terça-feira, 21 de setembro de 2010
PcD, Ética e Política
O dia 21 de setembro[i] é o DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA[ii], infelizmente ainda necessário num país em que muitas lideranças instrumentalizaram o idoso e o deficiente, cobrando verbas para sustentação de projetos e fazendo favores em troca de votos. Criado por efeito da Lei Federal 11.1133 de 14 de julho de 2005 (mas realmente inventado em 1982) é mais uma lembrança a todos que existem pessoas com restrições motoras, sensoriais, mentais ou uma combinação dessas limitações, como sói acontecer aos idosos à medida que avançam na idade.
Ética, quando queremos aplicar suas bases filosóficas, e são muitas e diversas, é um “conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade” (Houaiss – Dicionário Digital). Ou seja, pode ser muita coisa, sempre em função da época e cultura de um povo ou de alguma corporação ou segmento, até o elemento único, o ser humano. Estrutura-se em torno de interesses e teorias nem sempre saudáveis ao conjunto e ao próprio indivíduo.
A Política é a arte de governar e de conquista de poderes para tanto.
Estamos em processo de campanha política. Que interesses movem nossos candidatos e seus queridos partidos? Qual é a “ética de governo”?
Voltando ao tema inicial, o DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, notamos que em Curitiba começou sob trovões. Seria um protesto Divino? Temos, de fato, preocupação legítima de nossos governantes e parlamentares (salvo raras e belas exceções) com as PcDs, os idosos, as pessoas doentes (transitoriamente PcDs ou lesadas permanentemente)?
A decisão de se fazer a Copa do Mundo de 2014 no Brasil mostrou uma falha ética monumental entre nossos administradores públicos. De repente tudo se tornou possível. Para termos a oportunidade de ver jogos que nem sabemos quais serão durante duas semanas, em Curitiba, jogamos no lixo até o planejamento urbano integrado, amplo, geral. Vimos, por exemplo, a oferta absurda de espaços para mais ruas verticais (Solo Criado) sem grande preocupação com os efeitos dessa decisão, isso numa cidade que já dá mostras eloqüentes de imobilidade no trânsito de veículos.
Prioridades, nossos políticos estão certos? Por quê esse tema não é debatido com vigor? Seria a famosa ética política a responsável pelo quase silêncio, apenas murmúrios de perplexidade? Faz parte do jogo político ver os adversários se afogarem em seus projetos? Ou pura vaidade de constar de alguma lista da FIFA?
Felizmente temos a imprensa livre mostrando sistematicamente a incoerência em torno dessa questão.
Com certeza existem questões mais importantes do que receber turista durante um mês. Algumas empreiteiras ganharão muito. Restaurantes, hotéis etc. vão faturar nesse mês da Copa. Vamos torcer para termos turistas ricos. O Faustão vai poder fazer o “torpedo patriótico” louvando as virtudes de uma nação de sorvetões a serviço de um grande negócio de gente internacional. Depois é só pagar a conta...
Aliás, o futebol clássico está deixando de ser um esporte para virar um teatro ou cinema, dependendo da forma como é visto (no estádio ou em casa diante de algum televisor). Os espaços para a garotada praticar o que era um esporte popular estão acabando. Nem em frente à casa isso já é possível, as ruas se transformaram em pistas de corrida. As várzeas se transformaram em favelas, avenidas ou parques.
Sim, precisamos de ética, ética sensata e a favor de pessoas que realmente precisam de governo. Será que avançaremos um pouco nessas eleições ou simplesmente referendaremos esse estado de miséria intelectual? Enquanto isso falta dinheiro até para arrumar ponto de embarque de ônibus e mudanças na lógica administrativa das calçadas. As PcD e os idosos que não têm carro que fiquem em casa...
Cascaes
21.9.2010
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[i] http://www.cedipod.org.br/dia21.htm
[ii] DIA NACIONAL DE LUTA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Nós, pessoas com deficiência, vimos a público neste nosso Dia Nacional de Luta, refletirmos juntos com a sociedade sobre alguns aspectos.
No Brasil, segundo o IBGE, 14,5% da população tem algum tipo de deficiência (algo em torno de 24,5 milhões de pessoas). Os nossos direitos estão garantidos na Constituição Federal de 1988 e temos uma das legislações mais avançadas sobre os direitos das pessoas com deficiência, das quais citamos algumas:
Lei Federal nº 7.853, de 24/10/1989, dispõe sobre a responsabilidades do poder público nas áreas da educação, saúde, formação profissional, trabalho, recursos humanos, acessibilidade aos espaços públicos, criminalização do preconceito.
Lei Federal nº 8.213, 24/07/1991, dispõe que as empresas com 100 (cem) ou mais empregados devem empregar de 2% a 5% de pessoas com deficiência.
Lei Federal nº 10.098, de 20/12/2000, dispõe sobre acessibilidade nos edifícios públicos ou de uso coletivo, nos edifícios de uso privado, nos veículos de transporte coletivo, nos sistemas de comunicação e sinalização, e ajudas técnicas que contribuam para a autonomia das pessoas com deficiência.
Lei Federal nº 10.436, 24/04/2002, dispõe sobre o reconhecimento da LIBRAS-Língua Brasileira de Sinais para os Surdos
Estes avanços naturalmente não nos “caíram do céu”, foram frutos de muita luta e enfrentamentos e muita vontade de transformar. Muito há que se fazer, para que estas leis saiam do papel fazendo de nós cidadãos.
Conselho Municipal da Pessoa Deficiente/SP
Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes-MDPD
Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos-FENEIS
Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes-FCD/SP
Assoc. dos Funcionários do Grupo Santander/Banespa-AFUBESP
http://www.portadeacesso.com/artigos_leis/informativos/21_set.htm
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Prioridades – quais? Eleger quem?
Talvez algo que não seja muito agradável, mas sempre necessário, é decidir em cima de prioridades analisadas, ponderadas e objetivas. Habitualmente agimos intuitivamente, até porque seria impossível parar todo instante para avaliações do passo seguinte.
Algumas decisões, contudo, precisam ser bem pensadas, pois terão reflexo sobre o resto da vida. Isso vale em todas as esferas de existência do ser humano, sendo causa de sucesso se lógicas sensatas nortearem sua vida.
A Organização das Nações Unidas tem feito um grande esforço para chamar atenção ao que deve ser visto de forma prioritária pelos governos e seus eleitores. No Paraná a FIEP, sob o comando do Dr. Rodrigo da Costa Rocha Loures, abraçou essas questões, que se refletiram no engajamento de sua entidade na promoção das Metas do Milênio dentro dos ODM. No CIETEP inúmeros eventos sistematicamente levantam temas que alertam para a necessidade de atenção de todos, empresários e empregados, estudantes e professores, funcionários e políticos etc. para a importância de propostas universais, humanas. Naturalmente a ONU evolui e outros indicadores aparecem, o fundamental é que se coloca a necessidade de atenção para o que fazer.
O desafio passa a ser: quando, como, quanto, onde, quem, fonte de recursos etc.
Decidir e viabilizar é um problema monumental num país que, por diversas razões, desenvolveu-se mal, apesar da hipotética boa qualidade de alguns de seus governantes. Erramos demais e o resultado é fácil de ser visto. Nossos indicadores sociais são assustadores.
A “Times Higher Education (THE, http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings)” apresentou uma classificação[i] de universidades em que ficamos feio na tabela, mas poderíamos facilmente prescindir dessas avaliações simplesmente observando a situação de nossos alunos e escolas até a poucos anos.
Exemplificando: em janeiro de 1964 ingressei numa escola de Engenharia (Instituto de Eletrotécnica de Itajubá) cujos professores tinham seus salários atrasados. Federal, era a opção de um catarinense para ser engenheiro eletromecânico. Saí de Santa Catarina (que não tinha nenhuma escola similar, ou pior, não tinha universidades) para estudar em Minas Gerais. O Brasil simplesmente vivia paralisado em disputas políticas enquanto o povo, de modo geral, sobrevivia em atividades primárias.
Felizmente o Brasil mudou muito nesse meio século, apesar da tremenda crise econômica e da instabilidade política. Temos escolas precárias e boas, mas já as temos. Também existem exceções e alguns estados já podem se orgulhar da qualidade do ensino público e privado, que devem, acima de tudo, ter no Primeiro Grau uma base universalizada e de excelência.
Um povo bem preparado, com um grau de escolaridade e cultura de bom nível, certamente saberá votar e escolher bem seus candidatos, formar partidos políticos consistentes, programas e ações eficazes para poder evoluir e escolher suas prioridades com critério e maturidade.
Teremos eleições dentro de poucos dias. Quem iremos eleger?
Precisamos de governantes sérios, honestos, bem preparados. Isso não significa a necessidade do candidato apresentar uma coleção de diplomas. Tivemos péssimos governos apesar do grau de escolaridade que traziam. A probabilidade, contudo, de enfrentarmos com sucesso os desafios do século 21 depende muito da formação acadêmica, inteligência e competência dos futuros eleitos, ou seja, não podemos errar nem cair sob em governos simplórios. Educação, Segurança, Energia, Transporte, Saúde... com Sustentabilidade física e moral é o que precisamos.
Vamos cobrar de nossos candidatos a revelação de suas prioridades e projetos. Antes de apertar as teclas da urna eleitoral impõe-se avaliar a sustentabilidade de suas teses diante dos problemas ambientais e sob o prisma da honestidade, seriedade e competência.
Votar certo é o pouco que a Democracia exige de todos nós.
Cascaes
20.9.2010
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[i] http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:rjFJUeZVV9AJ:www.estadao.com.br/noticias/vidae,sem-surpresa-harvard-lidera-ranking-de-universidades,610820,0.htm+classifica%C3%A7%C3%A3o+de+universidades+mundial&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
Algumas decisões, contudo, precisam ser bem pensadas, pois terão reflexo sobre o resto da vida. Isso vale em todas as esferas de existência do ser humano, sendo causa de sucesso se lógicas sensatas nortearem sua vida.
A Organização das Nações Unidas tem feito um grande esforço para chamar atenção ao que deve ser visto de forma prioritária pelos governos e seus eleitores. No Paraná a FIEP, sob o comando do Dr. Rodrigo da Costa Rocha Loures, abraçou essas questões, que se refletiram no engajamento de sua entidade na promoção das Metas do Milênio dentro dos ODM. No CIETEP inúmeros eventos sistematicamente levantam temas que alertam para a necessidade de atenção de todos, empresários e empregados, estudantes e professores, funcionários e políticos etc. para a importância de propostas universais, humanas. Naturalmente a ONU evolui e outros indicadores aparecem, o fundamental é que se coloca a necessidade de atenção para o que fazer.
O desafio passa a ser: quando, como, quanto, onde, quem, fonte de recursos etc.
Decidir e viabilizar é um problema monumental num país que, por diversas razões, desenvolveu-se mal, apesar da hipotética boa qualidade de alguns de seus governantes. Erramos demais e o resultado é fácil de ser visto. Nossos indicadores sociais são assustadores.
A “Times Higher Education (THE, http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings)” apresentou uma classificação[i] de universidades em que ficamos feio na tabela, mas poderíamos facilmente prescindir dessas avaliações simplesmente observando a situação de nossos alunos e escolas até a poucos anos.
Exemplificando: em janeiro de 1964 ingressei numa escola de Engenharia (Instituto de Eletrotécnica de Itajubá) cujos professores tinham seus salários atrasados. Federal, era a opção de um catarinense para ser engenheiro eletromecânico. Saí de Santa Catarina (que não tinha nenhuma escola similar, ou pior, não tinha universidades) para estudar em Minas Gerais. O Brasil simplesmente vivia paralisado em disputas políticas enquanto o povo, de modo geral, sobrevivia em atividades primárias.
Felizmente o Brasil mudou muito nesse meio século, apesar da tremenda crise econômica e da instabilidade política. Temos escolas precárias e boas, mas já as temos. Também existem exceções e alguns estados já podem se orgulhar da qualidade do ensino público e privado, que devem, acima de tudo, ter no Primeiro Grau uma base universalizada e de excelência.
Um povo bem preparado, com um grau de escolaridade e cultura de bom nível, certamente saberá votar e escolher bem seus candidatos, formar partidos políticos consistentes, programas e ações eficazes para poder evoluir e escolher suas prioridades com critério e maturidade.
Teremos eleições dentro de poucos dias. Quem iremos eleger?
Precisamos de governantes sérios, honestos, bem preparados. Isso não significa a necessidade do candidato apresentar uma coleção de diplomas. Tivemos péssimos governos apesar do grau de escolaridade que traziam. A probabilidade, contudo, de enfrentarmos com sucesso os desafios do século 21 depende muito da formação acadêmica, inteligência e competência dos futuros eleitos, ou seja, não podemos errar nem cair sob em governos simplórios. Educação, Segurança, Energia, Transporte, Saúde... com Sustentabilidade física e moral é o que precisamos.
Vamos cobrar de nossos candidatos a revelação de suas prioridades e projetos. Antes de apertar as teclas da urna eleitoral impõe-se avaliar a sustentabilidade de suas teses diante dos problemas ambientais e sob o prisma da honestidade, seriedade e competência.
Votar certo é o pouco que a Democracia exige de todos nós.
Cascaes
20.9.2010
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[i] http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:rjFJUeZVV9AJ:www.estadao.com.br/noticias/vidae,sem-surpresa-harvard-lidera-ranking-de-universidades,610820,0.htm+classifica%C3%A7%C3%A3o+de+universidades+mundial&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
E os jovens?
A lógica neoliberal procura transmitir a todos que somos descartáveis, material de consumo e que o mundo é terra do “cada um por si e Deus por todos”. Essa mensagem subliminar se sustentava com o sucesso de um país que aprendeu a explorar a humanidade e afundou querendo ganhar dinheiro demais à custa do seu próprio povo. A esperteza da era Bush, infelizmente, custou muito caro aos nossos irmãos do norte, em todos os continentes. No hemisfério sul o egoísmo é atávico, não surpreendeu, mas aqui a motivação da violência é o mandonismo arbitrário, o prazer sádico do exercício do poder.
No caudilhismo esquerdista temos a alternativa latino-americana, o Governo totalitário, incapaz de gerar um povo inovador, criador, empreendedor. Nesse estilo de dominação vimos situações antológicas (sem ofensa às antas) no Brasil e no Paraná. Perplexos, testemunhamos espetáculos de deboche de pessoas trabalhadoras, sem maior preocupação dos grandes caciques que demonstrar autoridade até sobre indivíduos bem colocados na hierarquia de poder. As ofensas não se limitaram aos meio fortes. Nossa legislação para o inquilino, por exemplo, mudou draconianamente e ninguém protestou (incrível o grau de castração do nosso povo). Aposentado? Que morra! Seguros? Taxas em cima dos trouxas... Pretensos projetos sociais aos poucos se revelam autênticos pesadelos para seus beneficiários. O cidadão comum, quanto mais pobre, mais se transforma em estatística. Solução? Esmolas oficiais mal feitas...
O lucro é a meta (para o Estado a Receita Fiscal e o lucro das estatais). As empresas se viram para mostrar balanços favoráveis. Seja ao custo de “enxugamentos” ou limitações em investimentos e custeios, o fundamental é exibir-se bem para a banca internacional e o cassino entre jogadores de Bolsa; até cafezinho cortaram em companhias que tradicionalmente cuidavam bem de seus “colaboradores”, eufemismo inventado pelos consultores em administração.
Problemas gravíssimos de infraestrutura, por exemplo, foram “empurrados com a barriga” e a incompetência administrativa do ponto de vista técnico tornou-se flagrante. Em dois congressos e seminários vimos isso com exaltação, emoção e tristeza.
Dois eventos vinculados ao CONFEA (Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizados em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010 e o seminário nacional “Investimento Público: análise e perspectiva”, promovido pelo FISENGE, DIEESE e SENGE-PR com o apoio do IPEA e CREA-PR (9 de julho de 2010, vide blog http://economia-engenharia-e-brasil.blogspot.com/ ) mostraram isso com todas as letras.
Questões importantíssimas foram deixadas para mais tarde, colocando nossas grandes concessionárias, COPEL, por exemplo, sob riscos institucionais diante da inação de muita gente, que deveria ter batalhado para resolver as incoerências de leis mal feitas e decisões equivocadas. Em Curitiba, no desprezo pela opinião pública (devemos ser idiotas na visão desses “administradores”) chegamos ao absurdo de desmontar uma boa lógica técnica em torno do transporte coletivo urbano com uma licitação para outorga de concessões inacreditavelmente mal conduzida e o lixo da RMC será o pesadelo a ser resolvido após as eleições (assim como as tarifas dos ônibus). A solução do que poderia ser fácil, a Copa do Mundo, vê todos os prazos esgotados pela incapacidade de descobrirem alternativas a propostas inaceitáveis. Incrível!
Mas, e os jovens?
Num evento no IEP alguém experiente em política perguntou, e os jovens? Só vimos cabeças brancas.
Sim, e os jovens? Teriam disposição para fugir a seus afazeres domésticos e lutar por ideais que ao longo dos últimos anos foram demolidos sistematicamente?
Felizmente nosso povo é muito diferente daqueles que Hannah Arendt descreve em seu livro (Origens do Totalitarismo, 2007) e simplesmente se afasta de processos políticos que não o atraem após tantas frustrações e vivência em empresas com espírito primário. Se a garotada prefere lutar pelo futebol é na falta de empolgação em torno de um processo político que, no geral, mostrou-se sórdido, hipócrita e agressivo. Ou quem sabe, a ausência dos jovens aconteça porque dentro das grandes empresas não viram ambiente para exercitarem a cidadania, algo que as nossas universidades inibiram na esteira de lógicas repressivas do período militar...
Se queremos um Brasil melhor precisamos empolgar, cativar, reeducar os jovens. Eles são (para nós mais velhos sempre garotos e garotas) e serão o futuro do Brasil. Queremos ver garotos jovens e adultos imberbes empunhando bandeiras sociais, gritando, falando de política. Essa será a vacina contra maus governos e novas ditaduras.
Vale a dúvida, contudo: será que estamos educando de forma correta nossos filhos e netos?
Cascaes
14.9.2010
No caudilhismo esquerdista temos a alternativa latino-americana, o Governo totalitário, incapaz de gerar um povo inovador, criador, empreendedor. Nesse estilo de dominação vimos situações antológicas (sem ofensa às antas) no Brasil e no Paraná. Perplexos, testemunhamos espetáculos de deboche de pessoas trabalhadoras, sem maior preocupação dos grandes caciques que demonstrar autoridade até sobre indivíduos bem colocados na hierarquia de poder. As ofensas não se limitaram aos meio fortes. Nossa legislação para o inquilino, por exemplo, mudou draconianamente e ninguém protestou (incrível o grau de castração do nosso povo). Aposentado? Que morra! Seguros? Taxas em cima dos trouxas... Pretensos projetos sociais aos poucos se revelam autênticos pesadelos para seus beneficiários. O cidadão comum, quanto mais pobre, mais se transforma em estatística. Solução? Esmolas oficiais mal feitas...
O lucro é a meta (para o Estado a Receita Fiscal e o lucro das estatais). As empresas se viram para mostrar balanços favoráveis. Seja ao custo de “enxugamentos” ou limitações em investimentos e custeios, o fundamental é exibir-se bem para a banca internacional e o cassino entre jogadores de Bolsa; até cafezinho cortaram em companhias que tradicionalmente cuidavam bem de seus “colaboradores”, eufemismo inventado pelos consultores em administração.
Problemas gravíssimos de infraestrutura, por exemplo, foram “empurrados com a barriga” e a incompetência administrativa do ponto de vista técnico tornou-se flagrante. Em dois congressos e seminários vimos isso com exaltação, emoção e tristeza.
Dois eventos vinculados ao CONFEA (Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizados em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010 e o seminário nacional “Investimento Público: análise e perspectiva”, promovido pelo FISENGE, DIEESE e SENGE-PR com o apoio do IPEA e CREA-PR (9 de julho de 2010, vide blog http://economia-engenharia-e-brasil.blogspot.com/ ) mostraram isso com todas as letras.
Questões importantíssimas foram deixadas para mais tarde, colocando nossas grandes concessionárias, COPEL, por exemplo, sob riscos institucionais diante da inação de muita gente, que deveria ter batalhado para resolver as incoerências de leis mal feitas e decisões equivocadas. Em Curitiba, no desprezo pela opinião pública (devemos ser idiotas na visão desses “administradores”) chegamos ao absurdo de desmontar uma boa lógica técnica em torno do transporte coletivo urbano com uma licitação para outorga de concessões inacreditavelmente mal conduzida e o lixo da RMC será o pesadelo a ser resolvido após as eleições (assim como as tarifas dos ônibus). A solução do que poderia ser fácil, a Copa do Mundo, vê todos os prazos esgotados pela incapacidade de descobrirem alternativas a propostas inaceitáveis. Incrível!
Mas, e os jovens?
Num evento no IEP alguém experiente em política perguntou, e os jovens? Só vimos cabeças brancas.
Sim, e os jovens? Teriam disposição para fugir a seus afazeres domésticos e lutar por ideais que ao longo dos últimos anos foram demolidos sistematicamente?
Felizmente nosso povo é muito diferente daqueles que Hannah Arendt descreve em seu livro (Origens do Totalitarismo, 2007) e simplesmente se afasta de processos políticos que não o atraem após tantas frustrações e vivência em empresas com espírito primário. Se a garotada prefere lutar pelo futebol é na falta de empolgação em torno de um processo político que, no geral, mostrou-se sórdido, hipócrita e agressivo. Ou quem sabe, a ausência dos jovens aconteça porque dentro das grandes empresas não viram ambiente para exercitarem a cidadania, algo que as nossas universidades inibiram na esteira de lógicas repressivas do período militar...
Se queremos um Brasil melhor precisamos empolgar, cativar, reeducar os jovens. Eles são (para nós mais velhos sempre garotos e garotas) e serão o futuro do Brasil. Queremos ver garotos jovens e adultos imberbes empunhando bandeiras sociais, gritando, falando de política. Essa será a vacina contra maus governos e novas ditaduras.
Vale a dúvida, contudo: será que estamos educando de forma correta nossos filhos e netos?
Cascaes
14.9.2010
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E os jovens
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Efeito avestruz
Nesta semana dois meteoritos passaram, em termos astronômicos, raspando a Terra. Por muito pouco continentes poderiam ter mudado de forma e cidades pulverizadas se esses corpos celestes colidissem com o nosso planeta. Um vulcão de nome complicado da Islândia quase complicou de vez a economia européia e o acidente da BP parou na undécima hora. Malucos fazem de tudo para que a humanidade volte a ter guerras religiosas.
Mega questões podem inibir a compreensão de problemas menores (e vice versa), fenômeno facilmente reforçado pelas monstrópoles que aos poucos ganham forma, transformando seres humanos em formigas anônimas com uma diferença, cada uma por si.
Já não nos impressionamos com o número de mortes violentas em qualquer final de semana. A violência do trânsito virou rotina e a desonestidade dos políticos e seus financiadores algo a comentar, simplesmente. Nossos candidatos revoltam-se com a divulgação de dados pessoais que deveriam ser públicos e insistem em manobras excludentes, de modo a que o eleitor tenha um mínimo de opções ao votar. O pior, isso tudo acontece sem que nosso povo reaja de forma adequada.
Psicólogos, sociólogos, pedagogos, historiadores, médicos etc. poderão explicar essa capacidade de alienação.
Temos nossas teorias improvisadas, entretanto. É até divertido pensar nas possíveis causas de tanta alienação.
Com certeza a humanidade sempre esteve sob diversos tipos de pesadelos, riscos tremendos à própria sobrevivência. A morte precoce, inesperada e violenta era tão comum que se transformou em elemento fundamental a todas as seitas, religiões, credos filosóficos, esotéricos etc. A Guerra Fria, tão recente, por pouco não deixou a Terra em escombros.
Diante de tudo rezamos muito e fazemos quase nada...
Os exemplos de omissão aparecem até na filosofia de internet, nos livros de auto ajuda e estratégias de campanha política. Pense em você, o mundo é belo, ignore as nuvens escuras...
Em Curitiba estamos vivendo um período que poderá, ao longo de sua história, servir de objeto de estudos científicos sob o tema “alienação”. Começamos o ano com um edital absurdo em relação ao transporte coletivo urbano, vimos os escândalos da ALEP, denúncias gravíssimas em relação a inúmeras questões, sem solução para o lixo, aliás para muitos tipos de lixo, e o que acontece? Quase nada, exceto quando alguma emissora de TV transforma tudo isso em algum show.
Alguns procuram mexer com a consciência popular. Militantes em urbanismo (Sociedad Peatonal, por exemplo, e o grupo FOMUS) já não sabem o que fazer para dizer à nossa gente que muita coisa está errada.
Andando pela cidade notamos que o povo sem automóvel é gente humilde, via de regra com pouca instrução, trabalhando desesperadamente para sustentar a família. E essa é a parte mais atingida da população pelos maus governos.
Seria a miséria material e cultural a base do império de aristocratas e oligarquias?
Parece que sim, se for temos uma grande esperança. O estado do Paraná tem milhões de jovens nas escolas. Nunca tantos freqüentaram os bancos escolares. A internet se universaliza. Blogs, youtube, twitter, emails etc. permitem um padrão de comunicação que, somados à imprensa formal, deverão começar a mudar gerações de brasileiros. Mais ainda, nas universidades, para se ter títulos de mestrado e doutorado na área de humanas, tudo isso é espaço fertilíssimo de teses e dissertações.
Vamos mudar, ainda que não tão rapidamente quanto gostaríamos (afinal de contas existe o voto de legenda somando pontos a favor dos mais estruturados para campanhas e a Justiça, cautelosa, é lenta), mas o nosso povo será diferente, e não vai demorar muito a mostrar isso no voto. Por enquanto sentimos que, se a avestruz não pegou no Brasil, seus hábitos diante do medo são similares aos nossos. Enfiamos a cabeça no primeiro buraco (férias, praias, carnaval, futebol, etc.) que aparece para não vermos (vermes?) em volta.
Cascaes
10.9.2010
Mega questões podem inibir a compreensão de problemas menores (e vice versa), fenômeno facilmente reforçado pelas monstrópoles que aos poucos ganham forma, transformando seres humanos em formigas anônimas com uma diferença, cada uma por si.
Já não nos impressionamos com o número de mortes violentas em qualquer final de semana. A violência do trânsito virou rotina e a desonestidade dos políticos e seus financiadores algo a comentar, simplesmente. Nossos candidatos revoltam-se com a divulgação de dados pessoais que deveriam ser públicos e insistem em manobras excludentes, de modo a que o eleitor tenha um mínimo de opções ao votar. O pior, isso tudo acontece sem que nosso povo reaja de forma adequada.
Psicólogos, sociólogos, pedagogos, historiadores, médicos etc. poderão explicar essa capacidade de alienação.
Temos nossas teorias improvisadas, entretanto. É até divertido pensar nas possíveis causas de tanta alienação.
Com certeza a humanidade sempre esteve sob diversos tipos de pesadelos, riscos tremendos à própria sobrevivência. A morte precoce, inesperada e violenta era tão comum que se transformou em elemento fundamental a todas as seitas, religiões, credos filosóficos, esotéricos etc. A Guerra Fria, tão recente, por pouco não deixou a Terra em escombros.
Diante de tudo rezamos muito e fazemos quase nada...
Os exemplos de omissão aparecem até na filosofia de internet, nos livros de auto ajuda e estratégias de campanha política. Pense em você, o mundo é belo, ignore as nuvens escuras...
Em Curitiba estamos vivendo um período que poderá, ao longo de sua história, servir de objeto de estudos científicos sob o tema “alienação”. Começamos o ano com um edital absurdo em relação ao transporte coletivo urbano, vimos os escândalos da ALEP, denúncias gravíssimas em relação a inúmeras questões, sem solução para o lixo, aliás para muitos tipos de lixo, e o que acontece? Quase nada, exceto quando alguma emissora de TV transforma tudo isso em algum show.
Alguns procuram mexer com a consciência popular. Militantes em urbanismo (Sociedad Peatonal, por exemplo, e o grupo FOMUS) já não sabem o que fazer para dizer à nossa gente que muita coisa está errada.
Andando pela cidade notamos que o povo sem automóvel é gente humilde, via de regra com pouca instrução, trabalhando desesperadamente para sustentar a família. E essa é a parte mais atingida da população pelos maus governos.
Seria a miséria material e cultural a base do império de aristocratas e oligarquias?
Parece que sim, se for temos uma grande esperança. O estado do Paraná tem milhões de jovens nas escolas. Nunca tantos freqüentaram os bancos escolares. A internet se universaliza. Blogs, youtube, twitter, emails etc. permitem um padrão de comunicação que, somados à imprensa formal, deverão começar a mudar gerações de brasileiros. Mais ainda, nas universidades, para se ter títulos de mestrado e doutorado na área de humanas, tudo isso é espaço fertilíssimo de teses e dissertações.
Vamos mudar, ainda que não tão rapidamente quanto gostaríamos (afinal de contas existe o voto de legenda somando pontos a favor dos mais estruturados para campanhas e a Justiça, cautelosa, é lenta), mas o nosso povo será diferente, e não vai demorar muito a mostrar isso no voto. Por enquanto sentimos que, se a avestruz não pegou no Brasil, seus hábitos diante do medo são similares aos nossos. Enfiamos a cabeça no primeiro buraco (férias, praias, carnaval, futebol, etc.) que aparece para não vermos (vermes?) em volta.
Cascaes
10.9.2010
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14:33:00
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Efeito avestruz
Competição institucional
Do Dicionário Houaiss temos que “Institucional” é:
adjetivo de dois gêneros
1 relativo ou pertencente a instituição
Ex.: uma das tarefas do antropólogo é distinguir e classificar os comportamentos i. numa sociedade
2 relativo às instituições do Estado
Ex.: âmbito i. do Estado
3 cuja finalidade é institucionalizar algo
Ex.: ato i.
4 que tem características de instituição
5 Rubrica: publicidade.
que visa estabelecer uma imagem favorável para uma dada marca, empresa, instituição, órgão público ou privado (diz-se da propaganda)
A onda neoliberal, provocando no Brasil um processo de privatização de estatais, teve a simpatia popular, pois muitas delas simplesmente desprezavam o principal, o cliente, o povo. A irritação popular pode ser tanta que até existe lei alertando o cidadão de que é crime tratar mal um funcionário público (Decreto-Lei No 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Art. 331 – Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa).
Tivemos, portanto, uma competição entre a imagem da empresa pública e a expectativa de serviço ou produto dessa mesma companhia sob comando privado. Ela tinha sentido. Muitas estatais, bancos, inclusive, atendiam muito mal e apenas despertavam no cidadão a raiva de ser mal tratado numa empresa que lhe pertencia, ainda que infinitesimalmente.
Sobraram poucas estatais, o risco continua, entretanto. Felizmente para os defensores das empresas sob controle do governo, muitas concessionárias privatizadas mostraram-se terrivelmente ruins, agressivas, até, aos seus clientes.
Vivemos, dessa forma, uma competição entre propostas institucionais que aparecem com força em campanhas eleitorais. Por exemplo, a Copel deve ser privatizada? A Sanepar? O transporte coletivo urbano pode continuar como está? O SUS cumpre suas obrigações? E o INSS, seria melhor se privatizado?
Lamentavelmente a discussão se instala no plano ideológico. Deveríamos ser mais precisos, mais objetivos. Afinal aprendemos a criar indicadores, a fazer pesquisas, a ter elementos matemáticos de avaliação, medição, fazer comparações, estabelecer qualificações etc.
Qualquer solução tem aspectos positivos e negativos.
Com certeza o mais flagrante é a qualidade dos gerentes. Imagina-se que numa estatal seus chefes tenham maior sensibilidade ao cidadão comum; ledo engano, via de regra estão realmente atentos ao que os grandes caciques desejam. Nas empresas privadas a coisa é mais simples, normalmente todos olham os balanços, os indicadores da Bolsa de Valores, os resultados financeiros e a possibilidade de perder o emprego.
Precisamos evoluir e viabilizar inúmeras formas de vigilância e avaliação, principalmente em torno dos serviços essenciais. Nosso povo certamente chegará lá. Temos dezenas de milhões de brasileiros nas escolas, estudando, aprendendo. Vem por aí uma nova geração, mais moderna, melhor preparada. O desafio será, contudo, dar-lhes elementos de independência de julgamento, de discernimento, de capacidade de avaliação, vigilância permanente. O que hoje é estatal amanhã poderá ser privatizado e vice versa. Acima de tudo queremos bons resultados e não simples imagens ou natureza institucional, a favor dessa ou daquela ideologia.
Felizmente aos poucos a humanidade está aprendendo que rótulos dizem muito pouco...
Cascaes
6.9.2010
adjetivo de dois gêneros
1 relativo ou pertencente a instituição
Ex.: uma das tarefas do antropólogo é distinguir e classificar os comportamentos i. numa sociedade
2 relativo às instituições do Estado
Ex.: âmbito i. do Estado
3 cuja finalidade é institucionalizar algo
Ex.: ato i.
4 que tem características de instituição
5 Rubrica: publicidade.
que visa estabelecer uma imagem favorável para uma dada marca, empresa, instituição, órgão público ou privado (diz-se da propaganda)
A onda neoliberal, provocando no Brasil um processo de privatização de estatais, teve a simpatia popular, pois muitas delas simplesmente desprezavam o principal, o cliente, o povo. A irritação popular pode ser tanta que até existe lei alertando o cidadão de que é crime tratar mal um funcionário público (Decreto-Lei No 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Art. 331 – Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa).
Tivemos, portanto, uma competição entre a imagem da empresa pública e a expectativa de serviço ou produto dessa mesma companhia sob comando privado. Ela tinha sentido. Muitas estatais, bancos, inclusive, atendiam muito mal e apenas despertavam no cidadão a raiva de ser mal tratado numa empresa que lhe pertencia, ainda que infinitesimalmente.
Sobraram poucas estatais, o risco continua, entretanto. Felizmente para os defensores das empresas sob controle do governo, muitas concessionárias privatizadas mostraram-se terrivelmente ruins, agressivas, até, aos seus clientes.
Vivemos, dessa forma, uma competição entre propostas institucionais que aparecem com força em campanhas eleitorais. Por exemplo, a Copel deve ser privatizada? A Sanepar? O transporte coletivo urbano pode continuar como está? O SUS cumpre suas obrigações? E o INSS, seria melhor se privatizado?
Lamentavelmente a discussão se instala no plano ideológico. Deveríamos ser mais precisos, mais objetivos. Afinal aprendemos a criar indicadores, a fazer pesquisas, a ter elementos matemáticos de avaliação, medição, fazer comparações, estabelecer qualificações etc.
Qualquer solução tem aspectos positivos e negativos.
Com certeza o mais flagrante é a qualidade dos gerentes. Imagina-se que numa estatal seus chefes tenham maior sensibilidade ao cidadão comum; ledo engano, via de regra estão realmente atentos ao que os grandes caciques desejam. Nas empresas privadas a coisa é mais simples, normalmente todos olham os balanços, os indicadores da Bolsa de Valores, os resultados financeiros e a possibilidade de perder o emprego.
Precisamos evoluir e viabilizar inúmeras formas de vigilância e avaliação, principalmente em torno dos serviços essenciais. Nosso povo certamente chegará lá. Temos dezenas de milhões de brasileiros nas escolas, estudando, aprendendo. Vem por aí uma nova geração, mais moderna, melhor preparada. O desafio será, contudo, dar-lhes elementos de independência de julgamento, de discernimento, de capacidade de avaliação, vigilância permanente. O que hoje é estatal amanhã poderá ser privatizado e vice versa. Acima de tudo queremos bons resultados e não simples imagens ou natureza institucional, a favor dessa ou daquela ideologia.
Felizmente aos poucos a humanidade está aprendendo que rótulos dizem muito pouco...
Cascaes
6.9.2010
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Competição institucional
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Voto de tabela
No processo político brasileiro temos algo estranho, muito estranho. Os candidatos a vice a Senador e para substituto do Presidente da República parecem tirados de livros de aventuras confusas, boas para assustar criancinhas. É difícil de imaginar que um sistema democrático permita essa excrescência, segundo a qual pessoas eventualmente irrelevantes ou desprezíveis aparecem como segundo e até terceiros em chapas importantes. Indivíduos, que não conseguiriam se eleger vereadores em suas cidades, poderão ser até presidentes da República se os titulares vencerem as eleições.
Cabe uma pergunta ao eleitor: já escolheu seu candidato a Senador e Presidente da República? Sabe quem são os vices? Conhece a dinâmica do Poder?
Deveríamos ter eleições separadas para qualquer cargo, em hipótese alguma nessa condição de vinculação. Até porquê parece que nem sempre existe afeto e companheirismo real entre o eleito e seu(s) vice(s), afinal nenhum “galinheiro” aceita dois galos.
A “brincadeira” existe também para os diversos Parlamentos. O famoso “voto de legenda” faz com que, apesar do cuidado de nossas escolhas, na verdade estejamos dando votos aos mais votados do partido. De novo a pergunta, o leitor tem idéia de quem serão os mais votados do partido do seu candidato? Será ele, por acaso? Se não simplesmente estará contribuindo, não raramente, para a entronização de quem não gosta.
Vimos na definição das chapas para o comando do Brasil a guerra para escolha do candidato a vice-presidente. Por quê?
Os três candidatos não têm saúde tão forte a ponto de darem tranqüilidade à nação. Se eleitos viajarão muito, sujeitos, portanto, a todo tipo de acidente. No Brasil temos suspeitas homéricas em relação à morte de algumas personalidades políticas. Carlos Heitor Cony (O Beijo da Morte, 2003) que o diga... Vimos Tancredo eleito e Sarney sendo empossado. A desculpa é a segurança institucional, a normalização democrática. Desse jeito?
Com certeza é hora de uma revisão política. A questão é: como fazê-la? Quando? Mudar o quê?
Tudo começa pequeno. Devemos provocar debates, discussões, estudos, dissertações, teses, doutorados etc.. O fundamental é que nosso povo evolua e corrija as imperfeições de sua “Democracia”. Isso é palpável quando sabemos que agora milhões e milhões de brasileiros freqüentam escolas, tem acesso à internet, estudam e acompanham algo mais que futebol e carnaval. Aliás, os grandes chefes fazem uma força tremenda para que o famoso “pão e circo” não falte no cotidiano dos brasileiros. Essa é uma lição romana que os políticos brasileiros usam intensivamente.
De passo em passo podemos progredir. Temos bons candidatos. Talvez alguns partidos políticos ainda não estejam impregnados de esquemas, de estruturas de cooptação de votos tão odiosos quanto vimos no escândalo da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, agora com “agentes políticos” institucionalizados..
Precisamos escolher criteriosamente em quem votar. Esquecer programas eleitorais e ir fundo na biografia dos candidatos e na de seus companheiros de chapa, seus vices e vices dos vices. Principalmente quem vive por aqui não tem a desculpa da ignorância. Temos bons jornais, rádios, blogs, portais etc. Quem quiser encontrará informações talvez não suficientes, mas necessárias a tirar muitas dúvidas.
O Brasil precisa de nosso respeito, carinho e disposição de luta. Simplesmente bater no peito e cantar o hino nacional é muito pouco. Agora, vote certo, vote conscientemente.
Cascaes
8.9.2010
Cabe uma pergunta ao eleitor: já escolheu seu candidato a Senador e Presidente da República? Sabe quem são os vices? Conhece a dinâmica do Poder?
Deveríamos ter eleições separadas para qualquer cargo, em hipótese alguma nessa condição de vinculação. Até porquê parece que nem sempre existe afeto e companheirismo real entre o eleito e seu(s) vice(s), afinal nenhum “galinheiro” aceita dois galos.
A “brincadeira” existe também para os diversos Parlamentos. O famoso “voto de legenda” faz com que, apesar do cuidado de nossas escolhas, na verdade estejamos dando votos aos mais votados do partido. De novo a pergunta, o leitor tem idéia de quem serão os mais votados do partido do seu candidato? Será ele, por acaso? Se não simplesmente estará contribuindo, não raramente, para a entronização de quem não gosta.
Vimos na definição das chapas para o comando do Brasil a guerra para escolha do candidato a vice-presidente. Por quê?
Os três candidatos não têm saúde tão forte a ponto de darem tranqüilidade à nação. Se eleitos viajarão muito, sujeitos, portanto, a todo tipo de acidente. No Brasil temos suspeitas homéricas em relação à morte de algumas personalidades políticas. Carlos Heitor Cony (O Beijo da Morte, 2003) que o diga... Vimos Tancredo eleito e Sarney sendo empossado. A desculpa é a segurança institucional, a normalização democrática. Desse jeito?
Com certeza é hora de uma revisão política. A questão é: como fazê-la? Quando? Mudar o quê?
Tudo começa pequeno. Devemos provocar debates, discussões, estudos, dissertações, teses, doutorados etc.. O fundamental é que nosso povo evolua e corrija as imperfeições de sua “Democracia”. Isso é palpável quando sabemos que agora milhões e milhões de brasileiros freqüentam escolas, tem acesso à internet, estudam e acompanham algo mais que futebol e carnaval. Aliás, os grandes chefes fazem uma força tremenda para que o famoso “pão e circo” não falte no cotidiano dos brasileiros. Essa é uma lição romana que os políticos brasileiros usam intensivamente.
De passo em passo podemos progredir. Temos bons candidatos. Talvez alguns partidos políticos ainda não estejam impregnados de esquemas, de estruturas de cooptação de votos tão odiosos quanto vimos no escândalo da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, agora com “agentes políticos” institucionalizados..
Precisamos escolher criteriosamente em quem votar. Esquecer programas eleitorais e ir fundo na biografia dos candidatos e na de seus companheiros de chapa, seus vices e vices dos vices. Principalmente quem vive por aqui não tem a desculpa da ignorância. Temos bons jornais, rádios, blogs, portais etc. Quem quiser encontrará informações talvez não suficientes, mas necessárias a tirar muitas dúvidas.
O Brasil precisa de nosso respeito, carinho e disposição de luta. Simplesmente bater no peito e cantar o hino nacional é muito pouco. Agora, vote certo, vote conscientemente.
Cascaes
8.9.2010
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Voto de tabela
Voto direto já
Teremos eleições e os candidatos aos cargos eletivos aparecem dizendo maravilhas do que farão. Deputado (vereador) e Senador podem, quando muito, encaminhar Projetos de Lei, votar em seus ambientes, fazer lobby e discursos. Prometem o que não podem.
Teremos por estado algumas dezenas de representantes, apenas.
Pior ainda, muitos deles realmente vão querer fazer leis, estimular decretos, já os temos demais. Do jeito que vamos precisaremos de habeas corpus preventivo para viver, sempre estaremos infringindo alguma lei, queiramos ou não. É impossível que isso não aconteça, basta ler com atenção o que estabelece nossa legislação.
Precisamos simplificar e ampliar a democracia, viabilizar o Brasil e melhorar a vida de todos.
Isso é possível?
Graças à internet, TVs e rádios estatais (inclusive por internet) podemos dispensar representantes. Os meios de comunicação poderão ser a tribuna de quem tiver idéias, quiser propor algo, talvez dentro de algum critério seletivo, mas já podemos divulgar propostas sem as tremendas limitações que existiam há pouco tempo.
O Projeto Ficha Limpa foi uma demonstração cabal do que é possível.
Todos os brasileiros poderão votar e propor leis. Especialistas da OAB, CREA, IAB etc poderiam organizar as propostas, simplificá-las, criar métodos seletivos para exposição e análise de todos. Uma vez por ano, exceto em emergências, seríamos chamados para votar em urnas eletrônicas ou via internet, decidindo sobre o que fazer.
Precisamos, contudo, do Senado, representando regiões e não estados. Do jeito que está a criação de novos estados mudará a equação de forças sem respeito ao número de eleitores, fazendo de nosso país algo imprevisível. Esses senhores e senhoras, eleitos pelo povo, passando a morar em Brasília, fariam uma vigilância e apoio mais preciso do Governo Federal.
A simplificação da União depende também de melhor distribuição dos impostos. É querer demais que o Governo Federal cuide de tudo, ou melhor, interfira em tudo.
Para tudo isso é fundamental a reforma fiscal. A maior parte dos impostos deve ficar entre estados e municípios. Para a União apenas o que for necessário às suas obrigações reais, ou seja, Poder Judiciário Federal, Forças Armadas, defesa da moeda, Chancelaria, suporte técnico de algumas funções e algumas atividades para sustentação do Distrito Federal, só!
Temos candidatos, quem serão eleitos? Aqueles que, bem apoiados por seus patrocinadores e corporações, conquistarem votos. Isso não é democracia, é outra coisa que não sabemos qualificar.
Votar é algo sagrado, e será melhor se tirarmos intermediários entre o governo real (Presidente, Governador e Prefeito) e o povo. O Poder Executivo precisa trabalhar e não sobreviver, eventualmente à custa de acordos impublicáveis.
Impostos?
Vamos liberar a União, Estados e Municípios, por exemplo, para cobrarem o que for necessário sobre produtos poluentes e nocivos à saúde de modo geral. Cada unidade sabe de si. E as repartições públicas federais? Vamos discutir com profundidade quais merecem ser mantidas. O custo e benefício de cada uma elas precisa ser discutido.
Vamos para um mundo cibernético, dinâmico, interativo. Estamos em situação muito diferente daquela dos tempos de Sócrates, Júlio César, Lincoln ou Getúlio Vargas. É possível criar a maior e mais eficaz democracia do mundo, é só querermos. O que é terrível é escolher em quem votar, sabendo que se votarmos nos melhores, provavelmente estaremos elegendo os piores, afinal os não eleitos carrearão os seus votos para os mais votados. Quem são os mais votados? Normalmente alguns privilegiados que, de alguma forma, serão a opção de eleitores, via de regra indecisos, iludidos, ignorantes e obrigados a escolher seus candidatos de relações enormes e sem sentido.
Vamos repensar nossa “Democracia”?
Cascaes
5.9.2010
Teremos por estado algumas dezenas de representantes, apenas.
Pior ainda, muitos deles realmente vão querer fazer leis, estimular decretos, já os temos demais. Do jeito que vamos precisaremos de habeas corpus preventivo para viver, sempre estaremos infringindo alguma lei, queiramos ou não. É impossível que isso não aconteça, basta ler com atenção o que estabelece nossa legislação.
Precisamos simplificar e ampliar a democracia, viabilizar o Brasil e melhorar a vida de todos.
Isso é possível?
Graças à internet, TVs e rádios estatais (inclusive por internet) podemos dispensar representantes. Os meios de comunicação poderão ser a tribuna de quem tiver idéias, quiser propor algo, talvez dentro de algum critério seletivo, mas já podemos divulgar propostas sem as tremendas limitações que existiam há pouco tempo.
O Projeto Ficha Limpa foi uma demonstração cabal do que é possível.
Todos os brasileiros poderão votar e propor leis. Especialistas da OAB, CREA, IAB etc poderiam organizar as propostas, simplificá-las, criar métodos seletivos para exposição e análise de todos. Uma vez por ano, exceto em emergências, seríamos chamados para votar em urnas eletrônicas ou via internet, decidindo sobre o que fazer.
Precisamos, contudo, do Senado, representando regiões e não estados. Do jeito que está a criação de novos estados mudará a equação de forças sem respeito ao número de eleitores, fazendo de nosso país algo imprevisível. Esses senhores e senhoras, eleitos pelo povo, passando a morar em Brasília, fariam uma vigilância e apoio mais preciso do Governo Federal.
A simplificação da União depende também de melhor distribuição dos impostos. É querer demais que o Governo Federal cuide de tudo, ou melhor, interfira em tudo.
Para tudo isso é fundamental a reforma fiscal. A maior parte dos impostos deve ficar entre estados e municípios. Para a União apenas o que for necessário às suas obrigações reais, ou seja, Poder Judiciário Federal, Forças Armadas, defesa da moeda, Chancelaria, suporte técnico de algumas funções e algumas atividades para sustentação do Distrito Federal, só!
Temos candidatos, quem serão eleitos? Aqueles que, bem apoiados por seus patrocinadores e corporações, conquistarem votos. Isso não é democracia, é outra coisa que não sabemos qualificar.
Votar é algo sagrado, e será melhor se tirarmos intermediários entre o governo real (Presidente, Governador e Prefeito) e o povo. O Poder Executivo precisa trabalhar e não sobreviver, eventualmente à custa de acordos impublicáveis.
Impostos?
Vamos liberar a União, Estados e Municípios, por exemplo, para cobrarem o que for necessário sobre produtos poluentes e nocivos à saúde de modo geral. Cada unidade sabe de si. E as repartições públicas federais? Vamos discutir com profundidade quais merecem ser mantidas. O custo e benefício de cada uma elas precisa ser discutido.
Vamos para um mundo cibernético, dinâmico, interativo. Estamos em situação muito diferente daquela dos tempos de Sócrates, Júlio César, Lincoln ou Getúlio Vargas. É possível criar a maior e mais eficaz democracia do mundo, é só querermos. O que é terrível é escolher em quem votar, sabendo que se votarmos nos melhores, provavelmente estaremos elegendo os piores, afinal os não eleitos carrearão os seus votos para os mais votados. Quem são os mais votados? Normalmente alguns privilegiados que, de alguma forma, serão a opção de eleitores, via de regra indecisos, iludidos, ignorantes e obrigados a escolher seus candidatos de relações enormes e sem sentido.
Vamos repensar nossa “Democracia”?
Cascaes
5.9.2010
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Voto direto já
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
O ônibus e as Normas Técnicas
Há anos sonhamos com normas técnicas para as calçadas e os ônibus.
Passeios seguros, pontos de embarque bem feitos, sistemas de segurança, iluminação pública, mobilidade sem obstáculos e armadilhas e veículos tão bons quanto possível formam um conjunto essencial a cidades que crescem sem parar e pretendem oferecer a seus cidadãos o que precisam para uma vida digna.
Dedicando esse artigo aos ônibus, já que falar de calçadas parece algo inútil numa cidade, Curitiba, que esqueceu os pedestres a ponto de manter orelhões absurdos, apesar dos protestos constantes e veementes dos deficientes visuais, podemos agora destacar avanços importantes no âmbito da ABNT em relação aos ônibus, não, sem antes, colocar nossas opiniões.
Precisamos de normas rígidas, que valorizem e imponham, onde for possível, veículos de piso rebaixado (principalmente), com controles de aceleração e desaceleração, ajoelhamento, suspensão inteligente, monitoramento total, freios de última geração, motores tão pouco poluidores quanto possível, desenho universal etc. e isentos de impostos, favorecidos por subsídios, valorizados pelos administradores públicos.
Isso é possível no Brasil, um país que exporta chassis e ônibus completos dentro das melhores técnicas e descobre montanhas de dinheiro para a Copa do Mundo de 2014.
Em 2009 visitamos a Volvo onde, com muito orgulho, o Sr. Gilcarlo Prosdócimo mostrou-nos detalhes do chassis B9S, uma plataforma articulada com piso baixo total (100% rebaixado) e características técnicas de primeira linha, que três das maiores encarroçadoras brasileiras completaram num programa de exportação para o Chile. Apresentou-nos também a opção não articulada, piso parcialmente rebaixado com chassis B7RLE. Exportaram 2100 unidades (B9S e B7RLE) para a cidade de Santiago, e aqui?
A Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, lançou (entre outras) duas normas, a NBR 15570 – “Especificações técnicas para fabricação de veículos de características urbanas para transporte coletivo de passageiros”, norma para fabricação de ônibus urbanos (antiga NBR14022) e a NBR 15646 para plataformas elevatórias e rampas para ônibus urbanos. Representando um grande avanço poderiam ser melhores, contudo. De qualquer forma as normas NBR15646 e NBR15570, lançadas em fevereiro de 2008 e janeiro de 2009 respectivamente, já nasceram compulsórias e isto é muito significativo, pois caso o fabricante não tenha o certificado do INMETRO[i] comprovando que atende realmente todos os requisitos da norma não poderá comercializar tal equipamento.
Em Curitiba temos visto acidentes terríveis, que podem ser explicados de diversas formas, talvez a mais evidente seja a fragilidade dos critérios técnicos de segurança no projeto, nas especificações construtivas e operacionais dos ônibus. Com surpresa notamos, há poucos anos, a degradação de especificações que pareciam consolidadas por aqui. Ônibus com motor dianteiro, layout ruim, características técnicas deploráveis apareceram assustando quem estudou o assunto.
Os ônibus são veículos pesados, disputando espaços com pedestres, ciclistas, motociclistas, automóveis, caminhões e outros coletivos, produzindo ruídos e gases, cumprindo, entretanto, uma função extremamente importante para todos, inclusive aqueles que não precisam do transporte coletivo urbano.
Existem aspectos que são próprios à Engenharia Mecânica, Arquitetura, Urbanismo, Processamento de Dados, Sociologia etc. que fazem de normas dessa espécie tema permanente de análise, ou seja, deveríamos discutir e avaliar sempre tudo o que a ABNT produz. Infelizmente isso não acontece com a intensidade desejável.
Felizmente tivemos a oportunidade de conhecer a Arquiteta e Enga. de Segurança Vera Lúcia de Campos Corrêa Shebalj (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná – IBAPE PR), membro atuante da ABNT, e retomar contato com o engenheiro Sérgio Yamawaki (DAIKEN), outro guerreiro a favor de boas normas técnicas e partícipe de grupos da ABNT. Com o time da Sociedad Peatonal, do Movimento do Passe Livre e outros amigos (UFPR, CREA, MP do PR, ONGs etc. e o trabalho sensacional da Gazeta do Povo) podemos, quem sabe, aprofundar esse debate que no FOMUS, grupo de discussão (internet) sobre mobilidade, ganhou intensidade surpreendente, graças à liderança dos engenheiros André Caon Lima e Roberto Ghidini.
Temos a convicção de que lutar pela boa mobilidade urbana é tema atual, adequado às teses de sustentabilidade, acessibilidade, dignidade, enfim.
E as Normas Técnicas sobre calçadas, ciclovias, ônibus, pisos etc., que grande entidade poderia oferecer um ambiente adequado para sua discussão em Curitiba?
Cascaes
3.9.2010
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[i] Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Inmetro - é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que atua como Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro), colegiado interministerial, que é o órgão normativo do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro).
Objetivando integrar uma estrutura sistêmica articulada, o Sinmetro, o Conmetro e o Inmetro foram criados pela Lei 5.966, de 11 de dezembro de 1973, cabendo a este último substituir o então Instituto Nacional de Pesos e Medidas (INPM) e ampliar significativamente o seu raio de atuação a serviço da sociedade brasileira.
No âmbito de sua ampla missão institucional, o Inmetro objetiva fortalecer as empresas nacionais, aumentando sua produtividade por meio da adoção de mecanismos destinados à melhoria da qualidade de produtos e serviços.
Sua missão é prover confiança à sociedade brasileira nas medições e nos produtos, através da metrologia e da avaliação da conformidade, promovendo a harmonização das relações de consumo, a inovação e a competitividade do País.
Passeios seguros, pontos de embarque bem feitos, sistemas de segurança, iluminação pública, mobilidade sem obstáculos e armadilhas e veículos tão bons quanto possível formam um conjunto essencial a cidades que crescem sem parar e pretendem oferecer a seus cidadãos o que precisam para uma vida digna.
Dedicando esse artigo aos ônibus, já que falar de calçadas parece algo inútil numa cidade, Curitiba, que esqueceu os pedestres a ponto de manter orelhões absurdos, apesar dos protestos constantes e veementes dos deficientes visuais, podemos agora destacar avanços importantes no âmbito da ABNT em relação aos ônibus, não, sem antes, colocar nossas opiniões.
Precisamos de normas rígidas, que valorizem e imponham, onde for possível, veículos de piso rebaixado (principalmente), com controles de aceleração e desaceleração, ajoelhamento, suspensão inteligente, monitoramento total, freios de última geração, motores tão pouco poluidores quanto possível, desenho universal etc. e isentos de impostos, favorecidos por subsídios, valorizados pelos administradores públicos.
Isso é possível no Brasil, um país que exporta chassis e ônibus completos dentro das melhores técnicas e descobre montanhas de dinheiro para a Copa do Mundo de 2014.
Em 2009 visitamos a Volvo onde, com muito orgulho, o Sr. Gilcarlo Prosdócimo mostrou-nos detalhes do chassis B9S, uma plataforma articulada com piso baixo total (100% rebaixado) e características técnicas de primeira linha, que três das maiores encarroçadoras brasileiras completaram num programa de exportação para o Chile. Apresentou-nos também a opção não articulada, piso parcialmente rebaixado com chassis B7RLE. Exportaram 2100 unidades (B9S e B7RLE) para a cidade de Santiago, e aqui?
A Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, lançou (entre outras) duas normas, a NBR 15570 – “Especificações técnicas para fabricação de veículos de características urbanas para transporte coletivo de passageiros”, norma para fabricação de ônibus urbanos (antiga NBR14022) e a NBR 15646 para plataformas elevatórias e rampas para ônibus urbanos. Representando um grande avanço poderiam ser melhores, contudo. De qualquer forma as normas NBR15646 e NBR15570, lançadas em fevereiro de 2008 e janeiro de 2009 respectivamente, já nasceram compulsórias e isto é muito significativo, pois caso o fabricante não tenha o certificado do INMETRO[i] comprovando que atende realmente todos os requisitos da norma não poderá comercializar tal equipamento.
Em Curitiba temos visto acidentes terríveis, que podem ser explicados de diversas formas, talvez a mais evidente seja a fragilidade dos critérios técnicos de segurança no projeto, nas especificações construtivas e operacionais dos ônibus. Com surpresa notamos, há poucos anos, a degradação de especificações que pareciam consolidadas por aqui. Ônibus com motor dianteiro, layout ruim, características técnicas deploráveis apareceram assustando quem estudou o assunto.
Os ônibus são veículos pesados, disputando espaços com pedestres, ciclistas, motociclistas, automóveis, caminhões e outros coletivos, produzindo ruídos e gases, cumprindo, entretanto, uma função extremamente importante para todos, inclusive aqueles que não precisam do transporte coletivo urbano.
Existem aspectos que são próprios à Engenharia Mecânica, Arquitetura, Urbanismo, Processamento de Dados, Sociologia etc. que fazem de normas dessa espécie tema permanente de análise, ou seja, deveríamos discutir e avaliar sempre tudo o que a ABNT produz. Infelizmente isso não acontece com a intensidade desejável.
Felizmente tivemos a oportunidade de conhecer a Arquiteta e Enga. de Segurança Vera Lúcia de Campos Corrêa Shebalj (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná – IBAPE PR), membro atuante da ABNT, e retomar contato com o engenheiro Sérgio Yamawaki (DAIKEN), outro guerreiro a favor de boas normas técnicas e partícipe de grupos da ABNT. Com o time da Sociedad Peatonal, do Movimento do Passe Livre e outros amigos (UFPR, CREA, MP do PR, ONGs etc. e o trabalho sensacional da Gazeta do Povo) podemos, quem sabe, aprofundar esse debate que no FOMUS, grupo de discussão (internet) sobre mobilidade, ganhou intensidade surpreendente, graças à liderança dos engenheiros André Caon Lima e Roberto Ghidini.
Temos a convicção de que lutar pela boa mobilidade urbana é tema atual, adequado às teses de sustentabilidade, acessibilidade, dignidade, enfim.
E as Normas Técnicas sobre calçadas, ciclovias, ônibus, pisos etc., que grande entidade poderia oferecer um ambiente adequado para sua discussão em Curitiba?
Cascaes
3.9.2010
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[i] Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Inmetro - é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que atua como Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro), colegiado interministerial, que é o órgão normativo do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro).
Objetivando integrar uma estrutura sistêmica articulada, o Sinmetro, o Conmetro e o Inmetro foram criados pela Lei 5.966, de 11 de dezembro de 1973, cabendo a este último substituir o então Instituto Nacional de Pesos e Medidas (INPM) e ampliar significativamente o seu raio de atuação a serviço da sociedade brasileira.
No âmbito de sua ampla missão institucional, o Inmetro objetiva fortalecer as empresas nacionais, aumentando sua produtividade por meio da adoção de mecanismos destinados à melhoria da qualidade de produtos e serviços.
Sua missão é prover confiança à sociedade brasileira nas medições e nos produtos, através da metrologia e da avaliação da conformidade, promovendo a harmonização das relações de consumo, a inovação e a competitividade do País.
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14:07:00
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O ônibus,
Sociedad Peatonal
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
A mediocridade e o governo do estado
A mediocridade tem um pecado grave, não mostra custos definidos, é bem comportada, não se expõe.
Precisamos de bons governos. Se o Brasil engatinha dependendo do acasalamento de touros e vacas, galos e galinhas e sementes de cereais, se demoramos a sair da mesmice dos projetos antigos, apesar da sorte relativa de descobrir petróleo e gás lá no fundo do oceano, poderíamos estar muito além, melhor, mais competitivos e produtivos, com nosso povo feliz, sem depender de esmolas oficiais e da necessidade lamber seus sapatos.
Felizmente temos gente que pensa e trabalha, cria e planeja o futuro. Assim, sem citar a fonte, mostro a seguir a contribuição de um amigo que aprendi a respeitar ao longo dos anos, falando do Paraná, da Copel e de sua área de Telecomunicações e Informática:
Na área das telecomunicações, a COPEL tem hoje implementada a maior rede de fibras ópticas que não está sob o controle das operadoras, rede essa que continua crescendo.
O desafio, daqui para frente, é fazer com que essa rede produza, rápida e eficientemente, mais e melhores serviços de valor agregado para as pessoas e para as empresas. Nesse sentido, propõe-se que a COPEL, em conjunto com a UFPR, a FIEP e outras instituições, organismos e agentes, tanto públicos quanto privados, unam-se no sentido de que o Paraná, nos próximos 4 anos, possa se tornar o pólo de atração e desenvolvimento de conteúdos e aplicações inovadoras para as infovias.
Essa é uma proposta que a COPEL já está chamando de BEL-i9 e que deve ser levada adiante e impulsionada pela próxima gestão, pelo seu potencial de gerar renda e empregos qualificados, de atrair indústrias da era do conhecimento para o Estado, e, principalmente, de reduzir o chamado "custo Paraná", produzindo, por meio de conteúdos inovadores e aplicações, maior eficiência para os diferentes setores produtivos, da indústria, do comércio, de serviços em geral.
É muito claro que a COPEL é o motor do desenvolvimento do Paraná. Essa é a nossa cultura!
Todavia, vale destacar que, nos últimos 15 anos, a COPEL foi progressivamente perdendo sua característica técnica e adotando uma postura essencialmente financista. Como se uma empresa como ela existisse primordialmente para gerar caixa, ao invés de voltar-se, antes de tudo, para o desenvolvimento do Estado e melhoria da condição de vida dos paranaenses. Com essa postura, pode-se dizer que ela ficou "menos humana", colocando-se o dinheiro acima das pessoas e da sua missão desenvolvimentista.
Há 15 anos, a COPEL possuía várias dezenas de mestres e doutores, que estavam principalmente locados no Centro de Hidráulica (CEHPAR), no LACTEC (naquela época, "LAC"), no SIMEPAR e no LAME. Hoje, com a desvinculação dessas unidades contam-se nos dedos, de uma única mão, os doutores da COPEL.
Em plena era do conhecimento, a empresa regrediu para uma cultura fordista. De uma companhia que empreendia projetos arrojados, inovadores e importantes para o Estado, foi-se tornando uma "fábrica" eficiente, repetidora de metodologias e técnicas já existentes e bem conhecidas. Perdeu-se muito em criatividade, o espírito inovador, a cultura de empreender. E, como "fábrica", seus empregados mais qualificados foram sendo desprestigiados (inclusive salarialmente) e, progressivamente, substituídos pelos novos contratados, sem a mesma experiência, conhecimento e comprometimento.
O LACTEC (incluindo CEHPAR), SIMEPAR e LAME precisam ser retomados para o original controle da COPEL e da UFPR, como eram no início. Hoje, ficaram organismos "sem dono", portanto sujeitos a políticas e politicagens, o que jamais pode acontecer com unidades de excelência técnico-científica. Precisam voltar a oxigenar a empresa com novos conhecimentos e, especialmente, com a cultura que existia: a do empreendedorismo inovador voltado para o progresso do Paraná e dos paranaenses. Os laços com a UFPR devem ser estreitados, para que esses dois importantes organismos voltem juntos a produzirem desenvolvimento.
A COPEL deve voltar a atrair as melhores competências, os engenheiros e técnicos mais qualificados, que procurem a empresa e queiram permanecer nela, porque nela encontrarão ambiente adequado para se desenvolverem, sendo recompensados por salários dignos e compatíveis com sua qualificação e desempenho. [
Os copelianos remanescentes ainda carregam capacidade tecnológica e espírito pioneiro, e poderão auxiliar a próxima gestão do governo do Estado em várias frentes, independentemente de quem venha a ser o novo governador.
Para pensar.
Cascaes
2.9.2010
Precisamos de bons governos. Se o Brasil engatinha dependendo do acasalamento de touros e vacas, galos e galinhas e sementes de cereais, se demoramos a sair da mesmice dos projetos antigos, apesar da sorte relativa de descobrir petróleo e gás lá no fundo do oceano, poderíamos estar muito além, melhor, mais competitivos e produtivos, com nosso povo feliz, sem depender de esmolas oficiais e da necessidade lamber seus sapatos.
Felizmente temos gente que pensa e trabalha, cria e planeja o futuro. Assim, sem citar a fonte, mostro a seguir a contribuição de um amigo que aprendi a respeitar ao longo dos anos, falando do Paraná, da Copel e de sua área de Telecomunicações e Informática:
Na área das telecomunicações, a COPEL tem hoje implementada a maior rede de fibras ópticas que não está sob o controle das operadoras, rede essa que continua crescendo.
O desafio, daqui para frente, é fazer com que essa rede produza, rápida e eficientemente, mais e melhores serviços de valor agregado para as pessoas e para as empresas. Nesse sentido, propõe-se que a COPEL, em conjunto com a UFPR, a FIEP e outras instituições, organismos e agentes, tanto públicos quanto privados, unam-se no sentido de que o Paraná, nos próximos 4 anos, possa se tornar o pólo de atração e desenvolvimento de conteúdos e aplicações inovadoras para as infovias.
Essa é uma proposta que a COPEL já está chamando de BEL-i9 e que deve ser levada adiante e impulsionada pela próxima gestão, pelo seu potencial de gerar renda e empregos qualificados, de atrair indústrias da era do conhecimento para o Estado, e, principalmente, de reduzir o chamado "custo Paraná", produzindo, por meio de conteúdos inovadores e aplicações, maior eficiência para os diferentes setores produtivos, da indústria, do comércio, de serviços em geral.
É muito claro que a COPEL é o motor do desenvolvimento do Paraná. Essa é a nossa cultura!
Todavia, vale destacar que, nos últimos 15 anos, a COPEL foi progressivamente perdendo sua característica técnica e adotando uma postura essencialmente financista. Como se uma empresa como ela existisse primordialmente para gerar caixa, ao invés de voltar-se, antes de tudo, para o desenvolvimento do Estado e melhoria da condição de vida dos paranaenses. Com essa postura, pode-se dizer que ela ficou "menos humana", colocando-se o dinheiro acima das pessoas e da sua missão desenvolvimentista.
Há 15 anos, a COPEL possuía várias dezenas de mestres e doutores, que estavam principalmente locados no Centro de Hidráulica (CEHPAR), no LACTEC (naquela época, "LAC"), no SIMEPAR e no LAME. Hoje, com a desvinculação dessas unidades contam-se nos dedos, de uma única mão, os doutores da COPEL.
Em plena era do conhecimento, a empresa regrediu para uma cultura fordista. De uma companhia que empreendia projetos arrojados, inovadores e importantes para o Estado, foi-se tornando uma "fábrica" eficiente, repetidora de metodologias e técnicas já existentes e bem conhecidas. Perdeu-se muito em criatividade, o espírito inovador, a cultura de empreender. E, como "fábrica", seus empregados mais qualificados foram sendo desprestigiados (inclusive salarialmente) e, progressivamente, substituídos pelos novos contratados, sem a mesma experiência, conhecimento e comprometimento.
O LACTEC (incluindo CEHPAR), SIMEPAR e LAME precisam ser retomados para o original controle da COPEL e da UFPR, como eram no início. Hoje, ficaram organismos "sem dono", portanto sujeitos a políticas e politicagens, o que jamais pode acontecer com unidades de excelência técnico-científica. Precisam voltar a oxigenar a empresa com novos conhecimentos e, especialmente, com a cultura que existia: a do empreendedorismo inovador voltado para o progresso do Paraná e dos paranaenses. Os laços com a UFPR devem ser estreitados, para que esses dois importantes organismos voltem juntos a produzirem desenvolvimento.
A COPEL deve voltar a atrair as melhores competências, os engenheiros e técnicos mais qualificados, que procurem a empresa e queiram permanecer nela, porque nela encontrarão ambiente adequado para se desenvolverem, sendo recompensados por salários dignos e compatíveis com sua qualificação e desempenho. [
Os copelianos remanescentes ainda carregam capacidade tecnológica e espírito pioneiro, e poderão auxiliar a próxima gestão do governo do Estado em várias frentes, independentemente de quem venha a ser o novo governador.
Para pensar.
Cascaes
2.9.2010
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A mediocridade e o governo do estado
O perigo do transporte
A resolução do CONTRAN determinando a utilização de cadeirinhas especiais para crianças em automóveis é no mínimo intrigante. Muitos são os recursos modernos a favor da segurança em veículos e o CONTRAN centrou uma decisão até polêmica, diante dos resultados que os autores do livro Superfreakonomics (As cadeirinhas de crianças nos carros só servem até os dois anos, quando a criança é pequena e não cabe nos cintos normais. Depois, não há diferença estatística em termos de vidas salvas) destacam nos EUA. Lá a existência de piscinas em residências mostrou-se muitíssimo mais grave que a utilização ou não desse equipamento de segurança.
E se a segurança das crianças é importante, por quê não determiná-las em taxis, ônibus escolares e de transporte coletivo urbanos e interurbanos?
Considerando a intensidade da multa (7 pontos perdidos na carteira do motorista e R$ 191,54 de multa) pode-se imaginar a gravidade percebida pelos especialistas que a definiram. Insistindo, contudo, se é tão perigoso para uma criança ir sentada no banco de trás de um automóvel, se o cinto de segurança não é suficiente, por quê desprezam a segurança de crianças, jovens, adultos e idosos em ônibus urbanos?
A falta de coerência de nossas autoridades é preocupante. Temos situações de risco consideráveis. Em Curitiba, ilustrando, os ônibus que trafegam pelas canaletas (mão e contramão) podem atingir 60 km/h, o que significaria, num impacto frontal, 120 km/h de velocidade relativa, condição que certamente matará muita gente. Além disso, esses veículos em todas as cidades brasileiras, articulados ou não, competem com pedestres, ciclistas, motociclistas, taxistas e motoristas de carros e caminhões espaços cada vez mais reduzidos.
É louvável a preocupação do CONTRAN, devemos, contudo, perguntar:
E os ônibus? Será que dentro deles as crianças estarão mais seguras?
O Brasil é um país estranho. Nossa capital foi instalada no centro do país e lá funcionários já antigos em suas salas ditam regras para o Brasil inteiro. Essa centralização é perigosa. Aliás, gravíssima em todos os sentidos, a começar pela distribuição dos impostos que faltam aos municípios e estados, de onde saem montanhas de dinheiro que desaparecem em contas mágicas do Banco Central.
Segurança das crianças, quanto existe por fazer... Podemos começar pelas calçadas, pelas proteções que deveriam ter para que meninos e meninas não saíssem em direção às ruas sem pensar, na educação de motoristas e responsáveis por esses futuros adultos, na importância da direção segura a favor do pedestre, qualidade das calçadas, iluminação pública, desobstrução dos passeios etc.
No Brasil “a coisa” parece andar bem quando é para inventar custos e multas.
Precisamos repensar essas estratégias, talvez descentralizar leis que, se são ótimas para os funcionários federais em Brasília, talvez não sejam adequadas por aqui, onde, quem sabe, outras ações seriam amais eficazes, como, por exemplo, proibir radicalmente que motoristas e veículos precários dirijam seria lei severa.
Com bom senso o Brasil será melhor. Isso, contudo, dependerá muito de quem elegermos. Por isso é extremamente importante o voto consciente, a atenção nas qualidades de nossos candidatos. Nossos erros, eleitores, têm custado a vida de centenas de milhares de brasileiros...
Cascaes
1.9.2010
E se a segurança das crianças é importante, por quê não determiná-las em taxis, ônibus escolares e de transporte coletivo urbanos e interurbanos?
Considerando a intensidade da multa (7 pontos perdidos na carteira do motorista e R$ 191,54 de multa) pode-se imaginar a gravidade percebida pelos especialistas que a definiram. Insistindo, contudo, se é tão perigoso para uma criança ir sentada no banco de trás de um automóvel, se o cinto de segurança não é suficiente, por quê desprezam a segurança de crianças, jovens, adultos e idosos em ônibus urbanos?
A falta de coerência de nossas autoridades é preocupante. Temos situações de risco consideráveis. Em Curitiba, ilustrando, os ônibus que trafegam pelas canaletas (mão e contramão) podem atingir 60 km/h, o que significaria, num impacto frontal, 120 km/h de velocidade relativa, condição que certamente matará muita gente. Além disso, esses veículos em todas as cidades brasileiras, articulados ou não, competem com pedestres, ciclistas, motociclistas, taxistas e motoristas de carros e caminhões espaços cada vez mais reduzidos.
É louvável a preocupação do CONTRAN, devemos, contudo, perguntar:
E os ônibus? Será que dentro deles as crianças estarão mais seguras?
O Brasil é um país estranho. Nossa capital foi instalada no centro do país e lá funcionários já antigos em suas salas ditam regras para o Brasil inteiro. Essa centralização é perigosa. Aliás, gravíssima em todos os sentidos, a começar pela distribuição dos impostos que faltam aos municípios e estados, de onde saem montanhas de dinheiro que desaparecem em contas mágicas do Banco Central.
Segurança das crianças, quanto existe por fazer... Podemos começar pelas calçadas, pelas proteções que deveriam ter para que meninos e meninas não saíssem em direção às ruas sem pensar, na educação de motoristas e responsáveis por esses futuros adultos, na importância da direção segura a favor do pedestre, qualidade das calçadas, iluminação pública, desobstrução dos passeios etc.
No Brasil “a coisa” parece andar bem quando é para inventar custos e multas.
Precisamos repensar essas estratégias, talvez descentralizar leis que, se são ótimas para os funcionários federais em Brasília, talvez não sejam adequadas por aqui, onde, quem sabe, outras ações seriam amais eficazes, como, por exemplo, proibir radicalmente que motoristas e veículos precários dirijam seria lei severa.
Com bom senso o Brasil será melhor. Isso, contudo, dependerá muito de quem elegermos. Por isso é extremamente importante o voto consciente, a atenção nas qualidades de nossos candidatos. Nossos erros, eleitores, têm custado a vida de centenas de milhares de brasileiros...
Cascaes
1.9.2010
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O perigo do transporte
A decadência do transporte coletivo urbano de Curitiba
A capital paranaense teve momentos clássicos a favor de uma política de urbanismo inteligente. O arquiteto e ex-prefeito Jaime Lerner teve disposição para implantar as canaletas apesar da resistência feroz de muitos curitibanos assim como a criação de jardins lineares, que hoje poderiam ser avenidas à disposição para motoristas e suas corridas.
Na seqüência, quando Roberto Requião foi prefeito, definimos padrões técnicos para os ônibus, introduzimos a bilhetagem automática com fichas metálicas (inibindo trocas prejudiciais aos usuários), criou-se a frota pública, o pagamento por quilômetro foi implantado, o custo de gerenciamento (URBS) impedido de pesar na planilha de tarifas, os empresários deixaram de ser concessionários para virarem permissionários etc. Paralelamente já no início da instalação das canaletas tivemos as estações de integração e sempre a preocupação de se priorizar e melhorar o transporte coletivo.
As novas teses (mundiais) de urbanismo recomendam sistemas que reduzam a poluição e evitem o transporte motorizado individual. O transporte coletivo urbano está na moda e para regiões maiores até sistemas de trens suburbanos entram na pauta dos planejadores.
Infelizmente em Curitiba vivemos um período de decadência. A cidade foi dividida em três áreas de concessão travando a liberdade dos planejadores, os operadores assumiram compromisso de aumentar a velocidade média dos ônibus (pondo em risco maior a população, vide reportagem http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1042371&tit=Mais-um-onibus-desgovernado) e todas as lógicas de priorização do transporte coletivo gradativamente abandonadas.
São conceitos que podem ter amparo na redução do preço dos automóveis e conforto de quem pode usá-los e por efeito a falta de segurança do pedestre, desprezo pelas calçadas (péssimas), iluminação sem atenção ao ciclista ou caminhante, armadilhas por todo lado, e que encontram uma cidade saturada, sem espaços para mais veículos, principalmente carros para uso e lazer de motoristas de forma aleatória.
Precisamos convencer, mostrar, explicar, demonstrar ao povo curitibano que as atuais diretrizes são ruins, perigosas, inclusive.
Os acidentes com ônibus estão aparecendo nas estatísticas e podem ser autênticas tragédias. Motoristas estressados e veículos nem sempre adequados ao desafio de andar pela cidade ainda poderão aleijar ou matar muita gente que, ainda por luxo, caminha sobre calçadas péssimas e cheias de trambolhos.
Temos o projeto do metrô num trajeto pouco inteligente. Até nisso erraram. Para quê substituir a linha de superfície? Não seria mais lógico começar com um trajeto circular unindo terminais? Onde estão as pesquisas de origem e destino e as geológicas, de impacto ambiental etc. que recomendaram esse trajeto? Quem vai pagar o sistema?
Mais grave ainda a coisa parece para quem se criou em manutenção e operação de grandes instalações. Ainda não temos a empresa de metrô de Curitiba, ela não possui profissionais sendo preparados, acompanhando projetos e especificações, sendo treinada para a operação e manutenção das composições ferroviárias. Ou seja, começamos mal.
Concluindo vemos um quadro de irresponsabilidade assustador e desnecessário. Por quê?
Parabéns à Sociedad Peatonal e ao Movimento Passe livre, pelo menos temos um grupo de especialistas e cidadãos protestando, denunciando questões que deveriam ser melhor discutidas. Só lamentamos a ausência forte, enérgica, decidida de outras entidades.
Precisamos de todos nessa luta por um futuro melhor para o povo de Curitiba e sua Região Metropolitana.
Cascaes
1.9.2010
Na seqüência, quando Roberto Requião foi prefeito, definimos padrões técnicos para os ônibus, introduzimos a bilhetagem automática com fichas metálicas (inibindo trocas prejudiciais aos usuários), criou-se a frota pública, o pagamento por quilômetro foi implantado, o custo de gerenciamento (URBS) impedido de pesar na planilha de tarifas, os empresários deixaram de ser concessionários para virarem permissionários etc. Paralelamente já no início da instalação das canaletas tivemos as estações de integração e sempre a preocupação de se priorizar e melhorar o transporte coletivo.
As novas teses (mundiais) de urbanismo recomendam sistemas que reduzam a poluição e evitem o transporte motorizado individual. O transporte coletivo urbano está na moda e para regiões maiores até sistemas de trens suburbanos entram na pauta dos planejadores.
Infelizmente em Curitiba vivemos um período de decadência. A cidade foi dividida em três áreas de concessão travando a liberdade dos planejadores, os operadores assumiram compromisso de aumentar a velocidade média dos ônibus (pondo em risco maior a população, vide reportagem http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1042371&tit=Mais-um-onibus-desgovernado) e todas as lógicas de priorização do transporte coletivo gradativamente abandonadas.
São conceitos que podem ter amparo na redução do preço dos automóveis e conforto de quem pode usá-los e por efeito a falta de segurança do pedestre, desprezo pelas calçadas (péssimas), iluminação sem atenção ao ciclista ou caminhante, armadilhas por todo lado, e que encontram uma cidade saturada, sem espaços para mais veículos, principalmente carros para uso e lazer de motoristas de forma aleatória.
Precisamos convencer, mostrar, explicar, demonstrar ao povo curitibano que as atuais diretrizes são ruins, perigosas, inclusive.
Os acidentes com ônibus estão aparecendo nas estatísticas e podem ser autênticas tragédias. Motoristas estressados e veículos nem sempre adequados ao desafio de andar pela cidade ainda poderão aleijar ou matar muita gente que, ainda por luxo, caminha sobre calçadas péssimas e cheias de trambolhos.
Temos o projeto do metrô num trajeto pouco inteligente. Até nisso erraram. Para quê substituir a linha de superfície? Não seria mais lógico começar com um trajeto circular unindo terminais? Onde estão as pesquisas de origem e destino e as geológicas, de impacto ambiental etc. que recomendaram esse trajeto? Quem vai pagar o sistema?
Mais grave ainda a coisa parece para quem se criou em manutenção e operação de grandes instalações. Ainda não temos a empresa de metrô de Curitiba, ela não possui profissionais sendo preparados, acompanhando projetos e especificações, sendo treinada para a operação e manutenção das composições ferroviárias. Ou seja, começamos mal.
Concluindo vemos um quadro de irresponsabilidade assustador e desnecessário. Por quê?
Parabéns à Sociedad Peatonal e ao Movimento Passe livre, pelo menos temos um grupo de especialistas e cidadãos protestando, denunciando questões que deveriam ser melhor discutidas. Só lamentamos a ausência forte, enérgica, decidida de outras entidades.
Precisamos de todos nessa luta por um futuro melhor para o povo de Curitiba e sua Região Metropolitana.
Cascaes
1.9.2010
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Engenharia e Arquitetura e a ousadia
Qualquer cidadão deseja estabilidade, segurança, ou pelo menos essa é a vontade de muitas pessoas que estudam, trabalham, vivem dentro de seus padrões pré-fixados. Pode-se acreditar que a imensa maioria realmente gosta de viver confortavelmente, só arriscando o suficiente para sentir “adrenalina”, como ouvimos principalmente entre os jovens.
Um perigo é o excesso de timidez, ou virtude, dependendo do potencial de cada um. Obviamente não podemos querer que patos cantem feito canários e tartarugas saiam voando. De qualquer forma, se Darwin estava certo, foi o que aconteceu ao longo da história dos seres vivos sobre a Terra. De alguma forma seus ancestrais estimularam ou foram submetidos a mudanças e gradativamente ganharam aptidões extraordinárias.
Se as mudanças morfológicas consomem milhões ou bilhões de anos, alterar comportamentos é mais fácil, desde que saibamos estimular atitudes e reações. Durante uma semana, dois eventos vinculados ao CONFEA (Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010, discutiram a situação desses profissionais no Brasil e o cenário brasileiro. Nesse período tivemos a oportunidade de ouvir pessoas extraordinárias, entre elas o Dr. diretor geral da Brainstorming, Raul José dos Santos Grumbach, que, falando sobre “Cenários Prospectivos para o Brasil”, disse, entre outras coisas, evidentemente com os riscos da estimativa de cenários:
• as 10 profissões que serão indispensáveis em 2015 nem sequer existem em 2010;
• estamos preparando estudantes para profissões que nem existem, que usarão tecnologias que ainda não foram inventadas para resolver problemas que ainda nem sabemos que existem;
• estima-se que o conhecimento humano esteja dobrando a cada 72 horas;
• há previsões de que em 2022 haverá um supercomputador que excederá a capacidade computacional de um cérebro humano;
• em 2050 um computador de U$$ 1.000,00 excederá a capacidade computacional da humanidade;
Perguntando:
• qual será o perfil do Engenheiro do futuro?
• Em que grau a tecnologia substituirá o atual papel do Arquiteto, Agrônomo, Engenheiro, Tecnólogo, Médico, Professor etc.
Ou seja, quando vemos discussões bizantinas em torno de atribuições de profissionais, tipos de diploma e outras questões clássicas podemos estar esquecendo o futuro próximo, já nem distante.
Obviamente nada impede que simplesmente enfiemos a cabeça em algum buraco e façamos promessas e rezas para termos um futuro garantido, melhor. Isso acontecerá se continuarmos a ter como principal preocupação o resultado da Copa do Mundo ou gastarmos nossas energias para descobrir as delícias de algum vinho.
Sim, até a alienação é possível, pois felizmente alguns pensam, trabalham e lutam para que todos tenham uma vida melhor.
Queremos, apesar de toda a alienação de muitos, uma vida melhor. Diante dos tremendos desafios e oportunidades que aparecem, é tempo de aprofundarmos discussões sobre Engenharia, Arquitetura, Urbanismo, Mobilidade, Acessibilidade, sobrevivência, a vida, enfim.
Está aí um bom desafio para o CONFEA, CREAs, IAB, Universidades etc.
O Brasil não pode perder mais esse “bonde” com atavismos que já nos custaram muito caro. Com certeza nos centros mais desenvolvidos o futuro está sendo construído.
Cascaes
31.9.2010
Um perigo é o excesso de timidez, ou virtude, dependendo do potencial de cada um. Obviamente não podemos querer que patos cantem feito canários e tartarugas saiam voando. De qualquer forma, se Darwin estava certo, foi o que aconteceu ao longo da história dos seres vivos sobre a Terra. De alguma forma seus ancestrais estimularam ou foram submetidos a mudanças e gradativamente ganharam aptidões extraordinárias.
Se as mudanças morfológicas consomem milhões ou bilhões de anos, alterar comportamentos é mais fácil, desde que saibamos estimular atitudes e reações. Durante uma semana, dois eventos vinculados ao CONFEA (Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010, discutiram a situação desses profissionais no Brasil e o cenário brasileiro. Nesse período tivemos a oportunidade de ouvir pessoas extraordinárias, entre elas o Dr. diretor geral da Brainstorming, Raul José dos Santos Grumbach, que, falando sobre “Cenários Prospectivos para o Brasil”, disse, entre outras coisas, evidentemente com os riscos da estimativa de cenários:
• as 10 profissões que serão indispensáveis em 2015 nem sequer existem em 2010;
• estamos preparando estudantes para profissões que nem existem, que usarão tecnologias que ainda não foram inventadas para resolver problemas que ainda nem sabemos que existem;
• estima-se que o conhecimento humano esteja dobrando a cada 72 horas;
• há previsões de que em 2022 haverá um supercomputador que excederá a capacidade computacional de um cérebro humano;
• em 2050 um computador de U$$ 1.000,00 excederá a capacidade computacional da humanidade;
Perguntando:
• qual será o perfil do Engenheiro do futuro?
• Em que grau a tecnologia substituirá o atual papel do Arquiteto, Agrônomo, Engenheiro, Tecnólogo, Médico, Professor etc.
Ou seja, quando vemos discussões bizantinas em torno de atribuições de profissionais, tipos de diploma e outras questões clássicas podemos estar esquecendo o futuro próximo, já nem distante.
Obviamente nada impede que simplesmente enfiemos a cabeça em algum buraco e façamos promessas e rezas para termos um futuro garantido, melhor. Isso acontecerá se continuarmos a ter como principal preocupação o resultado da Copa do Mundo ou gastarmos nossas energias para descobrir as delícias de algum vinho.
Sim, até a alienação é possível, pois felizmente alguns pensam, trabalham e lutam para que todos tenham uma vida melhor.
Queremos, apesar de toda a alienação de muitos, uma vida melhor. Diante dos tremendos desafios e oportunidades que aparecem, é tempo de aprofundarmos discussões sobre Engenharia, Arquitetura, Urbanismo, Mobilidade, Acessibilidade, sobrevivência, a vida, enfim.
Está aí um bom desafio para o CONFEA, CREAs, IAB, Universidades etc.
O Brasil não pode perder mais esse “bonde” com atavismos que já nos custaram muito caro. Com certeza nos centros mais desenvolvidos o futuro está sendo construído.
Cascaes
31.9.2010
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18:40:00
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Brainstorming,
CONFEA,
Raul José dos Santos Grumbach
Engenheiros, arquitetos e acessibilidade no CONFEA
Algo extremamente preocupante acontece quando participamos de eventos nacionais sem atenção forte a questões de respeito ao cidadão, à sua dignidade, aos direitos humanos. Temos assuntos que a grande mídia escolheu para “mexer” com os brasileiros, com certeza os direitos das pessoas com deficiências (PcD) não são prioritários ou careceram de destaques fortes, contínuos e eficazes. O resultado é a perda de sensibilidade para questões relativas ao ser humano em geral.
Os governos e parlamentares fizeram sua parte, temos leis. Eles mesmos, contudo, arrefeceram suas ações diante da visão de neutralidade de uma nação jovem, ainda longe de problemas que poderão adquirir por doenças, acidentes ou simples envelhecimento.
Durante uma semana, dois eventos vinculados ao CONFEA[i], a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010, discutiram a situação desses profissionais no Brasil e o cenário brasileiro. Nesse ambiente reafirmou-se o apagão técnico que nosso país enfrentou nessas duas últimas décadas. Talvez pior que isso foi o desmanche de sentimentos de cidadania, o desvirtuamento de prioridades sociais (agora a moda é CO2 e floresta amazônica) e a alienação espantosa de nossas lideranças.
Nesse evento do CONFEA tivemos um Fórum da Mulher, poderia ser melhor, e nada exceto a atuação digna e merecedora de destaque do CREA do MS submetendo voluntários à utilização de cadeiras de rodas, vendas e bengalas. O tema “Acessibilidade” merece mais. Nesse congresso poderíamos ter, por exemplo, melhor uso para os telões, onde “closed caption” permitiria maior compreensão das palavras dos palestrantes e, paralelamente, tradutores em LIBRAS estariam no palco fazendo tradução simultânea. Cadeiras adequadas para obesos e melhor assistência aos idosos seria algo justo, até pela enorme quantidade de cabeças brancas.
O que não é privilégio deste evento é a omissão em relação às PcD.
O que constrange é saber que algo desta magnitude, reunindo profissionais que afetarão a vida de todos os brasileiros, não demonstrou de forma explícita, forte, cabal e marcante a importância do mútuo respeito e a importância da acessibilidade.
O próximo evento, a 68ª. SOEAA acontecerá em Florianópolis no próximo ano. Os CREAS devem construir propostas, levar teses, defender causas nesse evento. Nossa esperança é a de que tenhamos avanços significativos em questões sociais, até porque elas afetam profundamente o planejamento e manutenção de cidades, prédios, clubes, repartições públicas, fábricas etc.
Está na hora de nossos arquitetos e engenheiros se convencerem de que precisam dar atenção maior aos idosos, às PcD, às crianças. Vivemos num país em que os acidentes são espantosamente numerosos e trágicos por erros colossais de concepção, projeto, construção e manutenção de calçadas a ônibus, arenas a clubes, ruas a calçadas, habitações populares a condomínios de luxo etc., enfim, a muita coisa que poderia ser melhor, afinal tecnologia para isso existe. É só querer. Aí, contudo, nosso drama: nossos líderes têm consciência disso e amam seu povo?
Teremos eleições, vamos eleger presidente da República, governadores, parlamentares e, em nosso nível profissional, presidentes de CREAS e do CONFEA. Quais são as propostas e prioridades dos candidatos?
Cascaes
31.8.2010
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[i] O Confea surgiu oficialmente com esse nome em 11 de dezembro de 1933, por meio do Decreto nº 23.569, promulgado pelo então presidente da República, Getúlio Vargas e considerado marco na história da regulamentação profissional e técnica no Brasil.
Em sua concepção atual, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia é regido pela Lei 5.194 de 1966, e representa também os geógrafos, geólogos, meteorologistas, tecnólogos dessas modalidades, técnicos industriais e agrícolas e suas especializações, num total de centenas de títulos profissionais.
O Confea zela pelos interesses sociais e humanos de toda a sociedade e, com base nisso, regulamenta e fiscaliza o exercício profissional dos que atuam nas áreas que representa, tendo ainda como referência o respeito ao cidadão e à natureza.
Em seus cadastros, o Sistema Confea/Crea tem registrados 900 mil profissionais que respondem por cerca de 70% do PIB brasileiro, e movimentam um mercado de trabalho cada vez mais acirrado e exigente nas especializações e conhecimentos da tecnologia, alimentada intensamente pelas descobertas técnicas e científicas do homem.
O Conselho Federal é a instância máxima à qual um profissional pode recorrer no que se refere ao regulamento do exercício profissional.
http://www.confea.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=140&pai=4&sub=21
João Batista Lopes e o Ulisses - Piauí
Jary Castro
Os governos e parlamentares fizeram sua parte, temos leis. Eles mesmos, contudo, arrefeceram suas ações diante da visão de neutralidade de uma nação jovem, ainda longe de problemas que poderão adquirir por doenças, acidentes ou simples envelhecimento.
Durante uma semana, dois eventos vinculados ao CONFEA[i], a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010, discutiram a situação desses profissionais no Brasil e o cenário brasileiro. Nesse ambiente reafirmou-se o apagão técnico que nosso país enfrentou nessas duas últimas décadas. Talvez pior que isso foi o desmanche de sentimentos de cidadania, o desvirtuamento de prioridades sociais (agora a moda é CO2 e floresta amazônica) e a alienação espantosa de nossas lideranças.
Nesse evento do CONFEA tivemos um Fórum da Mulher, poderia ser melhor, e nada exceto a atuação digna e merecedora de destaque do CREA do MS submetendo voluntários à utilização de cadeiras de rodas, vendas e bengalas. O tema “Acessibilidade” merece mais. Nesse congresso poderíamos ter, por exemplo, melhor uso para os telões, onde “closed caption” permitiria maior compreensão das palavras dos palestrantes e, paralelamente, tradutores em LIBRAS estariam no palco fazendo tradução simultânea. Cadeiras adequadas para obesos e melhor assistência aos idosos seria algo justo, até pela enorme quantidade de cabeças brancas.
O que não é privilégio deste evento é a omissão em relação às PcD.
O que constrange é saber que algo desta magnitude, reunindo profissionais que afetarão a vida de todos os brasileiros, não demonstrou de forma explícita, forte, cabal e marcante a importância do mútuo respeito e a importância da acessibilidade.
O próximo evento, a 68ª. SOEAA acontecerá em Florianópolis no próximo ano. Os CREAS devem construir propostas, levar teses, defender causas nesse evento. Nossa esperança é a de que tenhamos avanços significativos em questões sociais, até porque elas afetam profundamente o planejamento e manutenção de cidades, prédios, clubes, repartições públicas, fábricas etc.
Está na hora de nossos arquitetos e engenheiros se convencerem de que precisam dar atenção maior aos idosos, às PcD, às crianças. Vivemos num país em que os acidentes são espantosamente numerosos e trágicos por erros colossais de concepção, projeto, construção e manutenção de calçadas a ônibus, arenas a clubes, ruas a calçadas, habitações populares a condomínios de luxo etc., enfim, a muita coisa que poderia ser melhor, afinal tecnologia para isso existe. É só querer. Aí, contudo, nosso drama: nossos líderes têm consciência disso e amam seu povo?
Teremos eleições, vamos eleger presidente da República, governadores, parlamentares e, em nosso nível profissional, presidentes de CREAS e do CONFEA. Quais são as propostas e prioridades dos candidatos?
Cascaes
31.8.2010
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[i] O Confea surgiu oficialmente com esse nome em 11 de dezembro de 1933, por meio do Decreto nº 23.569, promulgado pelo então presidente da República, Getúlio Vargas e considerado marco na história da regulamentação profissional e técnica no Brasil.
Em sua concepção atual, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia é regido pela Lei 5.194 de 1966, e representa também os geógrafos, geólogos, meteorologistas, tecnólogos dessas modalidades, técnicos industriais e agrícolas e suas especializações, num total de centenas de títulos profissionais.
O Confea zela pelos interesses sociais e humanos de toda a sociedade e, com base nisso, regulamenta e fiscaliza o exercício profissional dos que atuam nas áreas que representa, tendo ainda como referência o respeito ao cidadão e à natureza.
Em seus cadastros, o Sistema Confea/Crea tem registrados 900 mil profissionais que respondem por cerca de 70% do PIB brasileiro, e movimentam um mercado de trabalho cada vez mais acirrado e exigente nas especializações e conhecimentos da tecnologia, alimentada intensamente pelas descobertas técnicas e científicas do homem.
O Conselho Federal é a instância máxima à qual um profissional pode recorrer no que se refere ao regulamento do exercício profissional.
http://www.confea.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=140&pai=4&sub=21
João Batista Lopes e o Ulisses - Piauí
Jary Castro
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Esperança de renascimento da Engenharia
Durante uma semana, dois eventos vinculados ao CONFEA, a 67ª. Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e o 7º. Congresso Nacional dos Profissionais, realizado em Cuiabá, MT, de 22 a 28 de agosto de 2010 discutiram a situação desses profissionais no Brasil e o cenário brasileiro. Vimos e ouvimos com dados e fatos a decadência da aplicação das ciências exatas em nosso país e o apagão que ameaça inúmeras obras programadas. Chegamos a temer pelo resultado de muitos projetos em perspectiva, pois as profissões “engenheiro”, “Arquiteto” e “Agrônomo” perderam valor e deixaram de atrair inúmeros jovens, levando outros para países distantes e fazendo-nos regredir tecnicamente.
Duas décadas tenebrosas de ajustes econômicos e leis mal feitas mataram empresas de projetos, demoliram boas empreiteiras e indústrias e agora fazem falta na perspectiva de retomada do crescimento. As escolas dedicadas a essas profissões se esvaziaram. Não temos instituições bem equipadas nem para formar profissionais quanto mais para fiscalizar efetivamente suas atividades. Os indícios estão por aí em acidentes inexplicáveis e na falta absoluta de infraestrutura. Podemos dizer que alguns serviços não entraram em colapso total, mas também devemos lembrar que regressões econômicas e dilúvios salvaram a imagem de governos que teriam morrido na praia, desmoralizados pela inépcia.
Os problemas não são pequenos. Estradas saturadas, cidades engarrafadas, falta de segurança, saneamento básico, portos e aeroportos etc., uma coleção de equívocos gravíssimos piorados pela má qualidade de gestão técnica tem sido a tônica até de empresas privadas.
Caímos no discurso falso da compressão de tarifas (sem redução de impostos), preços impossíveis e péssimas especificações, leis tão mal feitas quanto a 8666 (carente de bons critérios na sua regulamentação) de modo a se evitar opções erradas...
A legislação ambiental, ineficaz e mal formulada, atrapalha e não impede o pior.
De qualquer modo parece que, pelo menos para agradar os cartolas da Copa do Mundo, teremos projetos de grande porte, mais ainda com as imensas usinas hidrelétricas em construção e algumas ferrovias e ajustes em rodovias e portos.
Estamos, contudo, carentes de bons profissionais.
E agora José?
Baixaram salários, aviltaram os postos de trabalho de engenheiros, arquitetos e agrônomos, desmotivaram carreiras, esvaziaram escolas. A lógica do leilão imperou. Ganhava serviço quem se dispusesse a fazer o que o contratante quisesse, ao preço que determinasse. É fácil de descobrir obras mal feitas, algumas extremamente perigosas. Valeu comprar vagão usado, queimar dormentes, asfaltar de qualquer jeito, fazer de conta que administravam... A relação de desmandos é gigantesca, só não é crime porque podem ser classificadas como simples atos ridículos de pessoas despreparadas em funções para as quais não estavam formadas.
Felizmente teremos eleições. Nossos eleitores deveriam estar muito atentos a tudo isso.
Lamentamos que muitos discursos e afirmações feitos na 67ª. SOEAA e 7ª. CNP não sejam divulgados pela grande imprensa. Além de mostrar a omissão de muitos líderes, que tiveram a responsabilidade da defesa do exercício da profissão em cargos específicos a esse fim, serviriam para alertar nossos eleitores para a necessidade de maior cuidado ao elegerem seus governantes e representantes.
Cascaes
30.7.2010
Duas décadas tenebrosas de ajustes econômicos e leis mal feitas mataram empresas de projetos, demoliram boas empreiteiras e indústrias e agora fazem falta na perspectiva de retomada do crescimento. As escolas dedicadas a essas profissões se esvaziaram. Não temos instituições bem equipadas nem para formar profissionais quanto mais para fiscalizar efetivamente suas atividades. Os indícios estão por aí em acidentes inexplicáveis e na falta absoluta de infraestrutura. Podemos dizer que alguns serviços não entraram em colapso total, mas também devemos lembrar que regressões econômicas e dilúvios salvaram a imagem de governos que teriam morrido na praia, desmoralizados pela inépcia.
Os problemas não são pequenos. Estradas saturadas, cidades engarrafadas, falta de segurança, saneamento básico, portos e aeroportos etc., uma coleção de equívocos gravíssimos piorados pela má qualidade de gestão técnica tem sido a tônica até de empresas privadas.
Caímos no discurso falso da compressão de tarifas (sem redução de impostos), preços impossíveis e péssimas especificações, leis tão mal feitas quanto a 8666 (carente de bons critérios na sua regulamentação) de modo a se evitar opções erradas...
A legislação ambiental, ineficaz e mal formulada, atrapalha e não impede o pior.
De qualquer modo parece que, pelo menos para agradar os cartolas da Copa do Mundo, teremos projetos de grande porte, mais ainda com as imensas usinas hidrelétricas em construção e algumas ferrovias e ajustes em rodovias e portos.
Estamos, contudo, carentes de bons profissionais.
E agora José?
Baixaram salários, aviltaram os postos de trabalho de engenheiros, arquitetos e agrônomos, desmotivaram carreiras, esvaziaram escolas. A lógica do leilão imperou. Ganhava serviço quem se dispusesse a fazer o que o contratante quisesse, ao preço que determinasse. É fácil de descobrir obras mal feitas, algumas extremamente perigosas. Valeu comprar vagão usado, queimar dormentes, asfaltar de qualquer jeito, fazer de conta que administravam... A relação de desmandos é gigantesca, só não é crime porque podem ser classificadas como simples atos ridículos de pessoas despreparadas em funções para as quais não estavam formadas.
Felizmente teremos eleições. Nossos eleitores deveriam estar muito atentos a tudo isso.
Lamentamos que muitos discursos e afirmações feitos na 67ª. SOEAA e 7ª. CNP não sejam divulgados pela grande imprensa. Além de mostrar a omissão de muitos líderes, que tiveram a responsabilidade da defesa do exercício da profissão em cargos específicos a esse fim, serviriam para alertar nossos eleitores para a necessidade de maior cuidado ao elegerem seus governantes e representantes.
Cascaes
30.7.2010
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Esperança de renascimento da Engenharia
Grilos políticos e dúvidas homéricas
O noticiário é ufanista. O Brasil vai bem. A Petrobras mergulha no oceano enquanto a agroindústria mostra os resultados de décadas de trabalho árduo. As montadoras, multinacionais, faturam alto e oferecem carros interessantes enquanto a construção civil retoma cadência positiva.
Nunca tantos brasileiros viram um processo de desenvolvimento provavelmente tão firme e seguro quanto agora. Pagamos caro por tudo isso, mas a teimosia do Presidente em sustentar um programa econômico polêmico mostra seus resultados.
Os índices de aceitação do Governo Federal são brilhantes. A simpatia do povo pelo Presidente Lula mostra que, apesar do Mensalão, ele teve competência para cativar a nação. Tivemos tantos governos ruins e alguns simplesmente desastrados que algum sucesso nas contas externas e maior carinho pelo povo já deixa nossa gente feliz.
Teremos eleições e o comando da nação mudará dentro de desafios consideráveis. O mundo ocidental quebrou graças a grupos empresariais criminosos. Gente absolutamente sem escrúpulos e com o poder que seus bancos gigantescos permitiam demoliu economias. No Brasil o estrago não foi maior porque aqui, via spreads absurdos e reservas saudáveis garantimos qualquer loucura.
Sim, estamos bem. Afinal o Brasil é um país colossal subexplorado economicamente. Pode muito mais. Temos espaços e riquezas naturais imensuráveis. Talvez por isso sentimos fortemente a atuação de grupos internacionais querendo demolir o Brasil. Sob cândidos pretextos temos conveniências brutais. Querem fazer da nossa terra espaço para guerras étnicas e raciais, já que as ideologias se desmoralizaram ao longo de décadas frustradas por caudilhos e lideranças totalitárias.
Vamos votar, em quem?
A mensagem é o “voto consciente”. Isso pressupõe conhecer bem os candidatos. O que nos assusta é lembrarmos de quantas formas fomos enganados, ludibriados pelos eleitos. Gafanhotos, fantasmas e outras “coisas” estão aí, num noticiário que perigosamente já não nos surpreende. Nosso povo facilmente se deixa inebriar com Copas e taças e esquece que as contas aparecerão, mais cedo ou tarde.
Felizmente, contudo, fugimos das taras neoliberais, do preciosismo conceitual dos ideólogos do dinheiro e o Estado Brasileiro investe pesado. Ferrovias, portos, estradas, hidroelétricas etc., com ou sem participação do povo, mas usando recursos do BNDES (dinheiro do povo) e de fundações, apoiando alguns grupos empresariais que nunca souberam usar outro tipo de dinheiro, dão ao Brasil uma cara nova. E podem muito mais. A Copel, por exemplo, a holding e sua fundação podem investir muito no Paraná. Projetos rentáveis interessam a acionistas, minoritários ou não, e o Paraná carece de boa infraestrutura...
Estamos numa boa fase, o dilema será eleger, escolher bem. Precisamos de governantes que tenham e apliquem bons critérios para escolha de seus ministros e projetos. Que saibam exercer seus mandatos a favor do povo e que não criem fantasias inúteis.
É bom sonhar com a hipótese de termos bons governos, merecemos.
Cascaes
30.8.2010
Nunca tantos brasileiros viram um processo de desenvolvimento provavelmente tão firme e seguro quanto agora. Pagamos caro por tudo isso, mas a teimosia do Presidente em sustentar um programa econômico polêmico mostra seus resultados.
Os índices de aceitação do Governo Federal são brilhantes. A simpatia do povo pelo Presidente Lula mostra que, apesar do Mensalão, ele teve competência para cativar a nação. Tivemos tantos governos ruins e alguns simplesmente desastrados que algum sucesso nas contas externas e maior carinho pelo povo já deixa nossa gente feliz.
Teremos eleições e o comando da nação mudará dentro de desafios consideráveis. O mundo ocidental quebrou graças a grupos empresariais criminosos. Gente absolutamente sem escrúpulos e com o poder que seus bancos gigantescos permitiam demoliu economias. No Brasil o estrago não foi maior porque aqui, via spreads absurdos e reservas saudáveis garantimos qualquer loucura.
Sim, estamos bem. Afinal o Brasil é um país colossal subexplorado economicamente. Pode muito mais. Temos espaços e riquezas naturais imensuráveis. Talvez por isso sentimos fortemente a atuação de grupos internacionais querendo demolir o Brasil. Sob cândidos pretextos temos conveniências brutais. Querem fazer da nossa terra espaço para guerras étnicas e raciais, já que as ideologias se desmoralizaram ao longo de décadas frustradas por caudilhos e lideranças totalitárias.
Vamos votar, em quem?
A mensagem é o “voto consciente”. Isso pressupõe conhecer bem os candidatos. O que nos assusta é lembrarmos de quantas formas fomos enganados, ludibriados pelos eleitos. Gafanhotos, fantasmas e outras “coisas” estão aí, num noticiário que perigosamente já não nos surpreende. Nosso povo facilmente se deixa inebriar com Copas e taças e esquece que as contas aparecerão, mais cedo ou tarde.
Felizmente, contudo, fugimos das taras neoliberais, do preciosismo conceitual dos ideólogos do dinheiro e o Estado Brasileiro investe pesado. Ferrovias, portos, estradas, hidroelétricas etc., com ou sem participação do povo, mas usando recursos do BNDES (dinheiro do povo) e de fundações, apoiando alguns grupos empresariais que nunca souberam usar outro tipo de dinheiro, dão ao Brasil uma cara nova. E podem muito mais. A Copel, por exemplo, a holding e sua fundação podem investir muito no Paraná. Projetos rentáveis interessam a acionistas, minoritários ou não, e o Paraná carece de boa infraestrutura...
Estamos numa boa fase, o dilema será eleger, escolher bem. Precisamos de governantes que tenham e apliquem bons critérios para escolha de seus ministros e projetos. Que saibam exercer seus mandatos a favor do povo e que não criem fantasias inúteis.
É bom sonhar com a hipótese de termos bons governos, merecemos.
Cascaes
30.8.2010
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Grilos políticos e dúvidas homéricas
Barreiras cruéis
O respeito aos direitos das Pessoas com Deficiências (PcD), algo transcendente até às firulas legais, pois é algo justo e adequado a um povo que se diz cristão, é frustrado de inúmeras maneiras. Se em outros países é assim, aqui vivemos e daqui falamos o que sabemos, sentimos e vivenciamos. Com certeza em nosso planeta temos bons e maus exemplos, é triste, contudo, ver o Brasil mal posicionado na maioria dos indicadores de civilidade.
De alguma maneira nossa sociedade parou ou regrediu, talvez anestesiada pelo noticiário constante em torno das questões ambientais ou simplesmente diante de cenários e notícias de violências maiores.
Felizmente aos poucos o Poder Judiciário vai descobrindo e aplicando os termos de uma legislação já não tão nova em torno das PcD.
Surpreendente, também, é descobrir que justamente no que deveria ser o pólo irradiador da cultura de respeito ao PcD e cidadania termos decisões que demandem PECs (Propostas de Emendas à Constituição) para se imporem a ministros alienados.
A notícia abaixo é emblemática:
Aprovada PEC que impede escolas de recusarem maiores de 18 anos com deficiência
A Comissão Especial da Educação Especializada para Deficientes da Câmara aprovou nesta-terça-feira (17), por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impede as escolas de recusarem estudantes com deficiência maiores de 18 anos. De autoria da deputada Rita Camata (ES), a PEC 347/09 determina que os alunos sejam atendidos em condições e horários adequados às suas necessidades especiais. A proposta foi acatada na forma de substitutivo apresentado pelo deputado Paulo Delgado (PT-MG) e seguirá para votação em plenário.
Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) de 2001 criou o conceito de “esgotamento das possibilidades educacionais”. Foi a partir dessa norma que começaram as interpretações erradas sobre o texto constitucional. Quando completava 18 anos, o aluno com deficiência tinha o atendimento interrompido ou era transferido para outra escola de Ensino de Jovens e Adultos (EJA).
Para a deputada, a PEC define de uma vez por todas que eles devem ter os mesmos direitos e oportunidades assegurados pela Constituição Federal. “A proposta assegura que todas as pessoas com deficiência têm um tempo diferenciado das demais. E garante que elas possam continuar aprendendo, seja com 10 ou 50 anos. Todos são iguais perante a lei”, explicou a deputada. De acordo com Rita Camata, sua proposta proporciona inclusão social, dignidade e cidadania.
Segundo o deputado Eduardo Barbosa (MG), a PEC corrige o "absurdo" que acontecia em escolas de todo o país. “Não podemos encerrar o processo educacional porque a pessoa fez 18 anos. Ela tem o direito de continuar frequentando o sistema escolar e, preferencialmente, na rede regular de ensino, próximo a sua casa e em horários adequados”, explicou.
http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=politica&cod=7522
Corrigindo, não surpreende. Vimos através do Ministério Público do Paraná e de questionamentos a favor dos surdos nas universidades as decisões do MEC (neste governo federal) para a contratação de tradutores LIBRAS. O que exigem é tanto que as escolas de terceiro grau encontram dificuldades para atender seus alunos deficientes auditivos.
O desrespeito ao PcD cria escola. Nossas autoridades não têm sensibilidade às pessoas com dificuldades de locomoção, audição, visão etc. Afinal, se nem o MEC se empenha neste sentido, quanto mais outras instituições com tantos problemas (nem sempre justos e decentes) para resolver...
Em Curitiba, por exemplo, não adianta pedir, chorar, reclamar, fazer reportagens, blogs, entrar na Justiça etc. A PMC continua sem dar prioridade à acessibilidade com segurança, destacando-se a questão “calçadas” que nunca poderia ser (por lei municipal) de responsabilidade dos proprietários dos imóveis. Sem padrões adequados, com manutenção precária e entupidas de barreiras simplesmente impedem a PcD uma vida normal, isso sem falar dos ônibus, dentro dos quais os passageiros são tratados como mercadoria não frágil (idosos, PcD, crianças, pessoas doentes etc.). Os exemplos são inúmeros e mostram as dificuldades de uma nação que está longe de compreender e aceitar conceitos e comportamentos sensatos.
Isso é Brasil, um Brasil que precisamos mudar nas próximas eleições.
Cascaes
19.8.2010
De alguma maneira nossa sociedade parou ou regrediu, talvez anestesiada pelo noticiário constante em torno das questões ambientais ou simplesmente diante de cenários e notícias de violências maiores.
Felizmente aos poucos o Poder Judiciário vai descobrindo e aplicando os termos de uma legislação já não tão nova em torno das PcD.
Surpreendente, também, é descobrir que justamente no que deveria ser o pólo irradiador da cultura de respeito ao PcD e cidadania termos decisões que demandem PECs (Propostas de Emendas à Constituição) para se imporem a ministros alienados.
A notícia abaixo é emblemática:
Aprovada PEC que impede escolas de recusarem maiores de 18 anos com deficiência
A Comissão Especial da Educação Especializada para Deficientes da Câmara aprovou nesta-terça-feira (17), por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impede as escolas de recusarem estudantes com deficiência maiores de 18 anos. De autoria da deputada Rita Camata (ES), a PEC 347/09 determina que os alunos sejam atendidos em condições e horários adequados às suas necessidades especiais. A proposta foi acatada na forma de substitutivo apresentado pelo deputado Paulo Delgado (PT-MG) e seguirá para votação em plenário.
Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) de 2001 criou o conceito de “esgotamento das possibilidades educacionais”. Foi a partir dessa norma que começaram as interpretações erradas sobre o texto constitucional. Quando completava 18 anos, o aluno com deficiência tinha o atendimento interrompido ou era transferido para outra escola de Ensino de Jovens e Adultos (EJA).
Para a deputada, a PEC define de uma vez por todas que eles devem ter os mesmos direitos e oportunidades assegurados pela Constituição Federal. “A proposta assegura que todas as pessoas com deficiência têm um tempo diferenciado das demais. E garante que elas possam continuar aprendendo, seja com 10 ou 50 anos. Todos são iguais perante a lei”, explicou a deputada. De acordo com Rita Camata, sua proposta proporciona inclusão social, dignidade e cidadania.
Segundo o deputado Eduardo Barbosa (MG), a PEC corrige o "absurdo" que acontecia em escolas de todo o país. “Não podemos encerrar o processo educacional porque a pessoa fez 18 anos. Ela tem o direito de continuar frequentando o sistema escolar e, preferencialmente, na rede regular de ensino, próximo a sua casa e em horários adequados”, explicou.
http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=politica&cod=7522
Corrigindo, não surpreende. Vimos através do Ministério Público do Paraná e de questionamentos a favor dos surdos nas universidades as decisões do MEC (neste governo federal) para a contratação de tradutores LIBRAS. O que exigem é tanto que as escolas de terceiro grau encontram dificuldades para atender seus alunos deficientes auditivos.
O desrespeito ao PcD cria escola. Nossas autoridades não têm sensibilidade às pessoas com dificuldades de locomoção, audição, visão etc. Afinal, se nem o MEC se empenha neste sentido, quanto mais outras instituições com tantos problemas (nem sempre justos e decentes) para resolver...
Em Curitiba, por exemplo, não adianta pedir, chorar, reclamar, fazer reportagens, blogs, entrar na Justiça etc. A PMC continua sem dar prioridade à acessibilidade com segurança, destacando-se a questão “calçadas” que nunca poderia ser (por lei municipal) de responsabilidade dos proprietários dos imóveis. Sem padrões adequados, com manutenção precária e entupidas de barreiras simplesmente impedem a PcD uma vida normal, isso sem falar dos ônibus, dentro dos quais os passageiros são tratados como mercadoria não frágil (idosos, PcD, crianças, pessoas doentes etc.). Os exemplos são inúmeros e mostram as dificuldades de uma nação que está longe de compreender e aceitar conceitos e comportamentos sensatos.
Isso é Brasil, um Brasil que precisamos mudar nas próximas eleições.
Cascaes
19.8.2010
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Barreiras cruéis
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
República sindical
O fascismo italiano propunha a criação de um estado corporativista. Mussolini tomou o Poder e fez da Itália um estado totalitário. Na Argentina e no Brasil, em diversos períodos, corporações militares se deram o direito de alternar o poder com as elites do café e do leite, assim, além dos sindicatos dos leiteiros e cafeeiros, passamos por ditaduras de generais e marechais.
Antes desses períodos corporativos o Brasil passou pela experiência da Monarquia, ou seja, um grupo de pessoas que, sob bênçãos divinas, dizia-se legítima dona do Brasil.
Agora o medo é das centrais sindicais. Realmente elas assustam, essas centrais talvez disputem com outras, mais antigas, o famoso Poder. Febraban, FIESP, cartéis, sindicatos explícitos de empresários mandam no Brasil, tanto mandam que nossas leis eleitorais não mudam, continuam dependendo de dinheiro privado para a sustentação de campanhas caríssimas.
As centrais sindicais ganharam força nesses últimos anos assim como outros processos de arregimentação da população. Isso assusta quem está no comando do país. Afinal, como escritores mais atentos já o disseram, os poderosos têm medo. Quem tem algo a perder não gosta de descer do pedestal de suas facilidades.
Infelizmente nessa constelação de sindicatos, cartéis, associações etc. faltem os sindicatos que representem o povo mais simples, os deserdados, os sem terra, sem profissão, sem saúde, sem emprego... É até interessante notar na maioria das discussões, audiências públicas etc. a ausência do povo real. Vemos, nesses ambientes, líderes de ONGs, partidos políticos, empreiteiras, indústrias e até de religiões, mas não encontraremos, com raras exceções, os catadores de lixo, os favelados, os mais pobres até porque dificilmente saberão da existência desses eventos.
Maravilhosamente o Brasil muda. Ser rico ou poderoso não é sinônimo de maldade. Nossas elites, pelo menos alguns de seus representantes, acordaram para a necessidade de redenção universal, do povo. Talvez tenham chegado lá por simples conveniência. Afinal prêmios no outro mundo ou os perigos dos assaltos e assassinatos feitos por pessoas desesperadas tenham afetado suas decisões.
Existe gente boa e má, pessoas de boas e péssimas índoles em qualquer ambiente. Na história da Humanidade vimos os efeitos de paranóicos no Poder assim como de pessoas especiais, promovendo avanços espetaculares.
Nesse processo de avanços e recuos chegamos à Democracia, tímida ou ampliada, pois a palavra, apesar de querer dizer basicamente “governo do povo, pelo povo” sofreu restrições na compreensão do que os poderosos entenderam por essa palavrinha pequena, mas extremamente importante: POVO.
Para completar o quadro atual, o modelo brasileiro de organização, talvez esteja faltando o sindicato mais importante, o dos brasileiros mais desprotegidos, abandonados, sem recursos para manterem escritórios em Brasília e nas capitais estaduais, fazendo lobby e ...
Na república sindicalista brasileira precisamos viabilizar a presença de todos, pois o perigo é termos situações contínuas de desrespeito àqueles que dependem do SUS, por exemplo. Tivemos progressos importantes, a representação é quase completa, mas ainda sentimos a falta de uma parcela significativa dessa estrutura de poder.
Teremos eleições, pobre também vota. Vamos trabalhar para que tenham boa orientação e não desperdicem seus votos. Pode ser utopia, mas é uma boa luta.
Cascaes
18.8.2010
Antes desses períodos corporativos o Brasil passou pela experiência da Monarquia, ou seja, um grupo de pessoas que, sob bênçãos divinas, dizia-se legítima dona do Brasil.
Agora o medo é das centrais sindicais. Realmente elas assustam, essas centrais talvez disputem com outras, mais antigas, o famoso Poder. Febraban, FIESP, cartéis, sindicatos explícitos de empresários mandam no Brasil, tanto mandam que nossas leis eleitorais não mudam, continuam dependendo de dinheiro privado para a sustentação de campanhas caríssimas.
As centrais sindicais ganharam força nesses últimos anos assim como outros processos de arregimentação da população. Isso assusta quem está no comando do país. Afinal, como escritores mais atentos já o disseram, os poderosos têm medo. Quem tem algo a perder não gosta de descer do pedestal de suas facilidades.
Infelizmente nessa constelação de sindicatos, cartéis, associações etc. faltem os sindicatos que representem o povo mais simples, os deserdados, os sem terra, sem profissão, sem saúde, sem emprego... É até interessante notar na maioria das discussões, audiências públicas etc. a ausência do povo real. Vemos, nesses ambientes, líderes de ONGs, partidos políticos, empreiteiras, indústrias e até de religiões, mas não encontraremos, com raras exceções, os catadores de lixo, os favelados, os mais pobres até porque dificilmente saberão da existência desses eventos.
Maravilhosamente o Brasil muda. Ser rico ou poderoso não é sinônimo de maldade. Nossas elites, pelo menos alguns de seus representantes, acordaram para a necessidade de redenção universal, do povo. Talvez tenham chegado lá por simples conveniência. Afinal prêmios no outro mundo ou os perigos dos assaltos e assassinatos feitos por pessoas desesperadas tenham afetado suas decisões.
Existe gente boa e má, pessoas de boas e péssimas índoles em qualquer ambiente. Na história da Humanidade vimos os efeitos de paranóicos no Poder assim como de pessoas especiais, promovendo avanços espetaculares.
Nesse processo de avanços e recuos chegamos à Democracia, tímida ou ampliada, pois a palavra, apesar de querer dizer basicamente “governo do povo, pelo povo” sofreu restrições na compreensão do que os poderosos entenderam por essa palavrinha pequena, mas extremamente importante: POVO.
Para completar o quadro atual, o modelo brasileiro de organização, talvez esteja faltando o sindicato mais importante, o dos brasileiros mais desprotegidos, abandonados, sem recursos para manterem escritórios em Brasília e nas capitais estaduais, fazendo lobby e ...
Na república sindicalista brasileira precisamos viabilizar a presença de todos, pois o perigo é termos situações contínuas de desrespeito àqueles que dependem do SUS, por exemplo. Tivemos progressos importantes, a representação é quase completa, mas ainda sentimos a falta de uma parcela significativa dessa estrutura de poder.
Teremos eleições, pobre também vota. Vamos trabalhar para que tenham boa orientação e não desperdicem seus votos. Pode ser utopia, mas é uma boa luta.
Cascaes
18.8.2010
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República sindical
O planejamento urbano e a educação
Afinal o que é uma cidade? Quantas pessoas devem morar próximas para que se viabilize uma visão urbana? Viajando pelo Brasil podemos ficar confusos, pois muitos municípios existem em torno de pequenas aglomerações, onde eventualmente encontramos algo mais que a Prefeitura, algum cartório, igreja e praça. As escolas nem sempre merecem o mesmo capricho dado às autoridades formais, o que gerou multidões de analfabetos em nosso território.
Novas visões políticas, contudo, colocaram a Educação em foco e já não temos situações comuns no Brasil dos anos sessenta do século passado, quando os salários dos professores, além de ridículos, atrasavam eventualmente, em alguns estados e até da União, por meses a fio. Principalmente no que se chamava de escola primária, as professoras, na visão patriarcal da época, deveriam depender de seus familiares. O salário era um ganho adicional dispensável...
Mudamos muito nessas últimas décadas. O número de estabelecimentos de ensino (em todos os níveis) cresceu exponencialmente. A industrialização e a organização de grandes empresas estatais mostraram a carência de profissionais. Tivemos dentro de algumas delas centros de treinamento, que eram autênticas universidades. Grandes laboratórios e estímulo a cursos de mestrado apareceram no início da década de setenta, criando-se no Brasil uma base que não tem mais retorno, avança e abraça, inclusive, temas mais complexos pelas novas visões de sustentabilidade, acessibilidade, diversidade em todos os sentidos, cidadania, enfim.
Essa complexidade cultural começa a exigir novas posturas políticas. As decisões precisam ser bem pensadas. Obviamente a democracia verde amarela é um tanto relativa e, apuradas as eleições, entronizamos pessoas que, não raramente, esquecem discursos e propostas. De uma certa forma o povo encontrava dificuldade de se expressar, o que felizmente é coisa do passado. As telecomunicações vieram com tudo e não há mais como passar trotes na população sem chamar a atenção dos mais atentos.
O desenvolvimento do nosso povo não é uniforme, algo perfeitamente compreensível diante da diversidade cultural e econômica desse país-continente. Somos deixados em paz graças ao nosso tamanho (querem dividir o Brasil), mas também temos dificuldades diante do gigantismo territorial. Assim eleições para presidente da República são norteadas por propostas assistencialistas, projetos simplórios e discursos medíocres. A esperança é que, apesar disso, tenhamos gente capaz no governo...
As dificuldades de escolha de bons governantes acontecem em diversas escalas, tudo dependendo da formação das comunidades, dos estados.
As cidades brasileiras, unidade base de qualquer nação, agora estão sob inúmeras leis disciplinadoras de seu desenvolvimento. Vemos isso lendo o livro “O Automóvel” (Caruso, 2010) que apresenta dez entrevistas com pessoas de destaque em urbanismo e/ou rodoviarismo. Nas palavras dos entrevistados a preocupação com o planejamento urbano é onipresente, assim como as muitas formas de educação e de respeito às melhores lógicas de ocupação de espaços.
Ou seja, no Brasil já podemos contar com excelentes profissionais (o livro mostra isso) para a construção e reforma de nossas cidades, talvez só esteja faltando, ainda, é educação suficiente para se compreender a importância da “NÃO IMPROVISAÇÃO”.
Cascaes
18.8.2010
Caruso, R. C. (2010). O Automóvel, o planejamento urbano: a crise das cidades. Florianópolis: fiscal TECH.
Novas visões políticas, contudo, colocaram a Educação em foco e já não temos situações comuns no Brasil dos anos sessenta do século passado, quando os salários dos professores, além de ridículos, atrasavam eventualmente, em alguns estados e até da União, por meses a fio. Principalmente no que se chamava de escola primária, as professoras, na visão patriarcal da época, deveriam depender de seus familiares. O salário era um ganho adicional dispensável...
Mudamos muito nessas últimas décadas. O número de estabelecimentos de ensino (em todos os níveis) cresceu exponencialmente. A industrialização e a organização de grandes empresas estatais mostraram a carência de profissionais. Tivemos dentro de algumas delas centros de treinamento, que eram autênticas universidades. Grandes laboratórios e estímulo a cursos de mestrado apareceram no início da década de setenta, criando-se no Brasil uma base que não tem mais retorno, avança e abraça, inclusive, temas mais complexos pelas novas visões de sustentabilidade, acessibilidade, diversidade em todos os sentidos, cidadania, enfim.
Essa complexidade cultural começa a exigir novas posturas políticas. As decisões precisam ser bem pensadas. Obviamente a democracia verde amarela é um tanto relativa e, apuradas as eleições, entronizamos pessoas que, não raramente, esquecem discursos e propostas. De uma certa forma o povo encontrava dificuldade de se expressar, o que felizmente é coisa do passado. As telecomunicações vieram com tudo e não há mais como passar trotes na população sem chamar a atenção dos mais atentos.
O desenvolvimento do nosso povo não é uniforme, algo perfeitamente compreensível diante da diversidade cultural e econômica desse país-continente. Somos deixados em paz graças ao nosso tamanho (querem dividir o Brasil), mas também temos dificuldades diante do gigantismo territorial. Assim eleições para presidente da República são norteadas por propostas assistencialistas, projetos simplórios e discursos medíocres. A esperança é que, apesar disso, tenhamos gente capaz no governo...
As dificuldades de escolha de bons governantes acontecem em diversas escalas, tudo dependendo da formação das comunidades, dos estados.
As cidades brasileiras, unidade base de qualquer nação, agora estão sob inúmeras leis disciplinadoras de seu desenvolvimento. Vemos isso lendo o livro “O Automóvel” (Caruso, 2010) que apresenta dez entrevistas com pessoas de destaque em urbanismo e/ou rodoviarismo. Nas palavras dos entrevistados a preocupação com o planejamento urbano é onipresente, assim como as muitas formas de educação e de respeito às melhores lógicas de ocupação de espaços.
Ou seja, no Brasil já podemos contar com excelentes profissionais (o livro mostra isso) para a construção e reforma de nossas cidades, talvez só esteja faltando, ainda, é educação suficiente para se compreender a importância da “NÃO IMPROVISAÇÃO”.
Cascaes
18.8.2010
Caruso, R. C. (2010). O Automóvel, o planejamento urbano: a crise das cidades. Florianópolis: fiscal TECH.
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O planejamento urbano e a educação
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Serviços essenciais e bom governo
A opinião de especialistas pode, eventualmente, vir comprometida por interesses profissionais e vinculações inevitáveis com patrões e empresas. A paixão pura e simples também atrapalha, afinal o ser humano se deixa, facilmente, dominar pelas emoções. Para completar as dúvidas devemos ponderar sobre a inteligência e vinculações ideológicas, nem sempre saudáveis.
Por tudo isso em temas polêmicos precisamos prestar muita atenção a uma série de informações e procurar na diversidade a convergência.
A privatização das concessionárias e grandes estatais vinculadas a atividades estratégicas foi indubitavelmente atabalhoada, mal feita. As agências, criadas para garantir o respeito a contratos, estruturaram-se penosamente; algumas delas ainda distantes do padrão necessário e suficiente. O contingenciamento de verbas estranhamente atingiu em cheio essas instituições essenciais ao modelo privatizante. As concessionárias livres e sem fiscalização adequada fizeram o que bem entenderam, algumas já levando o povo brasileiro a perder a paciência e servindo de base para discursos contra novas privatizações. A qualidade de serviços foi relegada ao segundo plano, a confiabilidade esquecida e até planilhas, custos etc. deixaram de ser analisados de forma adequada.
Sem atuação forte do Governo e na falta de projetos necessários e suficientes ao nosso país por parte da iniciativa privada (que manda muito nessas terras), quem perdeu foi o povo brasileiro. Um exemplo desse pesadelo é a infraestrutura de transporte de carga e passageiros. Foi preciso um campeonato de futebol e um cartola da FIFA para que o Brasil despertasse de seu torpor.
Muito tem sido escrito a respeito em alguns meios mais esclarecidos, vale, registrar com destaque a entrevista de Alexandre Castilho, inspetor da Polícia Rodoviária Federal em Brasília ao tempo da edição do livro “O Automóvel” (Caruso, 2010), organizado por Raimundo C. Caruso onde ele diz (capítulo “Como evitar 35 mil mortos nas rodovias e ruas das cidades”, pg 30):
“E o que encontramos no nosso país? Encontramos a ameaçadora promiscuidade do transporte de soja, de petróleo e gasolina, dos eletrodomésticos, dos veículos novos, dos carros populares circulando na mão de gente que nunca dirigiu na estrada e agora está descobrindo o turismo interno, de custos baixos. E há também os turistas sul-americanos que estão vindo para o Brasil, tudo misturado numa rodovia de mão e contramão!
Essa é uma mistura perigosa, explosiva, que as estatísticas de mortes, feridos e incapacitados, de forma permanente, revelam, desgraçadamente, muito bem. Aí está o caminhoneiro que tem hora para chegar, da mesma forma que o verdureiro, e o turista que não deveria ter tanta pressa, mas que, se pudesse, apertaria um botão para chegar ao destino, no mesmo instante. Corre mais que todos...”
Ou seja, na falta de boas ferrovias, aeroportos, portos e acessórios temos uma tragédia permanente, brutal, que já não é notícia, virou simples estatística.
O Brasil pode, graças ao cenário econômico e à flexibilização conceitual, diante do fracasso de muitas concessionárias privatizadas ou simplesmente sempre privadas (vide transporte coletivo urbano, raramente eficaz) refazer este cenário, acelerando projetos essenciais ao nosso país.
Infelizmente muitos obstáculos foram criados. Temos uma legislação “moderna” e pouco inteligente. A regulamentação de nossas leis, com raras exceções, é um desastre, algo feito para viabilização de tribunais, varas, multas, impostos e... Ou seja, os próximos legisladores poderão atuar racionalizando o que existe, só isso, não há necessidade de mais nada para justificarem seus postos.
Nossa esperança sempre é a renovação política e o aprimoramento do Governo, o voto consciente, a eleição de gente competente. Felizmente teremos essa oportunidade logo, o fundamental é não desperdiçar o voto.
Cascaes
16.8.2010
Caruso, R. C. (2010). O Automóvel, o planejamento urbano: a crise das cidades. Florianópolis: fiscal TECH.
Por tudo isso em temas polêmicos precisamos prestar muita atenção a uma série de informações e procurar na diversidade a convergência.
A privatização das concessionárias e grandes estatais vinculadas a atividades estratégicas foi indubitavelmente atabalhoada, mal feita. As agências, criadas para garantir o respeito a contratos, estruturaram-se penosamente; algumas delas ainda distantes do padrão necessário e suficiente. O contingenciamento de verbas estranhamente atingiu em cheio essas instituições essenciais ao modelo privatizante. As concessionárias livres e sem fiscalização adequada fizeram o que bem entenderam, algumas já levando o povo brasileiro a perder a paciência e servindo de base para discursos contra novas privatizações. A qualidade de serviços foi relegada ao segundo plano, a confiabilidade esquecida e até planilhas, custos etc. deixaram de ser analisados de forma adequada.
Sem atuação forte do Governo e na falta de projetos necessários e suficientes ao nosso país por parte da iniciativa privada (que manda muito nessas terras), quem perdeu foi o povo brasileiro. Um exemplo desse pesadelo é a infraestrutura de transporte de carga e passageiros. Foi preciso um campeonato de futebol e um cartola da FIFA para que o Brasil despertasse de seu torpor.
Muito tem sido escrito a respeito em alguns meios mais esclarecidos, vale, registrar com destaque a entrevista de Alexandre Castilho, inspetor da Polícia Rodoviária Federal em Brasília ao tempo da edição do livro “O Automóvel” (Caruso, 2010), organizado por Raimundo C. Caruso onde ele diz (capítulo “Como evitar 35 mil mortos nas rodovias e ruas das cidades”, pg 30):
“E o que encontramos no nosso país? Encontramos a ameaçadora promiscuidade do transporte de soja, de petróleo e gasolina, dos eletrodomésticos, dos veículos novos, dos carros populares circulando na mão de gente que nunca dirigiu na estrada e agora está descobrindo o turismo interno, de custos baixos. E há também os turistas sul-americanos que estão vindo para o Brasil, tudo misturado numa rodovia de mão e contramão!
Essa é uma mistura perigosa, explosiva, que as estatísticas de mortes, feridos e incapacitados, de forma permanente, revelam, desgraçadamente, muito bem. Aí está o caminhoneiro que tem hora para chegar, da mesma forma que o verdureiro, e o turista que não deveria ter tanta pressa, mas que, se pudesse, apertaria um botão para chegar ao destino, no mesmo instante. Corre mais que todos...”
Ou seja, na falta de boas ferrovias, aeroportos, portos e acessórios temos uma tragédia permanente, brutal, que já não é notícia, virou simples estatística.
O Brasil pode, graças ao cenário econômico e à flexibilização conceitual, diante do fracasso de muitas concessionárias privatizadas ou simplesmente sempre privadas (vide transporte coletivo urbano, raramente eficaz) refazer este cenário, acelerando projetos essenciais ao nosso país.
Infelizmente muitos obstáculos foram criados. Temos uma legislação “moderna” e pouco inteligente. A regulamentação de nossas leis, com raras exceções, é um desastre, algo feito para viabilização de tribunais, varas, multas, impostos e... Ou seja, os próximos legisladores poderão atuar racionalizando o que existe, só isso, não há necessidade de mais nada para justificarem seus postos.
Nossa esperança sempre é a renovação política e o aprimoramento do Governo, o voto consciente, a eleição de gente competente. Felizmente teremos essa oportunidade logo, o fundamental é não desperdiçar o voto.
Cascaes
16.8.2010
Caruso, R. C. (2010). O Automóvel, o planejamento urbano: a crise das cidades. Florianópolis: fiscal TECH.
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bom governo,
Serviços essenciais
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Ferrovias no Brasil e no Paraná
Meu amigo Paulo Ferraz, pessoa extremamente bem informada no setor ferroviário, mandou-me o seguinte email:
No Brasil 16.000 km de ferrovias agonizam sendo desativados e canibalizados pelas concessionárias. Para reconstruir a mesma extensão de linhas o Governo Federal precisará investir R$ 40 bilhões de recursos públicos.
Temos também a considerar os passivos acarretados com o processo de privatização sejam os ambientais em conseqüências dos graves acidentes que vem ocorrendo; os trabalhistas (retroagem 5 anos ) resultado do reflexo para a União ( RFFSA) dos custos das 35.000 demissões praticadas pelas concessionárias no inicio da transição e prejuízos econômico as centenas de clientes excluídos dos atendimentos do transporte ferroviário.
Esses valores podem chegar a R$ 10 bilhões.
Segundo a ANTF - Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários os Concessionários de ferrovias investiram de 1997 a 2009 o montante de 20 bilhões de reais (valor que se auditado diminui drasticamente).
Desse valor o BNDES não anuncia quanto entregou as Concessionárias, as garantias recebidas, em que obras foram aplicados e o retorno econômico-social desses recursos, pois considera esses dados sigilosos.
Nesses 12 anos as Concessionárias além do faturamento dos fretes sobre os transportes tiveram também receita da venda de sucatas ( objeto de apuração da Policia Federal ) e de negócios explorando o patrimônio arrendado.
Não é preciso ser um grande economista pra ver que a privatização foi um mau negócio que vem gerando bilhões de reais de prejuízos que se acumulam a cada ano.
Que providencias serão tomadas para estancar esse crime ao patrimônio público e quem irá cobrar dos responsáveis o prejuízo ao país?
PRESIDENTE DA VALEC CONFIRMA SUCATEAMENTO
"No decreto previsto para ser assinado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, inclui-se a possibilidade de o governo fazer uso do trecho ferroviário que atualmente pertence às concessionárias, mas que não seja explorado comercialmente. Hoje, segundo José Francisco das Neves, presidente da Valec, há mais de 16 mil km de malha nessa situação" ( trecho de matéria publicada no Valor Econômico dia 111/8/2010 ).
Mais uma vez ele, no desespero e angústia de bom brasileiro, procura chamar a atenção para um modal que faz uma tremenda falta ao país. É fácil sentir a ausência dos trilhos. Rodovias recentemente duplicadas já mostram sinais de saturação. Os acidentes rodoviários matam dezenas de milhares de brasileiros e deixam muitos mais com lesões permanentes. O prejuízo da falta de boa infraestrutura de transporte de cargas é colossal, agregando custos a produtos que assim perdem competitividade ou diminuem o lucro dos produtores.
Recuperar a malha ferroviária do Paraná, por exemplo, não é algo assim tão absurdo. A Copel, que já faz um alcooduto, a “holding Copel”, poderia assumir essa tarefa se algumas restrições equivocadas forem superadas (se é que existem). Fundações precisam de bons projetos diante da expectativa de redução da mamata dos juros altos. O país volta a crescer, ou seja, precisamos urgentemente discutir com profundidade, entusiasmo e dedicação a infraestrutura de nosso país, nós aqui a do Paraná.
Se fazer obras para a Copa do Mundo agrada esportistas de TV, pipoca, cerveja e cadeira de Arena e cria projetos bons e maus, cuidar da infraestrutura de nosso país (revendo-se, inclusive, modelos apressados, mal pensados e pessimamente executados de privatização) é imperioso diante dos desafios do século 21.
O transporte ferroviário é um dos setores mais afetados pela tenebrosa privatização fernandina. É hora de se corrigir erros do passado e iniciarmos propostas e projetos decentes.
A campanha eleitoral está começando, vamos ver o que nossos candidatos têm a dizer.
Cascaes
16.8.2010
No Brasil 16.000 km de ferrovias agonizam sendo desativados e canibalizados pelas concessionárias. Para reconstruir a mesma extensão de linhas o Governo Federal precisará investir R$ 40 bilhões de recursos públicos.
Temos também a considerar os passivos acarretados com o processo de privatização sejam os ambientais em conseqüências dos graves acidentes que vem ocorrendo; os trabalhistas (retroagem 5 anos ) resultado do reflexo para a União ( RFFSA) dos custos das 35.000 demissões praticadas pelas concessionárias no inicio da transição e prejuízos econômico as centenas de clientes excluídos dos atendimentos do transporte ferroviário.
Esses valores podem chegar a R$ 10 bilhões.
Segundo a ANTF - Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários os Concessionários de ferrovias investiram de 1997 a 2009 o montante de 20 bilhões de reais (valor que se auditado diminui drasticamente).
Desse valor o BNDES não anuncia quanto entregou as Concessionárias, as garantias recebidas, em que obras foram aplicados e o retorno econômico-social desses recursos, pois considera esses dados sigilosos.
Nesses 12 anos as Concessionárias além do faturamento dos fretes sobre os transportes tiveram também receita da venda de sucatas ( objeto de apuração da Policia Federal ) e de negócios explorando o patrimônio arrendado.
Não é preciso ser um grande economista pra ver que a privatização foi um mau negócio que vem gerando bilhões de reais de prejuízos que se acumulam a cada ano.
Que providencias serão tomadas para estancar esse crime ao patrimônio público e quem irá cobrar dos responsáveis o prejuízo ao país?
PRESIDENTE DA VALEC CONFIRMA SUCATEAMENTO
"No decreto previsto para ser assinado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, inclui-se a possibilidade de o governo fazer uso do trecho ferroviário que atualmente pertence às concessionárias, mas que não seja explorado comercialmente. Hoje, segundo José Francisco das Neves, presidente da Valec, há mais de 16 mil km de malha nessa situação" ( trecho de matéria publicada no Valor Econômico dia 111/8/2010 ).
Mais uma vez ele, no desespero e angústia de bom brasileiro, procura chamar a atenção para um modal que faz uma tremenda falta ao país. É fácil sentir a ausência dos trilhos. Rodovias recentemente duplicadas já mostram sinais de saturação. Os acidentes rodoviários matam dezenas de milhares de brasileiros e deixam muitos mais com lesões permanentes. O prejuízo da falta de boa infraestrutura de transporte de cargas é colossal, agregando custos a produtos que assim perdem competitividade ou diminuem o lucro dos produtores.
Recuperar a malha ferroviária do Paraná, por exemplo, não é algo assim tão absurdo. A Copel, que já faz um alcooduto, a “holding Copel”, poderia assumir essa tarefa se algumas restrições equivocadas forem superadas (se é que existem). Fundações precisam de bons projetos diante da expectativa de redução da mamata dos juros altos. O país volta a crescer, ou seja, precisamos urgentemente discutir com profundidade, entusiasmo e dedicação a infraestrutura de nosso país, nós aqui a do Paraná.
Se fazer obras para a Copa do Mundo agrada esportistas de TV, pipoca, cerveja e cadeira de Arena e cria projetos bons e maus, cuidar da infraestrutura de nosso país (revendo-se, inclusive, modelos apressados, mal pensados e pessimamente executados de privatização) é imperioso diante dos desafios do século 21.
O transporte ferroviário é um dos setores mais afetados pela tenebrosa privatização fernandina. É hora de se corrigir erros do passado e iniciarmos propostas e projetos decentes.
A campanha eleitoral está começando, vamos ver o que nossos candidatos têm a dizer.
Cascaes
16.8.2010
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04:57:00
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Ferrovias no Brasil e no Paraná
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Infovias de grande capacidade e o EAD
Quando vemos as cidades engarrafadas, o trânsito lento e os pátios das universidades (de onde sairão nossos profissionais de “nível superior”) cheios de automóveis ficamos pensando na insanidade de uma civilização que ainda não aprendeu a usar a tecnologia para racionalização de suas atividades. Usando a internet, contudo, sentindo no bolso o seu custo (computador, mensalidade da provedora, softwares etc.) percebemos que pagamos caro, muito caro por um serviço distante dos melhores padrões de custo e qualidade possíveis no mundo moderno.
Quando vice – presidente dos EUA, Al Gore gastava seu tempo defendendo a implantação de infovias em seu país. Do artigo “Da cidade de pedra à cidade virtual” de Júlio Moreno[i] vale a pena transcrever o seguinte:
Na comunidade virtual, o principal a se transportar são idéias, tecnologia e conhecimento, o trio que Alvin Tofler classifica como os novos produtos das sociedades da terceira onda. Um século antes dele, outro escritor famoso em sua época, Nathaniel Hawthorne, inspirado pelo desenvolvimento do telégrafo, dizia que "o globo terrestre é um vasto cérebro". Sua leitura, há 30 anos, marcou a juventude de Albert Gore sic hoje vice-presidente dos Estados Unidos e mentor intelectual das ações que o governo daquele país tem feito pela construção não apenas de uma infra-estrutura norte-americana da informação, mas também mundial.
... a revista The Economist. Em sua edição de 21 de maio de 1994, ela afirma que as networks estão se tornando um emulador dos cérebros de empreendedores e acadêmicos de todo o mundo, ao proporcionar um intercâmbio contínuo de conhecimento e colaborações antes possível apenas em centros científicos que florescem, em geral, ao redor de algumas universidades. O espírito que tais centros esperam capturar talvez esteja crescendo basicamente no interior de redes de computadores, diz a revista, "muito além do alcance de planejadores urbanos e burocratas".
Os brasileiros e o ser humano em geral encontram dificuldades para aceitar mudanças radicais. Elas, contudo, são necessárias quando pensamos nas dimensões continentais do Brasil e a necessidade de estendermos a Educação e formação profissional a todos os seus habitantes, estejam onde estiverem.
Com satélites, antenas, cabos telefônicos ou de fibra ótica é extremamente importante que todos consigam acessar o universo WEB e nele, com aparelhos de custo compatível com suas possibilidades, possam estudar, comunicar-se, conhecer o mundo. Mais ainda, em grandes cidades impõe-se evitar deslocamentos que possam ser substituídos por sistemas de comunicação. O Ensino a Distância, EAD, por exemplo, poderá colocar à disposição do aluno a melhor equipe de professores (já que o custo será rateado por muito mais gente e sem a manutenção de prédios e estacionamentos gigantescos). DVDs e livros digitais (usando blogs, youtube, links com outros centros, museus, laboratórios etc) são a complementação de sistemas que tirarão milhares de automóveis das ruas das cidades e/ou passageiros de ônibus, bondes e metrôs. Melhor ainda, com os recursos possíveis as aulas poderão aparecer em texto, LIBRAS e sonoras. Gravadas haverá como repeti-las infinitas vezes e usando espaços de merchandising serem ofertadas sem custos para os alunos (propaganda do MEC, por exemplo).
Sistemas de grande capacidade de internet agilizam a acessibilidade ao youtube onde filmes poderão revelar talentos, fazer a fortuna de pessoas que de outra maneira morreriam desconhecidas. Grandes empresas já sabem como usar a WEB apesar de limitações intrigantes de acessibilidade, só compreensíveis pela priorização de critérios de disciplina, freqüentemente castradores.
Precisamos de infovias e de serviços de internet de baixo custo com alta qualidade. Esse é um diferencial que o Paraná pode oferecer a partir da COPEL, onde temos especialistas e estrutura para o grande salto que universidades, empresas, nossos amigos e até as pessoas mais humildes (principalmente elas) precisam para crescer materialmente e intelectualmente.
Cascaes
9.8.2010
--------------------------------------------------------------------------------
[i] http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:15REN6ZBS3IJ:www.mhd.org/artigos/julio_moreno.html+al+gore+%22infovias%22&cd=10&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
Quando vice – presidente dos EUA, Al Gore gastava seu tempo defendendo a implantação de infovias em seu país. Do artigo “Da cidade de pedra à cidade virtual” de Júlio Moreno[i] vale a pena transcrever o seguinte:
Na comunidade virtual, o principal a se transportar são idéias, tecnologia e conhecimento, o trio que Alvin Tofler classifica como os novos produtos das sociedades da terceira onda. Um século antes dele, outro escritor famoso em sua época, Nathaniel Hawthorne, inspirado pelo desenvolvimento do telégrafo, dizia que "o globo terrestre é um vasto cérebro". Sua leitura, há 30 anos, marcou a juventude de Albert Gore sic hoje vice-presidente dos Estados Unidos e mentor intelectual das ações que o governo daquele país tem feito pela construção não apenas de uma infra-estrutura norte-americana da informação, mas também mundial.
... a revista The Economist. Em sua edição de 21 de maio de 1994, ela afirma que as networks estão se tornando um emulador dos cérebros de empreendedores e acadêmicos de todo o mundo, ao proporcionar um intercâmbio contínuo de conhecimento e colaborações antes possível apenas em centros científicos que florescem, em geral, ao redor de algumas universidades. O espírito que tais centros esperam capturar talvez esteja crescendo basicamente no interior de redes de computadores, diz a revista, "muito além do alcance de planejadores urbanos e burocratas".
Os brasileiros e o ser humano em geral encontram dificuldades para aceitar mudanças radicais. Elas, contudo, são necessárias quando pensamos nas dimensões continentais do Brasil e a necessidade de estendermos a Educação e formação profissional a todos os seus habitantes, estejam onde estiverem.
Com satélites, antenas, cabos telefônicos ou de fibra ótica é extremamente importante que todos consigam acessar o universo WEB e nele, com aparelhos de custo compatível com suas possibilidades, possam estudar, comunicar-se, conhecer o mundo. Mais ainda, em grandes cidades impõe-se evitar deslocamentos que possam ser substituídos por sistemas de comunicação. O Ensino a Distância, EAD, por exemplo, poderá colocar à disposição do aluno a melhor equipe de professores (já que o custo será rateado por muito mais gente e sem a manutenção de prédios e estacionamentos gigantescos). DVDs e livros digitais (usando blogs, youtube, links com outros centros, museus, laboratórios etc) são a complementação de sistemas que tirarão milhares de automóveis das ruas das cidades e/ou passageiros de ônibus, bondes e metrôs. Melhor ainda, com os recursos possíveis as aulas poderão aparecer em texto, LIBRAS e sonoras. Gravadas haverá como repeti-las infinitas vezes e usando espaços de merchandising serem ofertadas sem custos para os alunos (propaganda do MEC, por exemplo).
Sistemas de grande capacidade de internet agilizam a acessibilidade ao youtube onde filmes poderão revelar talentos, fazer a fortuna de pessoas que de outra maneira morreriam desconhecidas. Grandes empresas já sabem como usar a WEB apesar de limitações intrigantes de acessibilidade, só compreensíveis pela priorização de critérios de disciplina, freqüentemente castradores.
Precisamos de infovias e de serviços de internet de baixo custo com alta qualidade. Esse é um diferencial que o Paraná pode oferecer a partir da COPEL, onde temos especialistas e estrutura para o grande salto que universidades, empresas, nossos amigos e até as pessoas mais humildes (principalmente elas) precisam para crescer materialmente e intelectualmente.
Cascaes
9.8.2010
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[i] http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:15REN6ZBS3IJ:www.mhd.org/artigos/julio_moreno.html+al+gore+%22infovias%22&cd=10&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
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EAD,
Infovias de grande capacidade
Renovação de concessões – oportunidades importantes
No Paraná inúmeros serviços e instalações de grande porte devem estar próximos ao final dos prazos de concessão. Ou seja, hidrelétricas, saneamento básico, transporte coletivo etc. deverão ser relicitados. Outros ainda estão em processo de concorrência. Poucos distantes do final ou concedidos recentemente sem discussão ampla de seus efeitos, vantagens e desvantagens para o povo do estado, o que é extremamente lamentável. A discussão é mal feita e os lobistas e corporações atrapalham mais do que ajudam. Precisamos encontrar um fórum respeitável e com honestidade intelectual acima de qualquer suspeita.
Temos casos complicados, como, por exemplo, o da Usina de Segredo que começou a operar no meio do período de concessão compromissado com a União, podendo, portanto, deixar de ser copeliana em breve.
O lixo da RMC é caso antológico de confusão e dúvidas que não terminarão nunca. Tão grave quanto essa situação é o edital para o transporte coletivo urbano de Curitiba, um retrocesso conceitual incrível.
E as hidrelétricas? No caso das usinas geradoras de energia elétrica podemos avançar muito diante das teses de sustentabilidade e necessidade de maior segurança e respeito à natureza.
Detalhes técnicos também precisam ser revistos. Os vertedores estão bem dimensionados? Sabemos que as dúvidas existem. Valeria a pena a ANEEL impor ajustes diante a expectativa de chuvas mais intensas? Para o controle de enchentes, o que pode ser feito? Escada de peixes, eclusas, canais especiais etc. formam um conjunto de obras que todos deveriam estar discutindo sem paixões, modismos e oportunismos, mas atentos ao significado do que se propuser e os custos e benefícios dessas reformas. Note-se que nessas condições uma parte do empreendimento pode ser mantida intacta, contribuindo com uma margem para as correções necessárias.
Alguns serviços e direitos de exploração parecem não ter prazo. Por quê? Vale a questão. Por exemplo, falando de jazidas minerais, devemos rediscutir a legislação existente. Qual deveria ser o critério de renovação de direitos de exploração?
Se nosso povo mergulhar em lógicas e acordos de Poder (distante do povo) descobrirá coisas preocupantes, no mínimo discutíveis.
O Brasil precisa criar oportunidades de investimentos. Os juros precisam cair. Sem as facilidades do empréstimo ao Governo os banqueiros, investidores e as fundações de assistência privada e das estatais (por exemplo) procurarão investimentos de risco. E que risco melhor para a nação do que gastar esse dinheiro em obras de infraestrutura bem feitas, seguras, atendendo requisitos padrão século 21?
Juntando interesses tão diversos quanto as preocupações ecológicas e os de rentabilidade financeira, o Brasil poderá refazer instalações construídas sob paradigmas antigos e riscos desconhecidos (à época), em benefício de todos, pois, evidentemente, os custos serão considerados, ponderados em tarifas e preços.
Com a visão na sustentabilidade, contudo, é importante que a energia, usando-a mais uma vez como exemplo, seja extremamente cara para quem a utiliza perdulariamente ou em aplicações distantes do interesse social.
Precisamos, portanto, rever critérios de concessão e ficar atentos às agências reguladoras que não fazem leis, mas as aplicam num ou noutro extremo conforme o perfil de seus funcionários. Compete ao Poder Legislativo e Executivo negociarem e criarem leis, decretos e metas para as concessionárias e agências. Bons ou ruins são os poderes que representam o povo e têm legitimidade para escolher caminhos.
Estamos a poucos meses de eleger deputados, senadores e o futuro presidente da República. Seria extremamente importante saber como conduzirão essas questões. O que poderá preocupar, nesse apagão da Engenharia no Brasil (graças a leis ingênuas ou mal regulamentadas), é termos propostas simplórias, demagógicas.
Barragens, lixo, esgoto, transporte coletivo e até cemitério são assuntos sérios que demandam competência para uma boa legislação e administração. Quais são as propostas dos nossos candidatos? Baixar tarifas simplesmente? Ou será que agora teremos raciocínios, teses, propostas e projetos mais completos, racionais e absolutamente necessários à Humanidade no século 21?
Cascaes
8.8.2010
Temos casos complicados, como, por exemplo, o da Usina de Segredo que começou a operar no meio do período de concessão compromissado com a União, podendo, portanto, deixar de ser copeliana em breve.
O lixo da RMC é caso antológico de confusão e dúvidas que não terminarão nunca. Tão grave quanto essa situação é o edital para o transporte coletivo urbano de Curitiba, um retrocesso conceitual incrível.
E as hidrelétricas? No caso das usinas geradoras de energia elétrica podemos avançar muito diante das teses de sustentabilidade e necessidade de maior segurança e respeito à natureza.
Detalhes técnicos também precisam ser revistos. Os vertedores estão bem dimensionados? Sabemos que as dúvidas existem. Valeria a pena a ANEEL impor ajustes diante a expectativa de chuvas mais intensas? Para o controle de enchentes, o que pode ser feito? Escada de peixes, eclusas, canais especiais etc. formam um conjunto de obras que todos deveriam estar discutindo sem paixões, modismos e oportunismos, mas atentos ao significado do que se propuser e os custos e benefícios dessas reformas. Note-se que nessas condições uma parte do empreendimento pode ser mantida intacta, contribuindo com uma margem para as correções necessárias.
Alguns serviços e direitos de exploração parecem não ter prazo. Por quê? Vale a questão. Por exemplo, falando de jazidas minerais, devemos rediscutir a legislação existente. Qual deveria ser o critério de renovação de direitos de exploração?
Se nosso povo mergulhar em lógicas e acordos de Poder (distante do povo) descobrirá coisas preocupantes, no mínimo discutíveis.
O Brasil precisa criar oportunidades de investimentos. Os juros precisam cair. Sem as facilidades do empréstimo ao Governo os banqueiros, investidores e as fundações de assistência privada e das estatais (por exemplo) procurarão investimentos de risco. E que risco melhor para a nação do que gastar esse dinheiro em obras de infraestrutura bem feitas, seguras, atendendo requisitos padrão século 21?
Juntando interesses tão diversos quanto as preocupações ecológicas e os de rentabilidade financeira, o Brasil poderá refazer instalações construídas sob paradigmas antigos e riscos desconhecidos (à época), em benefício de todos, pois, evidentemente, os custos serão considerados, ponderados em tarifas e preços.
Com a visão na sustentabilidade, contudo, é importante que a energia, usando-a mais uma vez como exemplo, seja extremamente cara para quem a utiliza perdulariamente ou em aplicações distantes do interesse social.
Precisamos, portanto, rever critérios de concessão e ficar atentos às agências reguladoras que não fazem leis, mas as aplicam num ou noutro extremo conforme o perfil de seus funcionários. Compete ao Poder Legislativo e Executivo negociarem e criarem leis, decretos e metas para as concessionárias e agências. Bons ou ruins são os poderes que representam o povo e têm legitimidade para escolher caminhos.
Estamos a poucos meses de eleger deputados, senadores e o futuro presidente da República. Seria extremamente importante saber como conduzirão essas questões. O que poderá preocupar, nesse apagão da Engenharia no Brasil (graças a leis ingênuas ou mal regulamentadas), é termos propostas simplórias, demagógicas.
Barragens, lixo, esgoto, transporte coletivo e até cemitério são assuntos sérios que demandam competência para uma boa legislação e administração. Quais são as propostas dos nossos candidatos? Baixar tarifas simplesmente? Ou será que agora teremos raciocínios, teses, propostas e projetos mais completos, racionais e absolutamente necessários à Humanidade no século 21?
Cascaes
8.8.2010
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relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
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05:32:00
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domingo, 8 de agosto de 2010
Energia barata ou racionalização
É comum termos reações fortes a mudanças de hábitos. Talvez a causa mais perturbadora de necessidade de mudança de comportamento seja a consciência da utilização excessiva de eletricidade, gasolina, diesel, querosene, carvão etc. como possíveis causas de problemas climáticos colossais. O desafio criado pela descoberta dos efeitos do excesso consumista exige sacrifícios e disposição para mudanças.
Nossa civilização foi construída sobre postulados e paradigmas que precisam ser revistos, o que não é fácil para quem se acostumou às facilidades alucinantes do século 20. As mudanças podem ser desagradáveis, mas é o preço que pagaremos para escapar das piores hipóteses climáticas, ecológicas e ambientais em geral, capazes de afetar gravemente a vida de nossos descendentes se forem verdadeiras.
Obviamente precisamos também desconfiar. Muitos não resistem ao discurso fácil e à mídia forte em torno das propostas ambientalistas. É fácil levantar teses assustadoras e usar alguma estatística mal feita para demonstrações tenebrosas. Vale até usar raciocínios mágicos para dizer que caminhamos para um holocausto sideral.
A prudência, contudo, pesando-se todos os prós e contras, recomenda mudanças a favor de hábitos conservacionistas, sustentáveis: se nada valer, pelo menos a preservação de nossa fauna e flora espetaculares justifica a protelação do que for possível, na esperança de que em breve tenhamos opções melhores. Assim, diante de catástrofes como a da British Petroleum no Golfo do México, devemos pensar melhor sobre nossos hábitos consumistas.
De que jeito impor maior racionalidade?
Campanhas educativas são importantes, se bem feitas e contínuas. Nossas crianças poderão ser diferentes, quando adultas, se desde pequenas ganharem educação conservacionista, de atenção contra o desperdício, de utilização lógica, eficaz e racional dos recursos naturais.
Pode-se, contudo, com facilidade descobrir que uma parcela da população simplesmente despreza qualquer cuidado com a sobrevivência da própria humanidade. Contra esses e a favor de todos impõem-se ações coercitivas. Nada mais eficaz que sobrepor custos disciplinadores. Por conseqüência devemos rever a disposição para baixar tarifas de energia e dos preços de combustíveis (principalmente). Ao contrário, sobre a energia em todas as suas formas devemos ter impostos que inibam seu desperdício, dinheiro que poderá ser usado em favor de todos, no transporte coletivo urbano, por exemplo.
Logicamente é importante que a energia seja a mais barata possível para atividades essenciais, de utilidade pública, e se apresente para qualquer uso com tarifas diferenciadas em função do padrão de consumo.
No Setor Elétrico isso já existiu no Brasil. Nossas tarifas mudavam em função da faixa de consumo residencial.
Discutimos o uso de bicicletas, da importância de deixar o carro na garagem e só usá-lo em última instância. Falamos de arquitetura e urbanismo racionais. Selos e qualificações de qualidade que só damos atenção quando pesam no bolso. Defendemos o passe livre, o transporte coletivo subsidiado. A água tratada não deve ser desperdiçada e o lixo ter destinação adequada etc.
Tudo isso pode ser perdido se a energia tiver custos tão baixos que o cidadão a utilize sem maiores preocupações, inclusive produzindo lixo em excesso. Ela existe em tudo o que fazemos e pode ser o ponto de partida em planos de um novo mundo.
A ignorância política e a insensibilidade social de muitos brasileiros são características facilmente perceptíveis de uma nação que desprezou a Educação desde seus primórdios. É hora de mudanças.
No Paraná a COPEL parou com os descontos em suas tarifas. Perfeito!
A tarifa social existe e todos podem diminuir consumo de energia elétrica se ajustarem seus hábitos e ambientes a lógicas conservacionistas, trazendo suas despesas a níveis suportáveis.
Devemos, isso sim, cobrar de nossos candidatos e do Governo em geral uma reforma fiscal e projetos que nos ajudem a deixar o carro em casa e usar melhor os recursos naturais. Precisamos adotar padrões de vida que, para serem mais saudáveis, exigem segurança, acessibilidade, sociabilidade e ajustes materiais, comportamentais e conceituais, inclusive dos nossos líderes.
E a energia? A favor de um mundo sustentável deve ter custos e usos criteriosos, portanto não pode ser, simplesmente, barata.
Cascaes
7.8.2010
Nossa civilização foi construída sobre postulados e paradigmas que precisam ser revistos, o que não é fácil para quem se acostumou às facilidades alucinantes do século 20. As mudanças podem ser desagradáveis, mas é o preço que pagaremos para escapar das piores hipóteses climáticas, ecológicas e ambientais em geral, capazes de afetar gravemente a vida de nossos descendentes se forem verdadeiras.
Obviamente precisamos também desconfiar. Muitos não resistem ao discurso fácil e à mídia forte em torno das propostas ambientalistas. É fácil levantar teses assustadoras e usar alguma estatística mal feita para demonstrações tenebrosas. Vale até usar raciocínios mágicos para dizer que caminhamos para um holocausto sideral.
A prudência, contudo, pesando-se todos os prós e contras, recomenda mudanças a favor de hábitos conservacionistas, sustentáveis: se nada valer, pelo menos a preservação de nossa fauna e flora espetaculares justifica a protelação do que for possível, na esperança de que em breve tenhamos opções melhores. Assim, diante de catástrofes como a da British Petroleum no Golfo do México, devemos pensar melhor sobre nossos hábitos consumistas.
De que jeito impor maior racionalidade?
Campanhas educativas são importantes, se bem feitas e contínuas. Nossas crianças poderão ser diferentes, quando adultas, se desde pequenas ganharem educação conservacionista, de atenção contra o desperdício, de utilização lógica, eficaz e racional dos recursos naturais.
Pode-se, contudo, com facilidade descobrir que uma parcela da população simplesmente despreza qualquer cuidado com a sobrevivência da própria humanidade. Contra esses e a favor de todos impõem-se ações coercitivas. Nada mais eficaz que sobrepor custos disciplinadores. Por conseqüência devemos rever a disposição para baixar tarifas de energia e dos preços de combustíveis (principalmente). Ao contrário, sobre a energia em todas as suas formas devemos ter impostos que inibam seu desperdício, dinheiro que poderá ser usado em favor de todos, no transporte coletivo urbano, por exemplo.
Logicamente é importante que a energia seja a mais barata possível para atividades essenciais, de utilidade pública, e se apresente para qualquer uso com tarifas diferenciadas em função do padrão de consumo.
No Setor Elétrico isso já existiu no Brasil. Nossas tarifas mudavam em função da faixa de consumo residencial.
Discutimos o uso de bicicletas, da importância de deixar o carro na garagem e só usá-lo em última instância. Falamos de arquitetura e urbanismo racionais. Selos e qualificações de qualidade que só damos atenção quando pesam no bolso. Defendemos o passe livre, o transporte coletivo subsidiado. A água tratada não deve ser desperdiçada e o lixo ter destinação adequada etc.
Tudo isso pode ser perdido se a energia tiver custos tão baixos que o cidadão a utilize sem maiores preocupações, inclusive produzindo lixo em excesso. Ela existe em tudo o que fazemos e pode ser o ponto de partida em planos de um novo mundo.
A ignorância política e a insensibilidade social de muitos brasileiros são características facilmente perceptíveis de uma nação que desprezou a Educação desde seus primórdios. É hora de mudanças.
No Paraná a COPEL parou com os descontos em suas tarifas. Perfeito!
A tarifa social existe e todos podem diminuir consumo de energia elétrica se ajustarem seus hábitos e ambientes a lógicas conservacionistas, trazendo suas despesas a níveis suportáveis.
Devemos, isso sim, cobrar de nossos candidatos e do Governo em geral uma reforma fiscal e projetos que nos ajudem a deixar o carro em casa e usar melhor os recursos naturais. Precisamos adotar padrões de vida que, para serem mais saudáveis, exigem segurança, acessibilidade, sociabilidade e ajustes materiais, comportamentais e conceituais, inclusive dos nossos líderes.
E a energia? A favor de um mundo sustentável deve ter custos e usos criteriosos, portanto não pode ser, simplesmente, barata.
Cascaes
7.8.2010
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relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
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11:57:00
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