendo tudo, uma república é:
(1) forma de governo em que o Estado se constitui de modo a atender o interesse geral dos cidadãos
(2) Rubrica: termo jurídico.
forma de governo na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos(p.ex.: Poder Legislativo, Poder Executivo, Poder Judiciário)
(3) Derivação: por extensão de sentido.
o país assim governado
(4) habitação particular e coletiva de estudantes
(5) Derivação: por extensão de sentido.
o grupo de estudantes que aí vive
(6) Uso: informal.
associação em que há muita desordem
Talvez, de tudo isso, a descrição mais apropriada ao nosso país seja a (1) mais (6), apenas acrescentando que somos um estado constituído de modo a atender o interesse geral de alguns cidadãos.
Vamos ao dia e à nossa história formal.
15 de Novembro é data de comemoração da República do Brasil, que talvez merecesse outras denominações. Surgimos, contudo, com promessas de modernidade e influências positivistas. Esse era o discurso de 1889, que da espada com grandes filosofias passou ao café com leite, etc.. As razões do interesse sobre o bem público, contudo, até hoje, insistindo, merecem inquéritos e ajustes diante da visão de elites, que se consideram acima de leis que elas próprias fazem.
Por bem ou mal avançamos muito. Talvez mais por efeito de guerras estrangeiras, ideais fascistas perderam força e o espírito escravagista vai se exaurindo devagarzinho...
Devemos, mais do que nunca, ter esperanças no Brasil. De forma não linear, como poderíamos dizer em linguagem matemática, avançamos rumo à universalização da cultura, escolas melhores e ambientes de maior potencial de aprendizado. Trazendo invenções estrangeiras, em destaque o mundo WEB, e aplaudindo algumas decisões competentes de nossos últimos governantes progredimos, evoluímos. Nossos grandes chefes erraram muito, mas merecem este crédito de valor inestimável.
É especialmente bom ver em nossas escolas de primeiro e segundo graus, pelo menos aqui no Paraná, as salas de Informática, professores estudando em cima de terminais, fazendo cursos especiais e a possibilidade de ampliação de tudo isso com novas tecnologias de acesso à cultura (com destaque para o EAD e literatura digital via internet).
As universidades foram multiplicadas de forma exponencial (termo matemático, vício de engenheiro), a ponto de entidades corporativas ficarem assustadas com a concorrência de mais e mais profissionais em suas searas.
Ou seja, o dia da República do Brasil pode finalmente merecer comemorações sinceras.
Cascaes
15.11.2010
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12:18:00
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República brasileira
domingo, 14 de novembro de 2010
O ensino, a tecnologia e o EAD
O Brasil precisa de profissionais, muitos e com urgência. Nosso país é gigantesco, viabilizar a universalização do ensino de que jeito?
Se existe algo que favorece o desenvolvimento sustentável, a PcD, o idoso, pessoas que trabalham, mobilidade, acessibilidade a pessoas mais humildes, universalização da formação profissional etc. é o Ensino a Distância – EAD, principalmente se oferecido sem complicações inúteis, tais como as salas virtuais, prazos e restrições mequianas. Afinal para que existe o mercado de trabalho, a avaliação de clientes e empregadores? Existe algo mais eficaz do que o bom serviço para qualificar um profissional?
Do terceiro grau em diante ou mesmo a partir do primeiro grau, dependendo da idade e educação do estudante, a sala de aula com presença obrigatória do estudante é absolutamente desnecessária.
Chegamos a um patamar tecnológico em que os estudantes poderiam comprar cursos em bancas de jornais e, simplificadamente, depender de tutores via internet e provas similares a jogos digitais, feitas à distância. A desmoralização do ENEM demonstra a que serve a radicalização burocrática e a exigência de exames convencionais.
Aulas práticas aconteceriam em ambientes virtuais ou, quando necessárias, em locais de excelência, realmente bem preparados e não simulacros de laboratórios.
Para o aluno com deficiência(s) poder estudar sem humilhações e deslocamentos inúteis e repetindo quantas vezes necessitasse temas e aulas mais complexas o EAD é algo fantástico.
Com o Ensino a Distância as cidades ganhariam espaços, atualmente saturados, em parte graças ao trânsito de veículos em determinadas horas indo e vindo de escolas, algumas com centenas de salas iluminadas, perdulárias e poluentes. Essas salas poderiam se transformar em ambientes de consulta e debates acadêmicos e profissionais.
É até interessante observar o que chamamos de universidades, atualmente, nelas as áreas de estacionamento, dentro e fora, estão ocupando mais espaços que os alunos que, apesar de freqüentarem aulas presenciais, mal se conhecem...
Precisamos de pólos de formação de cursos (gravação), pesquisa e desenvolvimento de material de estudos, treinamento de tutores e de modernização do ensino sem os tenebrosos corporativismos que sentimos em nosso dia a dia.
Aliás, seria tremendamente oportuno se sindicalistas e políticos se lembrassem quais eram os maiores sindicatos de São Paulo, por exemplo, no início do século passado.
Recordando, mais uma vez, as excelentes palestras da 67ª. SOEAA (Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia) e na seqüência, o 7ª. CNP (Congresso Nacional dos Profissionais), em Cuiabá de 22 a 28 de agosto de 2010, destacamos afirmações de um executivo da Brainstorming Assessoria, Dr. Raul José dos Santos Grumbach: “O mundo está com transformações cada vez mais rápidas e que aqueles que gerenciam seus negócios têm que estar atentos. Porque senão vislumbrarem essas mudanças, eles serão surpreendidos”.
E qual é o negócio de quem quer aprender? Estudar. De que jeito se tiver barreiras nem sempre superáveis de tempo, mobilidade, acessibilidade e (ou) disponibilidade financeira?
O EAD é infinitamente mais barato do que o ensino convencional e mais eficaz a partir do momento em que o jovem ou adulto sentir que ele é responsável pelo seu futuro, e não o MEC (que deve ajudar e não atrapalhar), os pais ou os professores.
O desafio de nosso povo é descobrir a importância do EAD e induzir nossos governos a investirem em internet, sistemas de banda larga e centros de produção de material didático e pedagógico com plena acessibilidade e máxima qualidade.
Os jovens precisam compreender que, se existe um pequeno espaço para heróis do esporte, no Brasil temos um ambiente de oportunidades infinito para quem quiser trabalhar, para isso, contudo, devem estudar, estar preparados para o século 21.
Maravilhosamente o terceiro milênio já começa com soluções incríveis e um tremendo potencial de desenvolvimento...
Cascaes
14.11.2010
Se existe algo que favorece o desenvolvimento sustentável, a PcD, o idoso, pessoas que trabalham, mobilidade, acessibilidade a pessoas mais humildes, universalização da formação profissional etc. é o Ensino a Distância – EAD, principalmente se oferecido sem complicações inúteis, tais como as salas virtuais, prazos e restrições mequianas. Afinal para que existe o mercado de trabalho, a avaliação de clientes e empregadores? Existe algo mais eficaz do que o bom serviço para qualificar um profissional?
Do terceiro grau em diante ou mesmo a partir do primeiro grau, dependendo da idade e educação do estudante, a sala de aula com presença obrigatória do estudante é absolutamente desnecessária.
Chegamos a um patamar tecnológico em que os estudantes poderiam comprar cursos em bancas de jornais e, simplificadamente, depender de tutores via internet e provas similares a jogos digitais, feitas à distância. A desmoralização do ENEM demonstra a que serve a radicalização burocrática e a exigência de exames convencionais.
Aulas práticas aconteceriam em ambientes virtuais ou, quando necessárias, em locais de excelência, realmente bem preparados e não simulacros de laboratórios.
Para o aluno com deficiência(s) poder estudar sem humilhações e deslocamentos inúteis e repetindo quantas vezes necessitasse temas e aulas mais complexas o EAD é algo fantástico.
Com o Ensino a Distância as cidades ganhariam espaços, atualmente saturados, em parte graças ao trânsito de veículos em determinadas horas indo e vindo de escolas, algumas com centenas de salas iluminadas, perdulárias e poluentes. Essas salas poderiam se transformar em ambientes de consulta e debates acadêmicos e profissionais.
É até interessante observar o que chamamos de universidades, atualmente, nelas as áreas de estacionamento, dentro e fora, estão ocupando mais espaços que os alunos que, apesar de freqüentarem aulas presenciais, mal se conhecem...
Precisamos de pólos de formação de cursos (gravação), pesquisa e desenvolvimento de material de estudos, treinamento de tutores e de modernização do ensino sem os tenebrosos corporativismos que sentimos em nosso dia a dia.
Aliás, seria tremendamente oportuno se sindicalistas e políticos se lembrassem quais eram os maiores sindicatos de São Paulo, por exemplo, no início do século passado.
Recordando, mais uma vez, as excelentes palestras da 67ª. SOEAA (Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia) e na seqüência, o 7ª. CNP (Congresso Nacional dos Profissionais), em Cuiabá de 22 a 28 de agosto de 2010, destacamos afirmações de um executivo da Brainstorming Assessoria, Dr. Raul José dos Santos Grumbach: “O mundo está com transformações cada vez mais rápidas e que aqueles que gerenciam seus negócios têm que estar atentos. Porque senão vislumbrarem essas mudanças, eles serão surpreendidos”.
E qual é o negócio de quem quer aprender? Estudar. De que jeito se tiver barreiras nem sempre superáveis de tempo, mobilidade, acessibilidade e (ou) disponibilidade financeira?
O EAD é infinitamente mais barato do que o ensino convencional e mais eficaz a partir do momento em que o jovem ou adulto sentir que ele é responsável pelo seu futuro, e não o MEC (que deve ajudar e não atrapalhar), os pais ou os professores.
O desafio de nosso povo é descobrir a importância do EAD e induzir nossos governos a investirem em internet, sistemas de banda larga e centros de produção de material didático e pedagógico com plena acessibilidade e máxima qualidade.
Os jovens precisam compreender que, se existe um pequeno espaço para heróis do esporte, no Brasil temos um ambiente de oportunidades infinito para quem quiser trabalhar, para isso, contudo, devem estudar, estar preparados para o século 21.
Maravilhosamente o terceiro milênio já começa com soluções incríveis e um tremendo potencial de desenvolvimento...
Cascaes
14.11.2010
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a tecnologia e o EAD,
O ensino
sábado, 13 de novembro de 2010
A obra mais cara
“O TCU manteve o veto às obras de duas refinarias da Petrobrás: a Abreu e Lima, em Pernambuco, e a Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Os dois investimentos tinham sido brecados pelo TCU no passado, mas Lula ignorou a recomendação, autorizando a liberação de recursos para ambas. Caberá agora aos parlamentares da Comissão Mista de Orçamento (CMO) decidirem se apoiam o órgão ou se endossam a iniciativa de Lula. ... (Jornal O Estado de São Paulo em 10 de 11 de 2010)”
Ótimo! É extremamente importante sentir a atuação enérgica do Tribunal de Contas da União. Devemos, contudo, perguntar, seria essa a atitude correta?
A obra mais cara é a inacabada. A mais perigosa é aquela feita aos trancos e barrancos ou desrespeitando normas e boas técnicas. Qual seria a situação real desse conjunto de projetos? A OAB, CREA, SENGEs, IAB, CNI etc. não deveriam montar uma comissão técnica e jurídica de altíssimo nível para assessorar o TCU e o Governo Federal nessa questão?
Note-se que, de modo geral, são projetos importantíssimos. Significarão um grande passo para nossa infraestrutura que precisa, desesperadamente, evoluir. Muitos deles criarão receitas fiscais enormes (como é o caso das refinarias e usinas de energia). Outros reduzirão o “custo Brasil” e temos obras que melhorarão o conforto e segurança do nosso povo.
Compensa, simplesmente, paralisar obras?
Com certeza, se têm erros graves, os responsáveis por esses “equívocos” deverão ser punidos exemplarmente, sem esquecer, contudo, que muitos acabam criando artifícios para poder trabalhar sob um tremendo volume de leis mal feitas, mal regulamentadas e pessimamente aplicadas, algo que merece a atenção firme dos nossos legisladores. Precisamos racionalizar o Brasil. Isso, entretanto, não é fácil. Quando vemos políticos eleitos com dificuldades até para ler e escrever, tornamo-nos céticos em relação à eficácia do Congresso. No Poder Executivo as nomeações exigem critérios técnicos mais severos. O Governo, em todos os níveis, deveria dar “uma banana” para os doadores de campanha e centrar a atenção na qualidade administrativa. Companheiros ou não, os cargos de maior responsabilidade precisam ser preenchidos criteriosamente.
As cobranças “políticas” já começaram. Será que os governadores e a nossa Presidente da República serão suficientemente firmes e conscientes da importância da boa administração que o Brasil precisa?
Felizmente agora temos o TCU, a internet e muitos jornais e outros meios de comunicação atentos ao governo, além de alguns congressistas que se exaurem apontando equívocos e desvios de conduta. Precisamos da vigilância de todos para que o Brasil saia de alguns lugares ruins em algumas classificações internacionais sobre qualidade de vida e moralidade.
Obviamente “pão e circo” poderão distrair nosso povo. Não é sem sentido vermos tantos políticos “fissurados” em torno da Copa do Mundo, por exemplo. Podemos até acreditar que o futebol seja bom, que isso dará desculpas para a implementação de obras necessárias, que o esporte desvia jovens da criminalidade etc. Mas essa é a prioridade de um país onde sentimos uma tremenda precariedade de tudo?
Pelo menos a economista Dilma Roussef não é ignorante. Pode ser dura, ter dificuldades de fazer belos discursos, atuar de forma diferente de outros, mas a vida dela mostra que aceitou riscos enormes em defesa dos seus ideais. Vamos torcer para que aquela jovem que arriscou tanto, deixando de ser uma patricinha mineira, tenha coerência com seus ideais mais nobres e agora se dedique a fazer uma boa administração do Brasil, inclusive racionalizando leis e decretos e exigindo de seus comandados mais competência na implementação dessa legislação em seus cargos.
As denúncias do Tribunal de Contas da União merecem atenção, inquéritos justos, racionais e punições inteligentes.
Cascaes
13.11.2010
Ótimo! É extremamente importante sentir a atuação enérgica do Tribunal de Contas da União. Devemos, contudo, perguntar, seria essa a atitude correta?
A obra mais cara é a inacabada. A mais perigosa é aquela feita aos trancos e barrancos ou desrespeitando normas e boas técnicas. Qual seria a situação real desse conjunto de projetos? A OAB, CREA, SENGEs, IAB, CNI etc. não deveriam montar uma comissão técnica e jurídica de altíssimo nível para assessorar o TCU e o Governo Federal nessa questão?
Note-se que, de modo geral, são projetos importantíssimos. Significarão um grande passo para nossa infraestrutura que precisa, desesperadamente, evoluir. Muitos deles criarão receitas fiscais enormes (como é o caso das refinarias e usinas de energia). Outros reduzirão o “custo Brasil” e temos obras que melhorarão o conforto e segurança do nosso povo.
Compensa, simplesmente, paralisar obras?
Com certeza, se têm erros graves, os responsáveis por esses “equívocos” deverão ser punidos exemplarmente, sem esquecer, contudo, que muitos acabam criando artifícios para poder trabalhar sob um tremendo volume de leis mal feitas, mal regulamentadas e pessimamente aplicadas, algo que merece a atenção firme dos nossos legisladores. Precisamos racionalizar o Brasil. Isso, entretanto, não é fácil. Quando vemos políticos eleitos com dificuldades até para ler e escrever, tornamo-nos céticos em relação à eficácia do Congresso. No Poder Executivo as nomeações exigem critérios técnicos mais severos. O Governo, em todos os níveis, deveria dar “uma banana” para os doadores de campanha e centrar a atenção na qualidade administrativa. Companheiros ou não, os cargos de maior responsabilidade precisam ser preenchidos criteriosamente.
As cobranças “políticas” já começaram. Será que os governadores e a nossa Presidente da República serão suficientemente firmes e conscientes da importância da boa administração que o Brasil precisa?
Felizmente agora temos o TCU, a internet e muitos jornais e outros meios de comunicação atentos ao governo, além de alguns congressistas que se exaurem apontando equívocos e desvios de conduta. Precisamos da vigilância de todos para que o Brasil saia de alguns lugares ruins em algumas classificações internacionais sobre qualidade de vida e moralidade.
Obviamente “pão e circo” poderão distrair nosso povo. Não é sem sentido vermos tantos políticos “fissurados” em torno da Copa do Mundo, por exemplo. Podemos até acreditar que o futebol seja bom, que isso dará desculpas para a implementação de obras necessárias, que o esporte desvia jovens da criminalidade etc. Mas essa é a prioridade de um país onde sentimos uma tremenda precariedade de tudo?
Pelo menos a economista Dilma Roussef não é ignorante. Pode ser dura, ter dificuldades de fazer belos discursos, atuar de forma diferente de outros, mas a vida dela mostra que aceitou riscos enormes em defesa dos seus ideais. Vamos torcer para que aquela jovem que arriscou tanto, deixando de ser uma patricinha mineira, tenha coerência com seus ideais mais nobres e agora se dedique a fazer uma boa administração do Brasil, inclusive racionalizando leis e decretos e exigindo de seus comandados mais competência na implementação dessa legislação em seus cargos.
As denúncias do Tribunal de Contas da União merecem atenção, inquéritos justos, racionais e punições inteligentes.
Cascaes
13.11.2010
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Riscos, Engenharia, Fraudes e desvios de verbas públicas
Nossa legislação precisa criar punições severas contra consultores, consultorias e autoridades venais, omissas ou eventualmente coniventes com atos desonestos ou displicentes.
Vemos agora a notícia de que a Polícia Federal enquadrou diversos prefeitos na Bahia. Infelizmente isso não é “privilégio” daquele estado.
Na iniciativa privada, exemplificando, auditores podem enxergar mal as contas de empresas (vide Banco Panamericano) colocando investidores em situação difícil.
Na Europa lemos reportagens dos erros que levaram aqueles países à situação atual, entre elas a de que “especialistas” contratados para análise de planos de investimentos simplesmente erraram, e erraram feio. Quem paga a conta, nesse caso, é o povo que vê seus países mergulharem em crises monumentais.
No Brasil agora teremos a Copa do Mundo, trem bala e outras coisas. Teremos divisas, impostos, taxas etc. e conseguiremos pagar as contas? Vão aumentar os impostos? Quem fez os estudos de viabilidade? Temos, ancorando esses profissionais, grandes empresas de seguro em condições de compensar erros de cálculo, mudanças de cenário?
Quem toma decisões precisa ter confiança naqueles que o orientam, quanto? De que jeito?
As conseqüências de relatórios errados, auditorias precárias, projetos improvisados, obras inoportunas, mal executadas, manutenções e operações mal feitas podem ser catastróficas (sob diversos aspectos). Por exemplo, no Brasil temos centenas de barragens em construção, máquinas enormes sendo instaladas, prédios gigantescos, pontes monumentais, metrôs, gasodutos, portos etc., e se falharem? Quem paga os prejuízos? Algum dinheiro do mundo compensa a perda da família sob as águas de alguma enxurrada ou queimada em grandes incêndios, esmagada sob escombros ou no fundo de deslizamentos de encostas erodidas ou abaladas por explosões?
O que vemos após acidentes significativos e até em empresas e instituições quebradas por efeito de fraudes é a perda de qualidade de companhias de auditoria, projeto e consultoria. Isso até é compreensível, afinal o Brasil parou e regrediu durante as décadas da crise econômica.
Agora, contudo, retoma obras e programas ambiciosos, faltando tudo, até profissionais técnicos capazes dos serviços mais simples.
Vimos na lógica da “contratação pelo menor preço” o aviltamento de profissões. Essa idéia nem sempre sensata, ou melhor, raramente prudente, expôs o Brasil a desastres que já aconteceram e a outros em potencial, alguns poderão ser assustadores. Explorar ao máximo trabalhadores especializados, que deveriam atuar com tranqüilidade, parece ser a tônica desse mundo extremamente avarento e irresponsável.
Ou seja, a humanidade carece de outra dinâmica de avaliação de profissionais e contratação de projetistas, auditores etc. e até de seleção de políticos. Não podemos viver simplesmente sob a lógica da menor tarifa possível, do melhor discurso. Precisamos entender que as leis da Natureza são intocáveis, inclusive algumas da Economia e que preço é qualidade. Qualidade significa segurança.
Nossas instalações, edifícios, empresas etc. se agigantam. Queremos tirar petróleo do fundo do mar. Exigimos trens mais velozes. Os aeroportos deverão ser maiores assim como imensas usinas produzirão energia elétrica (hidrelétricas, nucleares e até aerogeradores gigantescos). Podemos conviver com tudo isso ou estaremos fazendo um castelo de cartas?
Tudo e todos se adaptam a leis e normas. Se fazer porcaria é a regra, vamos rezar mais e continuar pagando menos.
Os grandes acidentes e até as fraudes contra o sistema financeiro nacional e de outras nações recomendam uma rediscussão de estratégias de formação de especialistas, de contratação de profissionais. Diante de tudo o que aconteceu e continua sendo descoberto, qual é a competência e a idoneidade de nossos executivos e de políticos com grande responsabilidade administrativa? A legislação coíbe efetivamente a incompetência e a desonestidade desses líderes?
Perdemos ciência e ganhamos diplomas, qual será, no futuro, o custo dessa ingenuidade legislativa e de administração?
Cascaes
11.11.2010
Vemos agora a notícia de que a Polícia Federal enquadrou diversos prefeitos na Bahia. Infelizmente isso não é “privilégio” daquele estado.
Na iniciativa privada, exemplificando, auditores podem enxergar mal as contas de empresas (vide Banco Panamericano) colocando investidores em situação difícil.
Na Europa lemos reportagens dos erros que levaram aqueles países à situação atual, entre elas a de que “especialistas” contratados para análise de planos de investimentos simplesmente erraram, e erraram feio. Quem paga a conta, nesse caso, é o povo que vê seus países mergulharem em crises monumentais.
No Brasil agora teremos a Copa do Mundo, trem bala e outras coisas. Teremos divisas, impostos, taxas etc. e conseguiremos pagar as contas? Vão aumentar os impostos? Quem fez os estudos de viabilidade? Temos, ancorando esses profissionais, grandes empresas de seguro em condições de compensar erros de cálculo, mudanças de cenário?
Quem toma decisões precisa ter confiança naqueles que o orientam, quanto? De que jeito?
As conseqüências de relatórios errados, auditorias precárias, projetos improvisados, obras inoportunas, mal executadas, manutenções e operações mal feitas podem ser catastróficas (sob diversos aspectos). Por exemplo, no Brasil temos centenas de barragens em construção, máquinas enormes sendo instaladas, prédios gigantescos, pontes monumentais, metrôs, gasodutos, portos etc., e se falharem? Quem paga os prejuízos? Algum dinheiro do mundo compensa a perda da família sob as águas de alguma enxurrada ou queimada em grandes incêndios, esmagada sob escombros ou no fundo de deslizamentos de encostas erodidas ou abaladas por explosões?
O que vemos após acidentes significativos e até em empresas e instituições quebradas por efeito de fraudes é a perda de qualidade de companhias de auditoria, projeto e consultoria. Isso até é compreensível, afinal o Brasil parou e regrediu durante as décadas da crise econômica.
Agora, contudo, retoma obras e programas ambiciosos, faltando tudo, até profissionais técnicos capazes dos serviços mais simples.
Vimos na lógica da “contratação pelo menor preço” o aviltamento de profissões. Essa idéia nem sempre sensata, ou melhor, raramente prudente, expôs o Brasil a desastres que já aconteceram e a outros em potencial, alguns poderão ser assustadores. Explorar ao máximo trabalhadores especializados, que deveriam atuar com tranqüilidade, parece ser a tônica desse mundo extremamente avarento e irresponsável.
Ou seja, a humanidade carece de outra dinâmica de avaliação de profissionais e contratação de projetistas, auditores etc. e até de seleção de políticos. Não podemos viver simplesmente sob a lógica da menor tarifa possível, do melhor discurso. Precisamos entender que as leis da Natureza são intocáveis, inclusive algumas da Economia e que preço é qualidade. Qualidade significa segurança.
Nossas instalações, edifícios, empresas etc. se agigantam. Queremos tirar petróleo do fundo do mar. Exigimos trens mais velozes. Os aeroportos deverão ser maiores assim como imensas usinas produzirão energia elétrica (hidrelétricas, nucleares e até aerogeradores gigantescos). Podemos conviver com tudo isso ou estaremos fazendo um castelo de cartas?
Tudo e todos se adaptam a leis e normas. Se fazer porcaria é a regra, vamos rezar mais e continuar pagando menos.
Os grandes acidentes e até as fraudes contra o sistema financeiro nacional e de outras nações recomendam uma rediscussão de estratégias de formação de especialistas, de contratação de profissionais. Diante de tudo o que aconteceu e continua sendo descoberto, qual é a competência e a idoneidade de nossos executivos e de políticos com grande responsabilidade administrativa? A legislação coíbe efetivamente a incompetência e a desonestidade desses líderes?
Perdemos ciência e ganhamos diplomas, qual será, no futuro, o custo dessa ingenuidade legislativa e de administração?
Cascaes
11.11.2010
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Leituras fantásticas
Uma grande vantagem da aposentadoria, apesar de todas as dificuldades inerentes à idade, é poder ler, estudar, pensar sem a preocupação financeira, do trabalho compulsório sob diversas razões. Ganhamos liberdade com a idade, quando amparada por uma pensão necessária e suficiente aos remédios, próteses e pequenos luxos que conquistamos.
De uma maneira ou de outra, afinal em grandes cidades, pelo menos nelas, existem boas bibliotecas, onde podemos sentar a alguma mesa e ler tranquilamente o que desde jovens sonhávamos ter em mãos para estudos sem finalidades lucrativas.
Com um pouco de sorte talvez escapemos das leituras de terror, dos livros assustadores feitos para disciplinar selvagens e que prometiam infernos a quem pecou, ou seja, não fez o que os sacerdotes determinavam. Aliás, templos, rituais, sacrifícios, paramentos, etc. foram inventados para submeter povos à vontade de um chefe material e outro espiritual, esse outro como aval de tudo que o material fazia. Com a laicização do Estado temos outras formas de aliciamento... esperamos ampliar a liberdade de leitura.
É bom, portanto, poder ler (e agir) sem medo de perder o emprego ou desagradar os caciques. O idoso até pode ser chato, impertinente, afinal, na opinião de multidões, são velhos caquéticos.
E os bons livros?
Em nossos tempos século 21 o volume de obras literárias e científicas cresce exponencialmente. Dizem que o conhecimento humano dobra a cada 72 horas e que em torno de três mil livros são publicados diariamente. Maravilha!
Melhor ainda, desenvolvem sistemas de produção, de transmissão e leitura de livros que independerão de prateleiras e estantes em livrarias, normalmente cheias de livros infantis, ou melhor, de livros de gosto popular, inúteis para quem aprecia pensar e aprender algo que preste.
Os “e-books”, usando mais esse anglicismo, eles merecem o respeito, vêm com tudo. Assim não precisaremos gastar com armários de madeira, matéria prima também dos livros convencionais, metros quadrados mais e mais caros de construção, não teremos crises de alergia ao abrir volumes antigos e poderemos levar nossa “biblioteca” a qualquer lugar, no fundo de algum bolso. Se ainda são rígidos, logo terão telas flexíveis, facilitando o transporte. Outras facilidades deverão acontecer, principalmente a redução de custos, ainda, oportunisticamente, extremamente caros em todas as formas.
Temos, portanto, mantendo-se a liberdade imprensa, algo que os fundamentalistas religiosos e os políticos abominam, condições de leituras (estudos também) extraordinárias, redescobrindo o passado e sonhando com o futuro, até porque melhores obras aparecem, somando-se às antigas. Isso é importante, pois vamos ganhando descendentes e queremos que tenham um mundo melhor.
Os livros também já podem ser ouvidos.
Escritos digitalmente, há como transformar textos em sons, assim como simplesmente procurá-los em formato sonoro. As letras poderão ter o tamanho que quisermos (já é possível) e se alguém, como faço, gosta de borrar as melhores afirmações, elas são possíveis nos bons e-books (e PCs, notebooks, laptops). Pode-se ler via notebook (em outros padrões) sem incomodar a companheira(o) que quer dormir e até ouvi-los com fones de ouvido. Logo teremos livros em LIBRAS e quem sabe, algum dia, com padrões de compreensão ainda desconhecidos.
Tudo isso, para o idoso, até para aqueles que pretendam estudar melhores formas de agradar algum Ser Superior, agora é fácil, já é possível. O que falta, para completar esse sonho, é a existência de bons empreendedores, os donos do dinheiro descobrirem esse filão e o governo estimular pesquisa e desenvolvimento de produtos modernos, bons e acessíveis intelectualmente, fisicamente, sensorialmente e financeiramente.
Cascaes
10.11.2010
De uma maneira ou de outra, afinal em grandes cidades, pelo menos nelas, existem boas bibliotecas, onde podemos sentar a alguma mesa e ler tranquilamente o que desde jovens sonhávamos ter em mãos para estudos sem finalidades lucrativas.
Com um pouco de sorte talvez escapemos das leituras de terror, dos livros assustadores feitos para disciplinar selvagens e que prometiam infernos a quem pecou, ou seja, não fez o que os sacerdotes determinavam. Aliás, templos, rituais, sacrifícios, paramentos, etc. foram inventados para submeter povos à vontade de um chefe material e outro espiritual, esse outro como aval de tudo que o material fazia. Com a laicização do Estado temos outras formas de aliciamento... esperamos ampliar a liberdade de leitura.
É bom, portanto, poder ler (e agir) sem medo de perder o emprego ou desagradar os caciques. O idoso até pode ser chato, impertinente, afinal, na opinião de multidões, são velhos caquéticos.
E os bons livros?
Em nossos tempos século 21 o volume de obras literárias e científicas cresce exponencialmente. Dizem que o conhecimento humano dobra a cada 72 horas e que em torno de três mil livros são publicados diariamente. Maravilha!
Melhor ainda, desenvolvem sistemas de produção, de transmissão e leitura de livros que independerão de prateleiras e estantes em livrarias, normalmente cheias de livros infantis, ou melhor, de livros de gosto popular, inúteis para quem aprecia pensar e aprender algo que preste.
Os “e-books”, usando mais esse anglicismo, eles merecem o respeito, vêm com tudo. Assim não precisaremos gastar com armários de madeira, matéria prima também dos livros convencionais, metros quadrados mais e mais caros de construção, não teremos crises de alergia ao abrir volumes antigos e poderemos levar nossa “biblioteca” a qualquer lugar, no fundo de algum bolso. Se ainda são rígidos, logo terão telas flexíveis, facilitando o transporte. Outras facilidades deverão acontecer, principalmente a redução de custos, ainda, oportunisticamente, extremamente caros em todas as formas.
Temos, portanto, mantendo-se a liberdade imprensa, algo que os fundamentalistas religiosos e os políticos abominam, condições de leituras (estudos também) extraordinárias, redescobrindo o passado e sonhando com o futuro, até porque melhores obras aparecem, somando-se às antigas. Isso é importante, pois vamos ganhando descendentes e queremos que tenham um mundo melhor.
Os livros também já podem ser ouvidos.
Escritos digitalmente, há como transformar textos em sons, assim como simplesmente procurá-los em formato sonoro. As letras poderão ter o tamanho que quisermos (já é possível) e se alguém, como faço, gosta de borrar as melhores afirmações, elas são possíveis nos bons e-books (e PCs, notebooks, laptops). Pode-se ler via notebook (em outros padrões) sem incomodar a companheira(o) que quer dormir e até ouvi-los com fones de ouvido. Logo teremos livros em LIBRAS e quem sabe, algum dia, com padrões de compreensão ainda desconhecidos.
Tudo isso, para o idoso, até para aqueles que pretendam estudar melhores formas de agradar algum Ser Superior, agora é fácil, já é possível. O que falta, para completar esse sonho, é a existência de bons empreendedores, os donos do dinheiro descobrirem esse filão e o governo estimular pesquisa e desenvolvimento de produtos modernos, bons e acessíveis intelectualmente, fisicamente, sensorialmente e financeiramente.
Cascaes
10.11.2010
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Terceirização de serviços e contratação de obras
No Brasil temos o hábito de “peitar” leis, procurar dar um “jeitinho”, corromper autoridades etc. quando o mais lógico estaria na otimização de nossa legislação e da jurisprudência em torno de cada conjunto de leis, decretos, normas, portarias etc..
Temos estatísticas assustadoras em função das complicações criadas, algo que desaba sobre a população mais humilde, sem condições de pagar boas bancas de advocacia.
A legislação complicada é um prato cheio para os bandidos (eles sabem se defender e usá-la em benefício próprio) e dá ao Brasil uma posição tenebrosa no ranking da burocracia e necessidade de facilidades para empreender e trabalhar.
Esse é um tema que gostaríamos de ver a OAB, CREA, IAB, etc. debatendo com profundidade, permanentemente. Sendo, contudo, órgãos eventualmente mais corporativos que atentos às necessidades do povo brasileiro, o tema cai no colo de quem escreve e não pertence a essas áreas profissionais.
O Brasil, contudo, parece caminhar em direção ao bom senso, principalmente em algumas áreas. Nesse contexto os Ministérios Públicos e o Tribunal de Contas da União têm sido importantíssimos, muitas vezes enquadrando questões que teriam solução mais fácil na área política, se nossos representantes no Congresso realmente agissem de forma objetiva. Não sentimos ações e reações inteligentes no Congresso Nacional e em Câmaras estaduais e municipais, menos ainda no Poder Executivo (por quê? Não são burros). Evidentemente existem exceções, mas sendo minorias pouco podem realizar.
O Poder Executivo, como é até natural, procura acertar apoios políticos para poder governar e acaba deixando muitos rombos na estrutura administrativa do país. Não deve ser fácil gerenciar uma empresa com centenas de milhares de funcionários, multidisciplinar, tão complexa quanto é o Estado de um país, que acredita demais em papel e muito pouco na sensatez das pessoas.
É gratificante, neste cenário, ver a atuação dos Ministérios Públicos e do TCU. Tornaram-se nossa esperança, substituindo outras instituições e repartições públicas na defesa do povo brasileiro. No plano Federal o Tribunal de Contas da União merece nossos aplausos.
Hoje, dia 9 de novembro de 2010, vemos o TCU divulgando questões (ou denúncias, conforme o ponto de vista) muito graves. Insiste na suspensão de obras importantes, mas com suspeitas severas (talvez o ideal seja outra espécie de punição) e denuncia a terceirização excessiva de serviços. Ou seja, tocou em dois temas de extrema importância, que mereceriam ações rápidas dos legisladores e do Poder Executivo. Afinal supõe-se que o TCU tenha qualidades técnicas e idoneidade necessárias e suficientes a atitudes dessa espécie.
Em São Paulo, graças a denúncias irrefutáveis via Jornal Folha de São Paulo, a concorrência pública (bilionária) para mais linhas e ampliações do metrô foram canceladas. Aí palmas para o padrão de vigilância de um jornal paulista.
Vemos que poderíamos estar melhor, que os editais mostram falhas insuperáveis quando a omissão é a regra, que o Brasil parece dividido entre cartéis e jogos de poder. Tudo isso representa custos que, a essa altura de nossa democracia, deveriam não existir mais, afinal já temos uma legislação razoavelmente madura, ainda que excessivamente complexa.
Em tudo fica a convicção de que talvez estejamos evoluindo. Afinal no passado os desvios de conduta foram tantos que motivaram ações violentas. A campanha eleitoral trouxe-nos tantas denúncias que chegamos a temer pela conclusão pacífica do embate político. De qualquer forma elas, explicitadas até pelos candidatos, agora merecem investigações e atitudes enérgicas.
Entre as muitas que merecem atenção especial, principalmente pelos nossos sindicatos, está a terceirização de serviços e os editais possivelmente frágeis, tecnicamente mal feitos. Será que nosso povo entende a gravidade do assunto? Ou prefere pensar na Copa do Mundo...
Cascaes
9.11.2010
Temos estatísticas assustadoras em função das complicações criadas, algo que desaba sobre a população mais humilde, sem condições de pagar boas bancas de advocacia.
A legislação complicada é um prato cheio para os bandidos (eles sabem se defender e usá-la em benefício próprio) e dá ao Brasil uma posição tenebrosa no ranking da burocracia e necessidade de facilidades para empreender e trabalhar.
Esse é um tema que gostaríamos de ver a OAB, CREA, IAB, etc. debatendo com profundidade, permanentemente. Sendo, contudo, órgãos eventualmente mais corporativos que atentos às necessidades do povo brasileiro, o tema cai no colo de quem escreve e não pertence a essas áreas profissionais.
O Brasil, contudo, parece caminhar em direção ao bom senso, principalmente em algumas áreas. Nesse contexto os Ministérios Públicos e o Tribunal de Contas da União têm sido importantíssimos, muitas vezes enquadrando questões que teriam solução mais fácil na área política, se nossos representantes no Congresso realmente agissem de forma objetiva. Não sentimos ações e reações inteligentes no Congresso Nacional e em Câmaras estaduais e municipais, menos ainda no Poder Executivo (por quê? Não são burros). Evidentemente existem exceções, mas sendo minorias pouco podem realizar.
O Poder Executivo, como é até natural, procura acertar apoios políticos para poder governar e acaba deixando muitos rombos na estrutura administrativa do país. Não deve ser fácil gerenciar uma empresa com centenas de milhares de funcionários, multidisciplinar, tão complexa quanto é o Estado de um país, que acredita demais em papel e muito pouco na sensatez das pessoas.
É gratificante, neste cenário, ver a atuação dos Ministérios Públicos e do TCU. Tornaram-se nossa esperança, substituindo outras instituições e repartições públicas na defesa do povo brasileiro. No plano Federal o Tribunal de Contas da União merece nossos aplausos.
Hoje, dia 9 de novembro de 2010, vemos o TCU divulgando questões (ou denúncias, conforme o ponto de vista) muito graves. Insiste na suspensão de obras importantes, mas com suspeitas severas (talvez o ideal seja outra espécie de punição) e denuncia a terceirização excessiva de serviços. Ou seja, tocou em dois temas de extrema importância, que mereceriam ações rápidas dos legisladores e do Poder Executivo. Afinal supõe-se que o TCU tenha qualidades técnicas e idoneidade necessárias e suficientes a atitudes dessa espécie.
Em São Paulo, graças a denúncias irrefutáveis via Jornal Folha de São Paulo, a concorrência pública (bilionária) para mais linhas e ampliações do metrô foram canceladas. Aí palmas para o padrão de vigilância de um jornal paulista.
Vemos que poderíamos estar melhor, que os editais mostram falhas insuperáveis quando a omissão é a regra, que o Brasil parece dividido entre cartéis e jogos de poder. Tudo isso representa custos que, a essa altura de nossa democracia, deveriam não existir mais, afinal já temos uma legislação razoavelmente madura, ainda que excessivamente complexa.
Em tudo fica a convicção de que talvez estejamos evoluindo. Afinal no passado os desvios de conduta foram tantos que motivaram ações violentas. A campanha eleitoral trouxe-nos tantas denúncias que chegamos a temer pela conclusão pacífica do embate político. De qualquer forma elas, explicitadas até pelos candidatos, agora merecem investigações e atitudes enérgicas.
Entre as muitas que merecem atenção especial, principalmente pelos nossos sindicatos, está a terceirização de serviços e os editais possivelmente frágeis, tecnicamente mal feitos. Será que nosso povo entende a gravidade do assunto? Ou prefere pensar na Copa do Mundo...
Cascaes
9.11.2010
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Orquestra natural
O bairro Vila Izabel (Curitiba) ainda tem muitos sons naturais, que, durante o dia, se misturam à zoada de aviões, automóveis e caminhões além de outros barulhos diferentes. Mudou muito em trinta anos. Quando viemos morar por aqui, um pouco mais do que três décadas passadas, tínhamos a orquestra dos anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas), que simplesmente desapareceu. Felizmente ainda somos brindados com o canto dos passarinhos, alguns em gaiolas, a maioria soltos, sobrevivendo apesar do foguetório que eventualmente fazem para comemorar alguma coisa, a fumaça dos veículos e principalmente a perda de terrenos onde árvores distantes das ruas viabilizavam seus ninhos.
De Blumenau permanece na lembrança os tico-ticos, coleirinhas, saíras, canários da terra (reaparecendo em Curitiba), azulão... e o sabiá.
Assim, com nostalgia, revejo alguns na capital paranaense, que além de usar assustadoramente o tal de “solo criado”, ou melhor, malcriado, cresce perigosamente incrustada na Mata Atlântica, de onde muito poderemos recuperar se tomarmos alguns cuidados.
A audição sumindo e o tinnitus (Dá-se o nome de zumbido, ou ainda acúfeno, tinnitus ou tinido, a uma sensação auditiva cuja fonte não advém de estímulo externo ao organismo, é um sintoma associado a várias formas de perda auditiva. Ele pode ser causado por exposição prolongada a sons acima do volume limite para a saúde humana, 105 decibéis, acima do qual é possível causar dano permanente na audição, e ainda outros problemas, como de circulação. Wikipédia) incomodando, procuramos sons que poderemos perder em breve.
Felizmente podendo dormir e acordar a qualquer hora, afinal esse é um privilégio de crianças e idosos aposentados, não é difícil acordar de madrugada para saborear a cantoria de inúmeros pássaros que na primavera aparecem por aqui. Onde estão? Que passarinhos são eles? Não sabemos, mas o canto do sabiá é inconfundível, forte e com muita arte.
Quem sabe algum músico possa colocar em pauta, escrita de músico, o que esses pequenos grandes seres conversam. Felizmente temos a evolução dos computadores, transdutores, softwares. Talvez em breve possamos “baixar” em nossos computadores portáteis alguns programas que, mais microfones, permitam ver, ler e ouvir de diversas formas os sons que eram nossos há meio século e poderão desaparecer em breve. Maravilhosamente as máquinas fotográficas digitais são, também, filmadoras e boas gravadoras de sons; temos o youtube e os blogs, assim já é fácil registrar, arquivar e mostrar muito de nossa fauna e flora.
Ou seja, já podemos construir “livros digitais” sem prateleiras, públicos ou, egoisticamente, se assim quisermos, para uso exclusivo de alguns. O que é importante agora é sabermos usar a Tecnologia para preservação e, se possível, recuperação de maravilhas da Natureza em processo de degradação (infelizmente).
De qualquer forma, com ou sem gravadores e internet, não podemos perder o que sobrou. Precisamos repensar nossas cidades e padrões de vida para darmos espaço ao paraíso que estamos destruindo com o “progresso”.
Cascaes
7.11.2010
De Blumenau permanece na lembrança os tico-ticos, coleirinhas, saíras, canários da terra (reaparecendo em Curitiba), azulão... e o sabiá.
Assim, com nostalgia, revejo alguns na capital paranaense, que além de usar assustadoramente o tal de “solo criado”, ou melhor, malcriado, cresce perigosamente incrustada na Mata Atlântica, de onde muito poderemos recuperar se tomarmos alguns cuidados.
A audição sumindo e o tinnitus (Dá-se o nome de zumbido, ou ainda acúfeno, tinnitus ou tinido, a uma sensação auditiva cuja fonte não advém de estímulo externo ao organismo, é um sintoma associado a várias formas de perda auditiva. Ele pode ser causado por exposição prolongada a sons acima do volume limite para a saúde humana, 105 decibéis, acima do qual é possível causar dano permanente na audição, e ainda outros problemas, como de circulação. Wikipédia) incomodando, procuramos sons que poderemos perder em breve.
Felizmente podendo dormir e acordar a qualquer hora, afinal esse é um privilégio de crianças e idosos aposentados, não é difícil acordar de madrugada para saborear a cantoria de inúmeros pássaros que na primavera aparecem por aqui. Onde estão? Que passarinhos são eles? Não sabemos, mas o canto do sabiá é inconfundível, forte e com muita arte.
Quem sabe algum músico possa colocar em pauta, escrita de músico, o que esses pequenos grandes seres conversam. Felizmente temos a evolução dos computadores, transdutores, softwares. Talvez em breve possamos “baixar” em nossos computadores portáteis alguns programas que, mais microfones, permitam ver, ler e ouvir de diversas formas os sons que eram nossos há meio século e poderão desaparecer em breve. Maravilhosamente as máquinas fotográficas digitais são, também, filmadoras e boas gravadoras de sons; temos o youtube e os blogs, assim já é fácil registrar, arquivar e mostrar muito de nossa fauna e flora.
Ou seja, já podemos construir “livros digitais” sem prateleiras, públicos ou, egoisticamente, se assim quisermos, para uso exclusivo de alguns. O que é importante agora é sabermos usar a Tecnologia para preservação e, se possível, recuperação de maravilhas da Natureza em processo de degradação (infelizmente).
De qualquer forma, com ou sem gravadores e internet, não podemos perder o que sobrou. Precisamos repensar nossas cidades e padrões de vida para darmos espaço ao paraíso que estamos destruindo com o “progresso”.
Cascaes
7.11.2010
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Orquestra natural
domingo, 7 de novembro de 2010
Surpresas de viagem
Fizemos um passeio com muitas dúvidas iniciais e, ao final, a certeza de termos conhecido um país diferente e extremamente interessante, sabendo, contudo, antes de desembarcar em Bogotá, que iríamos conhecer uma região com muita história, histórias de povos que estão na América há milênios e de uma região riquíssima, tendo justificado ações predatórias e sistemáticas dos colonizadores europeus e impérios coloniais (inclusive norte-americano).
Obviamente um país que enfrenta as FARC e tem dentro de suas fronteiras milícias e cartéis de drogas é preocupante, mas a verdade é que a segurança que sentimos passeando por três de suas cidades (Cartagena, Bogotá e Zipaquirá) foi muito maior do que vivendo em Curitiba.
Logo descobrimos as delícias dos refrescos que preparam com coco. Em Cartagena, principalmente, sabem usar essa fruta que, aproveitada de forma adequada, é extremamente saudável, lembrando, contudo, que exige alguns cuidados (algo que nosso povo do Nordeste conhece bem mas desperdiça oportunidades de exploração, criando produtos produtos atraentes). Registrando e usando a Wikipédia: “O valor nutritivo do coco varia de acordo com seu estado de maturação, apresentando de maneira geral bom teor de sais minerais (potássio, sódio, fósforo e cloro), e fibras, importantes para o estímulo da atividade intestinal. Devido ao seu conteúdo em sais de potássio e sódio, é um alimento adequado contra aterosclerose, para o sistema nervoso, cérebro e pulmões, além de ser um bom alimento para os diabéticos. A água de coco é muito saborosa. Pode ser empregada como diurético, por ser inofensiva e rica em sais de potássio. É também indicada nos casos de diarréia, vômitos ou mesmo desidratação. Tem grande eficácia nos casos de pressão alta, problemas cardíacos, cãibras, astenia, dores de cabeça e mal-estar. Ajuda também no crescimento infantil e no combate ao colesterol. Já o coco maduro é contraindicado às pessoas com problemas cardíacos e que tenham alta taxa de colesterol no sangue...Cem gramas de coco maduro fornecem 266 kcal (quilocalorias) e 100 miligramas de água de coco, 22 quilocalorias.” Depois dessa descrição ganhamos a convicção de que aproveitamos bem nossos aperitivos, pois tinham as boas qualidades que a saúde recomenda para quem já está no meio dos sessenta. Por quê tanta ênfase? Mais uma vez, os cartagineses fazem maravilhas com o coco, inclusive em pratos diversos usando camarões e lagostins.
Pois é, e tem história. Cartagena de Índias, cidade fundada em 1533 é Patrimônio Mundial pela UNESCO. Além do aspecto monumental de suas fortificações, guarda parte significativa da história latino americana em suas ruas, fortalezas e fortins, igrejas e sobrados (com belíssimos balcões) e em alguns lugares os espaços ajardinados, internos, surpreendendo quando, entrando por alguma porta, descobrimos um restaurante ou bar cercado de flores, folhagens e arcadas.
Mais do que tudo é o gosto e respeito pelas artes do povo colombiano que impressiona. Estátuas externas (destaque para Botero) e internas (não roubam para fundir o metal delas) e o batuque no centro de praças de Cartagena mostram gente que aprecia sua cultura e a preserva com cuidados especiais. Em Bogotá 52 museus (vimos alguns geniais) permitem passear pela história e cultura, principalmente a latinoameriana.
E, como já tínhamos notícia, vimos o Transmilênio em Bogotá, um sistema de transporte coletivo urbano semelhante ao nosso (feito com assessoria de curitibanos), com aprimoramentos importantes e grande capricho na execução das obras de canaletas, ruas, calçadas, ciclovias, passarelas, viadutos e sistemas de drenagem.
Zipaquirá é uma pequena cidade com cuidados especiais a favor do cidadão e, também, com belezas especiais. Perto de Bogotá, é fácil visitá-la.
Infelizmente ficamos pouco tempo na Colômbia, onde pretendemos voltar com mais calma e condições de conhecer tudo o que oferece.
Cascaes
7.11.2010
Obviamente um país que enfrenta as FARC e tem dentro de suas fronteiras milícias e cartéis de drogas é preocupante, mas a verdade é que a segurança que sentimos passeando por três de suas cidades (Cartagena, Bogotá e Zipaquirá) foi muito maior do que vivendo em Curitiba.
Logo descobrimos as delícias dos refrescos que preparam com coco. Em Cartagena, principalmente, sabem usar essa fruta que, aproveitada de forma adequada, é extremamente saudável, lembrando, contudo, que exige alguns cuidados (algo que nosso povo do Nordeste conhece bem mas desperdiça oportunidades de exploração, criando produtos produtos atraentes). Registrando e usando a Wikipédia: “O valor nutritivo do coco varia de acordo com seu estado de maturação, apresentando de maneira geral bom teor de sais minerais (potássio, sódio, fósforo e cloro), e fibras, importantes para o estímulo da atividade intestinal. Devido ao seu conteúdo em sais de potássio e sódio, é um alimento adequado contra aterosclerose, para o sistema nervoso, cérebro e pulmões, além de ser um bom alimento para os diabéticos. A água de coco é muito saborosa. Pode ser empregada como diurético, por ser inofensiva e rica em sais de potássio. É também indicada nos casos de diarréia, vômitos ou mesmo desidratação. Tem grande eficácia nos casos de pressão alta, problemas cardíacos, cãibras, astenia, dores de cabeça e mal-estar. Ajuda também no crescimento infantil e no combate ao colesterol. Já o coco maduro é contraindicado às pessoas com problemas cardíacos e que tenham alta taxa de colesterol no sangue...Cem gramas de coco maduro fornecem 266 kcal (quilocalorias) e 100 miligramas de água de coco, 22 quilocalorias.” Depois dessa descrição ganhamos a convicção de que aproveitamos bem nossos aperitivos, pois tinham as boas qualidades que a saúde recomenda para quem já está no meio dos sessenta. Por quê tanta ênfase? Mais uma vez, os cartagineses fazem maravilhas com o coco, inclusive em pratos diversos usando camarões e lagostins.
Pois é, e tem história. Cartagena de Índias, cidade fundada em 1533 é Patrimônio Mundial pela UNESCO. Além do aspecto monumental de suas fortificações, guarda parte significativa da história latino americana em suas ruas, fortalezas e fortins, igrejas e sobrados (com belíssimos balcões) e em alguns lugares os espaços ajardinados, internos, surpreendendo quando, entrando por alguma porta, descobrimos um restaurante ou bar cercado de flores, folhagens e arcadas.
Mais do que tudo é o gosto e respeito pelas artes do povo colombiano que impressiona. Estátuas externas (destaque para Botero) e internas (não roubam para fundir o metal delas) e o batuque no centro de praças de Cartagena mostram gente que aprecia sua cultura e a preserva com cuidados especiais. Em Bogotá 52 museus (vimos alguns geniais) permitem passear pela história e cultura, principalmente a latinoameriana.
E, como já tínhamos notícia, vimos o Transmilênio em Bogotá, um sistema de transporte coletivo urbano semelhante ao nosso (feito com assessoria de curitibanos), com aprimoramentos importantes e grande capricho na execução das obras de canaletas, ruas, calçadas, ciclovias, passarelas, viadutos e sistemas de drenagem.
Zipaquirá é uma pequena cidade com cuidados especiais a favor do cidadão e, também, com belezas especiais. Perto de Bogotá, é fácil visitá-la.
Infelizmente ficamos pouco tempo na Colômbia, onde pretendemos voltar com mais calma e condições de conhecer tudo o que oferece.
Cascaes
7.11.2010
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Surpresas de viagem
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Assimetrias e comportamentos na Colômbia
Assimetrias e comportamentos na Colômbia
A Colômbia e o Chile têm sido apresentados como “alter ego” de outros países da América Latina. Realmente, abraçaram o liberalismo econômico e assim destoam daqueles, talvez mais realistas e sensíveis à realidade mercantilista do mundo, que aproveitam suas riquezas naturais e a capacidade de trabalho dos seus povos para a construção de uma sociedade mais justa.
A Justiça, contudo, tem aspectos relativos.
Voltando a falar da República da Colômbia, país com pouco mais que um milhão de quilômetros quadrados, quarenta e quatro milhões de habitantes e índices sociais não muito diferentes dos nossos, é país interessante e cheio de surpresas.
Estivemos nesse mês de outubro na Colômbia e diversas vezes perguntamos a colombianos porque lá até a segurança nas praias (contra afogamentos) era não estatal, a resposta foi sempre a mesma, foi o caminho encontrado contra a corrupção nas praias, empresas, rodovias etc..
Talvez isso nos levasse a crer estarmos em um país puritano ou insensível ao povo. Não foi o que vimos.
Algo, por exemplo, que chamou a atenção foi a qualidade de suas obras. Bem feitas, com padrões de projeto, execução e atenção às necessidades das PcD, por exemplo, excepcionais.
Nas rodovias, numa delas, ao menos, vimos ciclovias protegidas ao longo da pista para os carros e passarelas muito bem feitas.
Bogotá tem 52 museus. Podemos concordar que a história dos povos précolombianos é fascinante, justificando tantos mostruários. Mas num desses lugares de Cultura para o povo, sem custos, com o patrocínio de alguma instituição, vimos dois museus, contíguos, geminados, geniais. Um museu sobre arte, com mais espaço para Botero, mas muitas obras de artistas internacionais famosos, e o outro da moeda, lembrando até os tempos em que os galeões partiam cheios de ouro e prata para a viabilização de guerras, castelos e catedrais na Europa ao preço da destruição da cultura americana mais antiga.
De tudo o que vimos, contudo, chamou demais à atenção a cidade de Zipaquirá.
Compensa apresentá-la:
Zipaquirá é uma das cidades mais antigas de Colômbia, suas origens antecedem à época da Conquista. De seu atual nome há duas possíveis origens um deles é extraído do povo indígena que habitou ao pé do Cerro do Zipa, "Chicaquicha", que traduz "nosso cercado grande" ou segundo outras fontes "Cidade de nosso pai" e até o Século XIX se exibia com C, e a outra corresponde a Zipa título outorgado ao que era o governador do povo e de sua esposa conhecida com o título de Quira, de ali Zipa-Quirá. Os indígenas, que ali habitavam, localizavam-se na parte alta da mina chamada "Povo Velho", agora conhecido como Santiago Pérez, aproximadamente 200 metros acima em relção ao lugar que hoje ocupa a cidade, onde à chegada dos cronistas espanhóis (1536) "alçavam-se uma centena de moradias, com uma população de 1.200 pessoas".
Estas terras pertenciam aos domínios do Zipa de Bacatá (Bogotá atual), senhor de parte-a sul do povo Muisca. Esta zona da Savana de Bogotá era cercada naquela época por uma sucessão de pequenos lagos e ribeirões, que permitiam o transporte de seus habitantes em canoas, meio pelo qual os habitantes de Nemocón, Gachancipá e Tocancipá chegavam a Chicaquicha para se abastecer no precioso sal, que trocavam por vasilhas e tecidos. O sal era também trocado com povos de toda a região andina de Colômbia incluindo os Panches, Tolimas e Pantágoras no atual departamento do Tolima, e os Muzos do atual departamento de Boyacá.
O município conta também com uma importante atividade agrícola na qual se destaca a produção de leite. A atividade industrial da região está estreitamente associada com a produção, processamento e refinamento de sal. Tem uma população estimada em uns 100,000 habitantes (zipaquireños).
... um dos eventos mais reconhecidos na região são suas majestosas procissões de Semana Santa, organizadas há 54 anos pela Congregación de Nazarenos de Zipaquirá, quem percorrem durante toda a semana as ruas da cidade com as mais formosas imagens religiosas espanholas que atraem aos próprios e estranhos. Os turistas participam ativamente durante a Sexta-feira Santa quando a procissão do Caminho da Cruz sobe até a Praça do Mineiro na entrada de Catedral de Sal.
Nela visitamos uma Catedral de Sal (70% do povo colombiano é católico praticante), feita dentro de uma antiga e já explorada mina de sal. Aliás, o cloreto de sódio é base da história daquele povo que, extraindo-o do solo e convertendo-o em sal de cozinha, mantinha sua nação pré-colombiana. Mais tarde virou indústria comum, essa mina esgotada pela produção intensiva.
Melhor que qualquer detalhamento comercial e industrial é ver o respeito ao pedestre e ao ciclista. Calçadas impecáveis, ciclovias excelentes.
As calçadas mostram detalhes de acessibilidade e modernização técnica, apesar da riquíssima história daquele povo. Mais importante que a preservação de valores culturais em Zipaquirá é a atenção ao PcD, ao idoso, ao cidadão em suas diversas formas e capacidades. Que diferença do Brasil!
Cascaes
5.4.2010
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Assimetrias e comportamentos na Colômbia,
Colômbia,
Zipaquirá
Assimetrias e comportamentos na Colômbia
A Colômbia e o Chile têm sido apresentados como “alter ego” de outros países da América Latina. Realmente, abraçaram o liberalismo econômico e assim destoam daqueles, talvez mais realistas e sensíveis à realidade mercantilista do mundo, que aproveitam suas riquezas naturais e a capacidade de trabalho dos seus povos para a construção de uma sociedade mais justa.
A Justiça, contudo, tem aspectos relativos.
Voltando a falar da República da Colômbia, país com pouco mais que um milhão de quilômetros quadrados, quarenta e quatro milhões de habitantes e índices sociais não muito diferentes dos nossos, é país interessante e cheio de surpresas.
Estivemos nesse mês de outubro na Colômbia e diversas vezes perguntamos a colombianos porque lá até a segurança nas praias (contra afogamentos) era não estatal, a resposta foi sempre a mesma, foi o caminho encontrado contra a corrupção nas praias, empresas, rodovias etc..
Talvez isso nos levasse a crer estarmos em um país puritano ou insensível ao povo. Não foi o que vimos.
Algo, por exemplo, que chamou a atenção foi a qualidade de suas obras. Bem feitas, com padrões de projeto, execução e atenção às necessidades das PcD, por exemplo, excepcionais.
Nas rodovias, numa delas, ao menos, vimos ciclovias protegidas ao longo da pista para os carros e passarelas muito bem feitas.
Bogotá tem 52 museus. Podemos concordar que a história dos povos précolombianos é fascinante, justificando tantos mostruários. Mas num desses lugares de Cultura para o povo, sem custos, com o patrocínio de alguma instituição, vimos dois museus, contíguos, geminados, geniais. Um museu sobre arte, com mais espaço para Botero, mas muitas obras de artistas internacionais famosos, e o outro da moeda, lembrando até os tempos em que os galeões partiam cheios de ouro e prata para a viabilização de guerras, castelos e catedrais na Europa ao preço da destruição da cultura americana mais antiga.
De tudo o que vimos, contudo, chamou demais à atenção a cidade de Zipaquirá.
Compensa apresentá-la:
Zipaquirá é uma das cidades mais antigas de Colômbia, suas origens antecedem à época da Conquista. De seu atual nome há duas possíveis origens um deles é extraído do povo indígena que habitou ao pé do Cerro do Zipa, "Chicaquicha", que traduz "nosso cercado grande" ou segundo outras fontes "Cidade de nosso pai" e até o Século XIX se exibia com C, e a outra corresponde a Zipa título outorgado ao que era o governador do povo e de sua esposa conhecida com o título de Quira, de ali Zipa-Quirá. Os indígenas, que ali habitavam, localizavam-se na parte alta da mina chamada "Povo Velho", agora conhecido como Santiago Pérez, aproximadamente 200 metros acima em relção ao lugar que hoje ocupa a cidade, onde à chegada dos cronistas espanhóis (1536) "alçavam-se uma centena de moradias, com uma população de 1.200 pessoas".
Estas terras pertenciam aos domínios do Zipa de Bacatá (Bogotá atual), senhor de parte-a sul do povo Muisca. Esta zona da Savana de Bogotá era cercada naquela época por uma sucessão de pequenos lagos e ribeirões, que permitiam o transporte de seus habitantes em canoas, meio pelo qual os habitantes de Nemocón, Gachancipá e Tocancipá chegavam a Chicaquicha para se abastecer no precioso sal, que trocavam por vasilhas e tecidos. O sal era também trocado com povos de toda a região andina de Colômbia incluindo os Panches, Tolimas e Pantágoras no atual departamento do Tolima, e os Muzos do atual departamento de Boyacá.
O município conta também com uma importante atividade agrícola na qual se destaca a produção de leite. A atividade industrial da região está estreitamente associada com a produção, processamento e refinamento de sal. Tem uma população estimada em uns 100,000 habitantes (zipaquireños).
... um dos eventos mais reconhecidos na região são suas majestosas procissões de Semana Santa, organizadas há 54 anos pela Congregación de Nazarenos de Zipaquirá, quem percorrem durante toda a semana as ruas da cidade com as mais formosas imagens religiosas espanholas que atraem aos próprios e estranhos. Os turistas participam ativamente durante a Sexta-feira Santa quando a procissão do Caminho da Cruz sobe até a Praça do Mineiro na entrada de Catedral de Sal.
Fonte http://pt.wikilingue.com/es/Zipaquir%C3%A1.
Melhor que qualquer detalhamento comercial e industrial é ver o respeito ao pedestre e ao ciclista. Calçadas impecáveis, ciclovias excelentes.
As calçadas mostram detalhes de acessibilidade e modernização técnica, apesar da riquíssima história daquele povo. Mais importante que a preservação de valores culturais em Zipaquirá é a atenção ao PcD, ao idoso, ao cidadão em suas diversas formas e capacidades. Que diferença do Brasil!
Cascaes
5.4.2010Nela visitamos uma Catedral de Sal (70% do povo colombiano é católico praticante), feita dentro de uma antiga e já explorada mina de sal. Aliás, o cloreto de sódio é base da história daquele povo que, extraindo-o do solo e convertendo-o em sal de cozinha, mantinha sua nação pré-colombiana. Mais tarde virou indústria comum, essa mina esgotada pela produção intensiva.
A Justiça, contudo, tem aspectos relativos.
Voltando a falar da República da Colômbia, país com pouco mais que um milhão de quilômetros quadrados, quarenta e quatro milhões de habitantes e índices sociais não muito diferentes dos nossos, é país interessante e cheio de surpresas.
Estivemos nesse mês de outubro na Colômbia e diversas vezes perguntamos a colombianos porque lá até a segurança nas praias (contra afogamentos) era não estatal, a resposta foi sempre a mesma, foi o caminho encontrado contra a corrupção nas praias, empresas, rodovias etc..
Talvez isso nos levasse a crer estarmos em um país puritano ou insensível ao povo. Não foi o que vimos.
Algo, por exemplo, que chamou a atenção foi a qualidade de suas obras. Bem feitas, com padrões de projeto, execução e atenção às necessidades das PcD, por exemplo, excepcionais.
Nas rodovias, numa delas, ao menos, vimos ciclovias protegidas ao longo da pista para os carros e passarelas muito bem feitas.
Bogotá tem 52 museus. Podemos concordar que a história dos povos précolombianos é fascinante, justificando tantos mostruários. Mas num desses lugares de Cultura para o povo, sem custos, com o patrocínio de alguma instituição, vimos dois museus, contíguos, geminados, geniais. Um museu sobre arte, com mais espaço para Botero, mas muitas obras de artistas internacionais famosos, e o outro da moeda, lembrando até os tempos em que os galeões partiam cheios de ouro e prata para a viabilização de guerras, castelos e catedrais na Europa ao preço da destruição da cultura americana mais antiga.
De tudo o que vimos, contudo, chamou demais à atenção a cidade de Zipaquirá.
Compensa apresentá-la:
Zipaquirá é uma das cidades mais antigas de Colômbia, suas origens antecedem à época da Conquista. De seu atual nome há duas possíveis origens um deles é extraído do povo indígena que habitou ao pé do Cerro do Zipa, "Chicaquicha", que traduz "nosso cercado grande" ou segundo outras fontes "Cidade de nosso pai" e até o Século XIX se exibia com C, e a outra corresponde a Zipa título outorgado ao que era o governador do povo e de sua esposa conhecida com o título de Quira, de ali Zipa-Quirá. Os indígenas, que ali habitavam, localizavam-se na parte alta da mina chamada "Povo Velho", agora conhecido como Santiago Pérez, aproximadamente 200 metros acima em relção ao lugar que hoje ocupa a cidade, onde à chegada dos cronistas espanhóis (1536) "alçavam-se uma centena de moradias, com uma população de 1.200 pessoas".
Estas terras pertenciam aos domínios do Zipa de Bacatá (Bogotá atual), senhor de parte-a sul do povo Muisca. Esta zona da Savana de Bogotá era cercada naquela época por uma sucessão de pequenos lagos e ribeirões, que permitiam o transporte de seus habitantes em canoas, meio pelo qual os habitantes de Nemocón, Gachancipá e Tocancipá chegavam a Chicaquicha para se abastecer no precioso sal, que trocavam por vasilhas e tecidos. O sal era também trocado com povos de toda a região andina de Colômbia incluindo os Panches, Tolimas e Pantágoras no atual departamento do Tolima, e os Muzos do atual departamento de Boyacá.
O município conta também com uma importante atividade agrícola na qual se destaca a produção de leite. A atividade industrial da região está estreitamente associada com a produção, processamento e refinamento de sal. Tem uma população estimada em uns 100,000 habitantes (zipaquireños).
... um dos eventos mais reconhecidos na região são suas majestosas procissões de Semana Santa, organizadas há 54 anos pela Congregación de Nazarenos de Zipaquirá, quem percorrem durante toda a semana as ruas da cidade com as mais formosas imagens religiosas espanholas que atraem aos próprios e estranhos. Os turistas participam ativamente durante a Sexta-feira Santa quando a procissão do Caminho da Cruz sobe até a Praça do Mineiro na entrada de Catedral de Sal.
Fonte http://pt.wikilingue.com/es/Zipaquir%C3%A1.
Melhor que qualquer detalhamento comercial e industrial é ver o respeito ao pedestre e ao ciclista. Calçadas impecáveis, ciclovias excelentes.
As calçadas mostram detalhes de acessibilidade e modernização técnica, apesar da riquíssima história daquele povo. Mais importante que a preservação de valores culturais em Zipaquirá é a atenção ao PcD, ao idoso, ao cidadão em suas diversas formas e capacidades. Que diferença do Brasil!
Cascaes
5.4.2010Nela visitamos uma Catedral de Sal (70% do povo colombiano é católico praticante), feita dentro de uma antiga e já explorada mina de sal. Aliás, o cloreto de sódio é base da história daquele povo que, extraindo-o do solo e convertendo-o em sal de cozinha, mantinha sua nação pré-colombiana. Mais tarde virou indústria comum, essa mina esgotada pela produção intensiva.
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Colômbia,
Zipaquirá
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Um projeto urgentíssimo – a criação da Defensoria Pública
Em Bogotá lemos na fachada (frontispício) do Palácio da Justiça: “Colombianos, las Armas los han dado Independência, las Leyes os darán Libertad”. Que belíssima mensagem, apesar do mérito eventualmente duvidoso das leis.
Mesmo com imperfeições eventuais, sem ordem e disciplina nenhum estado poderá viver em paz. Leis e respeito ao que se entende por tal são fundamentais para se evitar os excessos daqueles que, eventualmente, entendem-se fora, acima ou alheios aos nossos códigos. Não existe Democracia sem Justiça consolidada.
Nada pior do que viver com a sensação de se existir num mundo de privilégios ou injustiças, arbitrariedades, falta de liberdade... O respeito às leis é fundamental a qualquer povo, principalmente se forem o produto de uma democracia consolidada, honrada. Temos, além disso, que aplicar as leis de forma equânime, com respeito ao cidadão, seja ele rico ou pobre, político ou fantasma, criminoso ou não.
Estatísticas publicadas em nossos jornais revelaram uma situação deprimente em presídios paranaenses, onde os reclusos nem sempre lá estão por culpa formada, condenados e dentro do custo de suas penas. Muitos deles poderiam estar em liberdade (já cumpriram pena ou poderiam aguardar julgamento em liberdade) ou foram mal defendidos, permanecendo tempo excessivo na Universidade do Crime, como de hábito são os presídios.
Para defender a população mais humilde, “data vênia”, inconsciente de seus direitos, haveria a Defensoria Pública, criada pela Constituição Federal de 1988. Estabelece o artigo 134 que a Defensoria Pública é o órgão do Estado (União e Territórios, Distrito Federal e Estados Membros) destinado à prestação de assistência jurídica integral e gratuita à população desprovida de recursos para pagar honorários de advogados e os custos de uma postulação ou defesa em processo judicial, ou extrajudicial, ou, ainda, de um aconselhamento jurídico; é parte essencial num país ainda com uma parcela significativa do seu povo nessa condição. A Constituição Federal Brasileira dispõe, ainda, que a Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, vale dizer, fundamental à própria Justiça (Justiça real), do mesmo modo que o Ministério Público.
Apesar disso não existe, formalmente, no Paraná.
Nosso Governador Orlando Pessuti, antes de assumir, já tinha o propósito de criá-la e colocá-la em operação. Por alguma razão pessoal, talvez pelo respeito às lógicas de igualdade, liberdade e fraternidade desenvolvidas entre Irmãos tenha consolidado esse sentimento. Encontra barreiras, entretanto. Lógicas políticas malditas estão atrasando esse projeto. Será que nossos deputados e o futuro governador sabem o que isso significa?
Nada pior que a sensação de injustiça para desmotivar e revoltar um povo. Está no cerne do ser humano a necessidade de respeito, o desejo de ser tratado com dignidade.
Obviamente tudo é possível entre os poderosos. Doenças comportamentais poderão justificar atitudes sado masoquistas, desprezo pelo povo, indiferença. Essa não é, contudo, uma endemia nem epidemia. Assim podemos e devemos pensar que a maioria dos paranaenses quer viver em um estado sério, responsável, justo. Não basta criar polícias e tribunais. É mais do que necessário a formação de estruturas de defesa de qualquer cidadão, principalmente se for carente, pobre, mais ainda diante da quantidade absurda de leis, decretos, portarias etc. num mundo que se esqueceu que nem os 10 Mandamentos são respeitados. Pior ainda, muitas punições são incrivelmente cruéis.
Vimos inúmeras vezes a diferença abissal de tratamento entre pessoas bem defendidas e aquelas que não podem pagar advogados. O resultado é a transformação de nossas idéias de Justiça em abastecedores de depósitos de gente pobre. Cidadãos que, não raramente, ficam meses ou anos esperando sentenças que lhes dariam liberdade.
Notamos com perplexidade a proposta de criação da Defensoria Pública no Paraná colocada no jogo político, esperando o ano, perdendo tempo.
Isso é necessário? Justo? Certamente não! Afinal tivemos apoios entusiásticos a projetos menos importantes.
Precisamos da atuação da OAB, das nossas lideranças civis, de todos os paranaenses em favor da criação formal e implementação urgente da Defensoria Pública; nosso povo tem sede de Justiça. O fundamental, contudo, em tempo, é o concurso e a qualidade dos futuros defensores, que, se possível, deveriam passar por algum teste de aptidão vocacional. A frieza, a alienação e o egocentrismo são um tremendo mal que nos aflige...
Nosso governador Orlando Pessuti sabe que não deve esperar. Precisa aproveitar o seu poder para, pelo menos, cumprir a Constituição Federal e dar aos paranaenses um direito que lhes tem sido sonegado desde 1988.
Cascaes
4.11.2010
Mesmo com imperfeições eventuais, sem ordem e disciplina nenhum estado poderá viver em paz. Leis e respeito ao que se entende por tal são fundamentais para se evitar os excessos daqueles que, eventualmente, entendem-se fora, acima ou alheios aos nossos códigos. Não existe Democracia sem Justiça consolidada.
Nada pior do que viver com a sensação de se existir num mundo de privilégios ou injustiças, arbitrariedades, falta de liberdade... O respeito às leis é fundamental a qualquer povo, principalmente se forem o produto de uma democracia consolidada, honrada. Temos, além disso, que aplicar as leis de forma equânime, com respeito ao cidadão, seja ele rico ou pobre, político ou fantasma, criminoso ou não.
Estatísticas publicadas em nossos jornais revelaram uma situação deprimente em presídios paranaenses, onde os reclusos nem sempre lá estão por culpa formada, condenados e dentro do custo de suas penas. Muitos deles poderiam estar em liberdade (já cumpriram pena ou poderiam aguardar julgamento em liberdade) ou foram mal defendidos, permanecendo tempo excessivo na Universidade do Crime, como de hábito são os presídios.
Para defender a população mais humilde, “data vênia”, inconsciente de seus direitos, haveria a Defensoria Pública, criada pela Constituição Federal de 1988. Estabelece o artigo 134 que a Defensoria Pública é o órgão do Estado (União e Territórios, Distrito Federal e Estados Membros) destinado à prestação de assistência jurídica integral e gratuita à população desprovida de recursos para pagar honorários de advogados e os custos de uma postulação ou defesa em processo judicial, ou extrajudicial, ou, ainda, de um aconselhamento jurídico; é parte essencial num país ainda com uma parcela significativa do seu povo nessa condição. A Constituição Federal Brasileira dispõe, ainda, que a Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, vale dizer, fundamental à própria Justiça (Justiça real), do mesmo modo que o Ministério Público.
Apesar disso não existe, formalmente, no Paraná.
Nosso Governador Orlando Pessuti, antes de assumir, já tinha o propósito de criá-la e colocá-la em operação. Por alguma razão pessoal, talvez pelo respeito às lógicas de igualdade, liberdade e fraternidade desenvolvidas entre Irmãos tenha consolidado esse sentimento. Encontra barreiras, entretanto. Lógicas políticas malditas estão atrasando esse projeto. Será que nossos deputados e o futuro governador sabem o que isso significa?
Nada pior que a sensação de injustiça para desmotivar e revoltar um povo. Está no cerne do ser humano a necessidade de respeito, o desejo de ser tratado com dignidade.
Obviamente tudo é possível entre os poderosos. Doenças comportamentais poderão justificar atitudes sado masoquistas, desprezo pelo povo, indiferença. Essa não é, contudo, uma endemia nem epidemia. Assim podemos e devemos pensar que a maioria dos paranaenses quer viver em um estado sério, responsável, justo. Não basta criar polícias e tribunais. É mais do que necessário a formação de estruturas de defesa de qualquer cidadão, principalmente se for carente, pobre, mais ainda diante da quantidade absurda de leis, decretos, portarias etc. num mundo que se esqueceu que nem os 10 Mandamentos são respeitados. Pior ainda, muitas punições são incrivelmente cruéis.
Vimos inúmeras vezes a diferença abissal de tratamento entre pessoas bem defendidas e aquelas que não podem pagar advogados. O resultado é a transformação de nossas idéias de Justiça em abastecedores de depósitos de gente pobre. Cidadãos que, não raramente, ficam meses ou anos esperando sentenças que lhes dariam liberdade.
Notamos com perplexidade a proposta de criação da Defensoria Pública no Paraná colocada no jogo político, esperando o ano, perdendo tempo.
Isso é necessário? Justo? Certamente não! Afinal tivemos apoios entusiásticos a projetos menos importantes.
Precisamos da atuação da OAB, das nossas lideranças civis, de todos os paranaenses em favor da criação formal e implementação urgente da Defensoria Pública; nosso povo tem sede de Justiça. O fundamental, contudo, em tempo, é o concurso e a qualidade dos futuros defensores, que, se possível, deveriam passar por algum teste de aptidão vocacional. A frieza, a alienação e o egocentrismo são um tremendo mal que nos aflige...
Nosso governador Orlando Pessuti sabe que não deve esperar. Precisa aproveitar o seu poder para, pelo menos, cumprir a Constituição Federal e dar aos paranaenses um direito que lhes tem sido sonegado desde 1988.
Cascaes
4.11.2010
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a criação da Defensoria Pública,
Um projeto urgentíssimo
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Democratização ou privatização da política
Dá arrepios sentir que a vitória do Presidente eleito, a economista Dilma Roussef, significará também a negociação de cargos federais. Deveria ser algo justo e necessário, a enxurrada de escândalos durante a campanha eleitoral mostrou, contudo, que não é por motivos patrióticos que os partidos apóiam este ou aquele candidato.
A degradação é proporcional aos custos das campanhas e a última foi muito cara. Ou os doadores, por alguma decisão divina, tornaram-se beneméritos da democracia no Brasil, ou agora insistem na indicação de acólitos aos cargos estratégicos. Podemos também ter lideranças puras, fortes, capazes de intimidar bilionários e conseguir doações e empréstimos de jatinhos sob mensagens de “dá ou desce”. Tudo é possível, mas, relembrando, a campanha eleitoral mostrou as entranhas de nosso processo político nas palavras dos próprios candidatos a diversos cargos.
Grandes democracias dependem de doações institucionais, estatais, fiscais. Como no Brasil elas não partem diretamente do contribuinte, aposentados, donas de casa, de micros e pequenos empresários nem de dependentes de “Bolsas Família”, tampouco de favelados, podemos imaginar o que pretendem os doadores privados. Isso pode significar a manutenção de políticas maldosas e bem construídas (para “enganar” os justiceiros). Afinal, os mega capitalistas podem ter todos os defeitos, menos a burrice.
Os pilares da economia serão mantidos, os grandes industriais terão as benesses do BNDES, os juros continuarão na estratosfera, pois o “spread” dos empréstimos, em hipótese alguma, poderão por em risco os amados bancos. Para os empréstimos consignados (uma mina de ouro) mais juros e menos contemplação com seus emprestadores (precisamos combater a inflação)... o câmbio será flexível, afinal o Brasil manda nas regras econômicas mundiais, todos farão o que determinarmos. É interessante comparar o câmbio de nossa moeda aqui e fora do Brasil, é difícil de entender porque nas casas de câmbio fora de nossas fronteiras o Real vale tão pouco.
Talvez as prioridades sejam definidas pelos patrocinadores de campanha. Temos questões sérias que correm o risco de paliativos ou serem passíveis de soluções penosas para suas vítimas, pois os interesses da nação nem sempre coincidem com os dos bilionários.
A dívida da Previdência é um pesadelo, não deverá ser objeto de paliativos. Criaram benefícios e não provisionaram recursos para compensar novos contingentes de aposentados. Quem pagou suas contribuições durante anos terá cada vez menos do que diziam vir a ser o valor da aposentadoria nos tempos em que foi viabilizada. O discurso do “pesadelo da Previdência” continuará.
E o SUS? Será que nosso Hospital das Clínicas (por exemplo) reabrirá seus duzentos leitos sem uso por falta de pessoal? É a nossa esperança.
O verão está chegando assim como os mosquitos e o câncer de pele. Na mídia uma preocupação constante com a Copa do Mundo, afinal interessa muito àqueles que faturam com o futebol. Privilégios inacreditáveis estão sendo dados. E as doenças endêmicas, o programa habitacional e o saneamento básico serão igualmente priorizados? Não dá mídia...
As esperanças existem, contudo. A exguerrilheira Dilma Roussef não se exporia à tortura e a quase 3 anos de prisão se não amasse seu povo. Poderia ter convicções erradas, tinha tudo para ser “patricinha”, não foi. Nossa esperança é de que aos poucos mostre suas convicções, sua vontade de fazer justiça social, de realmente levantar o nosso povo a padrões de vida, que nunca sonhou, afinal o brasileiro foi educado dentro de lógicas escravagistas, fatalistas, de passividade e muita reza...
Infelizmente Dilma Roussef parece ser escrava de sua formação profissional. Deve ter sido submetida a lavagens cerebrais em sua faculdade. Talvez agora a ideologia seja outra, acreditando nas maravilhas de um “Deus Mercado” que nunca mostrou grandes qualidades morais. Temos (caso extremo de imperialismo e liberdade de comerciar) até o exemplo da Guerra do Ópio, ainda no século 19 contra a China, que na América Latina se transformou em moeda com as qualidades da cocaína e da maconha.
O desafio de nosso presidente eleito, a Sra. Dilma Roussef, não é pequeno. Com certeza deverá, primeiro, atender conveniências “políticas”. Se souber agir, e ela sabe, aos poucos poderá chegar ao padrão de governo que sonhamos. Afinal, que tipo de brasileiro não quer honestidade, competência, seriedade e amor ao nosso povo?
Precisamos de um governo que estimule o empreendedorismo a favor do Brasil, que encontre soluções reais para imensos problemas de saneamento, educação, saúde, segurança, transporte, enfim, coerência e racionalidade administrativa.
Será que alguns políticos vão querer outro mensalão para “colaborar” com o governo? Os empreiteiros e banqueiros vão cobrar doações? Os sindicatos exigirão benefícios impossíveis? Está na hora de mudar formalmente o patrocínio de campanhas eleitorais para o bem do povo. Custe o que custar, será um reforço à nossa democracia, ainda muito dependente de jatinhos, cabos eleitorais e marqueteiros caríssimos.
Cascaes
2.11.2010
A degradação é proporcional aos custos das campanhas e a última foi muito cara. Ou os doadores, por alguma decisão divina, tornaram-se beneméritos da democracia no Brasil, ou agora insistem na indicação de acólitos aos cargos estratégicos. Podemos também ter lideranças puras, fortes, capazes de intimidar bilionários e conseguir doações e empréstimos de jatinhos sob mensagens de “dá ou desce”. Tudo é possível, mas, relembrando, a campanha eleitoral mostrou as entranhas de nosso processo político nas palavras dos próprios candidatos a diversos cargos.
Grandes democracias dependem de doações institucionais, estatais, fiscais. Como no Brasil elas não partem diretamente do contribuinte, aposentados, donas de casa, de micros e pequenos empresários nem de dependentes de “Bolsas Família”, tampouco de favelados, podemos imaginar o que pretendem os doadores privados. Isso pode significar a manutenção de políticas maldosas e bem construídas (para “enganar” os justiceiros). Afinal, os mega capitalistas podem ter todos os defeitos, menos a burrice.
Os pilares da economia serão mantidos, os grandes industriais terão as benesses do BNDES, os juros continuarão na estratosfera, pois o “spread” dos empréstimos, em hipótese alguma, poderão por em risco os amados bancos. Para os empréstimos consignados (uma mina de ouro) mais juros e menos contemplação com seus emprestadores (precisamos combater a inflação)... o câmbio será flexível, afinal o Brasil manda nas regras econômicas mundiais, todos farão o que determinarmos. É interessante comparar o câmbio de nossa moeda aqui e fora do Brasil, é difícil de entender porque nas casas de câmbio fora de nossas fronteiras o Real vale tão pouco.
Talvez as prioridades sejam definidas pelos patrocinadores de campanha. Temos questões sérias que correm o risco de paliativos ou serem passíveis de soluções penosas para suas vítimas, pois os interesses da nação nem sempre coincidem com os dos bilionários.
A dívida da Previdência é um pesadelo, não deverá ser objeto de paliativos. Criaram benefícios e não provisionaram recursos para compensar novos contingentes de aposentados. Quem pagou suas contribuições durante anos terá cada vez menos do que diziam vir a ser o valor da aposentadoria nos tempos em que foi viabilizada. O discurso do “pesadelo da Previdência” continuará.
E o SUS? Será que nosso Hospital das Clínicas (por exemplo) reabrirá seus duzentos leitos sem uso por falta de pessoal? É a nossa esperança.
O verão está chegando assim como os mosquitos e o câncer de pele. Na mídia uma preocupação constante com a Copa do Mundo, afinal interessa muito àqueles que faturam com o futebol. Privilégios inacreditáveis estão sendo dados. E as doenças endêmicas, o programa habitacional e o saneamento básico serão igualmente priorizados? Não dá mídia...
As esperanças existem, contudo. A exguerrilheira Dilma Roussef não se exporia à tortura e a quase 3 anos de prisão se não amasse seu povo. Poderia ter convicções erradas, tinha tudo para ser “patricinha”, não foi. Nossa esperança é de que aos poucos mostre suas convicções, sua vontade de fazer justiça social, de realmente levantar o nosso povo a padrões de vida, que nunca sonhou, afinal o brasileiro foi educado dentro de lógicas escravagistas, fatalistas, de passividade e muita reza...
Infelizmente Dilma Roussef parece ser escrava de sua formação profissional. Deve ter sido submetida a lavagens cerebrais em sua faculdade. Talvez agora a ideologia seja outra, acreditando nas maravilhas de um “Deus Mercado” que nunca mostrou grandes qualidades morais. Temos (caso extremo de imperialismo e liberdade de comerciar) até o exemplo da Guerra do Ópio, ainda no século 19 contra a China, que na América Latina se transformou em moeda com as qualidades da cocaína e da maconha.
O desafio de nosso presidente eleito, a Sra. Dilma Roussef, não é pequeno. Com certeza deverá, primeiro, atender conveniências “políticas”. Se souber agir, e ela sabe, aos poucos poderá chegar ao padrão de governo que sonhamos. Afinal, que tipo de brasileiro não quer honestidade, competência, seriedade e amor ao nosso povo?
Precisamos de um governo que estimule o empreendedorismo a favor do Brasil, que encontre soluções reais para imensos problemas de saneamento, educação, saúde, segurança, transporte, enfim, coerência e racionalidade administrativa.
Será que alguns políticos vão querer outro mensalão para “colaborar” com o governo? Os empreiteiros e banqueiros vão cobrar doações? Os sindicatos exigirão benefícios impossíveis? Está na hora de mudar formalmente o patrocínio de campanhas eleitorais para o bem do povo. Custe o que custar, será um reforço à nossa democracia, ainda muito dependente de jatinhos, cabos eleitorais e marqueteiros caríssimos.
Cascaes
2.11.2010
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Democratização ou privatização da política
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Dia de Finados
Hoje é o dia de se reverenciar os mortos. Provavelmente seja algo que pouca ou nenhuma diferença fará a quem faleceu, mas, talvez, extremamente importante a quem sobrevive. Quem não tem algo a se arrepender? Ou lembrar com alegria da convivência com aqueles que motivaram a ida aos cemitérios? Em torno da morte material do corpo humano há muitas teorias e poucas convicções, tanto que até os Papas relutam em passar para o céu. Assim vale, prudentemente, não esquecer que chegará o tempo em que estaremos sob a terra e nossos descendentes talvez façam o que devemos fazer hoje. Talvez nos ajude de alguma forma.
Tivemos eleições. A política é uma arte que, para seus atores, tem começo, meio e fim. Ou seja, nascimento, vida e morte. Para justificar dedicações existem autênticas religiões, que denominamos ideologias, com direito a rituais e sacerdotes além dos grandes teóricos.
É interessante ver essa necessidade de racionalização de tudo o que fazemos, talvez um indício de que sejamos seres pensantes. Hoje muitos devem estar se convencendo do ocaso político ou festejando vitórias, pior ainda, tentando resolver a intrincada lógica de distribuição de favores para compensar apoios (com o dinheiro do contribuinte) e garantir o futuro.
Com a Democracia, ainda que extremamente relativa, ganhamos (nesse ano de 2010) novos executivos e conversadores (parlamentares). Novos em termos, a maioria é antiga e existe falando mal um do outro há muito tempo. Foram, contudo, responsáveis pela quantidade imensa de leis, decretos, portarias etc. que ganhamos após o período militar assim como uma carga fiscal gigantesca, mal usada, desperdiçada.
Tivemos, nesse período de tantos patrocinadores de campanha, privatizações de serviços essenciais. A tese era a necessidade de divisas, melhorar a qualidade dos serviços públicos, reduzir custos, evitar-se a corrupção. Na maioria das vezes o remédio mostrou-se pior do que a doença, muitos ainda acreditando o contrário (a propaganda faz milagres e é um grande negócio) porque ignoram onde poderíamos estar se, simplesmente, existisse mais rigor na administração pública, algo possível graças às muitas maneiras de vigilância (formais e informais) do governo agora possíveis. O único detalhe é que fiscalização, vigilância e cobrança de resultados deveria ser algo a ser ensinado já no berçário. Nosso povo foi educado, e ainda é, para ser alienado. O que importa é pão e circo. E a corrupção? Mudou de formato.
Nesse dia de Finados gosto de lembrar meus pais. Passaram a vida, após casados, trabalhando muito, de forma espartana, preocupados acima de tudo com a educação dos filhos. Meu pai, fumante inveterado, morreu muito cedo, fez muitíssima falta. De qualquer jeito deixou a imagem das funções paternas, do que um homem precisa fazer e de quanto faz falta quando, por uma razão ou outra, deixa seus filhos e esposa antes do tempo. Nesses tempos de culto a aventuras e paternidade irresponsável, vem à minha cabeça permanentemente o que significou conviver com uma pessoa tão especial. Só lamento não ter filmado suas conversas, possuir textos, palavras desse homem extraordinário.
Com Pedro Cascaes (meu pai) aprendi muito da dinâmica da Política. Era nosso assunto diário (apesar da minha idade sempre me tratou como se fosse um adulto), enquanto viveu. Talvez, enojado das coisas nacionais, falasse pouco do que acontecia no Brasil, nominando “em passant” partidos e lideranças; de qualquer jeito a lógica, o comportamento de pessoas e ideologias era nosso assunto, algo até natural naqueles anos logo após a Segunda Guerra Mundial e durante guerras que nunca deixaram de existir, início de um período de transformações colossais.
Nesse dia, cuja celebração começou no século II de nossa era cristã, há quase dois milênios, fomos induzidos a rezar pelos mortos. Outros, como os asiáticos, prestam-lhes reverências diariamente, em suas casas, desde tempos imemoriais. Lembrar com orgulho e respeito nossos ancestrais no mínimo é sinal de que temos quem homenagear, isso é muito bom.
Cascaes
2.10.2010
Tivemos eleições. A política é uma arte que, para seus atores, tem começo, meio e fim. Ou seja, nascimento, vida e morte. Para justificar dedicações existem autênticas religiões, que denominamos ideologias, com direito a rituais e sacerdotes além dos grandes teóricos.
É interessante ver essa necessidade de racionalização de tudo o que fazemos, talvez um indício de que sejamos seres pensantes. Hoje muitos devem estar se convencendo do ocaso político ou festejando vitórias, pior ainda, tentando resolver a intrincada lógica de distribuição de favores para compensar apoios (com o dinheiro do contribuinte) e garantir o futuro.
Com a Democracia, ainda que extremamente relativa, ganhamos (nesse ano de 2010) novos executivos e conversadores (parlamentares). Novos em termos, a maioria é antiga e existe falando mal um do outro há muito tempo. Foram, contudo, responsáveis pela quantidade imensa de leis, decretos, portarias etc. que ganhamos após o período militar assim como uma carga fiscal gigantesca, mal usada, desperdiçada.
Tivemos, nesse período de tantos patrocinadores de campanha, privatizações de serviços essenciais. A tese era a necessidade de divisas, melhorar a qualidade dos serviços públicos, reduzir custos, evitar-se a corrupção. Na maioria das vezes o remédio mostrou-se pior do que a doença, muitos ainda acreditando o contrário (a propaganda faz milagres e é um grande negócio) porque ignoram onde poderíamos estar se, simplesmente, existisse mais rigor na administração pública, algo possível graças às muitas maneiras de vigilância (formais e informais) do governo agora possíveis. O único detalhe é que fiscalização, vigilância e cobrança de resultados deveria ser algo a ser ensinado já no berçário. Nosso povo foi educado, e ainda é, para ser alienado. O que importa é pão e circo. E a corrupção? Mudou de formato.
Nesse dia de Finados gosto de lembrar meus pais. Passaram a vida, após casados, trabalhando muito, de forma espartana, preocupados acima de tudo com a educação dos filhos. Meu pai, fumante inveterado, morreu muito cedo, fez muitíssima falta. De qualquer jeito deixou a imagem das funções paternas, do que um homem precisa fazer e de quanto faz falta quando, por uma razão ou outra, deixa seus filhos e esposa antes do tempo. Nesses tempos de culto a aventuras e paternidade irresponsável, vem à minha cabeça permanentemente o que significou conviver com uma pessoa tão especial. Só lamento não ter filmado suas conversas, possuir textos, palavras desse homem extraordinário.
Com Pedro Cascaes (meu pai) aprendi muito da dinâmica da Política. Era nosso assunto diário (apesar da minha idade sempre me tratou como se fosse um adulto), enquanto viveu. Talvez, enojado das coisas nacionais, falasse pouco do que acontecia no Brasil, nominando “em passant” partidos e lideranças; de qualquer jeito a lógica, o comportamento de pessoas e ideologias era nosso assunto, algo até natural naqueles anos logo após a Segunda Guerra Mundial e durante guerras que nunca deixaram de existir, início de um período de transformações colossais.
Nesse dia, cuja celebração começou no século II de nossa era cristã, há quase dois milênios, fomos induzidos a rezar pelos mortos. Outros, como os asiáticos, prestam-lhes reverências diariamente, em suas casas, desde tempos imemoriais. Lembrar com orgulho e respeito nossos ancestrais no mínimo é sinal de que temos quem homenagear, isso é muito bom.
Cascaes
2.10.2010
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Dia de Finados
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Freud, Jung e Maslow e as torcidas organizadas
O resultado das eleições, onde quer que aconteçam, em qualquer lugar do mundo, mostram com força que as ideologias são figurinos de retórica, religiões, seitas ou algo parecido que, quando muito, criam torcidas organizadas. Não pesam substancialmente nas decisões humanas, exceto em situações especiais e transitórias.
Os computadores que temos sob o pescoço, nossas glândulas, sensores e necessidades vitais determinam nosso comportamento, pouco importando cobranças de coerência com figurinos e responsabilidades sociais. Entre “eu e o mundo” somos mais eu do que nós. Ignoramos a situação de seres semelhantes à medida que se afastam de nós.
As glândulas mostram-se de diversas maneiras.
É, o velho Freud é importante. Líderes que perdem atrativos hormonais deixam de ganhar votos e mostrar comportamentos atraentes são fatores importantíssimos nas eleições.
Somos dominados por atavismos, arquétipos, que aparecem fortemente em nosso dia a dia, ainda que subliminarmente. Medos e ídolos entram nas equações de decisões, são parâmetros importantes.
Imbatível, pela simplificação, é Maslow, com sua famosa pirâmide. Começando pelas necessidades fisiológicas, tendo a segurança como segunda camada desta pirâmide, procurando afeto, relações sociais, sempre ansiando pela auto-estima, status, orgulho e finalmente querendo sentimentos de auto-realização o ser humano quotidianamente age quase sem perceber, tomando decisões e sobrevivendo, uma vida impossível se não fosse assim.
As eleições no Brasil sempre mostraram essas características dos nossos cidadãos eleitores. Podemos evoluir, mudar; por enquanto, quando muito, vemos autênticas torcidas organizadas e a ausência, contudo, de lógicas mais elaboradas. Podemos, quando muito, transferir preocupações, querer sobreviver em outro mundo, agradar deuses e pretender a santidade, mas seguimos uma escada que governa nossa vida. Tudo isso sem esquecer a curva de desenvolvimento e decomposição que a idade fisiológica nos impõe.
Muitos, olhando de cima ou de algum espaço intermediário, querem coerência. De que jeito? Se grande parte de nosso povo carece de condições razoáveis de sobrevivência, ou não foi educado para explorar o potencial fantástico de nosso país, cai no compadrismo, na bajulação, na procura da glória emprestada pelos vitoriosos. Precisa de protetores para se sentir seguro, falta-lhe auto-estima.
Ao final do segundo turno notamos incoerências teóricas incríveis, mas um tremendo senso de realismo do povo. Afinal, quem atende suas necessidades? É até interessante a intervenção de líderes espirituais, querendo lembrar a vida no além, lembrando as conveniências de se perder essa para ganhar outra melhor...
O presidente Lula talvez tenha sido um dos que melhor entendeu isso. Afinal perdeu eleições demais, caiu na realidade e hoje é imbatível. Nossos futuros governadores, a presidente Dilma, senadores e deputados, se pretenderem agradar ao povo, deverão estudar esse fenômeno político em que se transformou Luiz Inácio Lula da Silva, que foi tudo, menos um apaixonado por ideologias.
Hoje, dia dos santos, amanhã dos mortos, talvez seja o momento de reflexão política para alguns políticos que perderam eleições. Principalmente esses indivíduos, tão carentes de aceitação social, mas com excesso de auto-estima, precisarão procurar entender a humanidade, que está muito longe dos seres idealizados pelos inventores de ideologias.
Cascaes
1.11.2010
Os computadores que temos sob o pescoço, nossas glândulas, sensores e necessidades vitais determinam nosso comportamento, pouco importando cobranças de coerência com figurinos e responsabilidades sociais. Entre “eu e o mundo” somos mais eu do que nós. Ignoramos a situação de seres semelhantes à medida que se afastam de nós.
As glândulas mostram-se de diversas maneiras.
É, o velho Freud é importante. Líderes que perdem atrativos hormonais deixam de ganhar votos e mostrar comportamentos atraentes são fatores importantíssimos nas eleições.
Somos dominados por atavismos, arquétipos, que aparecem fortemente em nosso dia a dia, ainda que subliminarmente. Medos e ídolos entram nas equações de decisões, são parâmetros importantes.
Imbatível, pela simplificação, é Maslow, com sua famosa pirâmide. Começando pelas necessidades fisiológicas, tendo a segurança como segunda camada desta pirâmide, procurando afeto, relações sociais, sempre ansiando pela auto-estima, status, orgulho e finalmente querendo sentimentos de auto-realização o ser humano quotidianamente age quase sem perceber, tomando decisões e sobrevivendo, uma vida impossível se não fosse assim.
As eleições no Brasil sempre mostraram essas características dos nossos cidadãos eleitores. Podemos evoluir, mudar; por enquanto, quando muito, vemos autênticas torcidas organizadas e a ausência, contudo, de lógicas mais elaboradas. Podemos, quando muito, transferir preocupações, querer sobreviver em outro mundo, agradar deuses e pretender a santidade, mas seguimos uma escada que governa nossa vida. Tudo isso sem esquecer a curva de desenvolvimento e decomposição que a idade fisiológica nos impõe.
Muitos, olhando de cima ou de algum espaço intermediário, querem coerência. De que jeito? Se grande parte de nosso povo carece de condições razoáveis de sobrevivência, ou não foi educado para explorar o potencial fantástico de nosso país, cai no compadrismo, na bajulação, na procura da glória emprestada pelos vitoriosos. Precisa de protetores para se sentir seguro, falta-lhe auto-estima.
Ao final do segundo turno notamos incoerências teóricas incríveis, mas um tremendo senso de realismo do povo. Afinal, quem atende suas necessidades? É até interessante a intervenção de líderes espirituais, querendo lembrar a vida no além, lembrando as conveniências de se perder essa para ganhar outra melhor...
O presidente Lula talvez tenha sido um dos que melhor entendeu isso. Afinal perdeu eleições demais, caiu na realidade e hoje é imbatível. Nossos futuros governadores, a presidente Dilma, senadores e deputados, se pretenderem agradar ao povo, deverão estudar esse fenômeno político em que se transformou Luiz Inácio Lula da Silva, que foi tudo, menos um apaixonado por ideologias.
Hoje, dia dos santos, amanhã dos mortos, talvez seja o momento de reflexão política para alguns políticos que perderam eleições. Principalmente esses indivíduos, tão carentes de aceitação social, mas com excesso de auto-estima, precisarão procurar entender a humanidade, que está muito longe dos seres idealizados pelos inventores de ideologias.
Cascaes
1.11.2010
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Dia de eleição
Hoje, 31 de outubro de 2010, o povo brasileiro volta às urnas eletrônicas, digitais, para, diretamente, escolher seu presidente da República após meses de campanha eleitoral. Muitos foram descartados nas negociações partidárias e no voto da nação. Agora saberemos que dupla mandará no Brasil. Teremos o titular e seu vice, assim duas personalidades políticas ganharão o direito de decidir os rumos de um país que se aproxima dos duzentos milhões de habitantes.
É um grande desafio. O Brasil já desperta todo tipo de atenção pelo mundo afora. Até cantor norteamericano vem dar palpite aqui. Será fundamental ganharmos um governo forte, independente e capaz de não cair em fantasias que ONGs e outros tipos de organizações tentam impingir ao nosso país. Dividir grandes países é o sonho dos vendedores de armas, diamantes, metais preciosos, etc. e finalmente a chance de outros governos assumirem o comando direto ou indireto de terras e povos distantes.
Temos livros falando das maravilhas de alguns empreendedores, executivos. Nenhum deles, contudo, assumiram algo semelhante ao Brasil. Governar grandes nações é um tremendo desafio, Obama que o diga.
Temos que avançar rapidamente. Perdemos muito tempo para sair do fosso criado pela “gastança”, como nossos neoliberais gostam de dizer, da década de setenta do século passado. Nos anos oitenta não houve governo que achasse a saída do inferno criado pela quebra e ganhamos, ainda, um período de inflação alimentada, entre outras coisas, pela “correção monetária” (uma das piores decisões de algum iluminado), a necessidade de recuperar contas externas e os cartéis nacionais, sempre ávidos de lucros infinitos.
Dilma ou Serra, certamente duas pessoas de personalidade muito especial e uma história política respeitável, estão lutando para entrar para a história com a melhor imagem possível. Sejam quais forem suas teses, é impossível imaginar o contrário, que desejem ser ruins, incompetentes. Entre eles e o povo existirá um Congresso, eventualmente ávido de favores. O “Mensalão” mostrou o que alguns querem para apoiar o governo...
Votei, que maravilha. Como apreciaria poder voltar, mês a mês, e decidir sobre que projetos o município, estado e União juntariam às suas leis e programas. Felizmente isso já é possível, mais difícil, contudo, será mudar esse modelo arcaico de representação política.
Votei, espero ter escolhido a melhor opção.
Parabéns ao povo brasileiro que tem mais essa oportunidade de se manifestar, decidir.
Cascaes
31.10.2010
É um grande desafio. O Brasil já desperta todo tipo de atenção pelo mundo afora. Até cantor norteamericano vem dar palpite aqui. Será fundamental ganharmos um governo forte, independente e capaz de não cair em fantasias que ONGs e outros tipos de organizações tentam impingir ao nosso país. Dividir grandes países é o sonho dos vendedores de armas, diamantes, metais preciosos, etc. e finalmente a chance de outros governos assumirem o comando direto ou indireto de terras e povos distantes.
Temos livros falando das maravilhas de alguns empreendedores, executivos. Nenhum deles, contudo, assumiram algo semelhante ao Brasil. Governar grandes nações é um tremendo desafio, Obama que o diga.
Temos que avançar rapidamente. Perdemos muito tempo para sair do fosso criado pela “gastança”, como nossos neoliberais gostam de dizer, da década de setenta do século passado. Nos anos oitenta não houve governo que achasse a saída do inferno criado pela quebra e ganhamos, ainda, um período de inflação alimentada, entre outras coisas, pela “correção monetária” (uma das piores decisões de algum iluminado), a necessidade de recuperar contas externas e os cartéis nacionais, sempre ávidos de lucros infinitos.
Dilma ou Serra, certamente duas pessoas de personalidade muito especial e uma história política respeitável, estão lutando para entrar para a história com a melhor imagem possível. Sejam quais forem suas teses, é impossível imaginar o contrário, que desejem ser ruins, incompetentes. Entre eles e o povo existirá um Congresso, eventualmente ávido de favores. O “Mensalão” mostrou o que alguns querem para apoiar o governo...
Votei, que maravilha. Como apreciaria poder voltar, mês a mês, e decidir sobre que projetos o município, estado e União juntariam às suas leis e programas. Felizmente isso já é possível, mais difícil, contudo, será mudar esse modelo arcaico de representação política.
Votei, espero ter escolhido a melhor opção.
Parabéns ao povo brasileiro que tem mais essa oportunidade de se manifestar, decidir.
Cascaes
31.10.2010
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sábado, 30 de outubro de 2010
O programa que eu não vi
Bons programas merecem registro. Nesta semana, última de campanha eleitoral, aconteceu um que minha esposa descreveu com emoção. Seu relato deixou-nos, estávamos com amigos, extremamente emocionados. Foi um momento de reflexões sobre o Brasil, suas ferrovias, a saúde, o problema habitacional e como as pessoas humildes são tratadas e se comportam.
O passeio cultural abordou temas sérios, seriíssimos.
Lembrei-me, por exemplo, de uma senhora, faxineira de meu escritório, cuja casinha fora simplesmente desmanchada para o prolongamento da Avenida das Torres. Em compensação, à época, lhe venderam (COHAB) um terreno para refazer a vida... de nada valeu tentar comover nossos vereadores de “esquerda” para algum tipo de mobilização, afinal outros enfrentaram a mesma situação, justificando uma ação política. Agora temos uma avenida maior e, pelo menos, uma pessoa (já viúva quando tudo aconteceu) que perdeu a “maloca”. Maloca querida, certamente bem cuidada.
Não consegui esquecer outro colega, defensor apaixonado de ferrovias e da necessidade de se rever planos mal feitos de privatização. Aquela hora de memória da nossa cultura, que certamente entrará para a história da televisão brasileira, dizia até do horário dos trens e da saudade que deixaram, quando existiam e atendiam bem seus passageiros.
Obviamente a educação foi tema importante nessa noite. O comportamento e a maneira de falar, por exemplo, foram assuntos implícitos e explícitos do que minha esposa viu e ouviu. Com certeza ainda temos muito chão até chegarmos onde deveríamos estar...
Nesta semana tive a felicidade de participar de uma palestra sobre Inovação com um companheiro do Lions num colégio da Vila Liberdade em Colombo. Assim a reportagem mostrada surgiu como exemplo de muito do que dissemos. A criatividade, a inovação artística, por exemplo, podem colocar muitos brasileiros em destaque, mais ainda com as facilidades atuais. Blogs e o Youtube são janelas mal exploradas, afinal estamos atrasadíssimos também nesse item das telecomunicações (capacidade, velocidade e custos da internet), mas já dão condições de mídia pessoal a quem souber usar o mundo web.
O cenário desse momento de nossa história cultural com tantas historietas da vida de um artista e as entrevistas, guardadas em arquivos da Rede Globo (em tempo, parabéns à RPC pelo seus 50 anos de existência), do saudoso e inestimável Adoniran Barbosa foi São Paulo. A capital paulistana e o estado de São Paulo tiveram com a obra desse compositor, cantor, humorista e ator um marco significativo, símbolo do seu povo.
Nós, brasileiros, aqueles que conhecem as músicas de João Rubinato, nome de batismo de Adoniran Barbosa (1910 – 1982), podemos ter orgulho de tantos artistas, em especial dele, magistralmente apresentado pela Rede Globo.
Aliás, vale repetir, gravar, distribuir, vender cópias dessa reportagem. Ela é uma aula de Brasil e um exemplo para tantos que esquecem caminhos agora mais fáceis, contudo importantíssimos para revelar talentos.
Adoniran Barbosa merece nosso respeito e vale à pena, antes de amanhã, ouvir suas músicas para uma reflexão sobre o Brasil.
Pense antes de votar, nosso povo carece de respeito.
Cascaes
30.10.2010
O passeio cultural abordou temas sérios, seriíssimos.
Lembrei-me, por exemplo, de uma senhora, faxineira de meu escritório, cuja casinha fora simplesmente desmanchada para o prolongamento da Avenida das Torres. Em compensação, à época, lhe venderam (COHAB) um terreno para refazer a vida... de nada valeu tentar comover nossos vereadores de “esquerda” para algum tipo de mobilização, afinal outros enfrentaram a mesma situação, justificando uma ação política. Agora temos uma avenida maior e, pelo menos, uma pessoa (já viúva quando tudo aconteceu) que perdeu a “maloca”. Maloca querida, certamente bem cuidada.
Não consegui esquecer outro colega, defensor apaixonado de ferrovias e da necessidade de se rever planos mal feitos de privatização. Aquela hora de memória da nossa cultura, que certamente entrará para a história da televisão brasileira, dizia até do horário dos trens e da saudade que deixaram, quando existiam e atendiam bem seus passageiros.
Obviamente a educação foi tema importante nessa noite. O comportamento e a maneira de falar, por exemplo, foram assuntos implícitos e explícitos do que minha esposa viu e ouviu. Com certeza ainda temos muito chão até chegarmos onde deveríamos estar...
Nesta semana tive a felicidade de participar de uma palestra sobre Inovação com um companheiro do Lions num colégio da Vila Liberdade em Colombo. Assim a reportagem mostrada surgiu como exemplo de muito do que dissemos. A criatividade, a inovação artística, por exemplo, podem colocar muitos brasileiros em destaque, mais ainda com as facilidades atuais. Blogs e o Youtube são janelas mal exploradas, afinal estamos atrasadíssimos também nesse item das telecomunicações (capacidade, velocidade e custos da internet), mas já dão condições de mídia pessoal a quem souber usar o mundo web.
O cenário desse momento de nossa história cultural com tantas historietas da vida de um artista e as entrevistas, guardadas em arquivos da Rede Globo (em tempo, parabéns à RPC pelo seus 50 anos de existência), do saudoso e inestimável Adoniran Barbosa foi São Paulo. A capital paulistana e o estado de São Paulo tiveram com a obra desse compositor, cantor, humorista e ator um marco significativo, símbolo do seu povo.
Nós, brasileiros, aqueles que conhecem as músicas de João Rubinato, nome de batismo de Adoniran Barbosa (1910 – 1982), podemos ter orgulho de tantos artistas, em especial dele, magistralmente apresentado pela Rede Globo.
Aliás, vale repetir, gravar, distribuir, vender cópias dessa reportagem. Ela é uma aula de Brasil e um exemplo para tantos que esquecem caminhos agora mais fáceis, contudo importantíssimos para revelar talentos.
Adoniran Barbosa merece nosso respeito e vale à pena, antes de amanhã, ouvir suas músicas para uma reflexão sobre o Brasil.
Pense antes de votar, nosso povo carece de respeito.
Cascaes
30.10.2010
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O programa que eu não vi
Nestor Kirchner – o Presidente
A Argentina perdeu um grande líder, um de seus maiores em toda a sua história, com certeza.
Quando assumiu a Presidência em 1987, seu país estava literalmente quebrado. Graças à submissão radical às lógicas neoliberais, a Argentina mergulhava no que poderia ser o início de décadas de paralisação econômica e desastre social.
Nos anos anteriores, a visão da catástrofe levou inúmeros “argentinos” a emigrarem com malas cheias de valores portáteis, dólares, jóias etc.. Amor à pátria?
Negociando com firmeza e ousadia o Presidente mudou a situação argentina, que ainda sofre, contudo, pressões violentas do cassino internacional. De qualquer jeito voltou a crescer e estaria muito melhor se os seus grandes fazendeiros tivessem aceito impostos de exportação de alimentos. Sem desejar ver seus lucros diminuírem, agiram com violência no inicio do Governo Cristina Kirchner, impedindo, assim, que o povo “hermano” viesse a encontrar o equilíbrio fiscal e de divisas que precisa ansiosamente para poder retomar com vigor o desenvolvimento econômico e social.
Talvez agora, diante da veneração ao grande líder morto para a vida terrena, herói e venerado por aqueles que viram seu trabalho, possa, sua imagem e teses, ajudar o atual governo a reagir com mais força. A Argentina precisa se reequilibrar de forma sustentável, segura, e pode. É um país naturalmente rico e com potencial produtivo.
Desindustrializou-se, possui, contudo, talentos profissionais que só carecem de oportunidades. Apoio às micro, pequenas e médias empresas (Os grandes? Onde investem os lucros? Precisam do assistencialismo?) e investimentos federais tirarão a Argentina de riscos econômicos e sociais de que ainda padece.
O ex-presidente Nestor Kirchner mostrou ao mundo os erros de seus antecessores, cobrou dos banqueiros acordos, refez sua pátria. Falta, entretanto, concluir um trabalho de reconstrução, se possível sem submissão aos eternos especuladores e banqueiros internacionais. Afinal, de que adianta ter bases econômicas fortes (???) e a nação enfraquecida e castrada?
Teremos eleições, infelizmente, a mídia do “sucesso” brasileiro e a profissão dos dois candidatos assustam. O circo está sendo montado. Teremos a Copa do Mundo. Nosso governo até ampliou o direito dos municípios sede de Copa a se endividarem mais, como é bom ver o dinheiro do contribuinte pagando juros... O pão é distribuído sem muito critério. Muita coisa precisa ser ajustada para realmente termos um país seguro e saudável sob todos os aspectos.
A campanha eleitoral no Brasil mostra, na guerra de escândalos e contribuições para campanha, quem manda em nosso país. Talvez o futuro governo, seja quem for, mude este cenário vergonhoso (pelo menos).
Quem sabe a morte de Nestor Kirchner também ajude nosso povo, tão ligado a circos e arenas que até esquece a miséria, a carência de infra-estrutura e o custo astronômico das facilidades dadas para podermos ingressar no planeta dos negociantes de dinheiro.
Nossos pêsames ao povo argentino, e medo em relação ao futuro de nosso país...
Cascaes
29.10.2010
Quando assumiu a Presidência em 1987, seu país estava literalmente quebrado. Graças à submissão radical às lógicas neoliberais, a Argentina mergulhava no que poderia ser o início de décadas de paralisação econômica e desastre social.
Nos anos anteriores, a visão da catástrofe levou inúmeros “argentinos” a emigrarem com malas cheias de valores portáteis, dólares, jóias etc.. Amor à pátria?
Negociando com firmeza e ousadia o Presidente mudou a situação argentina, que ainda sofre, contudo, pressões violentas do cassino internacional. De qualquer jeito voltou a crescer e estaria muito melhor se os seus grandes fazendeiros tivessem aceito impostos de exportação de alimentos. Sem desejar ver seus lucros diminuírem, agiram com violência no inicio do Governo Cristina Kirchner, impedindo, assim, que o povo “hermano” viesse a encontrar o equilíbrio fiscal e de divisas que precisa ansiosamente para poder retomar com vigor o desenvolvimento econômico e social.
Talvez agora, diante da veneração ao grande líder morto para a vida terrena, herói e venerado por aqueles que viram seu trabalho, possa, sua imagem e teses, ajudar o atual governo a reagir com mais força. A Argentina precisa se reequilibrar de forma sustentável, segura, e pode. É um país naturalmente rico e com potencial produtivo.
Desindustrializou-se, possui, contudo, talentos profissionais que só carecem de oportunidades. Apoio às micro, pequenas e médias empresas (Os grandes? Onde investem os lucros? Precisam do assistencialismo?) e investimentos federais tirarão a Argentina de riscos econômicos e sociais de que ainda padece.
O ex-presidente Nestor Kirchner mostrou ao mundo os erros de seus antecessores, cobrou dos banqueiros acordos, refez sua pátria. Falta, entretanto, concluir um trabalho de reconstrução, se possível sem submissão aos eternos especuladores e banqueiros internacionais. Afinal, de que adianta ter bases econômicas fortes (???) e a nação enfraquecida e castrada?
Teremos eleições, infelizmente, a mídia do “sucesso” brasileiro e a profissão dos dois candidatos assustam. O circo está sendo montado. Teremos a Copa do Mundo. Nosso governo até ampliou o direito dos municípios sede de Copa a se endividarem mais, como é bom ver o dinheiro do contribuinte pagando juros... O pão é distribuído sem muito critério. Muita coisa precisa ser ajustada para realmente termos um país seguro e saudável sob todos os aspectos.
A campanha eleitoral no Brasil mostra, na guerra de escândalos e contribuições para campanha, quem manda em nosso país. Talvez o futuro governo, seja quem for, mude este cenário vergonhoso (pelo menos).
Quem sabe a morte de Nestor Kirchner também ajude nosso povo, tão ligado a circos e arenas que até esquece a miséria, a carência de infra-estrutura e o custo astronômico das facilidades dadas para podermos ingressar no planeta dos negociantes de dinheiro.
Nossos pêsames ao povo argentino, e medo em relação ao futuro de nosso país...
Cascaes
29.10.2010
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Nestor Kirchner – o Presidente
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Concursos públicos e vagas especiais
A legislação determina que concursos públicos e empresas de porte médio ou grande tenham Pessoas com Deficiências (PcD) contempladas com uma cota de aprovação. Essa é uma condição que cria oportunidades a milhões de brasileiros que, dentro de padrões antigos de seleção, estariam alijados do mercado formal de trabalho.
A PcD, como todos dizem e o senso comum confirma, acaba desenvolvendo habilidades que outros perderam na vida comum. São pessoas que, portanto, podem ser utilizadas com muito sucesso em serviços onde outros falhariam por falta de atenção, concentração e habilidades excepcionais.
De qualquer modo encontramos muitas diferenças entre pessoas nessas condições. Infelizmente até em documentos e pronunciamentos oficiais vemos e ouvimos a qualificação “deficiente físico” quando nessa categoria de vida (PcD) encontramos pessoas com problemas sensoriais, mentais, metabólicos etc. Ou seja, os responsáveis por seleções de profissionais precisam dominar essas situações e criar concursos justos, necessários e suficientes aos empregos que oferecem.
Os surdos, por exemplo, ainda sofrem barreiras monumentais de comunicação, pois jornais e revistas usam expressões muito distantes da formatação gestual, a LIBRAS, que tem um padrão extremamente simplificado de comunicação. Sistemas e programas televisivos que poderiam ter intérpretes em LIBRAS são poucos e normalmente específicos a determinados interesses.
Obviamente uma pessoa que tenha sido oralizada saberá melhor como ler e escrever, terá, contudo, dificuldades de compreender situações especiais. Pior ainda é quando, em provas de redação adotam-se temas mais complexos, algo muito mais difícil para um deficiente auditivo do que seria para um ouvinte completo.
Após as eleições deveremos ter abertura de concursos públicos e muitas empresas privadas precisam ajustar seus quadros para atenderem a legislação. Será que teremos situações justas, adequadas às necessidades das PcD em geral?
É mais do que evidente que carecemos de um trabalho formal e profundo de compreensão da PcD, suas necessidades e facilidades. Mais ainda, em tempos em que o conhecimento humano dobra a cada 72 horas e os sistemas de comunicação criam tantos prodígios tecnológicos, vemos muito pouco sendo feito a favor dos idosos (PcD gradativos), pessoas com deficiências e sistemas de apoio a pessoas debilitadas por doenças crônicas.
Mudanças de governo sempre criam esperanças de evolução. A saturação de quem está no Poder se reflete na mediocrização do governo. Como dizem: vassoura nova varre melhor. Assim, graças à Democracia, temos esperanças de avanços.
Mudanças a favor de qualquer grupo organizado dependem, acima de tudo, de luta, militância. Esperamos que de norte a sul, leste a oeste do Brasil os clubes de serviço, ONGs, instituições filantrópicas etc. estejam pressionando os políticos a aprimorarem nossa legislação em torno das PcD, assim como cobrando mais pesquisas, produtos e serviços adequados e, entre todas essas situações, concursos públicos bem feitos.
Cascaes
26.10.2010
A PcD, como todos dizem e o senso comum confirma, acaba desenvolvendo habilidades que outros perderam na vida comum. São pessoas que, portanto, podem ser utilizadas com muito sucesso em serviços onde outros falhariam por falta de atenção, concentração e habilidades excepcionais.
De qualquer modo encontramos muitas diferenças entre pessoas nessas condições. Infelizmente até em documentos e pronunciamentos oficiais vemos e ouvimos a qualificação “deficiente físico” quando nessa categoria de vida (PcD) encontramos pessoas com problemas sensoriais, mentais, metabólicos etc. Ou seja, os responsáveis por seleções de profissionais precisam dominar essas situações e criar concursos justos, necessários e suficientes aos empregos que oferecem.
Os surdos, por exemplo, ainda sofrem barreiras monumentais de comunicação, pois jornais e revistas usam expressões muito distantes da formatação gestual, a LIBRAS, que tem um padrão extremamente simplificado de comunicação. Sistemas e programas televisivos que poderiam ter intérpretes em LIBRAS são poucos e normalmente específicos a determinados interesses.
Obviamente uma pessoa que tenha sido oralizada saberá melhor como ler e escrever, terá, contudo, dificuldades de compreender situações especiais. Pior ainda é quando, em provas de redação adotam-se temas mais complexos, algo muito mais difícil para um deficiente auditivo do que seria para um ouvinte completo.
Após as eleições deveremos ter abertura de concursos públicos e muitas empresas privadas precisam ajustar seus quadros para atenderem a legislação. Será que teremos situações justas, adequadas às necessidades das PcD em geral?
É mais do que evidente que carecemos de um trabalho formal e profundo de compreensão da PcD, suas necessidades e facilidades. Mais ainda, em tempos em que o conhecimento humano dobra a cada 72 horas e os sistemas de comunicação criam tantos prodígios tecnológicos, vemos muito pouco sendo feito a favor dos idosos (PcD gradativos), pessoas com deficiências e sistemas de apoio a pessoas debilitadas por doenças crônicas.
Mudanças de governo sempre criam esperanças de evolução. A saturação de quem está no Poder se reflete na mediocrização do governo. Como dizem: vassoura nova varre melhor. Assim, graças à Democracia, temos esperanças de avanços.
Mudanças a favor de qualquer grupo organizado dependem, acima de tudo, de luta, militância. Esperamos que de norte a sul, leste a oeste do Brasil os clubes de serviço, ONGs, instituições filantrópicas etc. estejam pressionando os políticos a aprimorarem nossa legislação em torno das PcD, assim como cobrando mais pesquisas, produtos e serviços adequados e, entre todas essas situações, concursos públicos bem feitos.
Cascaes
26.10.2010
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Concursos públicos e vagas especiais
Estado e economia
A França vive o clímax de uma fantasia. A aposentadoria é, antes de mais nada, uma equação financeira. Pode-se pagar em função do que se tem em caixa, a questão maior deve ser, o que fazem com o dinheiro das contribuições de todos nós e porque a situação se deteriorou tanto.
Infelizmente a administração política é tudo, menos administração. Quando vemos quem é indicado para determinados cargos públicos ficamos convencidos da fragilidade do poder que os eleitos conquistaram.
A privatização é uma conseqüência direta do descrédito sobre os políticos, tanto mais forte quanto mais incapaz forem os governos.
Visitando a Colômbia vimos um país em obras e um guia turístico falava com orgulho da valorização das ações que comprara de uma empresa de energia. Na Inglaterra podia-se comprar participação de empresas em processo de privatização em bancas de revistas. Aqui virou negócio de fundos de pensão e investidores privilegiados.
Passamos por uma época em que seminários técnicos tinham como objetivo principal exaltar as maravilhas de uma ciência com palavras exóticas e mal explicadas, falava-se de coisas que só economistas entendiam... será?
No Brasil é difícil de dizer o que é pior, se estatal ou privada. As estatais foram amarradas por leis absurdas e as não estatais continuam com liberdade excessiva.
A campanha eleitoral pouco contribuiu para esclarecer métodos e propostas. Elas são o resultado de marqueteiros que nivelaram muito baixo as mensagens dos candidatos. A convicção de que nosso povo é analfabeto e idiota é amplificada durante as propagandas. Raramente vemos e ouvimos algo que preste. O negócio é fazer promessa. Para nós sobra rezar e torcer para que tenhamos um bom governo.
Estamos num período delicado, difícil. Sob todos os aspectos o próximo Presidente da República deverá ser extremamente capaz. O mundo está em crise graças à desonestidade de alguns mega banqueiros e no Brasil pagamos juros que compensam qualquer incompetência bancária. Sorte para os fundos de pensão que assim têm onde aplicar o dinheiro arrecadado e alegria dos banqueiros, ganharam um negócio sem riscos.
Difícil mesmo será fazer o que a FIFA exige sem quebrar os municípios, distribuir dinheiro caro, reduzir e racionalizar impostos, construir tudo o que prometem. A famosa sustentabilidade continuará falando de saquinhos de plástico e os lobbies industriais mantendo a guerra contra as hidrelétricas. Automóvel será artigo permanente de mídia enquanto as mesmas emissoras falarão do efeito estufa... Pior ainda será diminuir a burocracia, mãe de cartórios e regulamentos que gratificam tantos fantasmas.
A luta entre privatização e estatização é um dos focos da campanha. Que privatização? A do FHC? A estatização do Lula?
Precisamos racionalizar o governo brasileiro. O Brasil é um país fantástico, que querem dividir para vender armas em comprar diamantes, nióbio, ouro, etc., a desculpa é a nova forma de racismo, camuflada em proteção de etnias.
Teremos uma eleição importante, vamos pedir ao Grande Arquiteto do Universo que tenhamos maturidade para escolher o melhor, mais capaz, mais competente. Temos poucas opções, infelizmente.
Cascaes
24.102010
Infelizmente a administração política é tudo, menos administração. Quando vemos quem é indicado para determinados cargos públicos ficamos convencidos da fragilidade do poder que os eleitos conquistaram.
A privatização é uma conseqüência direta do descrédito sobre os políticos, tanto mais forte quanto mais incapaz forem os governos.
Visitando a Colômbia vimos um país em obras e um guia turístico falava com orgulho da valorização das ações que comprara de uma empresa de energia. Na Inglaterra podia-se comprar participação de empresas em processo de privatização em bancas de revistas. Aqui virou negócio de fundos de pensão e investidores privilegiados.
Passamos por uma época em que seminários técnicos tinham como objetivo principal exaltar as maravilhas de uma ciência com palavras exóticas e mal explicadas, falava-se de coisas que só economistas entendiam... será?
No Brasil é difícil de dizer o que é pior, se estatal ou privada. As estatais foram amarradas por leis absurdas e as não estatais continuam com liberdade excessiva.
A campanha eleitoral pouco contribuiu para esclarecer métodos e propostas. Elas são o resultado de marqueteiros que nivelaram muito baixo as mensagens dos candidatos. A convicção de que nosso povo é analfabeto e idiota é amplificada durante as propagandas. Raramente vemos e ouvimos algo que preste. O negócio é fazer promessa. Para nós sobra rezar e torcer para que tenhamos um bom governo.
Estamos num período delicado, difícil. Sob todos os aspectos o próximo Presidente da República deverá ser extremamente capaz. O mundo está em crise graças à desonestidade de alguns mega banqueiros e no Brasil pagamos juros que compensam qualquer incompetência bancária. Sorte para os fundos de pensão que assim têm onde aplicar o dinheiro arrecadado e alegria dos banqueiros, ganharam um negócio sem riscos.
Difícil mesmo será fazer o que a FIFA exige sem quebrar os municípios, distribuir dinheiro caro, reduzir e racionalizar impostos, construir tudo o que prometem. A famosa sustentabilidade continuará falando de saquinhos de plástico e os lobbies industriais mantendo a guerra contra as hidrelétricas. Automóvel será artigo permanente de mídia enquanto as mesmas emissoras falarão do efeito estufa... Pior ainda será diminuir a burocracia, mãe de cartórios e regulamentos que gratificam tantos fantasmas.
A luta entre privatização e estatização é um dos focos da campanha. Que privatização? A do FHC? A estatização do Lula?
Precisamos racionalizar o governo brasileiro. O Brasil é um país fantástico, que querem dividir para vender armas em comprar diamantes, nióbio, ouro, etc., a desculpa é a nova forma de racismo, camuflada em proteção de etnias.
Teremos uma eleição importante, vamos pedir ao Grande Arquiteto do Universo que tenhamos maturidade para escolher o melhor, mais capaz, mais competente. Temos poucas opções, infelizmente.
Cascaes
24.102010
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Estado e economia
domingo, 24 de outubro de 2010
Pragmatismo ou ideologia
A visão realista do ser humano (muito clara na Pirâmide de Maslow) deve ser uma qualidade essencial do político, principalmente dos grandes líderes. De modo geral todos os eleitores querem “pratos feitos”, simplicidade, algo que as religiões e ideologias oferecem, mas o que vale são os resultados e a linguagem simples, que atinjam o nível de necessidades imediatas do indivíduo.
A campanha eleitoral felizmente tem dois turnos se nenhum candidato convencer a maioria dos eleitores no primeiro, revelando detalhes que de outra forma desconheceríamos. Isso é importantíssimo, vale o sacrifício.
A estratégia de mídia é sintonizada com os eleitores. Os argumentos, a maneira de falar, obviamente refletem a cultura do povo na malícia dos marqueteiros. Falar “difícil” não dá votos e confundir o cidadão com excessos de propostas também não ajuda, afinal o tempo é curto e não permite divagações.
Bons resultados podem dar a liberdade de ajustar o discurso dos candidatos e seus cabos eleitorais. O Presidente Lula, apesar de seus defeitos, teve um bom governo e consegue, diferentemente de seus antecessores, ser o cabo eleitoral decisivo na candidatura da economista Dilma Roussef, uma bem sucedida chefe da Casa Civil, cargo extremamente difícil num país com o padrão do Brasil. O Setor Elétrico, quando Ministra das Minas e Energia, ganhou um formato praticamente definitivo com ela e todos sentiram na pele sua determinação e capacidade de liderança.
José Serra é um líder que soube governar São Paulo (estado e cidade). É o candidato de um partido mais do que dividido, autofágico. O maior inimigo do ex-presidente da UNE são os seus “aliados”. O maior mérito de seu governo (José Serra) foi dar consistência num estado e cidade que beiravam o caos nas mãos do crime organizado e saber respeitar as PcD, além de ser oposição ao governo federal. Infelizmente a idade pesa em seus ombros e em torno dele temos gente que já mandou no Brasil com resultados discutíveis.
De tudo fica muito clara a capacidade de dois presidentes (Lula e FHC), um parece que elegerá a sucessora enquanto o outro só atrapalha com sua verbosidade empolada.
Lula é mais do que presidente do Brasil. Tem sido capaz de exercer uma liderança mundial indiscutível entre tantos países ditos desenvolvidos. Suas palavras simples mostram o ser humano na sua essência, e Lula não poderia ser diferente, afinal faltam-lhe os diplomas que bitolam o estudante e moldam cabeças de acordo com “mestres” nem sempre saudáveis, sobra-lhe, contudo, a grande universidade da vida, de onde soube aprender e galgar todos os postos, chegando à Presidência da República. Com certeza essa carreira mortifica muitos opositores...
Felizmente o Brasil é uma democracia, ainda que relativa. A liberdade de expressão, graças à internet, tem sido usada à exaustão. Revistas e jornais disseram o que queriam. Milhares de candidatos de todos os tipos colocaram suas posições. E Lula manda apenas subindo ao palanque e dizendo o que pensa. Muitos podem lamentar os tempos em que todo o dinheiro dos impostos era carreado para usineiros e projetos superfaturados que ainda não foram analisados em profundidade. O povo sentiu a diferença.
De qualquer jeito temos dois bons candidatos à Presidência da República, esse é o dilema que brasileiros, que acompanharam a vida dos dois, agora deverão resolver nas urnas, clicando seu voto. O que será um diferencial, contudo, será o séquito dos aduladores, as inspirações e o poder e autenticidade que terão.
O fundamental é que tenhamos o melhor, isso só saberemos após os próximos quatro anos de mandato do próximo Presidente, que esperamos venha a ser respeitado como o líder de uma nação democrática, que precisa resolver problemas gravíssimos de educação, sociais, infraestrutura e até políticos.
Que vença o melhor!
Cascaes
24.10.2010
A campanha eleitoral felizmente tem dois turnos se nenhum candidato convencer a maioria dos eleitores no primeiro, revelando detalhes que de outra forma desconheceríamos. Isso é importantíssimo, vale o sacrifício.
A estratégia de mídia é sintonizada com os eleitores. Os argumentos, a maneira de falar, obviamente refletem a cultura do povo na malícia dos marqueteiros. Falar “difícil” não dá votos e confundir o cidadão com excessos de propostas também não ajuda, afinal o tempo é curto e não permite divagações.
Bons resultados podem dar a liberdade de ajustar o discurso dos candidatos e seus cabos eleitorais. O Presidente Lula, apesar de seus defeitos, teve um bom governo e consegue, diferentemente de seus antecessores, ser o cabo eleitoral decisivo na candidatura da economista Dilma Roussef, uma bem sucedida chefe da Casa Civil, cargo extremamente difícil num país com o padrão do Brasil. O Setor Elétrico, quando Ministra das Minas e Energia, ganhou um formato praticamente definitivo com ela e todos sentiram na pele sua determinação e capacidade de liderança.
José Serra é um líder que soube governar São Paulo (estado e cidade). É o candidato de um partido mais do que dividido, autofágico. O maior inimigo do ex-presidente da UNE são os seus “aliados”. O maior mérito de seu governo (José Serra) foi dar consistência num estado e cidade que beiravam o caos nas mãos do crime organizado e saber respeitar as PcD, além de ser oposição ao governo federal. Infelizmente a idade pesa em seus ombros e em torno dele temos gente que já mandou no Brasil com resultados discutíveis.
De tudo fica muito clara a capacidade de dois presidentes (Lula e FHC), um parece que elegerá a sucessora enquanto o outro só atrapalha com sua verbosidade empolada.
Lula é mais do que presidente do Brasil. Tem sido capaz de exercer uma liderança mundial indiscutível entre tantos países ditos desenvolvidos. Suas palavras simples mostram o ser humano na sua essência, e Lula não poderia ser diferente, afinal faltam-lhe os diplomas que bitolam o estudante e moldam cabeças de acordo com “mestres” nem sempre saudáveis, sobra-lhe, contudo, a grande universidade da vida, de onde soube aprender e galgar todos os postos, chegando à Presidência da República. Com certeza essa carreira mortifica muitos opositores...
Felizmente o Brasil é uma democracia, ainda que relativa. A liberdade de expressão, graças à internet, tem sido usada à exaustão. Revistas e jornais disseram o que queriam. Milhares de candidatos de todos os tipos colocaram suas posições. E Lula manda apenas subindo ao palanque e dizendo o que pensa. Muitos podem lamentar os tempos em que todo o dinheiro dos impostos era carreado para usineiros e projetos superfaturados que ainda não foram analisados em profundidade. O povo sentiu a diferença.
De qualquer jeito temos dois bons candidatos à Presidência da República, esse é o dilema que brasileiros, que acompanharam a vida dos dois, agora deverão resolver nas urnas, clicando seu voto. O que será um diferencial, contudo, será o séquito dos aduladores, as inspirações e o poder e autenticidade que terão.
O fundamental é que tenhamos o melhor, isso só saberemos após os próximos quatro anos de mandato do próximo Presidente, que esperamos venha a ser respeitado como o líder de uma nação democrática, que precisa resolver problemas gravíssimos de educação, sociais, infraestrutura e até políticos.
Que vença o melhor!
Cascaes
24.10.2010
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Poder e discurso
Algo que realmente mostra o caráter de uma pessoa é o exercício de um cargo poderoso, tanto maior quanto suas limitações o permitirem. Descobriremos a nós mesmos nesses momentos, nem sempre razoáveis, eventualmente extremamente desagradáveis, mas com todo o charme que, principalmente os bajuladores eternos, aplaudem.
As eleições para a Presidência da República colocarão no maior posto político e administrativo do país um ser humano que podemos imaginar quem será, de modo algum, entretanto, será o que marqueteiros e a própria vida pregressa mostrou. A escada do poder é equivalente a escalar montanhas, quando o alpinista vai se segurando onde pode, resistindo a ferimentos e respeitando e ultrapassando cada obstáculo que aparece. Chegar ao cume da montanha é o grande prêmio de onde poderá saborear sua vitória ou procurar outra para o próximo desafio.
Compete ao eleitor escolher os alpinistas, orientá-los e muitas vezes cobrar lições inúteis. Se dar palpite fosse demonstração de inteligência e conhecimento, ninguém erraria. Temos, no entanto, milhões de pessoas que falam com convicção, muitas vezes dando demonstrações de ignorância absoluta, mas suas certezas lhes pertencem, assim como os votos que dedicarão a algum candidato.
Sempre é bom refletir, lembrar a história da humanidade, a nossa própria onde tantos esqueceram seus discursos, não de campanha, mas alguns que repetiram ao longo da vida até chegar lá, com direito a mordomias, honrarias e bons salários...
Pobre país inculto e belo, rico por natureza, gigante adormecido...
O Brasil ficou para trás. Poderia ser uma grande potência. Acomodou-se às suas facilidades. Agora é terra fértil para todo tipo de exploração política, pior ainda, de imensos interesses estrangeiros. Dividido será mais uma fonte de diamantes, madeiras, minérios, escravos para as lutas entre grandes capitalistas que demoliram a África e mantiveram parte da Ásia sob governos que, entre outras coisas, aceitavam o comércio de drogas alucinógenas, afinal o que valia era o “livre comércio”, o liberalismo radical.
Temos problemas sociais gigantescos. Não precisariam existir se há algumas décadas tivéssemos implementado programas de educação profissional e social abrangentes, financiado micros e pequenas empresas, contido a burocracia sufocante, distribuído melhor o dinheiro dos impostos e não concentrado benesses em grupos perdulários e irresponsáveis.
Teremos eleições, votar em quem?
É difícil imaginar quem será melhor, afinal os dois candidatos têm seus vices, partidos coligados, compromissos explícitos e ocultos de campanha. Talvez seja um desafio semelhante a jogos de baralho onde aleatoriamente escolhemos uma carta, na esperança de ser aquela que esperamos, ou não tão ruim para podermos continuar jogando.
A verdade pura e simples é que não tivemos muitas opções. O modelo “democrático” criado pela Constituição de 1988 é tudo, menos cidadão (ou Constituição Cidadã como gostam de dizer). Continuamos com vícios antigos e medo do povo.
Votar em quem?
Cascaes
12.11.2010
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Poder e discurso
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Campanha eleitoral e a PcD
A campanha para a presidência da República recomeçou. Vale a pena ver e ouvir os debates, a propaganda?
Os marqueteiros devem estar doutrinando os candidatos. Digam isso, mostrem aquilo, batam aqui, critiquem ali. O que importa é conquistar votos de alienados ou simplesmente indecisos, pois as pessoas mais atentas à política e problemas brasileiros provavelmente já decidiram. Afinal a campanha e os candidatos são conhecidos há tempo.
O povo brasileiro tem um tremendo desafio, pois além dos titulares existem os vices, quem são eles? Por aí sim, as dúvidas são imensas. Nenhum deles teve projeção em cargos administrativos e poder para mostrar a cara de forma confiável. É uma loteria via urna eleitoral.
Temos tudo a ser feito. O Brasil carece de infraestrutura e seu povo de meios adequados para educação, saúde, segurança etc., e as prioridades?
Vamos, pois, defender “nosso peixe”, sugerindo o que entendemos ser urgente, algo a merecer atenção maior e melhor de nossas autoridades e na esperança de que nossas propostas convençam o futuro governo.
Uma parcela significativa de brasileiros já pode ser considerada idosa ou prestes a entrar nesta situação. Um número enorme é afetado por doenças perigosas, algumas permanentemente debilitantes. A subnutrição e as péssimas condições de vida de antigas crianças produziram uma multidão de pessoas com deficiências culturais, físicas, mentais, sensoriais ou uma combinação de tudo isso.
Quem quer ser presidente do Brasil? Tem capacidade para enfrentar esse desafio?
Sem falar na maior praga nacional de nossas elites políticas, a tradicional corrupção, que afeta boa parte de pessoas nesse ambiente, temos esperanças. Afinal o Presidente da República será alguém que, ocupando um cargo tão elevado, não quererá marcar sua biografia com manchas que sujaram tantos ao longo da história brasileira. Vamos acreditar que teremos um bom governo.
Temos propostas.
Entre as grandes prioridades nacionais estará aplicar com eficácia nossa melhor legislação. Não necessitamos de mais leis, mas de operacionalizar de forma justa e eficaz as existentes.
Nesse período, apreciaríamos ver debates longos, meticulosos e objetivos sobre as Pessoas com Deficiências (PcD). O que fariam nossos candidatos se eleitos? Como viabilizarão, por exemplo, a educação, a pesquisa e desenvolvimento de soluções para as PcD?
Note-se que ao atenderem os surdos, cegos, cadeirantes, deficientes mentais etc. estarão viabilizando um mundo melhor para todos, pois quem viver bastante chegará a ter restrições sensoriais, mentais, motoras...
Podemos e devemos pensar na prevenção e minimização de patologias debilitantes, em soluções urbanísticas, acessibilidade a próteses, tratamentos, em todo o universo que afeta ou atingirá nossos futuros idosos e PcD. Não podemos esquecer que a violência do trânsito, cidades hostis, estradas mal feitas, remédios errados e muito mais coisas continuam a acrescentar, diariamente, centenas de PcD ao universo brasileiro.
Quais são as propostas de nossos candidatos? Eles entendem disso? Serão fiéis às suas propostas?
Cascaes
11.10.2010
Os marqueteiros devem estar doutrinando os candidatos. Digam isso, mostrem aquilo, batam aqui, critiquem ali. O que importa é conquistar votos de alienados ou simplesmente indecisos, pois as pessoas mais atentas à política e problemas brasileiros provavelmente já decidiram. Afinal a campanha e os candidatos são conhecidos há tempo.
O povo brasileiro tem um tremendo desafio, pois além dos titulares existem os vices, quem são eles? Por aí sim, as dúvidas são imensas. Nenhum deles teve projeção em cargos administrativos e poder para mostrar a cara de forma confiável. É uma loteria via urna eleitoral.
Temos tudo a ser feito. O Brasil carece de infraestrutura e seu povo de meios adequados para educação, saúde, segurança etc., e as prioridades?
Vamos, pois, defender “nosso peixe”, sugerindo o que entendemos ser urgente, algo a merecer atenção maior e melhor de nossas autoridades e na esperança de que nossas propostas convençam o futuro governo.
Uma parcela significativa de brasileiros já pode ser considerada idosa ou prestes a entrar nesta situação. Um número enorme é afetado por doenças perigosas, algumas permanentemente debilitantes. A subnutrição e as péssimas condições de vida de antigas crianças produziram uma multidão de pessoas com deficiências culturais, físicas, mentais, sensoriais ou uma combinação de tudo isso.
Quem quer ser presidente do Brasil? Tem capacidade para enfrentar esse desafio?
Sem falar na maior praga nacional de nossas elites políticas, a tradicional corrupção, que afeta boa parte de pessoas nesse ambiente, temos esperanças. Afinal o Presidente da República será alguém que, ocupando um cargo tão elevado, não quererá marcar sua biografia com manchas que sujaram tantos ao longo da história brasileira. Vamos acreditar que teremos um bom governo.
Temos propostas.
Entre as grandes prioridades nacionais estará aplicar com eficácia nossa melhor legislação. Não necessitamos de mais leis, mas de operacionalizar de forma justa e eficaz as existentes.
Nesse período, apreciaríamos ver debates longos, meticulosos e objetivos sobre as Pessoas com Deficiências (PcD). O que fariam nossos candidatos se eleitos? Como viabilizarão, por exemplo, a educação, a pesquisa e desenvolvimento de soluções para as PcD?
Note-se que ao atenderem os surdos, cegos, cadeirantes, deficientes mentais etc. estarão viabilizando um mundo melhor para todos, pois quem viver bastante chegará a ter restrições sensoriais, mentais, motoras...
Podemos e devemos pensar na prevenção e minimização de patologias debilitantes, em soluções urbanísticas, acessibilidade a próteses, tratamentos, em todo o universo que afeta ou atingirá nossos futuros idosos e PcD. Não podemos esquecer que a violência do trânsito, cidades hostis, estradas mal feitas, remédios errados e muito mais coisas continuam a acrescentar, diariamente, centenas de PcD ao universo brasileiro.
Quais são as propostas de nossos candidatos? Eles entendem disso? Serão fiéis às suas propostas?
Cascaes
11.10.2010
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relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
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06:33:00
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