terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia de Finados

Hoje é o dia de se reverenciar os mortos. Provavelmente seja algo que pouca ou nenhuma diferença fará a quem faleceu, mas, talvez, extremamente importante a quem sobrevive. Quem não tem algo a se arrepender? Ou lembrar com alegria da convivência com aqueles que motivaram a ida aos cemitérios? Em torno da morte material do corpo humano há muitas teorias e poucas convicções, tanto que até os Papas relutam em passar para o céu. Assim vale, prudentemente, não esquecer que chegará o tempo em que estaremos sob a terra e nossos descendentes talvez façam o que devemos fazer hoje. Talvez nos ajude de alguma forma.
Tivemos eleições. A política é uma arte que, para seus atores, tem começo, meio e fim. Ou seja, nascimento, vida e morte. Para justificar dedicações existem autênticas religiões, que denominamos ideologias, com direito a rituais e sacerdotes além dos grandes teóricos.
É interessante ver essa necessidade de racionalização de tudo o que fazemos, talvez um indício de que sejamos seres pensantes. Hoje muitos devem estar se convencendo do ocaso político ou festejando vitórias, pior ainda, tentando resolver a intrincada lógica de distribuição de favores para compensar apoios (com o dinheiro do contribuinte) e garantir o futuro.
Com a Democracia, ainda que extremamente relativa, ganhamos (nesse ano de 2010) novos executivos e conversadores (parlamentares). Novos em termos, a maioria é antiga e existe falando mal um do outro há muito tempo. Foram, contudo, responsáveis pela quantidade imensa de leis, decretos, portarias etc. que ganhamos após o período militar assim como uma carga fiscal gigantesca, mal usada, desperdiçada.
Tivemos, nesse período de tantos patrocinadores de campanha, privatizações de serviços essenciais. A tese era a necessidade de divisas, melhorar a qualidade dos serviços públicos, reduzir custos, evitar-se a corrupção. Na maioria das vezes o remédio mostrou-se pior do que a doença, muitos ainda acreditando o contrário (a propaganda faz milagres e é um grande negócio) porque ignoram onde poderíamos estar se, simplesmente, existisse mais rigor na administração pública, algo possível graças às muitas maneiras de vigilância (formais e informais) do governo agora possíveis. O único detalhe é que fiscalização, vigilância e cobrança de resultados deveria ser algo a ser ensinado já no berçário. Nosso povo foi educado, e ainda é, para ser alienado. O que importa é pão e circo. E a corrupção? Mudou de formato.
Nesse dia de Finados gosto de lembrar meus pais. Passaram a vida, após casados, trabalhando muito, de forma espartana, preocupados acima de tudo com a educação dos filhos. Meu pai, fumante inveterado, morreu muito cedo, fez muitíssima falta. De qualquer jeito deixou a imagem das funções paternas, do que um homem precisa fazer e de quanto faz falta quando, por uma razão ou outra, deixa seus filhos e esposa antes do tempo. Nesses tempos de culto a aventuras e paternidade irresponsável, vem à minha cabeça permanentemente o que significou conviver com uma pessoa tão especial. Só lamento não ter filmado suas conversas, possuir textos, palavras desse homem extraordinário.
Com Pedro Cascaes (meu pai) aprendi muito da dinâmica da Política. Era nosso assunto diário (apesar da minha idade sempre me tratou como se fosse um adulto), enquanto viveu. Talvez, enojado das coisas nacionais, falasse pouco do que acontecia no Brasil, nominando “em passant” partidos e lideranças; de qualquer jeito a lógica, o comportamento de pessoas e ideologias era nosso assunto, algo até natural naqueles anos logo após a Segunda Guerra Mundial e durante guerras que nunca deixaram de existir, início de um período de transformações colossais.
Nesse dia, cuja celebração começou no século II de nossa era cristã, há quase dois milênios, fomos induzidos a rezar pelos mortos. Outros, como os asiáticos, prestam-lhes reverências diariamente, em suas casas, desde tempos imemoriais. Lembrar com orgulho e respeito nossos ancestrais no mínimo é sinal de que temos quem homenagear, isso é muito bom.

Cascaes
2.10.2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Freud, Jung e Maslow e as torcidas organizadas

O resultado das eleições, onde quer que aconteçam, em qualquer lugar do mundo, mostram com força que as ideologias são figurinos de retórica, religiões, seitas ou algo parecido que, quando muito, criam torcidas organizadas. Não pesam substancialmente nas decisões humanas, exceto em situações especiais e transitórias.
Os computadores que temos sob o pescoço, nossas glândulas, sensores e necessidades vitais determinam nosso comportamento, pouco importando cobranças de coerência com figurinos e responsabilidades sociais. Entre “eu e o mundo” somos mais eu do que nós. Ignoramos a situação de seres semelhantes à medida que se afastam de nós.
As glândulas mostram-se de diversas maneiras.
É, o velho Freud é importante. Líderes que perdem atrativos hormonais deixam de ganhar votos e mostrar comportamentos atraentes são fatores importantíssimos nas eleições.
Somos dominados por atavismos, arquétipos, que aparecem fortemente em nosso dia a dia, ainda que subliminarmente. Medos e ídolos entram nas equações de decisões, são parâmetros importantes.
Imbatível, pela simplificação, é Maslow, com sua famosa pirâmide. Começando pelas necessidades fisiológicas, tendo a segurança como segunda camada desta pirâmide, procurando afeto, relações sociais, sempre ansiando pela auto-estima, status, orgulho e finalmente querendo sentimentos de auto-realização o ser humano quotidianamente age quase sem perceber, tomando decisões e sobrevivendo, uma vida impossível se não fosse assim.
As eleições no Brasil sempre mostraram essas características dos nossos cidadãos eleitores. Podemos evoluir, mudar; por enquanto, quando muito, vemos autênticas torcidas organizadas e a ausência, contudo, de lógicas mais elaboradas. Podemos, quando muito, transferir preocupações, querer sobreviver em outro mundo, agradar deuses e pretender a santidade, mas seguimos uma escada que governa nossa vida. Tudo isso sem esquecer a curva de desenvolvimento e decomposição que a idade fisiológica nos impõe.
Muitos, olhando de cima ou de algum espaço intermediário, querem coerência. De que jeito? Se grande parte de nosso povo carece de condições razoáveis de sobrevivência, ou não foi educado para explorar o potencial fantástico de nosso país, cai no compadrismo, na bajulação, na procura da glória emprestada pelos vitoriosos. Precisa de protetores para se sentir seguro, falta-lhe auto-estima.
Ao final do segundo turno notamos incoerências teóricas incríveis, mas um tremendo senso de realismo do povo. Afinal, quem atende suas necessidades? É até interessante a intervenção de líderes espirituais, querendo lembrar a vida no além, lembrando as conveniências de se perder essa para ganhar outra melhor...
O presidente Lula talvez tenha sido um dos que melhor entendeu isso. Afinal perdeu eleições demais, caiu na realidade e hoje é imbatível. Nossos futuros governadores, a presidente Dilma, senadores e deputados, se pretenderem agradar ao povo, deverão estudar esse fenômeno político em que se transformou Luiz Inácio Lula da Silva, que foi tudo, menos um apaixonado por ideologias.
Hoje, dia dos santos, amanhã dos mortos, talvez seja o momento de reflexão política para alguns políticos que perderam eleições. Principalmente esses indivíduos, tão carentes de aceitação social, mas com excesso de auto-estima, precisarão procurar entender a humanidade, que está muito longe dos seres idealizados pelos inventores de ideologias.
Cascaes
1.11.2010

Dia de eleição

Hoje, 31 de outubro de 2010, o povo brasileiro volta às urnas eletrônicas, digitais, para, diretamente, escolher seu presidente da República após meses de campanha eleitoral. Muitos foram descartados nas negociações partidárias e no voto da nação. Agora saberemos que dupla mandará no Brasil. Teremos o titular e seu vice, assim duas personalidades políticas ganharão o direito de decidir os rumos de um país que se aproxima dos duzentos milhões de habitantes.
É um grande desafio. O Brasil já desperta todo tipo de atenção pelo mundo afora. Até cantor norteamericano vem dar palpite aqui. Será fundamental ganharmos um governo forte, independente e capaz de não cair em fantasias que ONGs e outros tipos de organizações tentam impingir ao nosso país. Dividir grandes países é o sonho dos vendedores de armas, diamantes, metais preciosos, etc. e finalmente a chance de outros governos assumirem o comando direto ou indireto de terras e povos distantes.
Temos livros falando das maravilhas de alguns empreendedores, executivos. Nenhum deles, contudo, assumiram algo semelhante ao Brasil. Governar grandes nações é um tremendo desafio, Obama que o diga.
Temos que avançar rapidamente. Perdemos muito tempo para sair do fosso criado pela “gastança”, como nossos neoliberais gostam de dizer, da década de setenta do século passado. Nos anos oitenta não houve governo que achasse a saída do inferno criado pela quebra e ganhamos, ainda, um período de inflação alimentada, entre outras coisas, pela “correção monetária” (uma das piores decisões de algum iluminado), a necessidade de recuperar contas externas e os cartéis nacionais, sempre ávidos de lucros infinitos.
Dilma ou Serra, certamente duas pessoas de personalidade muito especial e uma história política respeitável, estão lutando para entrar para a história com a melhor imagem possível. Sejam quais forem suas teses, é impossível imaginar o contrário, que desejem ser ruins, incompetentes. Entre eles e o povo existirá um Congresso, eventualmente ávido de favores. O “Mensalão” mostrou o que alguns querem para apoiar o governo...
Votei, que maravilha. Como apreciaria poder voltar, mês a mês, e decidir sobre que projetos o município, estado e União juntariam às suas leis e programas. Felizmente isso já é possível, mais difícil, contudo, será mudar esse modelo arcaico de representação política.
Votei, espero ter escolhido a melhor opção.
Parabéns ao povo brasileiro que tem mais essa oportunidade de se manifestar, decidir.

Cascaes
31.10.2010

sábado, 30 de outubro de 2010

O programa que eu não vi

Bons programas merecem registro. Nesta semana, última de campanha eleitoral, aconteceu um que minha esposa descreveu com emoção. Seu relato deixou-nos, estávamos com amigos, extremamente emocionados. Foi um momento de reflexões sobre o Brasil, suas ferrovias, a saúde, o problema habitacional e como as pessoas humildes são tratadas e se comportam.
O passeio cultural abordou temas sérios, seriíssimos.
Lembrei-me, por exemplo, de uma senhora, faxineira de meu escritório, cuja casinha fora simplesmente desmanchada para o prolongamento da Avenida das Torres. Em compensação, à época, lhe venderam (COHAB) um terreno para refazer a vida... de nada valeu tentar comover nossos vereadores de “esquerda” para algum tipo de mobilização, afinal outros enfrentaram a mesma situação, justificando uma ação política. Agora temos uma avenida maior e, pelo menos, uma pessoa (já viúva quando tudo aconteceu) que perdeu a “maloca”. Maloca querida, certamente bem cuidada.
Não consegui esquecer outro colega, defensor apaixonado de ferrovias e da necessidade de se rever planos mal feitos de privatização. Aquela hora de memória da nossa cultura, que certamente entrará para a história da televisão brasileira, dizia até do horário dos trens e da saudade que deixaram, quando existiam e atendiam bem seus passageiros.
Obviamente a educação foi tema importante nessa noite. O comportamento e a maneira de falar, por exemplo, foram assuntos implícitos e explícitos do que minha esposa viu e ouviu. Com certeza ainda temos muito chão até chegarmos onde deveríamos estar...
Nesta semana tive a felicidade de participar de uma palestra sobre Inovação com um companheiro do Lions num colégio da Vila Liberdade em Colombo. Assim a reportagem mostrada surgiu como exemplo de muito do que dissemos. A criatividade, a inovação artística, por exemplo, podem colocar muitos brasileiros em destaque, mais ainda com as facilidades atuais. Blogs e o Youtube são janelas mal exploradas, afinal estamos atrasadíssimos também nesse item das telecomunicações (capacidade, velocidade e custos da internet), mas já dão condições de mídia pessoal a quem souber usar o mundo web.
O cenário desse momento de nossa história cultural com tantas historietas da vida de um artista e as entrevistas, guardadas em arquivos da Rede Globo (em tempo, parabéns à RPC pelo seus 50 anos de existência), do saudoso e inestimável Adoniran Barbosa foi São Paulo. A capital paulistana e o estado de São Paulo tiveram com a obra desse compositor, cantor, humorista e ator um marco significativo, símbolo do seu povo.
Nós, brasileiros, aqueles que conhecem as músicas de João Rubinato, nome de batismo de Adoniran Barbosa (1910 – 1982), podemos ter orgulho de tantos artistas, em especial dele, magistralmente apresentado pela Rede Globo.
Aliás, vale repetir, gravar, distribuir, vender cópias dessa reportagem. Ela é uma aula de Brasil e um exemplo para tantos que esquecem caminhos agora mais fáceis, contudo importantíssimos para revelar talentos.
Adoniran Barbosa merece nosso respeito e vale à pena, antes de amanhã, ouvir suas músicas para uma reflexão sobre o Brasil.
Pense antes de votar, nosso povo carece de respeito.

Cascaes
30.10.2010

Nestor Kirchner – o Presidente

A Argentina perdeu um grande líder, um de seus maiores em toda a sua história, com certeza.
Quando assumiu a Presidência em 1987, seu país estava literalmente quebrado. Graças à submissão radical às lógicas neoliberais, a Argentina mergulhava no que poderia ser o início de décadas de paralisação econômica e desastre social.
Nos anos anteriores, a visão da catástrofe levou inúmeros “argentinos” a emigrarem com malas cheias de valores portáteis, dólares, jóias etc.. Amor à pátria?
Negociando com firmeza e ousadia o Presidente mudou a situação argentina, que ainda sofre, contudo, pressões violentas do cassino internacional. De qualquer jeito voltou a crescer e estaria muito melhor se os seus grandes fazendeiros tivessem aceito impostos de exportação de alimentos. Sem desejar ver seus lucros diminuírem, agiram com violência no inicio do Governo Cristina Kirchner, impedindo, assim, que o povo “hermano” viesse a encontrar o equilíbrio fiscal e de divisas que precisa ansiosamente para poder retomar com vigor o desenvolvimento econômico e social.
Talvez agora, diante da veneração ao grande líder morto para a vida terrena, herói e venerado por aqueles que viram seu trabalho, possa, sua imagem e teses, ajudar o atual governo a reagir com mais força. A Argentina precisa se reequilibrar de forma sustentável, segura, e pode. É um país naturalmente rico e com potencial produtivo.
Desindustrializou-se, possui, contudo, talentos profissionais que só carecem de oportunidades. Apoio às micro, pequenas e médias empresas (Os grandes? Onde investem os lucros? Precisam do assistencialismo?) e investimentos federais tirarão a Argentina de riscos econômicos e sociais de que ainda padece.
O ex-presidente Nestor Kirchner mostrou ao mundo os erros de seus antecessores, cobrou dos banqueiros acordos, refez sua pátria. Falta, entretanto, concluir um trabalho de reconstrução, se possível sem submissão aos eternos especuladores e banqueiros internacionais. Afinal, de que adianta ter bases econômicas fortes (???) e a nação enfraquecida e castrada?
Teremos eleições, infelizmente, a mídia do “sucesso” brasileiro e a profissão dos dois candidatos assustam. O circo está sendo montado. Teremos a Copa do Mundo. Nosso governo até ampliou o direito dos municípios sede de Copa a se endividarem mais, como é bom ver o dinheiro do contribuinte pagando juros... O pão é distribuído sem muito critério. Muita coisa precisa ser ajustada para realmente termos um país seguro e saudável sob todos os aspectos.
A campanha eleitoral no Brasil mostra, na guerra de escândalos e contribuições para campanha, quem manda em nosso país. Talvez o futuro governo, seja quem for, mude este cenário vergonhoso (pelo menos).
Quem sabe a morte de Nestor Kirchner também ajude nosso povo, tão ligado a circos e arenas que até esquece a miséria, a carência de infra-estrutura e o custo astronômico das facilidades dadas para podermos ingressar no planeta dos negociantes de dinheiro.
Nossos pêsames ao povo argentino, e medo em relação ao futuro de nosso país...

Cascaes
29.10.2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Concursos públicos e vagas especiais

A legislação determina que concursos públicos e empresas de porte médio ou grande tenham Pessoas com Deficiências (PcD) contempladas com uma cota de aprovação. Essa é uma condição que cria oportunidades a milhões de brasileiros que, dentro de padrões antigos de seleção, estariam alijados do mercado formal de trabalho.
A PcD, como todos dizem e o senso comum confirma, acaba desenvolvendo habilidades que outros perderam na vida comum. São pessoas que, portanto, podem ser utilizadas com muito sucesso em serviços onde outros falhariam por falta de atenção, concentração e habilidades excepcionais.
De qualquer modo encontramos muitas diferenças entre pessoas nessas condições. Infelizmente até em documentos e pronunciamentos oficiais vemos e ouvimos a qualificação “deficiente físico” quando nessa categoria de vida (PcD) encontramos pessoas com problemas sensoriais, mentais, metabólicos etc. Ou seja, os responsáveis por seleções de profissionais precisam dominar essas situações e criar concursos justos, necessários e suficientes aos empregos que oferecem.
Os surdos, por exemplo, ainda sofrem barreiras monumentais de comunicação, pois jornais e revistas usam expressões muito distantes da formatação gestual, a LIBRAS, que tem um padrão extremamente simplificado de comunicação. Sistemas e programas televisivos que poderiam ter intérpretes em LIBRAS são poucos e normalmente específicos a determinados interesses.
Obviamente uma pessoa que tenha sido oralizada saberá melhor como ler e escrever, terá, contudo, dificuldades de compreender situações especiais. Pior ainda é quando, em provas de redação adotam-se temas mais complexos, algo muito mais difícil para um deficiente auditivo do que seria para um ouvinte completo.
Após as eleições deveremos ter abertura de concursos públicos e muitas empresas privadas precisam ajustar seus quadros para atenderem a legislação. Será que teremos situações justas, adequadas às necessidades das PcD em geral?
É mais do que evidente que carecemos de um trabalho formal e profundo de compreensão da PcD, suas necessidades e facilidades. Mais ainda, em tempos em que o conhecimento humano dobra a cada 72 horas e os sistemas de comunicação criam tantos prodígios tecnológicos, vemos muito pouco sendo feito a favor dos idosos (PcD gradativos), pessoas com deficiências e sistemas de apoio a pessoas debilitadas por doenças crônicas.
Mudanças de governo sempre criam esperanças de evolução. A saturação de quem está no Poder se reflete na mediocrização do governo. Como dizem: vassoura nova varre melhor. Assim, graças à Democracia, temos esperanças de avanços.
Mudanças a favor de qualquer grupo organizado dependem, acima de tudo, de luta, militância. Esperamos que de norte a sul, leste a oeste do Brasil os clubes de serviço, ONGs, instituições filantrópicas etc. estejam pressionando os políticos a aprimorarem nossa legislação em torno das PcD, assim como cobrando mais pesquisas, produtos e serviços adequados e, entre todas essas situações, concursos públicos bem feitos.

Cascaes
26.10.2010

Estado e economia

A França vive o clímax de uma fantasia. A aposentadoria é, antes de mais nada, uma equação financeira. Pode-se pagar em função do que se tem em caixa, a questão maior deve ser, o que fazem com o dinheiro das contribuições de todos nós e porque a situação se deteriorou tanto.
Infelizmente a administração política é tudo, menos administração. Quando vemos quem é indicado para determinados cargos públicos ficamos convencidos da fragilidade do poder que os eleitos conquistaram.
A privatização é uma conseqüência direta do descrédito sobre os políticos, tanto mais forte quanto mais incapaz forem os governos.
Visitando a Colômbia vimos um país em obras e um guia turístico falava com orgulho da valorização das ações que comprara de uma empresa de energia. Na Inglaterra podia-se comprar participação de empresas em processo de privatização em bancas de revistas. Aqui virou negócio de fundos de pensão e investidores privilegiados.
Passamos por uma época em que seminários técnicos tinham como objetivo principal exaltar as maravilhas de uma ciência com palavras exóticas e mal explicadas, falava-se de coisas que só economistas entendiam... será?
No Brasil é difícil de dizer o que é pior, se estatal ou privada. As estatais foram amarradas por leis absurdas e as não estatais continuam com liberdade excessiva.
A campanha eleitoral pouco contribuiu para esclarecer métodos e propostas. Elas são o resultado de marqueteiros que nivelaram muito baixo as mensagens dos candidatos. A convicção de que nosso povo é analfabeto e idiota é amplificada durante as propagandas. Raramente vemos e ouvimos algo que preste. O negócio é fazer promessa. Para nós sobra rezar e torcer para que tenhamos um bom governo.
Estamos num período delicado, difícil. Sob todos os aspectos o próximo Presidente da República deverá ser extremamente capaz. O mundo está em crise graças à desonestidade de alguns mega banqueiros e no Brasil pagamos juros que compensam qualquer incompetência bancária. Sorte para os fundos de pensão que assim têm onde aplicar o dinheiro arrecadado e alegria dos banqueiros, ganharam um negócio sem riscos.
Difícil mesmo será fazer o que a FIFA exige sem quebrar os municípios, distribuir dinheiro caro, reduzir e racionalizar impostos, construir tudo o que prometem. A famosa sustentabilidade continuará falando de saquinhos de plástico e os lobbies industriais mantendo a guerra contra as hidrelétricas. Automóvel será artigo permanente de mídia enquanto as mesmas emissoras falarão do efeito estufa... Pior ainda será diminuir a burocracia, mãe de cartórios e regulamentos que gratificam tantos fantasmas.
A luta entre privatização e estatização é um dos focos da campanha. Que privatização? A do FHC? A estatização do Lula?
Precisamos racionalizar o governo brasileiro. O Brasil é um país fantástico, que querem dividir para vender armas em comprar diamantes, nióbio, ouro, etc., a desculpa é a nova forma de racismo, camuflada em proteção de etnias.
Teremos uma eleição importante, vamos pedir ao Grande Arquiteto do Universo que tenhamos maturidade para escolher o melhor, mais capaz, mais competente. Temos poucas opções, infelizmente.

Cascaes
24.102010

domingo, 24 de outubro de 2010

Pragmatismo ou ideologia

A visão realista do ser humano (muito clara na Pirâmide de Maslow) deve ser uma qualidade essencial do político, principalmente dos grandes líderes. De modo geral todos os eleitores querem “pratos feitos”, simplicidade, algo que as religiões e ideologias oferecem, mas o que vale são os resultados e a linguagem simples, que atinjam o nível de necessidades imediatas do indivíduo.
A campanha eleitoral felizmente tem dois turnos se nenhum candidato convencer a maioria dos eleitores no primeiro, revelando detalhes que de outra forma desconheceríamos. Isso é importantíssimo, vale o sacrifício.
A estratégia de mídia é sintonizada com os eleitores. Os argumentos, a maneira de falar, obviamente refletem a cultura do povo na malícia dos marqueteiros. Falar “difícil” não dá votos e confundir o cidadão com excessos de propostas também não ajuda, afinal o tempo é curto e não permite divagações.
Bons resultados podem dar a liberdade de ajustar o discurso dos candidatos e seus cabos eleitorais. O Presidente Lula, apesar de seus defeitos, teve um bom governo e consegue, diferentemente de seus antecessores, ser o cabo eleitoral decisivo na candidatura da economista Dilma Roussef, uma bem sucedida chefe da Casa Civil, cargo extremamente difícil num país com o padrão do Brasil. O Setor Elétrico, quando Ministra das Minas e Energia, ganhou um formato praticamente definitivo com ela e todos sentiram na pele sua determinação e capacidade de liderança.
José Serra é um líder que soube governar São Paulo (estado e cidade). É o candidato de um partido mais do que dividido, autofágico. O maior inimigo do ex-presidente da UNE são os seus “aliados”. O maior mérito de seu governo (José Serra) foi dar consistência num estado e cidade que beiravam o caos nas mãos do crime organizado e saber respeitar as PcD, além de ser oposição ao governo federal. Infelizmente a idade pesa em seus ombros e em torno dele temos gente que já mandou no Brasil com resultados discutíveis.
De tudo fica muito clara a capacidade de dois presidentes (Lula e FHC), um parece que elegerá a sucessora enquanto o outro só atrapalha com sua verbosidade empolada.
Lula é mais do que presidente do Brasil. Tem sido capaz de exercer uma liderança mundial indiscutível entre tantos países ditos desenvolvidos. Suas palavras simples mostram o ser humano na sua essência, e Lula não poderia ser diferente, afinal faltam-lhe os diplomas que bitolam o estudante e moldam cabeças de acordo com “mestres” nem sempre saudáveis, sobra-lhe, contudo, a grande universidade da vida, de onde soube aprender e galgar todos os postos, chegando à Presidência da República. Com certeza essa carreira mortifica muitos opositores...
Felizmente o Brasil é uma democracia, ainda que relativa. A liberdade de expressão, graças à internet, tem sido usada à exaustão. Revistas e jornais disseram o que queriam. Milhares de candidatos de todos os tipos colocaram suas posições. E Lula manda apenas subindo ao palanque e dizendo o que pensa. Muitos podem lamentar os tempos em que todo o dinheiro dos impostos era carreado para usineiros e projetos superfaturados que ainda não foram analisados em profundidade. O povo sentiu a diferença.
De qualquer jeito temos dois bons candidatos à Presidência da República, esse é o dilema que brasileiros, que acompanharam a vida dos dois, agora deverão resolver nas urnas, clicando seu voto. O que será um diferencial, contudo, será o séquito dos aduladores, as inspirações e o poder e autenticidade que terão.
O fundamental é que tenhamos o melhor, isso só saberemos após os próximos quatro anos de mandato do próximo Presidente, que esperamos venha a ser respeitado como o líder de uma nação democrática, que precisa resolver problemas gravíssimos de educação, sociais, infraestrutura e até políticos.
Que vença o melhor!
Cascaes
24.10.2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Poder e discurso

Algo que realmente mostra o caráter de uma pessoa é o exercício de um cargo poderoso, tanto maior quanto suas limitações o permitirem. Descobriremos a nós mesmos nesses momentos, nem sempre razoáveis, eventualmente extremamente desagradáveis, mas com todo o charme que, principalmente os bajuladores eternos, aplaudem.
As eleições para a Presidência da República colocarão no maior posto político e administrativo do país um ser humano que podemos imaginar quem será, de modo algum, entretanto, será o que marqueteiros e a própria vida pregressa mostrou. A escada do poder é equivalente a escalar montanhas, quando o alpinista vai se segurando onde pode, resistindo a ferimentos e respeitando e ultrapassando cada obstáculo que aparece. Chegar ao cume da montanha é o grande prêmio de onde poderá saborear sua vitória ou procurar outra para o próximo desafio.
Compete ao eleitor escolher os alpinistas, orientá-los e muitas vezes cobrar lições inúteis. Se dar palpite fosse demonstração de inteligência e conhecimento, ninguém erraria. Temos, no entanto, milhões de pessoas que falam com convicção, muitas vezes dando demonstrações de ignorância absoluta, mas suas certezas lhes pertencem, assim como os votos que dedicarão a algum candidato.
Sempre é bom refletir, lembrar a história da humanidade, a nossa própria onde tantos esqueceram seus discursos, não de campanha, mas alguns que repetiram ao longo da vida até chegar lá, com direito a mordomias, honrarias e bons salários...
Pobre país inculto e belo, rico por natureza, gigante adormecido...
O Brasil ficou para trás. Poderia ser uma grande potência. Acomodou-se às suas facilidades. Agora é terra fértil para todo tipo de exploração política, pior ainda, de imensos interesses estrangeiros. Dividido será mais uma fonte de diamantes, madeiras, minérios, escravos para as lutas entre grandes capitalistas que demoliram a África e mantiveram parte da Ásia sob governos que, entre outras coisas, aceitavam o comércio de drogas alucinógenas, afinal o que valia era o “livre comércio”, o liberalismo radical.
Temos problemas sociais gigantescos. Não precisariam existir se há algumas décadas tivéssemos implementado programas de educação profissional e social abrangentes, financiado micros e pequenas empresas, contido a burocracia sufocante, distribuído melhor o dinheiro dos impostos e não concentrado benesses em grupos perdulários e irresponsáveis.
Teremos eleições, votar em quem?
É difícil imaginar quem será melhor, afinal os dois candidatos têm seus vices, partidos coligados, compromissos explícitos e ocultos de campanha. Talvez seja um desafio semelhante a jogos de baralho onde aleatoriamente escolhemos uma carta, na esperança de ser aquela que esperamos, ou não tão ruim para podermos continuar jogando.
A verdade pura e simples é que não tivemos muitas opções. O modelo “democrático” criado pela Constituição de 1988 é tudo, menos cidadão (ou Constituição Cidadã como gostam de dizer). Continuamos com vícios antigos e medo do povo.
Votar em quem?

Cascaes
12.11.2010



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Campanha eleitoral e a PcD

A campanha para a presidência da República recomeçou. Vale a pena ver e ouvir os debates, a propaganda?
Os marqueteiros devem estar doutrinando os candidatos. Digam isso, mostrem aquilo, batam aqui, critiquem ali. O que importa é conquistar votos de alienados ou simplesmente indecisos, pois as pessoas mais atentas à política e problemas brasileiros provavelmente já decidiram. Afinal a campanha e os candidatos são conhecidos há tempo.
O povo brasileiro tem um tremendo desafio, pois além dos titulares existem os vices, quem são eles? Por aí sim, as dúvidas são imensas. Nenhum deles teve projeção em cargos administrativos e poder para mostrar a cara de forma confiável. É uma loteria via urna eleitoral.
Temos tudo a ser feito. O Brasil carece de infraestrutura e seu povo de meios adequados para educação, saúde, segurança etc., e as prioridades?
Vamos, pois, defender “nosso peixe”, sugerindo o que entendemos ser urgente, algo a merecer atenção maior e melhor de nossas autoridades e na esperança de que nossas propostas convençam o futuro governo.
Uma parcela significativa de brasileiros já pode ser considerada idosa ou prestes a entrar nesta situação. Um número enorme é afetado por doenças perigosas, algumas permanentemente debilitantes. A subnutrição e as péssimas condições de vida de antigas crianças produziram uma multidão de pessoas com deficiências culturais, físicas, mentais, sensoriais ou uma combinação de tudo isso.
Quem quer ser presidente do Brasil? Tem capacidade para enfrentar esse desafio?
Sem falar na maior praga nacional de nossas elites políticas, a tradicional corrupção, que afeta boa parte de pessoas nesse ambiente, temos esperanças. Afinal o Presidente da República será alguém que, ocupando um cargo tão elevado, não quererá marcar sua biografia com manchas que sujaram tantos ao longo da história brasileira. Vamos acreditar que teremos um bom governo.
Temos propostas.
Entre as grandes prioridades nacionais estará aplicar com eficácia nossa melhor legislação. Não necessitamos de mais leis, mas de operacionalizar de forma justa e eficaz as existentes.
Nesse período, apreciaríamos ver debates longos, meticulosos e objetivos sobre as Pessoas com Deficiências (PcD). O que fariam nossos candidatos se eleitos? Como viabilizarão, por exemplo, a educação, a pesquisa e desenvolvimento de soluções para as PcD?
Note-se que ao atenderem os surdos, cegos, cadeirantes, deficientes mentais etc. estarão viabilizando um mundo melhor para todos, pois quem viver bastante chegará a ter restrições sensoriais, mentais, motoras...
Podemos e devemos pensar na prevenção e minimização de patologias debilitantes, em soluções urbanísticas, acessibilidade a próteses, tratamentos, em todo o universo que afeta ou atingirá nossos futuros idosos e PcD. Não podemos esquecer que a violência do trânsito, cidades hostis, estradas mal feitas, remédios errados e muito mais coisas continuam a acrescentar, diariamente, centenas de PcD ao universo brasileiro.
Quais são as propostas de nossos candidatos? Eles entendem disso? Serão fiéis às suas propostas?

Cascaes
11.10.2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PcD, Ética e Política


O dia 21 de setembro[i] é o DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA[ii], infelizmente ainda necessário num país em que muitas lideranças instrumentalizaram o idoso e o deficiente, cobrando verbas para sustentação de projetos e fazendo favores em troca de votos. Criado por efeito da Lei Federal 11.1133 de 14 de julho de 2005 (mas realmente inventado em 1982) é mais uma lembrança a todos que existem pessoas com restrições motoras, sensoriais, mentais ou uma combinação dessas limitações, como sói acontecer aos idosos à medida que avançam na idade.

Ética, quando queremos aplicar suas bases filosóficas, e são muitas e diversas, é um “conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade” (Houaiss – Dicionário Digital). Ou seja, pode ser muita coisa, sempre em função da época e cultura de um povo ou de alguma corporação ou segmento, até o elemento único, o ser humano. Estrutura-se em torno de interesses e teorias nem sempre saudáveis ao conjunto e ao próprio indivíduo.

A Política é a arte de governar e de conquista de poderes para tanto.

Estamos em processo de campanha política. Que interesses movem nossos candidatos e seus queridos partidos? Qual é a “ética de governo”?

Voltando ao tema inicial, o DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, notamos que em Curitiba começou sob trovões. Seria um protesto Divino? Temos, de fato, preocupação legítima de nossos governantes e parlamentares (salvo raras e belas exceções) com as PcDs, os idosos, as pessoas doentes (transitoriamente PcDs ou lesadas permanentemente)?

A decisão de se fazer a Copa do Mundo de 2014 no Brasil mostrou uma falha ética monumental entre nossos administradores públicos. De repente tudo se tornou possível. Para termos a oportunidade de ver jogos que nem sabemos quais serão durante duas semanas, em Curitiba, jogamos no lixo até o planejamento urbano integrado, amplo, geral. Vimos, por exemplo, a oferta absurda de espaços para mais ruas verticais (Solo Criado) sem grande preocupação com os efeitos dessa decisão, isso numa cidade que já dá mostras eloqüentes de imobilidade no trânsito de veículos.

Prioridades, nossos políticos estão certos? Por quê esse tema não é debatido com vigor? Seria a famosa ética política a responsável pelo quase silêncio, apenas murmúrios de perplexidade? Faz parte do jogo político ver os adversários se afogarem em seus projetos? Ou pura vaidade de constar de alguma lista da FIFA?

Felizmente temos a imprensa livre mostrando sistematicamente a incoerência em torno dessa questão.

Com certeza existem questões mais importantes do que receber turista durante um mês. Algumas empreiteiras ganharão muito. Restaurantes, hotéis etc. vão faturar nesse mês da Copa. Vamos torcer para termos turistas ricos. O Faustão vai poder fazer o “torpedo patriótico” louvando as virtudes de uma nação de sorvetões a serviço de um grande negócio de gente internacional. Depois é só pagar a conta...

Aliás, o futebol clássico está deixando de ser um esporte para virar um teatro ou cinema, dependendo da forma como é visto (no estádio ou em casa diante de algum televisor). Os espaços para a garotada praticar o que era um esporte popular estão acabando. Nem em frente à casa isso já é possível, as ruas se transformaram em pistas de corrida. As várzeas se transformaram em favelas, avenidas ou parques.

Sim, precisamos de ética, ética sensata e a favor de pessoas que realmente precisam de governo. Será que avançaremos um pouco nessas eleições ou simplesmente referendaremos esse estado de miséria intelectual? Enquanto isso falta dinheiro até para arrumar ponto de embarque de ônibus e mudanças na lógica administrativa das calçadas. As PcD e os idosos que não têm carro que fiquem em casa...

Cascaes
21.9.2010
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[i] http://www.cedipod.org.br/dia21.htm



[ii] DIA NACIONAL DE LUTA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA



Nós, pessoas com deficiência, vimos a público neste nosso Dia Nacional de Luta, refletirmos juntos com a sociedade sobre alguns aspectos.



No Brasil, segundo o IBGE, 14,5% da população tem algum tipo de deficiência (algo em torno de 24,5 milhões de pessoas). Os nossos direitos estão garantidos na Constituição Federal de 1988 e temos uma das legislações mais avançadas sobre os direitos das pessoas com deficiência, das quais citamos algumas:



Lei Federal nº 7.853, de 24/10/1989, dispõe sobre a responsabilidades do poder público nas áreas da educação, saúde, formação profissional, trabalho, recursos humanos, acessibilidade aos espaços públicos, criminalização do preconceito.



Lei Federal nº 8.213, 24/07/1991, dispõe que as empresas com 100 (cem) ou mais empregados devem empregar de 2% a 5% de pessoas com deficiência.



Lei Federal nº 10.098, de 20/12/2000, dispõe sobre acessibilidade nos edifícios públicos ou de uso coletivo, nos edifícios de uso privado, nos veículos de transporte coletivo, nos sistemas de comunicação e sinalização, e ajudas técnicas que contribuam para a autonomia das pessoas com deficiência.



Lei Federal nº 10.436, 24/04/2002, dispõe sobre o reconhecimento da LIBRAS-Língua Brasileira de Sinais para os Surdos



Estes avanços naturalmente não nos “caíram do céu”, foram frutos de muita luta e enfrentamentos e muita vontade de transformar. Muito há que se fazer, para que estas leis saiam do papel fazendo de nós cidadãos.



Conselho Municipal da Pessoa Deficiente/SP

Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes-MDPD

Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos-FENEIS

Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes-FCD/SP

Assoc. dos Funcionários do Grupo Santander/Banespa-AFUBESP

http://www.portadeacesso.com/artigos_leis/informativos/21_set.htm





segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Prioridades – quais? Eleger quem?

Talvez algo que não seja muito agradável, mas sempre necessário, é decidir em cima de prioridades analisadas, ponderadas e objetivas. Habitualmente agimos intuitivamente, até porque seria impossível parar todo instante para avaliações do passo seguinte.



Algumas decisões, contudo, precisam ser bem pensadas, pois terão reflexo sobre o resto da vida. Isso vale em todas as esferas de existência do ser humano, sendo causa de sucesso se lógicas sensatas nortearem sua vida.



A Organização das Nações Unidas tem feito um grande esforço para chamar atenção ao que deve ser visto de forma prioritária pelos governos e seus eleitores. No Paraná a FIEP, sob o comando do Dr. Rodrigo da Costa Rocha Loures, abraçou essas questões, que se refletiram no engajamento de sua entidade na promoção das Metas do Milênio dentro dos ODM. No CIETEP inúmeros eventos sistematicamente levantam temas que alertam para a necessidade de atenção de todos, empresários e empregados, estudantes e professores, funcionários e políticos etc. para a importância de propostas universais, humanas. Naturalmente a ONU evolui e outros indicadores aparecem, o fundamental é que se coloca a necessidade de atenção para o que fazer.



O desafio passa a ser: quando, como, quanto, onde, quem, fonte de recursos etc.



Decidir e viabilizar é um problema monumental num país que, por diversas razões, desenvolveu-se mal, apesar da hipotética boa qualidade de alguns de seus governantes. Erramos demais e o resultado é fácil de ser visto. Nossos indicadores sociais são assustadores.



A “Times Higher Education (THE, http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings)” apresentou uma classificação[i] de universidades em que ficamos feio na tabela, mas poderíamos facilmente prescindir dessas avaliações simplesmente observando a situação de nossos alunos e escolas até a poucos anos.



Exemplificando: em janeiro de 1964 ingressei numa escola de Engenharia (Instituto de Eletrotécnica de Itajubá) cujos professores tinham seus salários atrasados. Federal, era a opção de um catarinense para ser engenheiro eletromecânico. Saí de Santa Catarina (que não tinha nenhuma escola similar, ou pior, não tinha universidades) para estudar em Minas Gerais. O Brasil simplesmente vivia paralisado em disputas políticas enquanto o povo, de modo geral, sobrevivia em atividades primárias.



Felizmente o Brasil mudou muito nesse meio século, apesar da tremenda crise econômica e da instabilidade política. Temos escolas precárias e boas, mas já as temos. Também existem exceções e alguns estados já podem se orgulhar da qualidade do ensino público e privado, que devem, acima de tudo, ter no Primeiro Grau uma base universalizada e de excelência.



Um povo bem preparado, com um grau de escolaridade e cultura de bom nível, certamente saberá votar e escolher bem seus candidatos, formar partidos políticos consistentes, programas e ações eficazes para poder evoluir e escolher suas prioridades com critério e maturidade.



Teremos eleições dentro de poucos dias. Quem iremos eleger?



Precisamos de governantes sérios, honestos, bem preparados. Isso não significa a necessidade do candidato apresentar uma coleção de diplomas. Tivemos péssimos governos apesar do grau de escolaridade que traziam. A probabilidade, contudo, de enfrentarmos com sucesso os desafios do século 21 depende muito da formação acadêmica, inteligência e competência dos futuros eleitos, ou seja, não podemos errar nem cair sob em governos simplórios. Educação, Segurança, Energia, Transporte, Saúde... com Sustentabilidade física e moral é o que precisamos.



Vamos cobrar de nossos candidatos a revelação de suas prioridades e projetos. Antes de apertar as teclas da urna eleitoral impõe-se avaliar a sustentabilidade de suas teses diante dos problemas ambientais e sob o prisma da honestidade, seriedade e competência.



Votar certo é o pouco que a Democracia exige de todos nós.


Cascaes

20.9.2010




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[i] http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:rjFJUeZVV9AJ:www.estadao.com.br/noticias/vidae,sem-surpresa-harvard-lidera-ranking-de-universidades,610820,0.htm+classifica%C3%A7%C3%A3o+de+universidades+mundial&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

terça-feira, 14 de setembro de 2010

E os jovens?

A lógica neoliberal procura transmitir a todos que somos descartáveis, material de consumo e que o mundo é terra do “cada um por si e Deus por todos”. Essa mensagem subliminar se sustentava com o sucesso de um país que aprendeu a explorar a humanidade e afundou querendo ganhar dinheiro demais à custa do seu próprio povo. A esperteza da era Bush, infelizmente, custou muito caro aos nossos irmãos do norte, em todos os continentes. No hemisfério sul o egoísmo é atávico, não surpreendeu, mas aqui a motivação da violência é o mandonismo arbitrário, o prazer sádico do exercício do poder.

No caudilhismo esquerdista temos a alternativa latino-americana, o Governo totalitário, incapaz de gerar um povo inovador, criador, empreendedor. Nesse estilo de dominação vimos situações antológicas (sem ofensa às antas) no Brasil e no Paraná. Perplexos, testemunhamos espetáculos de deboche de pessoas trabalhadoras, sem maior preocupação dos grandes caciques que demonstrar autoridade até sobre indivíduos bem colocados na hierarquia de poder. As ofensas não se limitaram aos meio fortes. Nossa legislação para o inquilino, por exemplo, mudou draconianamente e ninguém protestou (incrível o grau de castração do nosso povo). Aposentado? Que morra! Seguros? Taxas em cima dos trouxas... Pretensos projetos sociais aos poucos se revelam autênticos pesadelos para seus beneficiários. O cidadão comum, quanto mais pobre, mais se transforma em estatística. Solução? Esmolas oficiais mal feitas...

O lucro é a meta (para o Estado a Receita Fiscal e o lucro das estatais). As empresas se viram para mostrar balanços favoráveis. Seja ao custo de “enxugamentos” ou limitações em investimentos e custeios, o fundamental é exibir-se bem para a banca internacional e o cassino entre jogadores de Bolsa; até cafezinho cortaram em companhias que tradicionalmente cuidavam bem de seus “colaboradores”, eufemismo inventado pelos consultores em administração.

Problemas gravíssimos de infraestrutura, por exemplo, foram “empurrados com a barriga” e a incompetência administrativa do ponto de vista técnico tornou-se flagrante. Em dois congressos e seminários vimos isso com exaltação, emoção e tristeza.

Dois eventos vinculados ao CONFEA (Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizados em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010 e o seminário nacional “Investimento Público: análise e perspectiva”, promovido pelo FISENGE, DIEESE e SENGE-PR com o apoio do IPEA e CREA-PR (9 de julho de 2010, vide blog http://economia-engenharia-e-brasil.blogspot.com/ ) mostraram isso com todas as letras.

Questões importantíssimas foram deixadas para mais tarde, colocando nossas grandes concessionárias, COPEL, por exemplo, sob riscos institucionais diante da inação de muita gente, que deveria ter batalhado para resolver as incoerências de leis mal feitas e decisões equivocadas. Em Curitiba, no desprezo pela opinião pública (devemos ser idiotas na visão desses “administradores”) chegamos ao absurdo de desmontar uma boa lógica técnica em torno do transporte coletivo urbano com uma licitação para outorga de concessões inacreditavelmente mal conduzida e o lixo da RMC será o pesadelo a ser resolvido após as eleições (assim como as tarifas dos ônibus). A solução do que poderia ser fácil, a Copa do Mundo, vê todos os prazos esgotados pela incapacidade de descobrirem alternativas a propostas inaceitáveis. Incrível!

Mas, e os jovens?

Num evento no IEP alguém experiente em política perguntou, e os jovens? Só vimos cabeças brancas.

Sim, e os jovens? Teriam disposição para fugir a seus afazeres domésticos e lutar por ideais que ao longo dos últimos anos foram demolidos sistematicamente?

Felizmente nosso povo é muito diferente daqueles que Hannah Arendt descreve em seu livro (Origens do Totalitarismo, 2007) e simplesmente se afasta de processos políticos que não o atraem após tantas frustrações e vivência em empresas com espírito primário. Se a garotada prefere lutar pelo futebol é na falta de empolgação em torno de um processo político que, no geral, mostrou-se sórdido, hipócrita e agressivo. Ou quem sabe, a ausência dos jovens aconteça porque dentro das grandes empresas não viram ambiente para exercitarem a cidadania, algo que as nossas universidades inibiram na esteira de lógicas repressivas do período militar...

Se queremos um Brasil melhor precisamos empolgar, cativar, reeducar os jovens. Eles são (para nós mais velhos sempre garotos e garotas) e serão o futuro do Brasil. Queremos ver garotos jovens e adultos imberbes empunhando bandeiras sociais, gritando, falando de política. Essa será a vacina contra maus governos e novas ditaduras.

Vale a dúvida, contudo: será que estamos educando de forma correta nossos filhos e netos?

Cascaes

14.9.2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Efeito avestruz

Nesta semana dois meteoritos passaram, em termos astronômicos, raspando a Terra. Por muito pouco continentes poderiam ter mudado de forma e cidades pulverizadas se esses corpos celestes colidissem com o nosso planeta. Um vulcão de nome complicado da Islândia quase complicou de vez a economia européia e o acidente da BP parou na undécima hora. Malucos fazem de tudo para que a humanidade volte a ter guerras religiosas.
Mega questões podem inibir a compreensão de problemas menores (e vice versa), fenômeno facilmente reforçado pelas monstrópoles que aos poucos ganham forma, transformando seres humanos em formigas anônimas com uma diferença, cada uma por si.
Já não nos impressionamos com o número de mortes violentas em qualquer final de semana. A violência do trânsito virou rotina e a desonestidade dos políticos e seus financiadores algo a comentar, simplesmente. Nossos candidatos revoltam-se com a divulgação de dados pessoais que deveriam ser públicos e insistem em manobras excludentes, de modo a que o eleitor tenha um mínimo de opções ao votar. O pior, isso tudo acontece sem que nosso povo reaja de forma adequada.
Psicólogos, sociólogos, pedagogos, historiadores, médicos etc. poderão explicar essa capacidade de alienação.
Temos nossas teorias improvisadas, entretanto. É até divertido pensar nas possíveis causas de tanta alienação.
Com certeza a humanidade sempre esteve sob diversos tipos de pesadelos, riscos tremendos à própria sobrevivência. A morte precoce, inesperada e violenta era tão comum que se transformou em elemento fundamental a todas as seitas, religiões, credos filosóficos, esotéricos etc. A Guerra Fria, tão recente, por pouco não deixou a Terra em escombros.
Diante de tudo rezamos muito e fazemos quase nada...
Os exemplos de omissão aparecem até na filosofia de internet, nos livros de auto ajuda e estratégias de campanha política. Pense em você, o mundo é belo, ignore as nuvens escuras...
Em Curitiba estamos vivendo um período que poderá, ao longo de sua história, servir de objeto de estudos científicos sob o tema “alienação”. Começamos o ano com um edital absurdo em relação ao transporte coletivo urbano, vimos os escândalos da ALEP, denúncias gravíssimas em relação a inúmeras questões, sem solução para o lixo, aliás para muitos tipos de lixo, e o que acontece? Quase nada, exceto quando alguma emissora de TV transforma tudo isso em algum show.
Alguns procuram mexer com a consciência popular. Militantes em urbanismo (Sociedad Peatonal, por exemplo, e o grupo FOMUS) já não sabem o que fazer para dizer à nossa gente que muita coisa está errada.
Andando pela cidade notamos que o povo sem automóvel é gente humilde, via de regra com pouca instrução, trabalhando desesperadamente para sustentar a família. E essa é a parte mais atingida da população pelos maus governos.
Seria a miséria material e cultural a base do império de aristocratas e oligarquias?
Parece que sim, se for temos uma grande esperança. O estado do Paraná tem milhões de jovens nas escolas. Nunca tantos freqüentaram os bancos escolares. A internet se universaliza. Blogs, youtube, twitter, emails etc. permitem um padrão de comunicação que, somados à imprensa formal, deverão começar a mudar gerações de brasileiros. Mais ainda, nas universidades, para se ter títulos de mestrado e doutorado na área de humanas, tudo isso é espaço fertilíssimo de teses e dissertações.
Vamos mudar, ainda que não tão rapidamente quanto gostaríamos (afinal de contas existe o voto de legenda somando pontos a favor dos mais estruturados para campanhas e a Justiça, cautelosa, é lenta), mas o nosso povo será diferente, e não vai demorar muito a mostrar isso no voto. Por enquanto sentimos que, se a avestruz não pegou no Brasil, seus hábitos diante do medo são similares aos nossos. Enfiamos a cabeça no primeiro buraco (férias, praias, carnaval, futebol, etc.) que aparece para não vermos (vermes?) em volta.

Cascaes
10.9.2010

Competição institucional

Do Dicionário Houaiss temos que “Institucional” é:
 adjetivo de dois gêneros
1 relativo ou pertencente a instituição
Ex.: uma das tarefas do antropólogo é distinguir e classificar os comportamentos i. numa sociedade
2 relativo às instituições do Estado
Ex.: âmbito i. do Estado
3 cuja finalidade é institucionalizar algo
Ex.: ato i.
4 que tem características de instituição
5 Rubrica: publicidade.
que visa estabelecer uma imagem favorável para uma dada marca, empresa, instituição, órgão público ou privado (diz-se da propaganda)

A onda neoliberal, provocando no Brasil um processo de privatização de estatais, teve a simpatia popular, pois muitas delas simplesmente desprezavam o principal, o cliente, o povo. A irritação popular pode ser tanta que até existe lei alertando o cidadão de que é crime tratar mal um funcionário público (Decreto-Lei No 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Art. 331 – Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa).
Tivemos, portanto, uma competição entre a imagem da empresa pública e a expectativa de serviço ou produto dessa mesma companhia sob comando privado. Ela tinha sentido. Muitas estatais, bancos, inclusive, atendiam muito mal e apenas despertavam no cidadão a raiva de ser mal tratado numa empresa que lhe pertencia, ainda que infinitesimalmente.
Sobraram poucas estatais, o risco continua, entretanto. Felizmente para os defensores das empresas sob controle do governo, muitas concessionárias privatizadas mostraram-se terrivelmente ruins, agressivas, até, aos seus clientes.
Vivemos, dessa forma, uma competição entre propostas institucionais que aparecem com força em campanhas eleitorais. Por exemplo, a Copel deve ser privatizada? A Sanepar? O transporte coletivo urbano pode continuar como está? O SUS cumpre suas obrigações? E o INSS, seria melhor se privatizado?
Lamentavelmente a discussão se instala no plano ideológico. Deveríamos ser mais precisos, mais objetivos. Afinal aprendemos a criar indicadores, a fazer pesquisas, a ter elementos matemáticos de avaliação, medição, fazer comparações, estabelecer qualificações etc.
Qualquer solução tem aspectos positivos e negativos.
Com certeza o mais flagrante é a qualidade dos gerentes. Imagina-se que numa estatal seus chefes tenham maior sensibilidade ao cidadão comum; ledo engano, via de regra estão realmente atentos ao que os grandes caciques desejam. Nas empresas privadas a coisa é mais simples, normalmente todos olham os balanços, os indicadores da Bolsa de Valores, os resultados financeiros e a possibilidade de perder o emprego.
Precisamos evoluir e viabilizar inúmeras formas de vigilância e avaliação, principalmente em torno dos serviços essenciais. Nosso povo certamente chegará lá. Temos dezenas de milhões de brasileiros nas escolas, estudando, aprendendo. Vem por aí uma nova geração, mais moderna, melhor preparada. O desafio será, contudo, dar-lhes elementos de independência de julgamento, de discernimento, de capacidade de avaliação, vigilância permanente. O que hoje é estatal amanhã poderá ser privatizado e vice versa. Acima de tudo queremos bons resultados e não simples imagens ou natureza institucional, a favor dessa ou daquela ideologia.
Felizmente aos poucos a humanidade está aprendendo que rótulos dizem muito pouco...
Cascaes
6.9.2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Voto de tabela

No processo político brasileiro temos algo estranho, muito estranho. Os candidatos a vice a Senador e para substituto do Presidente da República parecem tirados de livros de aventuras confusas, boas para assustar criancinhas. É difícil de imaginar que um sistema democrático permita essa excrescência, segundo a qual pessoas eventualmente irrelevantes ou desprezíveis aparecem como segundo e até terceiros em chapas importantes. Indivíduos, que não conseguiriam se eleger vereadores em suas cidades, poderão ser até presidentes da República se os titulares vencerem as eleições.

Cabe uma pergunta ao eleitor: já escolheu seu candidato a Senador e Presidente da República? Sabe quem são os vices? Conhece a dinâmica do Poder?

Deveríamos ter eleições separadas para qualquer cargo, em hipótese alguma nessa condição de vinculação. Até porquê parece que nem sempre existe afeto e companheirismo real entre o eleito e seu(s) vice(s), afinal nenhum “galinheiro” aceita dois galos.

A “brincadeira” existe também para os diversos Parlamentos. O famoso “voto de legenda” faz com que, apesar do cuidado de nossas escolhas, na verdade estejamos dando votos aos mais votados do partido. De novo a pergunta, o leitor tem idéia de quem serão os mais votados do partido do seu candidato? Será ele, por acaso? Se não simplesmente estará contribuindo, não raramente, para a entronização de quem não gosta.

Vimos na definição das chapas para o comando do Brasil a guerra para escolha do candidato a vice-presidente. Por quê?

Os três candidatos não têm saúde tão forte a ponto de darem tranqüilidade à nação. Se eleitos viajarão muito, sujeitos, portanto, a todo tipo de acidente. No Brasil temos suspeitas homéricas em relação à morte de algumas personalidades políticas. Carlos Heitor Cony (O Beijo da Morte, 2003) que o diga... Vimos Tancredo eleito e Sarney sendo empossado. A desculpa é a segurança institucional, a normalização democrática. Desse jeito?

Com certeza é hora de uma revisão política. A questão é: como fazê-la? Quando? Mudar o quê?

Tudo começa pequeno. Devemos provocar debates, discussões, estudos, dissertações, teses, doutorados etc.. O fundamental é que nosso povo evolua e corrija as imperfeições de sua “Democracia”. Isso é palpável quando sabemos que agora milhões e milhões de brasileiros freqüentam escolas, tem acesso à internet, estudam e acompanham algo mais que futebol e carnaval. Aliás, os grandes chefes fazem uma força tremenda para que o famoso “pão e circo” não falte no cotidiano dos brasileiros. Essa é uma lição romana que os políticos brasileiros usam intensivamente.

De passo em passo podemos progredir. Temos bons candidatos. Talvez alguns partidos políticos ainda não estejam impregnados de esquemas, de estruturas de cooptação de votos tão odiosos quanto vimos no escândalo da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, agora com “agentes políticos” institucionalizados..

Precisamos escolher criteriosamente em quem votar. Esquecer programas eleitorais e ir fundo na biografia dos candidatos e na de seus companheiros de chapa, seus vices e vices dos vices. Principalmente quem vive por aqui não tem a desculpa da ignorância. Temos bons jornais, rádios, blogs, portais etc. Quem quiser encontrará informações talvez não suficientes, mas necessárias a tirar muitas dúvidas.

O Brasil precisa de nosso respeito, carinho e disposição de luta. Simplesmente bater no peito e cantar o hino nacional é muito pouco. Agora, vote certo, vote conscientemente.



Cascaes

8.9.2010

Voto direto já

Teremos eleições e os candidatos aos cargos eletivos aparecem dizendo maravilhas do que farão. Deputado (vereador) e Senador podem, quando muito, encaminhar Projetos de Lei, votar em seus ambientes, fazer lobby e discursos. Prometem o que não podem.

Teremos por estado algumas dezenas de representantes, apenas.

Pior ainda, muitos deles realmente vão querer fazer leis, estimular decretos, já os temos demais. Do jeito que vamos precisaremos de habeas corpus preventivo para viver, sempre estaremos infringindo alguma lei, queiramos ou não. É impossível que isso não aconteça, basta ler com atenção o que estabelece nossa legislação.

Precisamos simplificar e ampliar a democracia, viabilizar o Brasil e melhorar a vida de todos.

Isso é possível?

Graças à internet, TVs e rádios estatais (inclusive por internet) podemos dispensar representantes. Os meios de comunicação poderão ser a tribuna de quem tiver idéias, quiser propor algo, talvez dentro de algum critério seletivo, mas já podemos divulgar propostas sem as tremendas limitações que existiam há pouco tempo.

O Projeto Ficha Limpa foi uma demonstração cabal do que é possível.

Todos os brasileiros poderão votar e propor leis. Especialistas da OAB, CREA, IAB etc poderiam organizar as propostas, simplificá-las, criar métodos seletivos para exposição e análise de todos. Uma vez por ano, exceto em emergências, seríamos chamados para votar em urnas eletrônicas ou via internet, decidindo sobre o que fazer.

Precisamos, contudo, do Senado, representando regiões e não estados. Do jeito que está a criação de novos estados mudará a equação de forças sem respeito ao número de eleitores, fazendo de nosso país algo imprevisível. Esses senhores e senhoras, eleitos pelo povo, passando a morar em Brasília, fariam uma vigilância e apoio mais preciso do Governo Federal.

A simplificação da União depende também de melhor distribuição dos impostos. É querer demais que o Governo Federal cuide de tudo, ou melhor, interfira em tudo.

Para tudo isso é fundamental a reforma fiscal. A maior parte dos impostos deve ficar entre estados e municípios. Para a União apenas o que for necessário às suas obrigações reais, ou seja, Poder Judiciário Federal, Forças Armadas, defesa da moeda, Chancelaria, suporte técnico de algumas funções e algumas atividades para sustentação do Distrito Federal, só!

Temos candidatos, quem serão eleitos? Aqueles que, bem apoiados por seus patrocinadores e corporações, conquistarem votos. Isso não é democracia, é outra coisa que não sabemos qualificar.

Votar é algo sagrado, e será melhor se tirarmos intermediários entre o governo real (Presidente, Governador e Prefeito) e o povo. O Poder Executivo precisa trabalhar e não sobreviver, eventualmente à custa de acordos impublicáveis.

Impostos?

Vamos liberar a União, Estados e Municípios, por exemplo, para cobrarem o que for necessário sobre produtos poluentes e nocivos à saúde de modo geral. Cada unidade sabe de si. E as repartições públicas federais? Vamos discutir com profundidade quais merecem ser mantidas. O custo e benefício de cada uma elas precisa ser discutido.

Vamos para um mundo cibernético, dinâmico, interativo. Estamos em situação muito diferente daquela dos tempos de Sócrates, Júlio César, Lincoln ou Getúlio Vargas. É possível criar a maior e mais eficaz democracia do mundo, é só querermos. O que é terrível é escolher em quem votar, sabendo que se votarmos nos melhores, provavelmente estaremos elegendo os piores, afinal os não eleitos carrearão os seus votos para os mais votados. Quem são os mais votados? Normalmente alguns privilegiados que, de alguma forma, serão a opção de eleitores, via de regra indecisos, iludidos, ignorantes e obrigados a escolher seus candidatos de relações enormes e sem sentido.

Vamos repensar nossa “Democracia”?



Cascaes

5.9.2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O ônibus e as Normas Técnicas

Há anos sonhamos com normas técnicas para as calçadas e os ônibus.



Passeios seguros, pontos de embarque bem feitos, sistemas de segurança, iluminação pública, mobilidade sem obstáculos e armadilhas e veículos tão bons quanto possível formam um conjunto essencial a cidades que crescem sem parar e pretendem oferecer a seus cidadãos o que precisam para uma vida digna.



Dedicando esse artigo aos ônibus, já que falar de calçadas parece algo inútil numa cidade, Curitiba, que esqueceu os pedestres a ponto de manter orelhões absurdos, apesar dos protestos constantes e veementes dos deficientes visuais, podemos agora destacar avanços importantes no âmbito da ABNT em relação aos ônibus, não, sem antes, colocar nossas opiniões.



Precisamos de normas rígidas, que valorizem e imponham, onde for possível, veículos de piso rebaixado (principalmente), com controles de aceleração e desaceleração, ajoelhamento, suspensão inteligente, monitoramento total, freios de última geração, motores tão pouco poluidores quanto possível, desenho universal etc. e isentos de impostos, favorecidos por subsídios, valorizados pelos administradores públicos.



Isso é possível no Brasil, um país que exporta chassis e ônibus completos dentro das melhores técnicas e descobre montanhas de dinheiro para a Copa do Mundo de 2014.



Em 2009 visitamos a Volvo onde, com muito orgulho, o Sr. Gilcarlo Prosdócimo mostrou-nos detalhes do chassis B9S, uma plataforma articulada com piso baixo total (100% rebaixado) e características técnicas de primeira linha, que três das maiores encarroçadoras brasileiras completaram num programa de exportação para o Chile. Apresentou-nos também a opção não articulada, piso parcialmente rebaixado com chassis B7RLE. Exportaram 2100 unidades (B9S e B7RLE) para a cidade de Santiago, e aqui?



A Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, lançou (entre outras) duas normas, a NBR 15570 – “Especificações técnicas para fabricação de veículos de características urbanas para transporte coletivo de passageiros”, norma para fabricação de ônibus urbanos (antiga NBR14022) e a NBR 15646 para plataformas elevatórias e rampas para ônibus urbanos. Representando um grande avanço poderiam ser melhores, contudo. De qualquer forma as normas NBR15646 e NBR15570, lançadas em fevereiro de 2008 e janeiro de 2009 respectivamente, já nasceram compulsórias e isto é muito significativo, pois caso o fabricante não tenha o certificado do INMETRO[i] comprovando que atende realmente todos os requisitos da norma não poderá comercializar tal equipamento.



Em Curitiba temos visto acidentes terríveis, que podem ser explicados de diversas formas, talvez a mais evidente seja a fragilidade dos critérios técnicos de segurança no projeto, nas especificações construtivas e operacionais dos ônibus. Com surpresa notamos, há poucos anos, a degradação de especificações que pareciam consolidadas por aqui. Ônibus com motor dianteiro, layout ruim, características técnicas deploráveis apareceram assustando quem estudou o assunto.



Os ônibus são veículos pesados, disputando espaços com pedestres, ciclistas, motociclistas, automóveis, caminhões e outros coletivos, produzindo ruídos e gases, cumprindo, entretanto, uma função extremamente importante para todos, inclusive aqueles que não precisam do transporte coletivo urbano.



Existem aspectos que são próprios à Engenharia Mecânica, Arquitetura, Urbanismo, Processamento de Dados, Sociologia etc. que fazem de normas dessa espécie tema permanente de análise, ou seja, deveríamos discutir e avaliar sempre tudo o que a ABNT produz. Infelizmente isso não acontece com a intensidade desejável.



Felizmente tivemos a oportunidade de conhecer a Arquiteta e Enga. de Segurança Vera Lúcia de Campos Corrêa Shebalj (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná – IBAPE PR), membro atuante da ABNT, e retomar contato com o engenheiro Sérgio Yamawaki (DAIKEN), outro guerreiro a favor de boas normas técnicas e partícipe de grupos da ABNT. Com o time da Sociedad Peatonal, do Movimento do Passe Livre e outros amigos (UFPR, CREA, MP do PR, ONGs etc. e o trabalho sensacional da Gazeta do Povo) podemos, quem sabe, aprofundar esse debate que no FOMUS, grupo de discussão (internet) sobre mobilidade, ganhou intensidade surpreendente, graças à liderança dos engenheiros André Caon Lima e Roberto Ghidini.



Temos a convicção de que lutar pela boa mobilidade urbana é tema atual, adequado às teses de sustentabilidade, acessibilidade, dignidade, enfim.



E as Normas Técnicas sobre calçadas, ciclovias, ônibus, pisos etc., que grande entidade poderia oferecer um ambiente adequado para sua discussão em Curitiba?




Cascaes
3.9.2010


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[i] Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Inmetro - é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que atua como Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro), colegiado interministerial, que é o órgão normativo do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro).



Objetivando integrar uma estrutura sistêmica articulada, o Sinmetro, o Conmetro e o Inmetro foram criados pela Lei 5.966, de 11 de dezembro de 1973, cabendo a este último substituir o então Instituto Nacional de Pesos e Medidas (INPM) e ampliar significativamente o seu raio de atuação a serviço da sociedade brasileira.



No âmbito de sua ampla missão institucional, o Inmetro objetiva fortalecer as empresas nacionais, aumentando sua produtividade por meio da adoção de mecanismos destinados à melhoria da qualidade de produtos e serviços.



Sua missão é prover confiança à sociedade brasileira nas medições e nos produtos, através da metrologia e da avaliação da conformidade, promovendo a harmonização das relações de consumo, a inovação e a competitividade do País.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A mediocridade e o governo do estado

A mediocridade tem um pecado grave, não mostra custos definidos, é bem comportada, não se expõe.
Precisamos de bons governos. Se o Brasil engatinha dependendo do acasalamento de touros e vacas, galos e galinhas e sementes de cereais, se demoramos a sair da mesmice dos projetos antigos, apesar da sorte relativa de descobrir petróleo e gás lá no fundo do oceano, poderíamos estar muito além, melhor, mais competitivos e produtivos, com nosso povo feliz, sem depender de esmolas oficiais e da necessidade lamber seus sapatos.
Felizmente temos gente que pensa e trabalha, cria e planeja o futuro. Assim, sem citar a fonte, mostro a seguir a contribuição de um amigo que aprendi a respeitar ao longo dos anos, falando do Paraná, da Copel e de sua área de Telecomunicações e Informática:
Na área das telecomunicações, a COPEL tem hoje implementada a maior rede de fibras ópticas que não está sob o controle das operadoras, rede essa que continua crescendo.
O desafio, daqui para frente, é fazer com que essa rede produza, rápida e eficientemente, mais e melhores serviços de valor agregado para as pessoas e para as empresas. Nesse sentido, propõe-se que a COPEL, em conjunto com a UFPR, a FIEP e outras instituições, organismos e agentes, tanto públicos quanto privados, unam-se no sentido de que o Paraná, nos próximos 4 anos, possa se tornar o pólo de atração e desenvolvimento de conteúdos e aplicações inovadoras para as infovias.
Essa é uma proposta que a COPEL já está chamando de BEL-i9 e que deve ser levada adiante e impulsionada pela próxima gestão, pelo seu potencial de gerar renda e empregos qualificados, de atrair indústrias da era do conhecimento para o Estado, e, principalmente, de reduzir o chamado "custo Paraná", produzindo, por meio de conteúdos inovadores e aplicações, maior eficiência para os diferentes setores produtivos, da indústria, do comércio, de serviços em geral.
É muito claro que a COPEL é o motor do desenvolvimento do Paraná. Essa é a nossa cultura!
Todavia, vale destacar que, nos últimos 15 anos, a COPEL foi progressivamente perdendo sua característica técnica e adotando uma postura essencialmente financista. Como se uma empresa como ela existisse primordialmente para gerar caixa, ao invés de voltar-se, antes de tudo, para o desenvolvimento do Estado e melhoria da condição de vida dos paranaenses. Com essa postura, pode-se dizer que ela ficou "menos humana", colocando-se o dinheiro acima das pessoas e da sua missão desenvolvimentista.
Há 15 anos, a COPEL possuía várias dezenas de mestres e doutores, que estavam principalmente locados no Centro de Hidráulica (CEHPAR), no LACTEC (naquela época, "LAC"), no SIMEPAR e no LAME. Hoje, com a desvinculação dessas unidades contam-se nos dedos, de uma única mão, os doutores da COPEL.
Em plena era do conhecimento, a empresa regrediu para uma cultura fordista. De uma companhia que empreendia projetos arrojados, inovadores e importantes para o Estado, foi-se tornando uma "fábrica" eficiente, repetidora de metodologias e técnicas já existentes e bem conhecidas. Perdeu-se muito em criatividade, o espírito inovador, a cultura de empreender. E, como "fábrica", seus empregados mais qualificados foram sendo desprestigiados (inclusive salarialmente) e, progressivamente, substituídos pelos novos contratados, sem a mesma experiência, conhecimento e comprometimento.
O LACTEC (incluindo CEHPAR), SIMEPAR e LAME precisam ser retomados para o original controle da COPEL e da UFPR, como eram no início. Hoje, ficaram organismos "sem dono", portanto sujeitos a políticas e politicagens, o que jamais pode acontecer com unidades de excelência técnico-científica. Precisam voltar a oxigenar a empresa com novos conhecimentos e, especialmente, com a cultura que existia: a do empreendedorismo inovador voltado para o progresso do Paraná e dos paranaenses. Os laços com a UFPR devem ser estreitados, para que esses dois importantes organismos voltem juntos a produzirem desenvolvimento.
A COPEL deve voltar a atrair as melhores competências, os engenheiros e técnicos mais qualificados, que procurem a empresa e queiram permanecer nela, porque nela encontrarão ambiente adequado para se desenvolverem, sendo recompensados por salários dignos e compatíveis com sua qualificação e desempenho. [
Os copelianos remanescentes ainda carregam capacidade tecnológica e espírito pioneiro, e poderão auxiliar a próxima gestão do governo do Estado em várias frentes, independentemente de quem venha a ser o novo governador.

Para pensar.

Cascaes
2.9.2010

O perigo do transporte

A resolução do CONTRAN determinando a utilização de cadeirinhas especiais para crianças em automóveis é no mínimo intrigante. Muitos são os recursos modernos a favor da segurança em veículos e o CONTRAN centrou uma decisão até polêmica, diante dos resultados que os autores do livro Superfreakonomics (As cadeirinhas de crianças nos carros só servem até os dois anos, quando a criança é pequena e não cabe nos cintos normais. Depois, não há diferença estatística em termos de vidas salvas) destacam nos EUA. Lá a existência de piscinas em residências mostrou-se muitíssimo mais grave que a utilização ou não desse equipamento de segurança.
E se a segurança das crianças é importante, por quê não determiná-las em taxis, ônibus escolares e de transporte coletivo urbanos e interurbanos?
Considerando a intensidade da multa (7 pontos perdidos na carteira do motorista e R$ 191,54 de multa) pode-se imaginar a gravidade percebida pelos especialistas que a definiram. Insistindo, contudo, se é tão perigoso para uma criança ir sentada no banco de trás de um automóvel, se o cinto de segurança não é suficiente, por quê desprezam a segurança de crianças, jovens, adultos e idosos em ônibus urbanos?
A falta de coerência de nossas autoridades é preocupante. Temos situações de risco consideráveis. Em Curitiba, ilustrando, os ônibus que trafegam pelas canaletas (mão e contramão) podem atingir 60 km/h, o que significaria, num impacto frontal, 120 km/h de velocidade relativa, condição que certamente matará muita gente. Além disso, esses veículos em todas as cidades brasileiras, articulados ou não, competem com pedestres, ciclistas, motociclistas, taxistas e motoristas de carros e caminhões espaços cada vez mais reduzidos.
É louvável a preocupação do CONTRAN, devemos, contudo, perguntar:
E os ônibus? Será que dentro deles as crianças estarão mais seguras?
O Brasil é um país estranho. Nossa capital foi instalada no centro do país e lá funcionários já antigos em suas salas ditam regras para o Brasil inteiro. Essa centralização é perigosa. Aliás, gravíssima em todos os sentidos, a começar pela distribuição dos impostos que faltam aos municípios e estados, de onde saem montanhas de dinheiro que desaparecem em contas mágicas do Banco Central.
Segurança das crianças, quanto existe por fazer... Podemos começar pelas calçadas, pelas proteções que deveriam ter para que meninos e meninas não saíssem em direção às ruas sem pensar, na educação de motoristas e responsáveis por esses futuros adultos, na importância da direção segura a favor do pedestre, qualidade das calçadas, iluminação pública, desobstrução dos passeios etc.
No Brasil “a coisa” parece andar bem quando é para inventar custos e multas.
Precisamos repensar essas estratégias, talvez descentralizar leis que, se são ótimas para os funcionários federais em Brasília, talvez não sejam adequadas por aqui, onde, quem sabe, outras ações seriam amais eficazes, como, por exemplo, proibir radicalmente que motoristas e veículos precários dirijam seria lei severa.
Com bom senso o Brasil será melhor. Isso, contudo, dependerá muito de quem elegermos. Por isso é extremamente importante o voto consciente, a atenção nas qualidades de nossos candidatos. Nossos erros, eleitores, têm custado a vida de centenas de milhares de brasileiros...

Cascaes
1.9.2010

A decadência do transporte coletivo urbano de Curitiba

A capital paranaense teve momentos clássicos a favor de uma política de urbanismo inteligente. O arquiteto e ex-prefeito Jaime Lerner teve disposição para implantar as canaletas apesar da resistência feroz de muitos curitibanos assim como a criação de jardins lineares, que hoje poderiam ser avenidas à disposição para motoristas e suas corridas.
Na seqüência, quando Roberto Requião foi prefeito, definimos padrões técnicos para os ônibus, introduzimos a bilhetagem automática com fichas metálicas (inibindo trocas prejudiciais aos usuários), criou-se a frota pública, o pagamento por quilômetro foi implantado, o custo de gerenciamento (URBS) impedido de pesar na planilha de tarifas, os empresários deixaram de ser concessionários para virarem permissionários etc. Paralelamente já no início da instalação das canaletas tivemos as estações de integração e sempre a preocupação de se priorizar e melhorar o transporte coletivo.
As novas teses (mundiais) de urbanismo recomendam sistemas que reduzam a poluição e evitem o transporte motorizado individual. O transporte coletivo urbano está na moda e para regiões maiores até sistemas de trens suburbanos entram na pauta dos planejadores.
Infelizmente em Curitiba vivemos um período de decadência. A cidade foi dividida em três áreas de concessão travando a liberdade dos planejadores, os operadores assumiram compromisso de aumentar a velocidade média dos ônibus (pondo em risco maior a população, vide reportagem http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1042371&tit=Mais-um-onibus-desgovernado) e todas as lógicas de priorização do transporte coletivo gradativamente abandonadas.
São conceitos que podem ter amparo na redução do preço dos automóveis e conforto de quem pode usá-los e por efeito a falta de segurança do pedestre, desprezo pelas calçadas (péssimas), iluminação sem atenção ao ciclista ou caminhante, armadilhas por todo lado, e que encontram uma cidade saturada, sem espaços para mais veículos, principalmente carros para uso e lazer de motoristas de forma aleatória.
Precisamos convencer, mostrar, explicar, demonstrar ao povo curitibano que as atuais diretrizes são ruins, perigosas, inclusive.
Os acidentes com ônibus estão aparecendo nas estatísticas e podem ser autênticas tragédias. Motoristas estressados e veículos nem sempre adequados ao desafio de andar pela cidade ainda poderão aleijar ou matar muita gente que, ainda por luxo, caminha sobre calçadas péssimas e cheias de trambolhos.
Temos o projeto do metrô num trajeto pouco inteligente. Até nisso erraram. Para quê substituir a linha de superfície? Não seria mais lógico começar com um trajeto circular unindo terminais? Onde estão as pesquisas de origem e destino e as geológicas, de impacto ambiental etc. que recomendaram esse trajeto? Quem vai pagar o sistema?
Mais grave ainda a coisa parece para quem se criou em manutenção e operação de grandes instalações. Ainda não temos a empresa de metrô de Curitiba, ela não possui profissionais sendo preparados, acompanhando projetos e especificações, sendo treinada para a operação e manutenção das composições ferroviárias. Ou seja, começamos mal.
Concluindo vemos um quadro de irresponsabilidade assustador e desnecessário. Por quê?
Parabéns à Sociedad Peatonal e ao Movimento Passe livre, pelo menos temos um grupo de especialistas e cidadãos protestando, denunciando questões que deveriam ser melhor discutidas. Só lamentamos a ausência forte, enérgica, decidida de outras entidades.
Precisamos de todos nessa luta por um futuro melhor para o povo de Curitiba e sua Região Metropolitana.

Cascaes
1.9.2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Engenharia e Arquitetura e a ousadia

Qualquer cidadão deseja estabilidade, segurança, ou pelo menos essa é a vontade de muitas pessoas que estudam, trabalham, vivem dentro de seus padrões pré-fixados. Pode-se acreditar que a imensa maioria realmente gosta de viver confortavelmente, só arriscando o suficiente para sentir “adrenalina”, como ouvimos principalmente entre os jovens.

Um perigo é o excesso de timidez, ou virtude, dependendo do potencial de cada um. Obviamente não podemos querer que patos cantem feito canários e tartarugas saiam voando. De qualquer forma, se Darwin estava certo, foi o que aconteceu ao longo da história dos seres vivos sobre a Terra. De alguma forma seus ancestrais estimularam ou foram submetidos a mudanças e gradativamente ganharam aptidões extraordinárias.

Se as mudanças morfológicas consomem milhões ou bilhões de anos, alterar comportamentos é mais fácil, desde que saibamos estimular atitudes e reações. Durante uma semana, dois eventos vinculados ao CONFEA (Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010, discutiram a situação desses profissionais no Brasil e o cenário brasileiro. Nesse período tivemos a oportunidade de ouvir pessoas extraordinárias, entre elas o Dr. diretor geral da Brainstorming, Raul José dos Santos Grumbach, que, falando sobre “Cenários Prospectivos para o Brasil”, disse, entre outras coisas, evidentemente com os riscos da estimativa de cenários:



• as 10 profissões que serão indispensáveis em 2015 nem sequer existem em 2010;

• estamos preparando estudantes para profissões que nem existem, que usarão tecnologias que ainda não foram inventadas para resolver problemas que ainda nem sabemos que existem;

• estima-se que o conhecimento humano esteja dobrando a cada 72 horas;

• há previsões de que em 2022 haverá um supercomputador que excederá a capacidade computacional de um cérebro humano;

• em 2050 um computador de U$$ 1.000,00 excederá a capacidade computacional da humanidade;

Perguntando:

• qual será o perfil do Engenheiro do futuro?

• Em que grau a tecnologia substituirá o atual papel do Arquiteto, Agrônomo, Engenheiro, Tecnólogo, Médico, Professor etc.

Ou seja, quando vemos discussões bizantinas em torno de atribuições de profissionais, tipos de diploma e outras questões clássicas podemos estar esquecendo o futuro próximo, já nem distante.

Obviamente nada impede que simplesmente enfiemos a cabeça em algum buraco e façamos promessas e rezas para termos um futuro garantido, melhor. Isso acontecerá se continuarmos a ter como principal preocupação o resultado da Copa do Mundo ou gastarmos nossas energias para descobrir as delícias de algum vinho.

Sim, até a alienação é possível, pois felizmente alguns pensam, trabalham e lutam para que todos tenham uma vida melhor.

Queremos, apesar de toda a alienação de muitos, uma vida melhor. Diante dos tremendos desafios e oportunidades que aparecem, é tempo de aprofundarmos discussões sobre Engenharia, Arquitetura, Urbanismo, Mobilidade, Acessibilidade, sobrevivência, a vida, enfim.

Está aí um bom desafio para o CONFEA, CREAs, IAB, Universidades etc.

O Brasil não pode perder mais esse “bonde” com atavismos que já nos custaram muito caro. Com certeza nos centros mais desenvolvidos o futuro está sendo construído.



Cascaes

31.9.2010



Engenheiros, arquitetos e acessibilidade no CONFEA

Algo extremamente preocupante acontece quando participamos de eventos nacionais sem atenção forte a questões de respeito ao cidadão, à sua dignidade, aos direitos humanos. Temos assuntos que a grande mídia escolheu para “mexer” com os brasileiros, com certeza os direitos das pessoas com deficiências (PcD) não são prioritários ou careceram de destaques fortes, contínuos e eficazes. O resultado é a perda de sensibilidade para questões relativas ao ser humano em geral.

Os governos e parlamentares fizeram sua parte, temos leis. Eles mesmos, contudo, arrefeceram suas ações diante da visão de neutralidade de uma nação jovem, ainda longe de problemas que poderão adquirir por doenças, acidentes ou simples envelhecimento.


Durante uma semana, dois eventos vinculados ao CONFEA[i], a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010, discutiram a situação desses profissionais no Brasil e o cenário brasileiro. Nesse ambiente reafirmou-se o apagão técnico que nosso país enfrentou nessas duas últimas décadas. Talvez pior que isso foi o desmanche de sentimentos de cidadania, o desvirtuamento de prioridades sociais (agora a moda é CO2 e floresta amazônica) e a alienação espantosa de nossas lideranças.


Nesse evento do CONFEA tivemos um Fórum da Mulher, poderia ser melhor, e nada exceto a atuação digna e merecedora de destaque do CREA do MS submetendo voluntários à utilização de cadeiras de rodas, vendas e bengalas. O tema “Acessibilidade” merece mais. Nesse congresso poderíamos ter, por exemplo, melhor uso para os telões, onde “closed caption” permitiria maior compreensão das palavras dos palestrantes e, paralelamente, tradutores em LIBRAS estariam no palco fazendo tradução simultânea. Cadeiras adequadas para obesos e melhor assistência aos idosos seria algo justo, até pela enorme quantidade de cabeças brancas.

O que não é privilégio deste evento é a omissão em relação às PcD.

O que constrange é saber que algo desta magnitude, reunindo profissionais que afetarão a vida de todos os brasileiros, não demonstrou de forma explícita, forte, cabal e marcante a importância do mútuo respeito e a importância da acessibilidade.

O próximo evento, a 68ª. SOEAA acontecerá em Florianópolis no próximo ano. Os CREAS devem construir propostas, levar teses, defender causas nesse evento. Nossa esperança é a de que tenhamos avanços significativos em questões sociais, até porque elas afetam profundamente o planejamento e manutenção de cidades, prédios, clubes, repartições públicas, fábricas etc.

Está na hora de nossos arquitetos e engenheiros se convencerem de que precisam dar atenção maior aos idosos, às PcD, às crianças. Vivemos num país em que os acidentes são espantosamente numerosos e trágicos por erros colossais de concepção, projeto, construção e manutenção de calçadas a ônibus, arenas a clubes, ruas a calçadas, habitações populares a condomínios de luxo etc., enfim, a muita coisa que poderia ser melhor, afinal tecnologia para isso existe. É só querer. Aí, contudo, nosso drama: nossos líderes têm consciência disso e amam seu povo?

Teremos eleições, vamos eleger presidente da República, governadores, parlamentares e, em nosso nível profissional, presidentes de CREAS e do CONFEA. Quais são as propostas e prioridades dos candidatos?

Cascaes
31.8.2010

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[i] O Confea surgiu oficialmente com esse nome em 11 de dezembro de 1933, por meio do Decreto nº 23.569, promulgado pelo então presidente da República, Getúlio Vargas e considerado marco na história da regulamentação profissional e técnica no Brasil.

Em sua concepção atual, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia é regido pela Lei 5.194 de 1966, e representa também os geógrafos, geólogos, meteorologistas, tecnólogos dessas modalidades, técnicos industriais e agrícolas e suas especializações, num total de centenas de títulos profissionais.

O Confea zela pelos interesses sociais e humanos de toda a sociedade e, com base nisso, regulamenta e fiscaliza o exercício profissional dos que atuam nas áreas que representa, tendo ainda como referência o respeito ao cidadão e à natureza.

Em seus cadastros, o Sistema Confea/Crea tem registrados 900 mil profissionais que respondem por cerca de 70% do PIB brasileiro, e movimentam um mercado de trabalho cada vez mais acirrado e exigente nas especializações e conhecimentos da tecnologia, alimentada intensamente pelas descobertas técnicas e científicas do homem.

O Conselho Federal é a instância máxima à qual um profissional pode recorrer no que se refere ao regulamento do exercício profissional.

http://www.confea.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=140&pai=4&sub=21

João Batista Lopes e o Ulisses - Piauí





Jary Castro

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Esperança de renascimento da Engenharia

Durante uma semana, dois eventos vinculados ao CONFEA, a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010 discutiram a situação desses profissionais no Brasil e o cenário brasileiro. Vimos e ouvimos com dados e fatos a decadência da aplicação das ciências exatas em nosso país e o apagão que ameaça inúmeras obras programadas. Chegamos a temer pelo resultado de muitos projetos em perspectiva, pois as profissões “engenheiro”, “Arquiteto” e “Agrônomo” perderam valor e deixaram de atrair inúmeros jovens, levando outros para países distantes e fazendo-nos regredir tecnicamente.

Duas décadas tenebrosas de ajustes econômicos e leis mal feitas mataram empresas de projetos, demoliram boas empreiteiras e indústrias e agora fazem falta na perspectiva de retomada do crescimento. As escolas dedicadas a essas profissões se esvaziaram. Não temos instituições bem equipadas nem para formar profissionais quanto mais para fiscalizar efetivamente suas atividades. Os indícios estão por aí em acidentes inexplicáveis e na falta absoluta de infraestrutura. Podemos dizer que alguns serviços não entraram em colapso total, mas também devemos lembrar que regressões econômicas e dilúvios salvaram a imagem de governos que teriam morrido na praia, desmoralizados pela inépcia.

Os problemas não são pequenos. Estradas saturadas, cidades engarrafadas, falta de segurança, saneamento básico, portos e aeroportos etc., uma coleção de equívocos gravíssimos piorados pela má qualidade de gestão técnica tem sido a tônica até de empresas privadas.

Caímos no discurso falso da compressão de tarifas (sem redução de impostos), preços impossíveis e péssimas especificações, leis tão mal feitas quanto a 8666 (carente de bons critérios na sua regulamentação) de modo a se evitar opções erradas...

A legislação ambiental, ineficaz e mal formulada, atrapalha e não impede o pior.

De qualquer modo parece que, pelo menos para agradar os cartolas da Copa do Mundo, teremos projetos de grande porte, mais ainda com as imensas usinas hidrelétricas em construção e algumas ferrovias e ajustes em rodovias e portos.

Estamos, contudo, carentes de bons profissionais.

E agora José?

Baixaram salários, aviltaram os postos de trabalho de engenheiros, arquitetos e agrônomos, desmotivaram carreiras, esvaziaram escolas. A lógica do leilão imperou. Ganhava serviço quem se dispusesse a fazer o que o contratante quisesse, ao preço que determinasse. É fácil de descobrir obras mal feitas, algumas extremamente perigosas. Valeu comprar vagão usado, queimar dormentes, asfaltar de qualquer jeito, fazer de conta que administravam... A relação de desmandos é gigantesca, só não é crime porque podem ser classificadas como simples atos ridículos de pessoas despreparadas em funções para as quais não estavam formadas.

Felizmente teremos eleições. Nossos eleitores deveriam estar muito atentos a tudo isso.

Lamentamos que muitos discursos e afirmações feitos na 67ª. SOEAA e 7ª. CNP não sejam divulgados pela grande imprensa. Além de mostrar a omissão de muitos líderes, que tiveram a responsabilidade da defesa do exercício da profissão em cargos específicos a esse fim, serviriam para alertar nossos eleitores para a necessidade de maior cuidado ao elegerem seus governantes e representantes.

Cascaes

30.7.2010

Grilos políticos e dúvidas homéricas

O noticiário é ufanista. O Brasil vai bem. A Petrobras mergulha no oceano enquanto a agroindústria mostra os resultados de décadas de trabalho árduo. As montadoras, multinacionais, faturam alto e oferecem carros interessantes enquanto a construção civil retoma cadência positiva.

Nunca tantos brasileiros viram um processo de desenvolvimento provavelmente tão firme e seguro quanto agora. Pagamos caro por tudo isso, mas a teimosia do Presidente em sustentar um programa econômico polêmico mostra seus resultados.

Os índices de aceitação do Governo Federal são brilhantes. A simpatia do povo pelo Presidente Lula mostra que, apesar do Mensalão, ele teve competência para cativar a nação. Tivemos tantos governos ruins e alguns simplesmente desastrados que algum sucesso nas contas externas e maior carinho pelo povo já deixa nossa gente feliz.

Teremos eleições e o comando da nação mudará dentro de desafios consideráveis. O mundo ocidental quebrou graças a grupos empresariais criminosos. Gente absolutamente sem escrúpulos e com o poder que seus bancos gigantescos permitiam demoliu economias. No Brasil o estrago não foi maior porque aqui, via spreads absurdos e reservas saudáveis garantimos qualquer loucura.

Sim, estamos bem. Afinal o Brasil é um país colossal subexplorado economicamente. Pode muito mais. Temos espaços e riquezas naturais imensuráveis. Talvez por isso sentimos fortemente a atuação de grupos internacionais querendo demolir o Brasil. Sob cândidos pretextos temos conveniências brutais. Querem fazer da nossa terra espaço para guerras étnicas e raciais, já que as ideologias se desmoralizaram ao longo de décadas frustradas por caudilhos e lideranças totalitárias.

Vamos votar, em quem?

A mensagem é o “voto consciente”. Isso pressupõe conhecer bem os candidatos. O que nos assusta é lembrarmos de quantas formas fomos enganados, ludibriados pelos eleitos. Gafanhotos, fantasmas e outras “coisas” estão aí, num noticiário que perigosamente já não nos surpreende. Nosso povo facilmente se deixa inebriar com Copas e taças e esquece que as contas aparecerão, mais cedo ou tarde.

Felizmente, contudo, fugimos das taras neoliberais, do preciosismo conceitual dos ideólogos do dinheiro e o Estado Brasileiro investe pesado. Ferrovias, portos, estradas, hidroelétricas etc., com ou sem participação do povo, mas usando recursos do BNDES (dinheiro do povo) e de fundações, apoiando alguns grupos empresariais que nunca souberam usar outro tipo de dinheiro, dão ao Brasil uma cara nova. E podem muito mais. A Copel, por exemplo, a holding e sua fundação podem investir muito no Paraná. Projetos rentáveis interessam a acionistas, minoritários ou não, e o Paraná carece de boa infraestrutura...

Estamos numa boa fase, o dilema será eleger, escolher bem. Precisamos de governantes que tenham e apliquem bons critérios para escolha de seus ministros e projetos. Que saibam exercer seus mandatos a favor do povo e que não criem fantasias inúteis.

É bom sonhar com a hipótese de termos bons governos, merecemos.



Cascaes

30.8.2010